Criança Sofre!

História do Professor Pardal, de 1980.

Muita gente sonha em voltar aos tempos de infância e ser criança de novo para poder fazer todas as coisas de que gostava e rever seus entes queridos que podem já não estar entre nós.

Mas pouca gente se lembra de que, mesmo que a idade adulta não seja fácil, a vida de uma criança pode ser também bastante complicada. O principal problema de ser criança é a falta de autonomia que faz com que elas estejam sempre sob a supervisão e submetidas à autoridade dos adultos, que sempre acham que sabem o que é melhor para elas (e frequentemente com toda a razão) e podem não acreditar no que elas têm a dizer, mesmo que seja verdade.

Em todo caso, mais do que uma oportunidade para filosofar sobre as dores e as delícias de ser criança, papai viu aqui uma chance de proporcionar à Nani Metralha (criada no exterior em 1977 com o nome original de Nanny Beagle para uma história só e publicada no Brasil em 1979) mais uma aventura antes que ela caísse na mais completa obscuridade.

Essa personagem é um misto de babá com avó e tia velhinha, uma cuidadora super protetora e condescendente que trata os jovens Metralhas como se fossem anjinhos, mesmo sabendo de suas traquinagens. Como bem sabemos, mimar uma criança, fazer todas as suas vontades e fazer vista grossa para todos os seus erros é a receita certa para criar um adulto de valores completamente distorcidos.

Assim, temos pelo menos uma explicação possível para o mau caráter dos Irmãos Metralha e de como eles chegaram a ser os bandidos que são.

O resto são variações sobre o tema da história original, com algumas coisas fielmente adotadas, como a máquina do tempo que mais parece um cofre e a boa fé do Pardal, que se deixa levar na lábia dos Metralhas na esperança de poder regenerá-los, e outras diferentes, como a volta à infância propriamente dita e não à adolescência.

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No Tempo Dos Piratas

História do Professor Pardal, de 1980.

Muito antes de “De Volta Para o Futuro”, papai já brincava com a noção de paradoxos nas viagens no tempo. A pergunta que se faz é: se esse tipo de viagem fosse possível, quais seriam realmente as chances de que um visitante de um tempo com tecnologia mais avançada entrasse e saísse de uma época sem influenciá-la de alguma maneira?

Será que essa pessoa conseguiria resistir à tentação de adaptar seus conhecimentos para poder viver melhor, ou até mesmo enfrentar alguma situação de perigo, como a que vemos nesta história? E como isso afetaria a vida dos habitantes originais daquele tempo? (É, aliás, nessa mesma premissa que se baseia Erich Von Däniken em sua teoria dos “antigos astronautas”: seriam os “deuses” na verdade astronautas – ou até mesmo viajantes do tempo – que ensinaram os rudimentos da alta tecnologia aos nossos antepassados mais primitivos?)

A máquina do tempo do Pardal é sempre a mesma, em todas as histórias que papai escreveu com esse tema: trata-se de um aparelho parecido com um enorme despertador analógico, daqueles antigões. A curiosidade é que a máquina tem uma aparência bastante humanoide, com o sino no topo por chapéu, os ponteiros parecendo bigodes, pés com sapatos, e uma projeção frontal que lembra uma língua, e que serve de assento para o viajante. Ela é quase um personagem por si só.

O interessante é que algumas coisas nunca mudam, apesar de tudo. Hoje veremos que ambos os laboratórios, o do Pardal do presente e o do Pardal do passado, têm caixas reservadas para “inventos inúteis”. Se prestarmos atenção, veremos que a do Pardal do presente contém nada menos do que a Máquina Talvez, que seria no futuro a estrela da História do Computador.

Hoje temos a primeira aparição de Thomás “El Borrón”, o pirata antepassado do Mancha Negra. Ele seria usado novamente dois anos depois no episódio da História de Patópolis que trata do ataque dos piratas à antiga Vila de Patópolis.

