A Volta Do Conde Cordeiro

História do Mickey, de 1977.

Chefe de uma perigosa organização criminosa e outro dos arqui-inimigos do Mickey e do Esquálidus, o Conde Cordeiro é mais um daqueles personagens promissores mas mal aproveitados criados no exterior e adotados por papai para mais uma aventura, pelo menos.

A inspiração veio da história “Esquálidus Contra O Conde Cordeiro”, com roteiro de Bill Walsh e desenho de Floyd Gottfredson, originalmente publicada em tiras entre 1949 e 1950, que papai provavelmente leu na Edição Extra 67, de 1975.

Esta é uma daquelas batalhas épicas cheias de reviravoltas surpreendentes, grandes sustos e boas risadas, com tentativas de assassinato bem sérias, muito suspense e forte inspiração da história original. Algumas das armas não letais usadas na história são bastante futuristas e muito usadas nas histórias de meu pai, como a arma grudenta, por exemplo, que já existe hoje em dia.

Na companhia do amigo Esquálidus e seu gazecaradraursa Pflip, e apesar dos esforços de proteção por parte da polícia de Patópolis em uma ação comandada pelo próprio Coronel Cintra (para que o leitor sinta a gravidade do drama), o nosso herói se vê sequestrado e levado ao covil dos bandidos, onde ficará cara a cara com um perigoso tigre de bengala e ajudará a libertar alguns cientistas aprisionados.

Um dos cientistas, aliás, de nome Professor Zarrolhos, devido ao destaque que recebe, pode até mesmo ser uma representação do próprio autor, já que papai também gostava de se colocar nas histórias para poder contracenar com os personagens.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

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Os Olhos do Tigre!

História de terror escrita em 1961 e publicada pela editora Taika em “Histórias Sinistras – Seleções de Terror”.

Tenho aqui apenas as páginas da história recortadas da revista original, e por isso não sei o número da edição. Além disso, também não há sinal dos nomes dos artistas. Em nenhum lugar das páginas consta o nome do autor, desenhista ou letrista, como era costumeiro. Estou portanto me guiando pelas anotações de papai na velha lista de trabalho.

Já o estilo da história é dele, sem dúvida. Esta é mais uma variação sobre o tema “olho da deusa”, Diamante Hope, e lendas urbanas semelhantes. De acordo com essas lendas, certas pedras preciosas trazidas para o ocidente da ásia (e especialmente da Índia) pelos britânicos teriam sido na verdade roubadas da decoração de objetos religiosos variados.

Elas são parábolas para a arrogância dos britânicos frente à religiosidade “primitiva” dos nativos, que a moral cristã (convencida de sua própria suposta superioridade) considera meras superstições. Mas o ato de se arrancar olhos, mesmo que seja de estátuas inanimadas, causava uma profunda má impressão e certamente horror e remorsos até mesmo nos próprios ladrões.

A história se passa na Inglaterra, mas se refere a acontecimentos de um passado recente na Índia. Um homem atormentado por visões procura outro que ele conheceu no navio que tomou para voltar da Índia à Inglaterra, no tempo em que o país asiático era colônia do europeu. No decorrer das páginas da história o primeiro vai desfiando uma história inacreditável de ganância e sacrilégio enquanto o outro o encoraja a “contar tudo e não esconder nada”, adotando uma postura paternalista, como a de um médico ou psiquiatra.

Mas é só quando o supostamente racional “doutor” dá completo crédito à história, no final da penúltima página, que o leitor atento começa a desconfiar que algo está mais errado do que o pobre atormentado ladrão de jóias se dá conta. Mas aí, como sempre, já é tarde demais.

A moral da história, além da advertência contra a arrogância religiosa, é que não se deve ir logo acreditando ou confiando em estranhos. Eles nem sempre são o que dizem ser.

Olhos tigre

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