O Gênio Da Garrafa

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

Poderia haver alguma utilidade ou valor em coisas que se acha em um lixão? Mesmo que esse “lixo” seja uma antiga garrafa com um gênio dentro? Ou será que neste caso o “lixo” é o próprio gênio?

Há quem diga que “o lixo de uma pessoa é o tesouro de outra” e muita gente hoje em dia (designers e artistas plásticos inclusos) está tentando transformar lixo em luxo em nome da sustentabilidade, seja por reciclagem, reuso ou reaproveitamento de materiais do dia a dia como móveis quebrados, embalagens de alimentos, restos de tecidos e sacolas plásticas, por exemplo.

Mas alguns tipos de lixo, como veremos nesta história, não estão no lixão por engano e realmente não servem para nada. A primeira pista disso é que o personagem principal hoje é o Azarado, de quem também não se pode esperar nada de útil.

Já a aparência “ametralhada” do gênio em questão também dá pistas de sobre como os seus poderes funcionam e como ele consegue materializar as coisas que os Metralhas pedem.

Isto pode ser interpretado também como uma reflexão sobre processos criativos em geral, já que só quem cria “tudo de nada”, se formos acreditar nos preceitos das principais religiões, é Deus. A nós, meras criaturas, por melhores artistas ou artesãos que possamos ser, cabe somente “reaproveitar” os materiais que encontramos na natureza à nossa volta, por mais nobres e valiosos que eles sejam, para conseguirmos materializar as ideias que brotam de nossas mentes.

O nome do gênio, Salam-Inhu, é mais uma criativa alfinetada de papai na cultura árabe, já que “Salam” significa “Paz” no idioma deles, mas o sufixo cria uma contradição em termos ao nos lembrar o alimento “salaminho” que leva, significativamente, carne de porco em sua composição. Isso faz com que os muçulmanos o rejeitem como algo impuro (o que, aliás, é mais uma pista sobre as características deste gênio em especial).

De resto, todas as regras da magia sobre gênios da garrafa tradicionais se aplicam, como o limite de três desejos e os pedidos atendidos ao pé da letra.

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O Vulto Sinistro

História do Zé Carioca, de 1975.

Os Detetives da Moleza, Zé e Nestor, são chamados a investigar um caso envolvendo um tesouro enterrado em um casarão em ruínas no meio de uma noite escura durante uma tempestade de raios. Está estabelecido, desde o primeiro quadrinho, o cenário perfeito para uma história de fantasmas.

A história segue, de uma maneira como sempre simplificada, o roteiro clássico dos mais tradicionais contos policiais e de mistério da literatura mundial: nada é o que parece ser, os aparentemente inocentes são na verdade culpados, e os aparentemente culpados na verdade são inocentes.

A brincadeira segue com os nomes dos primos, dois macacos netos do “Barão das Bananeiras”. Micco, com dois “C” só pelo efeito cômico, e Mac Acco, em uma grafia que lembra os pomposos sobrenomes escoceses. No final das contas, “mico” e “macaco”, são praticamente sinônimos. É como “o roto falando do rasgado”, por exemplo.

Já o título “Barão das Bananeiras” serve para denotar algo ao mesmo tempo pomposo e prosaico, algo como uma oitava abaixo em relação aos “barões do café”, expressão também pejorativa. Era o título “informal” dado pelo povo aos “coronéis” que compravam esse tipo de título de nobreza para melhor poderem continuar explorando e oprimindo a população mais pobre no entorno de suas terras.

Mas ao que parece existiu mesmo um barão “Das Bananeiras”, com o título oficial de Barão de Araruna. Ele também tinha propriedades em Bananeiras/PB. Vai daí…

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Pé de Sapo, Mangalô Três Vezes!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 12 em março de 1988.

Hoje papai trata de explicar a origem do Sapo Urucubaca, que diz ter sido um marinheiro enfeitiçado por uma bruxa. Como em toda boa história de marinheiros e piratas de todos os tipos, a trama envolve também um tesouro enterrado e a busca por ele.

Levado pela bruxa a uma ilha cheia de sapos, ele é persuadido a desenterrar um baú cheio de coisas preciosas com a promessa de que poderá ficar com ele, mas acaba transformado em sapo pela maldição do tesouro.

A referência, além de às histórias da literatura sobre viajantes do mar e tesouros enterrados, é também à história da Odisseia, especialmente a passagem que coloca Ulisses na ilha da feiticeira Circe, que se divertia transformando homens em animais diversos, e especialmente porcos.

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O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

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Histórias Do Vovô

História da família Metralha, de 1975.

Em geral, as “vítimas” prediletas do Vovô quando ele resolve contar suas histórias são os Metralhas adultos, mas hoje, por falta dos mais velhos, quem vai escutar o “causo” são os Metralhinhas.

De qualquer modo, não é nenhum grande relato sobre os antepassados, mas sim sobre um plano de assalto bastante recente. Mas isso não quer dizer que a história não terá lá as suas reviravoltas. O leitor atento logo vai perceber que algo está errado quando vir que os próprios Metralhas não contaram a aventura aos meninos. Afinal, eles também gostam de se gabar de seus feitos.

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O plano não chega a ser ruim, mas como não existe crime perfeito, a execução será bem falha e com resultados surpreendentes. O problema é que passou-se muito tempo entre o planejamento e a execução.

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A verdade é que cidades são coisas muito dinâmicas: a loja que outro dia estava bem ali pode de repente não estar mais, pessoas mudam de endereço, e até mesmo coisas que não se mudam tão facilmente, como bancos e repartições públicas, também podem ser extintas ou mudar de endereço.

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O Conde De Montecristal

História da Família Metralha, de 1980.

Inspirada no livro “O Conde de Monte Cristo”, escrito por Alexandre Dumas e publicado na forma de capítulos em série a partir de 1844, esta é mais uma daquelas histórias que o Vovô Metralha conta e que a gente não sabe se é verdade ou inventada.

De qualquer maneira, o que o Vovô parece estar fazendo (e o que papai estava fazendo sem sombra de dúvida com os leitores) é tentar ensinar, de maneira bem indireta e divertida, alguma coisa de História e literatura aos seus desmiolados netos (até mesmo porque ensinar também é uma forma de amar).

Quando leitura é manga de colete e o interesse pelos estudos é nulo (afinal de contas, se gostassem de ler e estudar talvez os Metralhas não tivessem se tornado bandidos), um “teatrinho” e uma história bem contada podem fazer uma pessoa aprender sem perceber, enquanto pensa que está só se divertindo um pouco.

Já o “papel” de Edmond Dantés (pronuncia-se “Dantês”) é perfeito para o Metralha Azarado, já que se pode argumentar que o personagem principal do livro de Dumas também era um bocado sem sorte. Assim, ele será o personagem central e também a maior vítima de todo tipo de desventura, para a diversão do leitor.

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Quanto ao próprio 1313, além de ser a “linha de ligação” entre todas as histórias desta série, é divertido ver a paixão com a qual ele sempre defende seus vários “antepassados”, na (vã) esperança de encontrar algum que não tenha sido assim tão azarado. Ele parece pensar que encontrar um “1313 sortudo” em algum lugar do passado talvez possa redimi-lo, mesmo que seja só um pouquinho.

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Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

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O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

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O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

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