O Gênio Da Garrafa

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

Poderia haver alguma utilidade ou valor em coisas que se acha em um lixão? Mesmo que esse “lixo” seja uma antiga garrafa com um gênio dentro? Ou será que neste caso o “lixo” é o próprio gênio?

Há quem diga que “o lixo de uma pessoa é o tesouro de outra” e muita gente hoje em dia (designers e artistas plásticos inclusos) está tentando transformar lixo em luxo em nome da sustentabilidade, seja por reciclagem, reuso ou reaproveitamento de materiais do dia a dia como móveis quebrados, embalagens de alimentos, restos de tecidos e sacolas plásticas, por exemplo.

Mas alguns tipos de lixo, como veremos nesta história, não estão no lixão por engano e realmente não servem para nada. A primeira pista disso é que o personagem principal hoje é o Azarado, de quem também não se pode esperar nada de útil.

Já a aparência “ametralhada” do gênio em questão também dá pistas de sobre como os seus poderes funcionam e como ele consegue materializar as coisas que os Metralhas pedem.

Isto pode ser interpretado também como uma reflexão sobre processos criativos em geral, já que só quem cria “tudo de nada”, se formos acreditar nos preceitos das principais religiões, é Deus. A nós, meras criaturas, por melhores artistas ou artesãos que possamos ser, cabe somente “reaproveitar” os materiais que encontramos na natureza à nossa volta, por mais nobres e valiosos que eles sejam, para conseguirmos materializar as ideias que brotam de nossas mentes.

O nome do gênio, Salam-Inhu, é mais uma criativa alfinetada de papai na cultura árabe, já que “Salam” significa “Paz” no idioma deles, mas o sufixo cria uma contradição em termos ao nos lembrar o alimento “salaminho” que leva, significativamente, carne de porco em sua composição. Isso faz com que os muçulmanos o rejeitem como algo impuro (o que, aliás, é mais uma pista sobre as características deste gênio em especial).

De resto, todas as regras da magia sobre gênios da garrafa tradicionais se aplicam, como o limite de três desejos e os pedidos atendidos ao pé da letra.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Vulto Sinistro

História do Zé Carioca, de 1975.

Os Detetives da Moleza, Zé e Nestor, são chamados a investigar um caso envolvendo um tesouro enterrado em um casarão em ruínas no meio de uma noite escura durante uma tempestade de raios. Está estabelecido, desde o primeiro quadrinho, o cenário perfeito para uma história de fantasmas.

A história segue, de uma maneira como sempre simplificada, o roteiro clássico dos mais tradicionais contos policiais e de mistério da literatura mundial: nada é o que parece ser, os aparentemente inocentes são na verdade culpados, e os aparentemente culpados na verdade são inocentes.

A brincadeira segue com os nomes dos primos, dois macacos netos do “Barão das Bananeiras”. Micco, com dois “C” só pelo efeito cômico, e Mac Acco, em uma grafia que lembra os pomposos sobrenomes escoceses. No final das contas, “mico” e “macaco”, são praticamente sinônimos. É como “o roto falando do rasgado”, por exemplo.

Já o título “Barão das Bananeiras” serve para denotar algo ao mesmo tempo pomposo e prosaico, algo como uma oitava abaixo em relação aos “barões do café”, expressão também pejorativa. Era o título “informal” dado pelo povo aos “coronéis” que compravam esse tipo de título de nobreza para melhor poderem continuar explorando e oprimindo a população mais pobre no entorno de suas terras.

Mas ao que parece existiu mesmo um barão “Das Bananeiras”, com o título oficial de Barão de Araruna. Ele também tinha propriedades em Bananeiras/PB. Vai daí…

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Pé de Sapo, Mangalô Três Vezes!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 12 em março de 1988.

Hoje papai trata de explicar a origem do Sapo Urucubaca, que diz ter sido um marinheiro enfeitiçado por uma bruxa. Como em toda boa história de marinheiros e piratas de todos os tipos, a trama envolve também um tesouro enterrado e a busca por ele.

Levado pela bruxa a uma ilha cheia de sapos, ele é persuadido a desenterrar um baú cheio de coisas preciosas com a promessa de que poderá ficar com ele, mas acaba transformado em sapo pela maldição do tesouro.

A referência, além de às histórias da literatura sobre viajantes do mar e tesouros enterrados, é também à história da Odisseia, especialmente a passagem que coloca Ulisses na ilha da feiticeira Circe, que se divertia transformando homens em animais diversos, e especialmente porcos.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Histórias Do Vovô

História da família Metralha, de 1975.

Em geral, as “vítimas” prediletas do Vovô quando ele resolve contar suas histórias são os Metralhas adultos, mas hoje, por falta dos mais velhos, quem vai escutar o “causo” são os Metralhinhas.

