Fórmula Zé-Ro

História do Zé Carioca, de 1973.

As corridas de automóveis estavam entre os esportes prediletos de papai mas, ao contrário do Xadrez, isso era algo que ele não praticava. Fã do Emerson Fittipaldi, ele apenas gostava de assistir e se inspirar na perícia dos pilotos, mas nem tanto na velocidade, para dirigir defensivamente e acompanhar a manutenção dos vários carros que teve ao longo da vida.

Esta história tem como tema central a vontade do Zé de agradar à Rosinha, já que às vezes ela se cansa um pouco do estilo de vida folgado do namorado malandro. E como ela gosta de corridas (e de corredores), nada melhor do que se tornar corredor também. Mas, é claro, isso é algo que é mais fácil falar do que fazer.

A trama começa a ficar interessante quando o Zé se vê obrigado a improvisar, sempre com a ajuda do Nestor, o amigo que nunca o deixa na mão.

Já a “Gincana Surpresa”, organizada por um canal de TV, a “TV Visão”, é inspirada não apenas na Fórmula 1, mas também na Corrida Maluca e em histórias como “O Carrinho Fantástico”, que serviria de inspiração também para as histórias do Vavavum publicadas mais tarde na Revista Crás! e “O Pequeno Campeão” da revista Destaque e Brinque, todas já comentadas aqui.

O “Fórmula Zé-ro” (Fórmula 0) no nome da história seria uma referência às capacidades automobilísticas do Zé, já que, como piloto, ele realmente “não é de nada”. E, é claro, a gincana também não se chama “surpresa” por acaso…

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O Carrinho Fantástico

História infantil publicada na Revista Recreio número 189, de 21/02/1973.

Escrita por papai e desenhada por Brasílio, esta é a história de um menino chamado Valtinho, que tem um carrinho de madeira todo incrementado, com direção, breque, farol, buzina e banco. Um dia o carrinho ganha também um motor de bicicleta, presente do irmão de Valtinho.

É o sonho de todo menino: ter um carrinho que não apenas desce a ladeira no embalo, mas também tem um motor para dar mais velocidade! (Taca-le pau, Valtinho!) Só que Valtinho acelera tanto, mas tanto… que acaba viajando no tempo e indo parar na época dos índios e dos bandeirantes, onde encontra dois meninos da sua idade, um índio e um bandeirante, e faz amizade com eles.

Recreio 189

Valtinho então os traz de volta para o futuro em seu carrinho, e quer levá-los à TV para provar que viagens no tempo são possíveis. Mas eles acabam indo parar no meio de uma banda de Carnaval que passava na rua (afinal, é fevereiro), cheia de meninos e meninas fantasiados de índios e de bandeirantes, tornando bastante improvável que alguém vá acreditar na história dele.

Papai voltaria a esta ideia no ano seguinte ao criar o Vavavum, uma versão mais adulta do menino com o carrinho, em uma aventura também um pouco mais adulta, para a revista Crás!

Vavavum

Em 1974 a Editora Abril começou a publicar uma nova proposta em quadrinhos, inspirada num formato europeu, que aparentemente era sucesso por lá. Nasceu assim a revista Crás!, que se propunha a “mostrar o trabalho de argumentistas e desenhistas, profissionais ou amadores, que, nos mais variados gêneros e estilos, buscam valorizar as histórias em quadrinhos brasileiras”.

Ótima ideia, as mais nobres intenções, e uma grande empresa do ramo editorial buscando se colocar a serviço da Nona Arte, mais do que realmente se preocupar apenas com as vendas. E apesar disso tudo (ou até mesmo por causa disso tudo) a revista durou apenas limitados 6 números. Em todo caso, papai teve a honra de participar do primeiro número com duas histórias, a primeira das quais comento hoje.

O roteiro de Vavavum, que conta com desenhos de Nico Rosso e Herrero, combina vários elementos recorrentes nas histórias Disney de papai, com outros que ocorriam mais nas não-Disney. Eu a considero “quase Disney”.

A paixão de papai pelas corridas automobilísticas é aqui refletido no personagem principal e seu super carro, com a mágica “sexta marcha”, que o leva a uma outra dimensão. Papai voltaria ao tema “corrida” em “O Pequeno Campeão”, de 1981, que eu já comentei aqui.

Outros temas recorrentes que vemos são por exemplo a reação do líder de uma das tribos que o corredor encontra, que se recusa a falar com ele por acreditar que ele não existe, que papai já havia usado numa história do Zé Carioca em 1973, “No Reino da Pindaíba”, que eu também já comentei, ou a incapacidade desse mesmo líder de conseguir montar um cavalo, coisa que papai também usou em vários personagens Disney.

Mas de resto a história é uma grande e intencional mistura: alguns personagens, armas e armaduras, e até mesmo nomes, se parecem com algo saído de uma lembrança histórica greco-romana. O filósofo na barrica, com seu cajado e sua lâmpada, é uma referência ao grego Diógenes de Sinope. (Esse filósofo é, também, o “modelo” para uma carta de Tarot, O Eremita.) Já a cidade tem grossas muralhas e prédios de vários andares e, apesar da aparência “antiga”, essa civilização tem até computadores, que são operados por uma equipe de “filósofos” e usados para prever ataques da tribo inimiga como nós faríamos a previsão do tempo.

E no meio dessa salada toda, Vavavum, habitante do século 20 e piloto de corridas, tenta entender o que está acontecendo, e como voltar para a sua própria dimensão. Finalmente, quando ele tenta se convencer que tudo não passou de uma alucinação causada pela velocidade, lá está a marca de uma pedrada em seu capacete, para provar que tudo aquilo não foi apenas ilusão.

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