Natal Muito Doido

História de Natal dos Metralhas, de 1985.

O que é pior do que passar o Natal na cadeia? Bem, se você é um Metralha, a resposta é: “passar o Natal fora da cadeia”, é claro.

Na penitenciária de Patópolis, pelo menos, há ordem, relativa calma, e comida. Para quem não consegue se ajustar à sociedade, a privação da liberdade é apenas um detalhe. Os vilões parecem estar tão acostumados com o ambiente da prisão que, para eles, o mundo exterior chega a ser ameaçador.

Tanto que, ao tentar fugir (para quê, nem eles sabem), eles acabam se deparando com uma passagem para o País das Maravilhas. O subterrâneo, para papai, sempre foi uma espécie de “passagem para o subconsciente”, ou para a “Terra Oca”. Túneis e cavernas abrigam todo tipo de surpresa, e quanto mais malucas forem as coisas, melhor.

E bota “maluco” nisso. Esta é uma das últimas histórias de Natal que ele escreveu, e é certamente a mais criativa. O Natal no País das Maravilhas certamente não é nada parecido com o de nossa realidade, e a maluquice é demais para eles. Em vista disso, os Metralhas não terão alternativa senão bater em retirada e voltar para a cadeia de onde vieram.

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A história ainda não está creditada a papai no Inducks, mas acredito que isso será sanado em breve. Eu sei que esta é dele não apenas por causa do nome na lista de trabalho e a revista na coleção, mas também porque me lembro bem que ele ficou muito contrariado porque ela foi publicada na revista Natal Disney de Ouro número 7 com algumas páginas trocadas, e ele veio me mostrar.

Além disso, ele também deixou anotado nas páginas a ordem certa, como deveria ser. Não sei se o problema já foi sanado em outras publicações, mas deixo a ordem correta abaixo:

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Além desta história, há também uma piada de Natal do Morcego Vermelho, de uma página só, publicada em 1976. Não tenho a revista na coleção, mas ela pode ser lida no link.

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Esse Primo É Uma Toupeira

História dos Irmãos Metralha, de 1979.

O “Primo Toupeira”, ou “Mole Beagle”, em inglês, é mais um dos adotados de papai. Ele apareceu no ano anterior em uma história estrangeira e foi usado apenas nela. No Brasil, papai usou o personagem duas vezes: na história de hoje e em mais outra, de 1981.

Se em sua história de criação o personagem usava um relógio em lugar da bússola, nesta papai dá a ele o instrumento correto. Mas isso não quer dizer que o plano de roubo vá dar certo, ou que os túneis cavados chegarão a algum lugar. Já as cenas com vista para dentro dos túneis me lembram aquelas “colônias de formigas” que fazíamos dentro de vidros de conserva, quando crianças.

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A bússola em si é um instrumento tão antigo quanto útil mas, como toda ferramenta, tem suas limitações e está sujeita a falhas. O ponto fraco das bússolas analógicas em geral são campos magnéticos de todos os tipos que, se forem fortes o suficiente, podem fazer com que ela fique completamente descontrolada e passe a apontar não o norte, mas qualquer outra direção, ou a agulha pode até girar como um catavento. Hoje em dia a bússola é digital, e serve de complemento aos sistemas de GPS.

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A pergunta, aqui, é: o quê, ou quem, poderia produzir um campo de magnetismo tão forte a ponto de atrapalhar a bússola do Primo Toupeira?

O termo “toupeira” também é uma expressão pejorativa para designar uma pessoa muito burra, que vive “enterrada” em seu próprio mundo e não consegue “enxergar” o óbvio.

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A Ameaça do Subsolo

História do Poderoso Tor, escrita em junho de 1976 e publicada pela Editora Abril na revista Heróis da TV número 21, de fevereiro de 1977.

De acordo com a lista de trabalho de papai, pouco antes de escrever esta ele estava trabalhando na série de histórias “Professor Pardal na Atlântida”. O interessante é que esta parece ser inspirada, consciente ou inconscientemente, em alguns aspectos da outra.

Os homens-peixe do fundo do mar foram trocados por um povo-toupeira, e as “profundezas” aqui são as da terra, um labirinto de túneis e cavernas. Outra semelhança é o rapto indiscriminado de pessoas inocentes para serem usadas como escravas.