De qualquer modo, não é nenhum grande relato sobre os antepassados, mas sim sobre um plano de assalto bastante recente. Mas isso não quer dizer que a história não terá lá as suas reviravoltas. O leitor atento logo vai perceber que algo está errado quando vir que os próprios Metralhas não contaram a aventura aos meninos. Afinal, eles também gostam de se gabar de seus feitos.

vovo-historias

O plano não chega a ser ruim, mas como não existe crime perfeito, a execução será bem falha e com resultados surpreendentes. O problema é que passou-se muito tempo entre o planejamento e a execução.

vovo-historias1

A verdade é que cidades são coisas muito dinâmicas: a loja que outro dia estava bem ali pode de repente não estar mais, pessoas mudam de endereço, e até mesmo coisas que não se mudam tão facilmente, como bancos e repartições públicas, também podem ser extintas ou mudar de endereço.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

O Conde De Montecristal

História da Família Metralha, de 1980.

Inspirada no livro “O Conde de Monte Cristo”, escrito por Alexandre Dumas e publicado na forma de capítulos em série a partir de 1844, esta é mais uma daquelas histórias que o Vovô Metralha conta e que a gente não sabe se é verdade ou inventada.

De qualquer maneira, o que o Vovô parece estar fazendo (e o que papai estava fazendo sem sombra de dúvida com os leitores) é tentar ensinar, de maneira bem indireta e divertida, alguma coisa de História e literatura aos seus desmiolados netos (até mesmo porque ensinar também é uma forma de amar).

Quando leitura é manga de colete e o interesse pelos estudos é nulo (afinal de contas, se gostassem de ler e estudar talvez os Metralhas não tivessem se tornado bandidos), um “teatrinho” e uma história bem contada podem fazer uma pessoa aprender sem perceber, enquanto pensa que está só se divertindo um pouco.

Já o “papel” de Edmond Dantés (pronuncia-se “Dantês”) é perfeito para o Metralha Azarado, já que se pode argumentar que o personagem principal do livro de Dumas também era um bocado sem sorte. Assim, ele será o personagem central e também a maior vítima de todo tipo de desventura, para a diversão do leitor.

metralhas-montecristal

Quanto ao próprio 1313, além de ser a “linha de ligação” entre todas as histórias desta série, é divertido ver a paixão com a qual ele sempre defende seus vários “antepassados”, na (vã) esperança de encontrar algum que não tenha sido assim tão azarado. Ele parece pensar que encontrar um “1313 sortudo” em algum lugar do passado talvez possa redimi-lo, mesmo que seja só um pouquinho.

metralhas-montecristal1

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

donalda-passado

O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

donalda-passado1

O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

O Tesouro Do Capitão Currupaco

História do Zé Carioca, de 1974.

Esta história é um misto de caça ao tesouro com mistério policial. Como sempre acontece nas histórias de papai com este estilo, nada é o que parece ser e ele se diverte à beça confundindo o leitor até não mais poder.

O vilão Patotonto está de volta, para sua terceira e última aparição nas histórias de meu pai. Ele foi criado por ele em 1973 para a história “Morcego Vermelho em Copabacana”, já comentada aqui, e o único outro autor que usou o vilão foi o Julio de Andrade em 1975, em uma só história.

Outro personagem criado por meu pai que aparece nesta história é o Omar Tufão, um caçador de tesouros usado no ano anterior em “O Tesouro de Tortuga”, também já comentada aqui. Esta será também sua última aparição nos quadrinhos Disney. Apesar de grandalhão e mal-encarado, ele não é um bandido, e acaba ajudando os heróis, no fim.

Tudo gira em torno de um misterioso documento, que o Patotonto diz ser um mapa de tesouro e vende aos amigos Zé e Nestor por uma ninharia. Ao ver isso, o leitor terá certeza de que o mapa é falso. Mas o “caldo” começa a engrossar quando o vilão passa a querer o papel de volta a todo custo, usando o Omar Tufão para tentar comprá-lo de volta por uma pequena fortuna. Isso, é claro, vai dar um “nó nas ideias” do leitor: se o mapa é falso, para quê ele o quer de volta com tanta insistência?

zc-currupaco

O local mencionado, a Ponta do Casqueiro, existe de verdade e fica no Brasil, mas não no Rio de Janeiro, e sim em Santa Catarina. Mas por uma questão de brevidade, papai deixa esse “detalhe” de lado e coloca o local lá mesmo no Morro do Papagaio ou adjacências. Se para ir a Tortuga, no Caribe, os nossos heróis usaram um mero bote a vela, desta vez eles irão ao Casqueiro a pé.

Mas será que o papel é mesmo um mapa? Será que esse tesouro existe realmente? E será que é possível encontrar um tesouro enterrado com base na interpretação equivocada de algo que não é sequer um mapa?

