O Roubo Da Coroa Do Rei

História do Zé Carioca, de 1977.

É Carnaval, e o Pedrão é o Rei Momo da Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita. A trama é menos sobre o desfile em si, e mais sobre uma tentativa de sabotagem de um grupo rival, que rouba a coroa para que o Pedrão não possa desfilar.

A história tem como ponto de partida uma antiga marchinha de Dircinha Batista cujo tema é a coroa do Rei Momo. A letra da canção menciona justamente a falta de valor material da coroa de fantasia feita de lata, que qualquer um que tenha as características corretas pode usar, e que geralmente é usada por uma pessoa diferente a cada ano.

O resto da trama fica por conta do engenhoso plano que a turma coloca em prática para reaver a coroa roubada e prosseguir com os planos para o desfile, se bem que não exatamente da maneira pretendida em um primeiro momento.

Hoje temos a adição por papai de mais alguns personagens à turma do morro, entre eles o Bernardão, o Jair e o Ratão, que aparecem somente nesta história.

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O Sucessor

História do Zé Carioca, de 1979.

Já que o Pedrão não pode, este ano, ser o Rei Momo da Escola de Samba Unidos da Vila Xurupita por motivo de viagem, a turma vai precisar arranjar outra pessoa para substituí-lo. O problema vai ser, em um lugar tão pobre, encontrar alguém gordo o suficiente para a função.

É então que, diante da absoluta falta de outro candidato, e por não querer usar enchimentos que poderiam cair durante o desfile e tirar pontos da Escola, o Zé resolve fazer o “sacrifício” de engordar (e aproveitar para tirar a barriga da miséria) às custas do caixa da agremiação.

Pode-se argumentar que hoje em dia existem muito mais pessoas obesas nas favelas do Brasil, e há quem possa se sentir tentado a relacionar o fenômeno com algum tipo de melhora nas condições financeiras das populações mais pobres, mas a verdade é que, no final dos anos 1970, o brasileiro em geral não tinha o tipo de acesso a tantos alimentos industrializados e calorias vazias como o que temos atualmente.

Interessante será o método usado para fazer o nosso amigo ganhar peso. Nos quadrinhos, a crítica de livros de auto ajuda e de dietas, por exemplo, é a de que os métodos ensinados neles no mínimo não funcionam, quando não acabam tendo o efeito contrário.

Assim, a cada nova história de Carnaval papai vai examinando um aspecto diferente da festa, a cada vez sob um novo enfoque.

Apesar de não estar ainda creditada no Inducks, ela é dele, sim. O que aconteceu foi que ele só se lembrou de anotar seu nome na Lista de Trabalho quando ela foi republicada, em 1988.

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O Afonsinho Da Vila

História do Zé Carioca, de 1983.

Na “nova” Vila Xurupita (depois da passagem do Gênio Eugênio), os membros da turma podem até ter casas novas de alvenaria para morar, mas continuam desempregados e sem dinheiro.

Mas uma turma alegre dessas, ao invés de ficar pelos cantos se lamuriando e com vergonha por estar sem trabalho, resolveu fazer uma roda de samba. Era uma cena comum, em bairros da periferia naqueles tempos: juntavam-se os amigos, principalmente os desempregados, e passavam o dia em um quintal, batucando.

É claro que essas reuniões logo ficavam mal faladas, com os vizinhos passando na rua e apontando os “desocupados”. Assim, para não sofrerem críticas, os batuqueiros logo inventavam um “importante e urgente ensaio da escola de samba”, ou algo “sério” do gênero. Do mesmo modo, o Zé e sua turma têm a criativa ideia de fazer uma roda de samba “beneficente” em prol dos desempregados da Vila que, no final das contas, são eles mesmos.

Como a Rosinha deixa claro em sua indignação ao saber do detalhe, fazer festa beneficente em causa própria não vale. A desaprovação da namorada do Zé é a “deixa” que papai usa para mudar de assunto: já que o plano dos desempregados da Vila não “colou”, e de qualquer maneira eles estão precisando de um cantor, entra em cena o Afonsinho.

Quer dizer: a “cena” vai até ele, que está cantando paródias de antigas marchinhas de carnaval em casa, dentro de uma banheira cheia de água e sabão. E não é que o pato canta bem? O problema, como veremos adiante, é que ele só canta bem quando está na banheira.

Isso também é algo muito comum: o momento do banho diário é de relaxamento, e a pessoa, sozinha por trás da porta fechada (essa é, frequentemente, a única chance que algumas pessoas têm de passar alguns momentos sem ninguém por perto observando e julgando), se descontrai e se permite até cantar um pouco.

A acústica de certos banheiros, com bastante eco, também ajuda, e a pessoa chega até a se convencer de que canta bem. Mas depois, ao sair, a timidez e a insegurança tomam conta, o eco desaparece, e o cantor de chuveiro volta a ser o desafinado de sempre.

Mais importante, para a história, do que a bagunça criada em volta do Afonsinho nas páginas seguintes, é a solução que o Zé vai encontrar para conciliar o “cantor de banheira” com a roda de samba.

“Afonsinho da Vila” é uma referência clara a Martinho da Vila, de Vila Isabel (e da Escola da Samba Unidos de Vila Isabel) no Rio de Janeiro.

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Zé Do Carnaval

Esta história, publicada em 1976, é uma pequena parábola sobre o que pode acontecer com quem se deixa deslumbrar com uma chance de “aparecer”.

A Vila Xurupita ainda é uma favela de casinhas de madeira no Morro do Papagaio, e o casebre do Zé é feito de caixotes de azeite, a julgar pela inscrição em uma das tábuas em seu interior.

Convidado para substituir um papagaio famoso do morro vizinho, o Morro do Periquito, e convencido (em todos os sentidos) de sua capacidade artística e musical ao pandeiro, nosso herói não se contenta em apenas fazer um papel e fingir que toca o instrumento, como instruído pelos seus contratantes.

Ele quer mais, muito mais, dando uma de “grande estrela”, e começa a fazer mil exigências. Entre elas está, aparentemente, a criação da Unidos de Vila Xurupita, que começa como uma “ala convidada” na Unidos do Morro do Papagaio.

O problema é que no final o Zé do Carnaval, o papagaio que o Zé deveria substituir, se recupera da doença que o impedia de participar do desfile, e o nosso Zé acaba se dando mal. Como se diz por aí, “quanto mais alto o coqueiro…”

Mas de tudo isso ainda se tira uma lição positiva: faça o que fizer, sempre exija um contrato.