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É uma história bem mais curta e simples do que a saga submarina, obviamente, mas as coincidências são inegáveis. Assim se vê, mais uma vez, como é que uma mesma ideia, desde que bem aproveitada e trabalhada, pode resultar em histórias diferentes para personagens distintos.

Sendo uma história de super herói, é claro que ele terá o papel principal e a incumbência de salvar a todos, com direito aos momentos de dilema e escolhas difíceis, as cenas de luta onde ele demonstra toda a sua força, e sem muito espaço para grandes reviravoltas surpreendentes ou muito humor, até mesmo por causa das características e linha editorial do próprio personagem. Em compensação, há cenas dramáticas e suspense de sobra.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

E Viva O Metrô!

História do Quincas, de 1974.

De vez em quando, papai enveredava por aventuras com personagens diferentes dos habituais. Aqui temos a turma do Brejo do Matão, que está desanimada porque o nome de seu lugarejo não aparece no mapa. Sem entender o que se passa, vão consultar o Corujão, tido por animal mais sábio da floresta.

A partir daí começa uma tentativa de se fazer algo importante, que coloque a região nas notícias, e por conseguinte, no mapa. Mas o que configura algo “importante”? Inspirados nas obras públicas das grandes cidades, eles resolvem então fazer um metrô, como se fosse apenas o caso de se cavar um túnel.

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Com isso, algumas tensões começam a surgir, principalmente entre homens e mulheres. Eles, ingenuamente desejosos de fazer algo realmente grandioso (não podemos esquecer que são bichinhos da floresta, desacostumados com as complexidades da vida nas grandes cidades), e elas (conhecendo o material masculino da região) preocupadas com as espertezas e a bagunça que eles vão certamente fazer.

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Mas, convencidos da importância de seus pífios esforços, eles não se deixam deter. Vão até pesquisar na enciclopédia e mandam chamar um tatu canastra, o maior que existe, para executar a obra.

A história pode ser vista como uma parábola a respeito da futilidade das ambições humanas por honras e glórias, ou até mesmo uma crítica às mirabolâncias e obras pseudo faraônicas dos políticos pelo Brasil afora.

O túnel que leva do nada a lugar algum e “custou caro” em cenouras da horta de Dona Gambá pode ser comparado com obras como o “Minhocão“, em São Paulo. É o tipo da coisa que não serve para nada, mas que é feito para enaltecer o nome de um político, ou de uma cidade, com pouca utilidade para a população e ao longo dos anos se transformando em um “elefante branco” arquitetônico com o qual não se sabe o que fazer.

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E eis aqui um livro muito legal, que vale a pena ser lido. É só dar uma fuçadinha nos links abaixo:

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Uma Tarde De Altos E Baixos

História dos Irmãos Metralha, publicada uma única vez em 1977.

Difícil é entender como uma história boa dessas nunca foi republicada. A ideia é enganadoramente simples: os metralhas estão tentando fugir da prisão por meio dos túneis que estão escavando sob a penitenciária de Patópolis.

O problema é que nenhum deles tem um senso de direção muito apurado, o que acaba criando algumas situações bem constrangedoras (para eles) e muito engraçadas (para nós). Mas o mais engraçado é que eles conseguem cavar um verdadeiro formigueiro e repetidamente sair na superfície em lugares como a sala da guarda, por exemplo, e assim mesmo passam despercebidos o tempo todo.

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O Metralha Meio Quilo é um personagem criado no exterior e usado apenas uma vez por lá, e alegremente “adotado” e usado por papai em mais quatro histórias. Ele associava o personagem com uma brincadeira popular sobre a letra em português do tema de “O Poderoso Chefão” (Fale baixinho que só Deus irá ouvir). É só colocar a palavra “baixinho” entre vírgulas, e temos a piada pronta.

E por falar em formigueiro, mais ou menos nesta mesma época eu fiz uma “fazenda de formigas” num vidro de maionese com a terra e os insetos do quintal (umas formigonas pretas) para um projeto escolar. Só não me lembro quem influenciou quem: se foi papai que se inspirou no meu formigário, ou se foi ele quem me contou sobre como criar as formigas para poder ver os túneis que elas fazem.

Os “altos” e “baixos” são uma referência múltipla que combina a diferença de altura entre os vários metralhas, os túneis, que levam para cima e para baixo, e a tarde de percalços, entre a esperança de conseguir fugir da prisão e a decepção ao sair cada vez em um lugar diferente, mas ainda assim lá dentro mesmo.