O Planeta Dos Autômatos

História do Professor Pardal, de 1975.

Esta história é um resumo de todos os anseios de papai no que diz respeito à existência de vida em outros planetas, à possibilidade de que nossa civilização se encontre com civilizações alienígenas no futuro e às consequências desse encontro.

Ao contrário das visões apocalípticas de muitos, que temem que esses seres sejam hostis e que possam querer nos aniquilar para tomar nosso lugar sobre a Terra, ele acreditava que esse contato poderia ser amigável e trazer grandes avanços tecnológicos a todos os envolvidos.

Para que isso acontecesse, ainda segundo suas teorias, bastaria que a humanidade alcançasse um nível suficiente de capacidade tecnológica que viesse a nos permitir encontrar com eles já no espaço, ou descobri-los antes que eles nos descubram. Essa teoria, aliás, é a base que rege séries de TV de ficção científica como Star Trek, por exemplo.

Isso, mais aliás ainda, difere bastante da tecnofobia exibida em outras histórias de ficção científica criadas por ele, nas quais não há alienígenas envolvidos. O porquê de haver essa confiança tão grande na suposta tecnologia alienígena e tão pequena na tecnologia humana é um paradoxo que eu não sei explicar. Muito provavelmente, é algo que tem mais a ver com os clichês dos quadrinhos do que realmente com as ideias pessoais de meu pai.

Representando a humanidade como um todo, ao fazer o “test drive” de uma nova e revolucionária tecnologia para foguetes, o Professor Pardal acaba encontrando uma civilização de pequenos robôs muito parecidos com o lampadinha. Eles a princípio são hostis, e têm a intenção de invadir o nosso planeta.

Já que, para evitar essa catástrofe, uma guerra está fora de questão, somente a cooperação tecnológica poderá resolver o problema. A grande sacada de papai é a de que, se os seres são artificiais, criados por um inventor alienígena (e nesse ponto temos também um “aceno” às teorias de “Eram os Deuses Astronautas” de Erich Von Daniken), por quê o planeta deles também não pode ser?

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Contatos Imediatos No Terceiro Degrau

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é a última história escrita por papai para os alienígenas liderados pelo Rei B-A-H. Depois desta aventura o antipático líder partirá com sua nave e tripulação, com a intenção de nunca mais voltar.

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Hoje eles nem precisarão tomar a forma dos terráqueos mas, em compensação, haverá um contato imediato para ninguém botar defeito. A inspiração vem, é claro do filme “Contatos Imediatos”, de 1977.

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Além disso, temos também a revelação de onde fica o planeta dos transmorfos (se bem que ela não ajuda muito), e a solução do “conflito” pelos cogumelos. Para os alienígenas eles são tão importantes, que nem imaginam que por aqui os cogumelos não têm valor material nenhum.

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Há também uma referência mais ou menos “profética” aos “Homens de Preto”, se bem que o filme de 1997 já é baseado nos relatos que acompanham as histórias de avistamentos desde os anos 1940. Mas aqui são os próprios alienígenas que se encarregam de ocultar os traços de sua passagem pela Vila Xurupita, inclusive “apagando” as memórias da turma.

Por último, um alerta sobre o consumo de cogumelos: alguns tipos deles são, sim, comestíveis, e muito nutritivos, mas outros são tóxicos, alucinógenos e até mesmo muito venenosos. O consumo de cogumelos recolhidos diretamente da natureza pode ser terrivelmente perigoso, especialmente se você não sabe diferenciar os muitos tipos que existem. (Crianças, não façam isso em casa). Muito mais seguro, para quem quiser experimentar, é comprar as bandejinhas vendidas nos supermercados.

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Um Tremendo Furo

História do Peninha, de 1977.

A palavra “furo”, como quase todas elas, tem mais de um significado. Tudo depende do contexto, é claro. Em jornalismo, um “furo” é uma notícia inédita e exclusiva, aquela que ninguém mais tem para dar. Já em outros contextos ela pode significar um rasgo, buraco ou orifício, uma depressão que atravessa de um lado a outro de um objeto. Hoje, papai brincará com todas estas acepções da palavra.

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Além disso, para engrossar um pouco mais esse caldo, ele usará a noção dos sonhos proféticos que “emprestou” ao Peninha. Por ser totalmente “lado direito” do cérebro, o pato abilolado tem também, na visão de papai, uma intuição bastante desenvolvida expressada em sincronicidades e sonhos no mínimo curiosos que acabam se manifestando na realidade desperta. Esse, aliás, é um talento que ele próprio tinha e que associou também a outros dos seus personagens prediletos, como o Zé Carioca.

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A minha teoria quanto a esse assunto é a de que, em uma noite bem dormida, as pessoas que se lembram dos seus sonhos com facilidade (todo mundo sonha, mas nem todos se lembram deles ao acordar) imaginarão quase todos os desfechos possíveis para algum problema ou preocupação que esteja ocupando suas mentes. Isso acontece por causa da capacidade analítica do cérebro humano, que nunca para de funcionar, mesmo quando adormecido.

Assim, quando um dos desfechos imaginados acaba se realizando a pessoa pode se convencer de que previu os acontecimentos antecipadamente, e na maioria dos casos foi isso mesmo o que aconteceu, mas não por causa de algum fenômeno sobrenatural. A coisa só se complica quando aparecem, nos sonhos, informações das quais a pessoa não poderia ter conhecimento por vias normais. Mas esse é assunto para um outro dia.

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A Máquina Misteriosa

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada na revista Patrícia em Quadrinhos pela Editora Abril em 1987.

A trama conta com algumas sugestões de minha mãe e tem várias referências a piadas internas da família, como chamar uma máquina inútil de “desentortador de bananas”, ou a definição de UFO como “Urubu Fora de Órbita”.

O comportamento do Terremoto, chutando canelas a torto e a direito, é algo que meu irmão fez, quando pequenininho. Durante uma peça de teatro infantil, ele subiu no palco e deu um chute na canela do ator que interpretava o pirata malvado. E se não me engano, o formato dos alienígenas da história também vem dos desenhos dele.

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De resto, a história se parece com muitas que papai fez sobre o tema dos contatos imediatos. Ela me lembra um pouco inclusive “Uma Invasão de dar Pena”, na qual o Biquinho põe os Alienígenas Transmorfos para correr.

A diferença é que a intenção frustrada dos visitantes do espaço, desta vez, não é a invasão da Terra e aniquilação de seus habitantes, mas o bem mais benévolo intercâmbio científico. Junte-se a isso o fato de que ninguém acredita na palavra de crianças pequenas, e temos a receita certa para que, como sempre, a existência desses seres continue sendo uma incógnita.

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A Galinha Marciana

História da Turma do Lambe-Lambe, de Daniel Azulay, escrita em abril de 1982 e publicada pela Editora Abril em setembro do mesmo ano, na revista número 5 da série.

É uma comédia de erros desencadeada pela falta de comunicação entre o Professor Pirajá e a Galinha Xicória. Ele inventa algo importante, mas não quer contar a ela o que é. O problema é que ele resolve esconder tudo, fórmula e invenção, justamente na cozinha. Daí até a empregada encontrar e fazer a maior confusão são dois palitos.

Interessante é a sacada do “desmaio ao contrário”: já que ela não pode cair para baixo, por força da poção que tomou, então ela acaba indo bater no teto.

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O resto da trama é uma confusão e histeria coletiva com o tema “discos voadores”, na qual até mesmo a galinha flutuante é confundida com um “marciano”. A coisa toda lembra um pouco várias outras histórias de invenções e UFOs que papai escreveu naqueles tempos para a Disney.

E a “lição de moral” é clara: quem vive em uma casa com outras pessoas não deve ter segredos absolutos, nem escondê-los onde possam ser facilmente encontrados. O mesmo vale para materiais perigosos, como certos produtos de limpeza, por exemplo. Uma comunicação franca e verdadeira, por mais que você ache que a outra pessoa não vai entender, e mesmo que seja só para dizer “não mexa nisso”, é sempre a melhor política.

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Zé Carioca Invisível

História do Zé Carioca de 1984.

Anéis mágicos e seus poderes são o tema de muitas histórias de ficção e fantasia, desde antigas fábulas árabes e africanas e até clássicos da literatura ocidental, como “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien.