Como sempre, a aventura é mais importante do que a existência ou não de um tesouro. Mas não podemos nos esquecer que, nos quadrinhos, tudo é possível.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

Irmãos Metralha… E Outros Bichos!

História dos Irmãos Metralha, de 1981.

Acho que todo mundo conhece a lenda do pote de ouro no final do arco-íris. Esta é uma variação sobre o tema, com direito à aparição do gnomo que é dono do pote de ouro e a um violento duelo de magia dele com a Madame Min. Os Metralhas só estão aqui hoje para se dar mal.

A inspiração parece vir de uma história fantástica que eu lembro vagamente de ter lido na época em que esta HQ foi escrita, justamente sobre um rapaz que entra em uma floresta e acaba presenciando (ou até participando de) uma batalha de magia com múltiplas transformações. Quando ele finalmente consegue fugir de tudo aquilo e sair da floresta, ele nota que as pessoas que ele encontra pelo caminho se assustam ao vê-lo. Ao chegar em casa e olhar no espelho, ele também grita de susto. O conto termina assim, dando a entender que ele havia sido transformado em algo horripilante.

O duelo de magia é algo recorrente em histórias das bruxas, e especialmente as da Madame Min. Quando ela enfrentou o Mago Merlin, o desafio era transformar a si mesma para melhor lutar. Em outros duelos, como este, o que acontece é uma batalha de raios mágicos, atirados como se atiram granadas, por exemplo. Como todos nós sabemos, ficar perto demais de uma “troca de tiros”, real ou virtual, é algo que acarreta um grande perigo de ser acertado por uma “bala perdida”.

metralhas-bichos

Esta é mais uma daquelas histórias nas quais todos os personagens são vilões, exceto a polícia, é claro, e desta vez as árvores da floresta, que hoje não estão mordendo. O gnomo Babuque parece ser um personagem italiano, mais um dos “adotados” de papai.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

 

O Baú Misterioso

História do Zé Carioca, publicada uma vez só em 1975.

A história trabalha as expectativas do leitor ao brincar com as dos personagens: neste caso, um “baú misterioso” vem parar nas mãos do Zé. Por serem geralmente associados a tesouros, a menção a baús, especialmente em conjunção com mistérios, logo desperta a imaginação das pessoas.

O expediente do leilão é comum em histórias em quadrinhos, e um ótimo ponto de partida para uma bela confusão. Um incauto qualquer (hoje o Zé) vai assistir a um leilão só para ver como é que é, e por acaso faz um gesto brusco que é interpretado como o lance final que arrematará um objeto. Pode ser uma coisa involuntária, como um espirro ou, no nosso caso, um aceno amigável ao leiloeiro.

(Papai uma vez me contou uma história sobre um amigo ou parente que um dia entrou em uma casa de leilões e, ao ver um belo vaso de aparência oriental sendo leiloado pelo que parecia ser um valor irrisório, resolveu dar uns lances. Foi só depois que arrematou a coisa que ele descobriu que aquilo era um antiquíssimo vaso chinês, e que o preço era *por grama* de peso do objeto. Mas regras são regras, e a pessoa teve de fazer um acordo, pagar em prestações, mas não conseguiu anular a compra.)

Além disso, temos outros elementos na história que vão se conectando como em um jogo de “ligar os pontos”. O Nestor está com fome, e entende tudo o que o Zé fala como referência a comida. Assim, “leilão” vira “leitão” em sua imaginação esfomeada, o dinheiro pago pelo baú é lamentado porque poderia comprar um sanduíche, etc.

Isso é uma referência a uma velha piada que papai contava sobre uma pessoa que estava com tanta fome que acabava entendendo “dez para as três” como “dez pastéis”. Mas, mais do que só isso, a fome do Nestor terá na trama uma função a mais: ela vai ajudar com a surpresa final.

ZC bau

Enquanto isso o Zé está às voltas com a *possibilidade* de um tesouro. O baú está vazio, mas há um mapa sob o forro, visível por um rasgo. A pista que papai dá ao leitor é o nome do antigo dono, um certo “Marquês de Qué-Qué-Qué”. Isso é uma referência à brincadeira que se fazia no passado para denotar desprezo por títulos de nobreza: o nobre é sempre um barão, marquês, duque, etc. de algum lugar. Assim, temos o “Duque de Norfolk”, o “Barão de Mauá”, e o “Conde de não sei quê”.

Além disso, a onomatopeia “qué” lembra o grasnar dos patos e é usada como riso, nas histórias Disney. No final, a busca pelo tesouro é mais importante (e mais divertida) do que achar um tesouro ou não. A parte mais importante da viagem é o caminho, dizem os sábios, e nem sempre o lugar onde se quer chegar.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook