Que Rei Sou Eu?

História do Pena das Selvas, de 1983.

Este é o “duelo do século”: Pena das Selvas contra Barzan! O próprio Pena é inspirado no Tarzan, e se intitula o “Rei das Selvas”, como também era chamado o original.

A linha de raciocínio, aqui, parece ser um exercício de imaginação sobre o que poderia acontecer se o Tarzan viesse tirar satisfações com o Pena das Selvas pelo “plágio” aparentemente cometido. No duelo que se segue a turma da selva se divide em duas hilárias torcidas fanáticas.

Mas as referências para esta história são mais profundas do que pode parecer. Para começar, o título vem de uma antiga marchinha de Carnaval lançada em 1945 (eu disse que era antiga) por Francisco Alves, ou Chico Alves, para os fãs. Pelo sucesso que fez com seu vozeirão, o cantor chegou a ficar conhecido como “O Rei da Voz”. Nesta canção, ele parece ironizar o apelido.

Já a fala do Biquinhoboy, que diz “eu não quero nem olhar” é uma referência à atuação de Ary Barroso (sim, o mesmo compositor que criou a Aquarela do Brasil, que seria usada por Walt Disney no desenho animado de apresentação do Zé Carioca) como narrador de futebol na mesma época da marchinha de carnaval de Chico Alves.

Fã histérico do Flamengo, Ary Barroso muitas vezes se recusava a anunciar os gols dos adversários quando narrava os jogos do seu time do coração, ou se saía com essa de que “não queria nem olhar” quando seu time sofria um ataque, ou ainda chegava a desmaiar no meio da narração (que era mais torcida do que jornalismo, na verdade).

O problema era que, naquele tempo, as partidas de futebol eram transmitidas e narradas pelo rádio! Se o narrador não olhasse para o jogo e o descrevesse muito bem, como é que os ouvintes poderiam entender o que estava acontecendo em campo?

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Os Sobreviventes

História do Peninha, de 1977.

Esta não é a primeira nem a última vez que papai retrata o Peninha como piloto de aviões de pequeno porte, em especial monomotores de cabine aberta e movidos a hélice. Creio, inclusive, que esta é uma característica que acompanha o personagem desde sempre, juntamente com a preferência do pato abilolado pela motocicleta como veículo terrestre.

A coisa toda também é levemente inspirada em histórias reais de acidentes aéreos, como por exemplo o famoso Milagre dos Andes (ou Tragédia dos Andes) acontecido cinco anos antes, em 1972. Este caso, que foi tão trágico quanto espetacular, serviu como inspiração para vários livros e filmes, aliás.

Pilotar a aeronave que seja durante um forte nevoeiro ou tempestade não é, para dizer o mínimo, uma coisa segura, ou mesmo sensata, de se fazer. É por causa de condições atmosféricas como estas que muitos acidentes aéreos acontecem, como o retratado nesta história.

E é também verdade que é preciso ter muita perícia como piloto para transformar o que poderia ser uma queda feia e mortal em um pouso forçado. O pato é abilolado, é desastrado, é atrapalhado, mas também tem seus talentos e habilidades.

Sem saber exatamente onde estão e perdidos em um matagal no meio de uma tempestade, os dois primos lutam contra o frio e a chuva na tentativa de sobreviver até que o tempo melhore e eles possam finalmente pedir ajuda ou tentar sair dali.

Mas, é claro, também nesta história nem tudo é o que parece ser. A chave para a solução da trama está na estimativa do Peninha sobre a localização do avião. Afinal, “a última vez”, como medida de tempo, é algo bastante relativo.

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Biquinhoboy, Meu Tesouro!

História do Pena das Selvas, de 1984.

Esta é a história de apresentação do personagem Biquinhoboy, criado por papai para ser um alter-Ego do Biquinho na turma da selva, do mesmo modo que o Biquinho participa das histórias do Peninha.

A diferença é que o Biquinhoboy é um adotado do Pena das Selvas, e não exatamente um sobrinho. É a coisa mais próxima de um filho que se vê em histórias Disney.

Considerando que o Pena das Selvas é uma mistura de Jim das Selvas com Tarzan, o Biquinhoboy é inspirado no filme “Tarzan e o Menino das Selvas” de 1968. Aliás, o próprio Biquinho é um patinho abandonado que foi criado por porcos-espinho, em alusão ao Mogli, criado por lobos, e ao próprio Tarzan, criado por macacos. Além disso, a menção a “meu tesouro” no título da história é uma alusão à história do Biquinho chamada “É a Fase”, de 1982, já comentada aqui.

O resto da história são sátiras dos antigos filmes de heróis da selva, juntamente com menções à cultura popular (na primeira página o Biquinhoboy está batucando “bum bum paticumbum prugurundum”, em uma referência a um samba-enredo da Império Serrano do ano de 1982) e até mesmo lembranças das brincadeiras de infância.

Quando as crianças se juntavam para brincar de mocinho e bandido, forte apache ou mesmo de aventura na selva, era comum que um “chefe” da brincadeira começasse a mencionar “leis” para a atividade, que geralmente eram inventadas na hora, à medida que a coisa toda ia se desenrolando, em um esforço de usar os outros para ganhar alguma vantagem.

Mas é claro que nem sempre os outros participantes da brincadeira aceitavam a tudo em silêncio, e acabavam encontrando maneiras de virar essas “leis” em favor de si mesmos.