Aqui temos uma história que logo de cara se inicia com um estrondo, literalmente. Alguma coisa cai do céu sobre o topo do Morro do Cochilo, perto de onde o Zé costuma passar tardes inteiras dormindo. Todos, incluindo o nosso amigo dorminhoco, passam a história inteira achando que o estrondo foi causado pela queda de um meteorito (e não meteoro, como aparece nas páginas). Mas a verdade é que, se papai tivesse usado o termo correto, poderia ter alienado o leitor, já que não é todo mundo que realmente sabe a diferença.

Em todo caso, a teoria do meteorito pode até explicar a muito real queda de um objeto bastante sólido, mas não explica o aparecimento do anel, que em um primeiro momento vem voando e acerta o Zé em cheio na cabeça. Estariam os dois acontecimentos relacionados? Que anel é esse? De onde veio? Será uma joia, valerá alguma coisa? Para não chamar a atenção o Zé resolve virar a pedra do anel para o lado de dentro da mão, fora da vista dos amigos, e é nesse momento que ele descobre o poder “mágico” do objeto.

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E ele até consegue se divertir um pouco com sua invisibilidade e fazer algumas das coisas que uma pessoa poderia pensar em fazer se tivesse esse tipo de poder, como passar rasteiras e dar empurrões em seus desafetos. É claro que ele precisará ser castigado por isso, no final. Mas mais do que ser desmascarado, ter de confessar e se arrepender, como aconteceria em uma clássica história Disney como as do Pato Donald, por exemplo, aqui o castigo do Zé está intimamente ligado à revelação final sobre a verdadeira natureza do anel.

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OVNEs Objetos Voadores Nada Engraçados

História do Zé Carioca, de 1984.

Esta não é explicitamente uma história com temática de “1º de Abril”, mas serve.

Papai se considerava quase um ufólogo. Ele costumava pesquisar todas as histórias de OVNIs que chegavam aos livros e à imprensa, e tinha uma teoria bem formulada sobre o que poderia ser considerado ou não um evento ufológico verdadeiro.

O primeiro indício, dizia ele, seria um padrão de voo não linear, já que todas as máquinas voadoras já inventadas pelo ser humano voam em linha reta. Outro é que eles nunca estão sozinhos: quando aparece um, geralmente aparecem vários, juntos ou um em seguida do outro, durante alguns dias.

Mas é claro que “nem tudo o que reluz é ouro”, e muitos eventos comuns ou cotidianos perfeitamente explicáveis podem passar por ufológicos em momentos de entusiasmo ou pânico.

Talvez nem seja o dia da mentira, mas desta vez o Zé Galo está a fim de pregar peças com a turma. Ele começa atrapalhando a jogada de sinuca do Zé Carioca, aos gritos de “olha lá, olha lá”, de fora do bar. (Jogo de sinuca de bar é sagrado, gente, não se faz uma coisa dessas). No fim não há OVNI algum, mas a reação indignada da turma só atiça mais ainda a vontade do pilantra de fazer o pessoal de bobo.

Então ele espera anoitecer e começa a inventar, com lâmpadas em pipas, balões iluminados, fogos de artifício e, quando já está amanhecendo, pratos pintados e um estilingue. Tudo o que possa ter um padrão de voo incomum, voar iluminado à noite, ou se parecer com um disco voador. Interessante é que o Zé Galo também parece ter algum conhecimento sobre o assunto, a ponto de saber como falsear uma aparição.

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De irritado, o povo da Vila Xurupita passa a muito assustado, até que o último truque  do vilão falha, e eles percebem que foram enganados a noite toda. É nesse momento que eles passam a irritados novamente, e saem procurando o palhaço sem graça com paus e pedras, dispostos a dar-lhe uma surra. Mas a punição não virá da turma. Isso seria óbvio demais. “Com o desconhecido não se brinca”, diria papai, e a verdade é que o Zé Galo estava sendo observado a noite toda, enquanto fazia os mais variados objetos voarem, e não por ninguém da turma. Então, quem seria o “observador misterioso”? Dá para desconfiar. Afinal, toda mentira tem seu fundo de verdade.

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