A Chegada Da Prima Vera

História do Zé Carioca, de 1982.

Esta é a primeira história (de duas) que papai compôs para a personagem Vera, uma adição à turma da Vila Xurupita que era inspirada em uma prima dele na vida real. Aqui, ela é parente do Nestor. A outra história, chamada “A Paixão do Pedrão”, já foi comentada neste blog.

A “Prima Vera” é uma garota muito bonita, e por isso mesmo atrai a atenção (algumas vezes indesejada) dos rapazes, e os ciúmes (frequentemente injustificados) das outras moças. A crise de ciúmes da Rosinha (e como o Zé lidará com isso) será uma parte central da trama.

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Mas além de ser uma celebração da estação do ano Primavera (muito apropriadamente, ela foi publicada pela primeira vez no mês de setembro) a história serve para mostrar que a Vila Xurupita está progredindo: ao time (e estádio!) de futebol e à escola de samba é adicionado um clube, onde a turma do agora bairro (que deixou de ser favela no ano anterior sob os auspícios do Gênio Eugênio), pode se reunir e fazer suas festas.

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Mais detalhes sobre de onde veio a ideia para a criação da personagem Prima Vera podem ser lidos na postagem “Pedrão, o fim do mistério” aqui neste mesmo Blog.

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Ora, Pipocas!

História do Zé Carioca, escrita em dezembro de 1976 e publicada pela primeira vez em março de 1978.

Ela segue a mesma linha de outra, chamada “Zé da Venda” e já comentada aqui, escrita poucos meses antes no mesmo ano de 1976. A trama também é parecida: precisando de um dinheiro, o Zé resolve abrir um pequeno negócio no qual não precise trabalhar duro demais.

Apesar de (ainda) estar creditada ao Julio de Andrade, a presença do nome da história na lista de trabalho e da revista na coleção não me deixam dúvidas. Além disso, papai também adorava uma pipoca feita na manteiga, gosto esse que “deu” ao Zé.

Outra pista é a presença do personagem Zé Gaivota, um marinheiro criado por papai e usado só por ele como uma espécie de “conhecido” da turma do Morro do Papagaio. A função do personagem é aparecer de vez em quando meio assim do nada, apenas passando pela rua, e interagir de alguma maneira. Por ser marinheiro ele viaja muito, o que justifica as longas ausências, e por ter uma profissão e um emprego, ele tem a vantagem de sempre ter algum dinheiro no bolso.

Quer dizer, vantagem, em termos. Ele inclusive já emprestou o dinheiro para o Zé abrir a famosa venda, mas hoje vai tentar comprar dois saquinhos de pipoca de dois Cruzeiros cada com uma nota de quinhentos Cruzeiros.

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De trapalhada em trapalhada, de gente a quem ele deve pequenos valores aproveitando para comer uma pipoquinha na faixa e até uma tentativa de golpe, o Zé acaba não vendendo nada. Mas isso não quer dizer que ele ficará sem o dinheiro para comprar o presente da Rosinha.

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Esta também é a primeira e única aparição do vilão da história, um certo Quico Urubu (e não “Chico” como consta no Inducks), o que faz dele mais uma das criações de meu pai.

A interjeição “Pipocas!”, ou mesmo “Ora, Pipocas!” era, naqueles tempos, uma exclamação muito comum para quem quisesse expressar seu descontentamento com algo sem precisar recorrer a palavras de baixo calão.

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Contatos Imediatos No Terceiro Degrau

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é a última história escrita por papai para os alienígenas liderados pelo Rei B-A-H. Depois desta aventura o antipático líder partirá com sua nave e tripulação, com a intenção de nunca mais voltar.

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Hoje eles nem precisarão tomar a forma dos terráqueos mas, em compensação, haverá um contato imediato para ninguém botar defeito. A inspiração vem, é claro do filme “Contatos Imediatos”, de 1977.

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Além disso, temos também a revelação de onde fica o planeta dos transmorfos (se bem que ela não ajuda muito), e a solução do “conflito” pelos cogumelos. Para os alienígenas eles são tão importantes, que nem imaginam que por aqui os cogumelos não têm valor material nenhum.

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Há também uma referência mais ou menos “profética” aos “Homens de Preto”, se bem que o filme de 1997 já é baseado nos relatos que acompanham as histórias de avistamentos desde os anos 1940. Mas aqui são os próprios alienígenas que se encarregam de ocultar os traços de sua passagem pela Vila Xurupita, inclusive “apagando” as memórias da turma.

Por último, um alerta sobre o consumo de cogumelos: alguns tipos deles são, sim, comestíveis, e muito nutritivos, mas outros são tóxicos, alucinógenos e até mesmo muito venenosos. O consumo de cogumelos recolhidos diretamente da natureza pode ser terrivelmente perigoso, especialmente se você não sabe diferenciar os muitos tipos que existem. (Crianças, não façam isso em casa). Muito mais seguro, para quem quiser experimentar, é comprar as bandejinhas vendidas nos supermercados.

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Tição Acordado – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 06 de agosto de 1993 e nunca publicada.

Ela é inspirada em uma história do Urtigão de 1993. Esse fato está inclusive anotado na margem da primeira página. Isso, por algum tempo, me levou a crer que ela também seria de papai. Mas agora penso que talvez não seja, não tenho certeza.