As menções a Mbonga (Tarzan) e a Guran (Fantasma) servem para adicionar referências e também para dar pistas sobre que tipos de livros as crianças dos tempos de papai liam para depois ir brincar de faz de conta.

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O Pena Das Selvas Ataca Novamente

História do Pena das Selvas, criada em 1978 e publicada em 1981.

A princípio, este deveria ter sido mais um dos personagens da linha de quadrinhos do Peninha na redação de A Patada, em adição ao Pena Kid, o Xaxam e a Assombração do Porão. Com o passar do tempo, porém, o elemento de meta quadrinhos deixou de ser usado para ele.

Em todo caso, na trama de hoje ainda temos o Peninha em sua mesa de trabalho, às voltas com o lápis, o papel e o esquadro de ângulo reto, como eu vi meu próprio pai fazer tantas vezes ao longo dos anos.

Pena das Selvas

A história em si é propositadamente meio tosca, já que está sendo escrita pelo Peninha, mas tem alguns elementos interessantes que são a marca registrada de papai. O primeiro é a menção a uma “Cachoeira de Tangananika”, um trocadilho com as palavras “tanga” e “nanica”, e uma referência ao Lago Tanganica, na África.

Além disso, temos um “guerreiro africano” que foi contratado para participar da história montando guarda no acampamento dos caçadores (como se contrataria um figurante de um filme de Tarzan) no Rio de Janeiro, mais exatamente no Morro do Pavãozinho (que, como todos sabem, é a inspiração para o “Morro do Papagaio”, morada do Zé Carioca).

Pena das Selvas1

Para finalizar voltamos ao Peninha em sua mesa de desenho, mais uma vez mostrando ao leitor como se faz uma história em quadrinhos ou filme B com tema de selva. O argumentista tem uma lista de elementos “selvagens” que ele pode combinar para montar sua aventura. Até aí, tudo bem. O problema é que o Peninha peca pelo excesso, combinando elementos demais e tumultuando a história.

Pena das Selvas2

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Banzé Das Selvas

História do cachorrinho Banzé, escrita em 1974 e publicada em 1979.

São apenas três páginas de roteiro simples e charmoso. Todos os personagens principais são animais, e os únicos dois humanos que vemos são meros coadjuvantes, testemunhas incrédulas da ação dos bichos.

A palavra “banzé” é sinônimo de confusão, balbúrdia, bagunça. E é justamente isso que acontece nesta história: uma pequena bagunça causada por um filhote de macaco que aparece do nada na casinha do cachorrinho na hora da soneca e o atrai para uma aventura em uma “selva” que fica estranhamente próxima.

O comportamento do Banzé aqui, aliás, lembra bastante o de qualquer criança humana arteira e seria “ecoado” anos depois nas histórias do Biquinho. Há também uma forte influência de filmes de aventura na selva, em especial os dos personagens Tarzan e Jim das Selvas, referência do cipó usado como meio de transporte.

Banze selva

E por falar em filmes, eu me lembro de, no início dos anos 1980, ter assistido em videocassete ao filme “Banzé no Oeste“, de Mel Brooks, que havia sido originalmente lançado justamente em 1974. Papai estava bastante animado com esse filme, que achou muito engraçado, mas eu, criança e fã dos quadrinhos Disney, pensei que veria o cachorrinho na tela e me decepcionei bastante. Quando, visivelmente desapontada, perguntei a ele onde estava o Banzé, que não aparecia nunca, ele riu bastante e me explicou o significado da palavra que dá nome ao personagem.

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Confusões Em Super-8

História do Donald e do Peninha, de 1976.

Quem nunca sonhou em poder deixar o trabalho de todo dia, “demitir o patrão”, e seguir alguma outra carreira mais artística e empolgante? Pois é exatamente isso que os primos jornalistas tentam fazer, desta vez.

P&D super8

Munidos de uma câmera em “Super-8“, nossos heróis se aventuram nas montanhas e florestas nas cercanias de Patópolis na tentativa de fazer um documentário sobre a vida selvagem para participar de um concurso.

Para os anos 1970, a tecnologia usada é a mais avançada possível. A filmadora era razoavelmente portátil, fácil de operar, e podia gravar filmes (em película fotográfica) de curta duração em cores e com som. Como o resultado final costumava sair bom (quando o cinegrafista sabia o que estava fazendo, é claro), muitos festivais consagrados de cinema passaram a ter uma categoria especial de premiação para esse tipo de filmagem.

Da conversa dos patos aprendemos que naqueles tempos as pessoas precisavam ir ao cinema para ver esse tipo de filme. Ao que parece, a própria National Geographic começou assim, primeiro com a revista e depois com a produção de filmes para o cinema e a TV, antes de finalmente estabelecer o canal de TV a cabo que conhecemos hoje.

Mas entre assistir um documentário já pronto e produzir um deles desde o começo há uma grande diferença, e os patos vão aprender da maneira mais difícil que a prática é bem diferente da teoria.

P&D super81

Findas as esperanças de fazer carreira como cineastas, depois de muitas trapalhadas, só resta aos primos voltarem à redação e negociar novas condições de trabalho com seu tio sovina. Mas a sofisticada câmera Super-8 não ficará esquecida num canto. Papai mais uma vez habilmente conecta o início com o final da história, e os rapazes encontrarão uma utilidade final para ela, em mais um “capítulo” de uma “novela” que pode ser chamada de “como sacanear seu chefe”.

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