A ilha de nome Barataria que o Borrón cita, de onde viriam reforços de piratas, existe de verdade. Fica na costa dos EUA, no estado da Louisiana. No ano citado nesta história, 1738, os Estados Unidos ainda eram colônia britânica e os piratas a usavam para desembarcar mercadorias contrabandeadas fora das vistas dos fiscais do Rei, já que ela ficava longe das bases navais oficiais. Já no final do século XVIII e início do XIX, a ilha ficou famosa como base do Pirata Lafitte.

Curiosamente, a ilha é citada também na história de Dom Quixote: seu escudeiro, Sancho Pança, se torna governador do lugar.

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Mistério no Deserto

História do Capitão Valente publicada na Revista Pic-Pic número 17, de 1981.

O brinquedo para montar da vez é um tanque de guerra genérico, e a história também terá algo a ver com um tanque de guerra. Este brinquedo teve a maquete e o desenho feitos por José Moreno Cappucci, e a arte final é de Ricardo Soares C. da Silva.

CV Deserto

Com história de papai e desenho de Rubens Cordeiro, hoje vemos a volta da “Dra. Frankemberg”, cientista nuclear que apareceu pela primeira vez na história “Operação Resgate”, já comentada aqui. Hoje ela é a namorada do Capitão Valente, e nos é revelado que seu nome é Célia.

Coincidentemente, Célia é o segundo nome de minha mãe, e nosso sobrenome também termina em “berg”. Isso colocaria o Capitão quase como uma espécie de alter-Ego de papai. Bonita, inteligente, decidida e boa de briga, ela é a típica heroína de papai: coadjuvante ainda do personagem principal masculino, mas perfeitamente à altura dele e sua igual em todos os sentidos. Certamente, a inspiração vem de heroínas clássicas como Diana Palmer e Jane.

CV Deserto1

Em viagem de férias e sobrevoando um deserto, o aviador e sua companheira se veem às voltas com mais um dos acontecimentos misteriosos que dão o tom a esta série de histórias (que aliás termina hoje, já que esta é a última história deste personagem que tenho aqui que ainda faltava comentar). Após uma inexplicável avaria que obriga o Capitão a fazer um pouso de emergência no meio do nada, uma estranha nuvem aparece de onde saem soldados armados que falam um idioma ininteligível, e até mesmo o tal tanque de guerra.

CV Deserto2

Quando tudo parece perdido, a nuvem engole o avião dos heróis e desaparece com ele depois de recolher o tanque e os soldados. Nenhuma explicação é dada. Não se sabe se os culpados são alienígenas, viajantes do tempo, cientistas malucos, ou o que o valha, mas também não vem ao caso. O fato é que este deve ser o assalto mais espetacular das histórias em quadrinhos.

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Viagem ao Século XXV

História do Capitão Valente, publicada pela Editora Abril na revista Pic-Pic número 1, de 1981. Os desenhos são de Claudino, e a arte final de Átila.

São dois modelos de avião em cartão: um  é o Biplano C-17, modelo clássico, e o outro é um “avião de treinamento” genérico. Além disso, a revista traz também uma breve História do Avião, com texto de José Marcos Pereira de Araújo.

É um começo caprichado para a série de revistas, e a história de papai, composta especialmente para a ocasião, não poderia ficar atrás. Em uma aventura que combina a aviação com os mistérios paranormais que dariam o tom da série toda, a primeira aparição do Capitão se dá em pleno ar, na cabine de seu avião, e já de saída em apuros.

O que se segue é uma trama perfeitamente fantástica, com referências ao clássico Buck Rogers, cujas histórias eram criadas e roteirizadas por Philip Francis Nowlan e ilustradas por Dick Calkins. De especial interesse é o último quadrinho da segunda página, que nos dá uma deslumbrante visão da civilização humana daqui 500 anos, com direito a cidades que flutuam no ar e discos voadores como meio de locomoção. Serão os “alienígenas” que supostamente nos visitam apenas humanos do futuro, com a capacidade de viajar de volta no tempo?

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Latópolis 2000

História do Professor Pardal, de 1973.

Trata-se de um breve exercício em futurologia. O nome da história é uma brincadeira com o nome Patópolis (algo como “cidade das latas”), e o “2000” é uma referência ao novo milênio. Na segunda metade do século XX muita gente se divertia tentando imaginar como seriam/estariam as coisas no início do século XXI.

