Pescadores De Águas Turvas

História do Zé Carioca, de 1981.

Pescar, mais do que um esporte, é uma arte e uma aventura. Você sabe como vai chegar à beira da água, mas nunca como, exatamente, estará quando sair de lá.

O fato é que quanto maior e mais velho o peixe, mais difícil é capturar o animal, especialmente com técnicas mais simples de pescaria como vara, linha e anzol. É como no caso do ditado que diz que “macaco velho não bota a mão em cumbuca”: o bicho já passou por tantas encrencas (e escapou de todas, é claro) que conhece todos os perigos e todos os truques, e não se deixa mais capturar.

E algumas espécies de peixes são mais espertas e difíceis de pegar que outras, como as Carpas e as Trutas. Estas últimas, aliás, são tão espertas que seu nome virou uma espécie de gíria para “enganação”, ou “engodo”. A expressão “sai que é truta (ou treta)” é uma advertência contra uma possível cilada.

Papai aqui fala de uma carpa em uma lagoa, mas a referência é a um antigo conto sobre “aquela velha truta” que pescador nenhum consegue pegar, e que, ao final da aventura, parece estar rindo do pobre coitado que ousou enfrentá-la. Nós lemos esta história há décadas em alguma já velha edição do “Readers Digest”, se não me falha a memória, mas não lembro muitos detalhes.

Mas a história, aqui, é basicamente a mesma: são as várias e acidentadas tentativas de pegar um peixe enorme que sempre consegue escapar do anzol, de maneiras cada vez mais espetaculares, para a diversão do leitor.

O nome da lagoa, “Pirajadaí”, pode ter algo a ver com a localidade de Pirajuí, no Estado de São Paulo, mas é mais provavelmente um simples jogo de palavras. “Pirar”, em gíria, quer dizer “sair”, ou fugir (como em “vou pirar daqui”). Seria então uma advertência para que os dois saiam logo dali, porque o lugar “não está para peixe”.

Já a expressão “pescar em águas turvas”, aqui usada como título, é um velho ditado português que significa “procurar tirar proveito/vantagem de uma situação confusa ou difícil”. Mas isso, como a carpa desta história poderia dizer, é o que veremos.

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O Feriado Das Surpresas

História do Peninha, de 1977.

Toda vez que o Peninha sai para pescar, sozinho ou com outras pessoas, o Ronrom acaba dando um jeito de ir junto, sempre como clandestino.

Volta e meia papai revisitava o tema, sempre mantendo alguns elementos fixos (como o gato escondido entre as coisas dos patos) e variando um pouco em outros. Por exemplo: hoje o Ronrom vai conseguir aprontar todas e bagunçar à vontade do começo ao fim sem ser visto por ninguém, apesar dos acessos de espirros do Tio Patinhas, que tem alergia a gatos.

O interessante é que cada personagem tem uma ideia diferente sobre o que fazer durante o passeio de feriado: o Patinhas, que convidou a si mesmo e sequer pagou a gasolina, quer que os sobrinhos trabalhem, escrevendo uma matéria para o jornal A Patada sobre a excursão. O Donald quer jogar bola (e depois pescar), o Peninha quer subir nos coqueiros para catar seus frutos, e o Ronrom só pensa em pesca e em peixes.

Isso é uma coisa comum em passeios de família, é claro. São raras as vezes em que não é preciso negociar o que fazer uma vez que se chega ao destino, e frequentemente a teimosia de alguns acaba por causar bastante estresse em uma situação que deveria ser prazerosa e relaxante.

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A Fabulosa Pescaria

História do Gordo, de Ely Barbosa, composta em maio de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista do personagem, número 6, de setembro do mesmo ano.

Hoje teremos a junção de dois temas que papai usou algumas vezes nos anos anteriores em histórias Disney: a pescaria (que sempre dá margem a relatos bastante fantasiosos, como o daquele peixe que escapou que era simplesmente enooorme, por exemplo) e o monstro do lago (como por exemplo em “O Monstro do Lago Neca” e “O Monstro do lago”, a primeira do Zé Carioca e a segunda do Morcego Vermelho, já comentadas aqui).

Como sempre não será uma simples releitura, mas uma variação sobre o tema que é perfeitamente adaptada às características dos novos personagens e sempre com um toque de mistério e pistas para que o leitor possa pelo menos tentar adivinhar o que está realmente acontecendo.

Com o tema da pescaria, papai trabalha hoje o dilema de se pescar ou não em local proibido, claramente sinalizado com uma placa. Se não há ninguém por perto para fiscalizar, pode-se simplesmente ignorar a proibição? Ou será que há mais alguém ali? O leitor atento logo vai perceber que os meninos não estão sozinhos.