A comida enlatada é algo que remonta ao século XVIII, e que tem sido verdadeiramente providencial para a segurança alimentar de um número crescente de seres humanos no planeta. Mas é claro que esse método de conservação de alimentos tem seus prós e contras, desde o uso, lá no início, de metais tóxicos como o chumbo e o estanho e até um problema que perdura até hoje, que é o que fazer com as latas usadas.

Mas ao contrário do que papai previu, após atingir o auge nos anos 1970-80, hoje em dia o uso de latas para conservas parece se encontrar em franco declínio. Outro dia mesmo eu ouvi duas funcionárias de um supermercado comentando, enquanto reabasteciam uma prateleira, que há cada vez menos latas à venda. Os fabricantes estão preferindo as embalagens de vidro ou os sachês de plástico. Decididamente, esta não é uma das histórias “proféticas” de papai, como “O Roubo da Tocha Olímpica”, por exemplo, e talvez seja melhor assim.

Cansado de carregar latas e mais latas do supermercado até sua despensa, o Pardal resolve dar um pulinho no futuro e ver como vão as coisas. O que ele descobre é que ele mesmo acabou inventando milhares de utilizações inusitadas para coisas em lata, e quase enterrando Patópolis sob uma montanha de latas usadas. Em nenhum momento se fala em reciclagem, que seria o lógico hoje em dia para eliminar tanto material descartado, mas isso faz parte da graça toda da coisa.

Mais interessante do que o devaneio sobre latas é o exercício em ficção científica inspirado em filmes e séries dos anos 1960-70, com especial destaque para a presença de todo tipo de máquina eletrônica e as roupas em modelos bizarros. Se há uma coisa que mudou menos do que os nossos hábitos alimentares nesses anos todos, certamente foi a moda. Mas se dependesse dos filmes antigos, estaríamos realmente todos vestidos com batas de bolinhas, hoje em dia.

Pardal latopolis

Outra sacada interessante é a evolução dos próprios personagens, nesse decorrer de mais ou menos 30 anos representado aqui: os sobrinhos do Donald, do Mickey e do Pateta, e até mesmo os Metralhinhas, já estão todos adultos. E todo mundo parece levar um abridor de latas no bolso para onde quer que vá.

Pardal latopolis1

E o Peninha, quem diria, agora é diretor do jornal A Patada. Esse era provavelmente papai tentando se imaginar dali 30 anos, já que ele sempre se identificou fortemente com o pato abilolado. Mas o Pardal tem razão: o mundo dá umas voltas bem malucas às vezes, e nem todas são como a gente espera…

Pardal latopolis2

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

O Carrinho Fantástico

História infantil publicada na Revista Recreio número 189, de 21/02/1973.

Escrita por papai e desenhada por Brasílio, esta é a história de um menino chamado Valtinho, que tem um carrinho de madeira todo incrementado, com direção, breque, farol, buzina e banco. Um dia o carrinho ganha também um motor de bicicleta, presente do irmão de Valtinho.

É o sonho de todo menino: ter um carrinho que não apenas desce a ladeira no embalo, mas também tem um motor para dar mais velocidade! (Taca-le pau, Valtinho!) Só que Valtinho acelera tanto, mas tanto… que acaba viajando no tempo e indo parar na época dos índios e dos bandeirantes, onde encontra dois meninos da sua idade, um índio e um bandeirante, e faz amizade com eles.

Recreio 189

Valtinho então os traz de volta para o futuro em seu carrinho, e quer levá-los à TV para provar que viagens no tempo são possíveis. Mas eles acabam indo parar no meio de uma banda de Carnaval que passava na rua (afinal, é fevereiro), cheia de meninos e meninas fantasiados de índios e de bandeirantes, tornando bastante improvável que alguém vá acreditar na história dele.

Papai voltaria a esta ideia no ano seguinte ao criar o Vavavum, uma versão mais adulta do menino com o carrinho, em uma aventura também um pouco mais adulta, para a revista Crás!