Quanto ao monstro do lago, como nas histórias anteriores, também aqui ele será falso. Apesar disso, ele não será um vilão, e sim uma espécie de “guardião”. Mas até que isso se revele o susto dos garotos vai ser grande, e as risadas do leitor também.

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Tio De Peixe, Peixão É

História do Zé Carioca, de 1984.

Não é nenhuma novidade que o Zé é “vida mansa”. Também não é segredo que, para ele, a vida é um eterno domingo. Ele também já está até acostumado com a implicância do pai da Rosinha, mas a verdade é que tudo tem limite, e ele tem toda a razão de se revoltar, principalmente quando, repreendido por estar indo pescar em plena segunda feira, ele descobre que o Rocha Vaz pretende fazer a exata mesma coisa no exato mesmo dia.

ZC peixe

Até aí, tudo bem… O problema é que o velho tucano praticamente intima a filha a ir com ele. Desconfiada, a Rosinha dá um jeito de levar o Zé com ela, no que faz muito bem. Já no avião ela descobre que tudo não passa de um plano do chato Zé Galo e de seu pomposo tio, Epaminondas, para dar o golpe do baú.

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A história contém também vários elementos de antigas piadas de pescador, e a ambientação de selva, com a pescaria no Rio Araguaia, lembra bastante também antigas histórias do Luis Carlos, rival anterior do Zé pela mão da Rosinha. Mas é claro que, se ele não conseguiu nada com ela, por que o galo conseguiria? A diversão não é saber se o plano vai ou não dar certo, mas sim como é que vai dar errado.

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Acampamento Ideal

História do Peninha, de 1975.

O outro personagem principal da história é o Ronron, que segue o Peninha até o Acampamento Municipal de Patópolis porque acha que viu uma vara de pescar entre os apetrechos do pato, e espera conseguir roubar um peixe.

Mas só espera, pois o que ele realmente encontra é uma situação bem diferente. Como ele está fazendo algo errado em seguir o Peninha, já que os dois realmente não se bicam, é claro que os planos do Gato não podem dar certo.

Ronron acampamento

Em todo caso, e apesar da confusão causada pelo atrapalhado treinamento de golfe do Peninha, tudo está bem quando acaba bem e – pasmem – o Ronron acaba até ganhando um peixe do pato.

Nesta história podemos ver que o Ronron não é realmente mau: ele pode ser arisco, saber usar as unhas, mas na verdade só segue os seus instintos de gato faminto por peixes. No momento em que o Peninha se vê numa grande encrenca, o gato encontra o jeito de salvar-lhe as penas.

Na página 5 temos uma homenagem ao Jorge Kato, colega de papai na Abril, talvez inserido pelo Euclides Miyaura, que é o desenhista desta história, ou até mesmo por papai, numa de muitas “cutucadas” bem humoradas que ele dava nos amigos.

Jorge Kato acampamento

Quem Siri Por Último…

História do Zé Carioca, publicada pela primeira vez em 1978.

É uma típica história de pescador, onde todos os envolvidos estão convencidos de que pegarão mais siris que os outros, cada um com a sua técnica. Mas a natureza é caprichosa, e não se rende assim tão facilmente.

O título é um trocadilho com o ditado “ri melhor quem (se) ri por último”. Rir-se é uma forma reflexa do verbo Rir, que já foi muito usada para indicar quando uma pessoa está rindo para si mesma por desdenhar, ou “fazer pouco” de outra.

Isso é, aliás, o que mais acontece nesta história, onde todos os principais personagens se acham melhores caçadores de siris do que os outros, e zombam-se mutuamente até que percebem que eles também não vão pegar nada.

Temos aqui também uma pequena “alfinetada” aos manuais que a Disney do Brasil gostava de publicar na época, uma brincadeira onde o Zé Carioca se baseia num “Manual do Pescador” com o qual, ele garante, aprendeu tudo o que há para se saber sobre como pegar siris.

O interessante é que, a julgar pelas fontes que eu pesquisei na internet sobre como pescar o bicho, as três técnicas usadas, ou seja, a chique vara de pesca do Zé (aliás, basta um barbante com um pedaço de peixe amarrado na ponta), o Puçá do Nestor (sim, uma rede de malha fina parecida com aquelas de caçar borboletas) e a tarrafa do Zé Gaivota (uma rede de pesca mais profissional), são adequadas para a tarefa. O local também. Pelo jeito, é possível pegar siris em rios, lagos, praias e entre as pedras em quase todas as regiões costeiras.

Nestor puçá

E ainda assim, nenhum dos três consegue pegar nada. O problema, claramente, não é o equipamento, nem o local. São os pescadores, mesmo.

Tarrafa Zé Gaivota

Mas de qualquer maneira o Zé acaba pegando alguns siris, ao cair na água com o Nestor. Mas não, absolutamente, da maneira que pretendia.

ZC siri

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