Em todo caso a noção do tição mágico é interessante, e parece ter algo a ver com as tradições da festa de São João no Brasil. Isso “casa” bem com o estilo de papai, sempre interessado em folclore e magia popular.

Ele gostou tanto da ideia que resolveu aproveitá-la para outros personagens, como já havia feito no passado com outros objetos mágicos, começando com os superamendoins e chegando até o Ídolo de Jade, por exemplo.

Interessante é o “método Zé Carioca” de fazer uma feijoada, em um caldeirão que parece coisa de bruxa, como se fosse uma poção ou uma sopa. Apesar de pouco realista, esse estilo de “cozinhar” faz uma boa imagem nas páginas impressas. Esta é, também, a penúltima história de papai e a última onde aparece toda a turma.

As bruxas são desconhecidas, um bando de quatro, talvez até meia dúzia delas, sem nomes, nunca vistas antes nem depois em histórias Disney. Papai talvez usasse bruxas mais conhecidas. Mas assim mesmo as “leis da magia” tradicionais se aplicam. Mesmo tendo feito a mágica e tendo direito ao atendimento do desejo, a turma da Vila Xurupita vai ficar sem ele, pois esse é um método “anti ético” de se conseguir as coisas.

A pista dada ao leitor de que as coisas não vão sair como eles gostariam aparece no final da página 09 e no início da última. Mas isso leva também à inutilização do tição como ferramenta das bruxas malvadas, colocando um ponto final na “carreira” do objeto mágico. No fim, não fica nem para a turma do bem, nem para a do mal.

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Zé Da Venda

História do Zé Carioca, de 1976.

O papagaio verde, sempre muito esperto, está às voltas com mais um plano até que bom para tentar fazer uma graninha. E hoje não é com tão pouco esforço assim. Afinal, montar o casebre de madeira para usar como venda deve ter dado um trabalhão.

É o tipo da coisa que tem tudo para dar certo, só que não. Para começar, nosso herói não entende nada de negócios, e comete todos os erros possíveis ao gerenciar a venda.

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Além disso, na Vila Xurupita o inesperado é o que mais acontece. Afinal, quem tem telhado de vidro precisa tomar cuidado em quem joga pedras. Apesar de informal, este negócio certamente é honesto, mas só isso não basta. Um bom negociante precisa, além disso, de tino para os negócios, e de um bom nome na praça.

Esta é a primeira história onde aparece o personagem Zé Gaivota, um marinheiro. Isso quer dizer que ele foi criado por papai, que o usou em quatro histórias. Além disso, papai foi o único autor a usar o personagem.

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Zé Bolinha

História do Zé Carioca, de 1975.

(Ao escrever esta história mal sabia papai que, após deixar os quadrinhos, ele próprio se veria trabalhando como segurança, inclusive no turno noturno.)

Mas ao contrário do Zé, ele não fazia a “proeza” de acordar de hora em hora para bater o ponto. Sempre foi um segurança muito sério, e gostava de sua nova profissão. Mas é claro que os quadrinhos sempre foram a paixão de sua vida.

Já no caso do Zé, parecia o trabalho perfeito. Mas só parecia. Patrão nenhum gosta de ver seus empregados dormindo em serviço, o Tio Patinhas que o diga.

O fato é que, logo após ser demitido, o papagaio malandro começa a engordar misteriosamente. Quem prestar bastante atenção ao primeiro quadrinho, como em um jogo dos 7 erros, já vai ter uma ideia do que pode estar acontecendo.

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A história segue entre as gozações da turma da Vila Xurupita, que logo o apelida de “Zé Bolinha” por conta do formato da barriga, e os esforços da Rosinha para tentar ajudar o Zé a emagrecer. Interessante é o nome de um impresso que cai de suas mãos quando ela entra no barraco do namorado.

Anos mais tarde, em 1982, mamãe viria a colecionar os fascículos de um livro publicado pela Editora Abril e chamado, justamente, “Coma e Emagreça”. (Se eu ainda tivesse alguma dúvida de que papai era, além de tudo, “meio vidente”, agora não teria mais.) Este livro, completo e já encadernado, está em nossa estante até hoje.

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Ao que parece não foi só papai que achou que este seria um nome sugestivo para um livro de receitas “light”, dado o aparente paradoxo entre os conceitos “comer” e “emagrecer”.

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Um Vizinho Marreta

História do Zé Carioca, de 1977.

O morro tem um morador novo. Ele é bem vestido, bem educado, e tem um vocabulário de dicionário. E, ainda por cima, é muito generoso com seus eletrodomésticos, que não hesita em emprestar a seus novos amigos. Seu nome, “Vivaldino“, deixará pouca coisa para o leitor atento adivinhar.

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A verdade é que a coisa toda é boa demais para ser verdade e, como diz o velho ditado, “quando a esmola é muita, até o santo desconfia”. Não se esqueça, caro leitor: quando algo, em qualquer esfera da vida, parece bom demais para ser verdade, geralmente é mesmo. Desconfie.

Dois times de futebol do Rio de Janeiro são mencionados por seus “codinomes” costumeiros: “Mengão” (Flamengo) e Tacafogo (Botafogo). Hoje descobrimos que o Zé torce pelo Mengão, e o Nestor pelo Tacafogo. Finalmente vemos uma centelha de discórdia entre esses dois amigos inseparáveis, mesmo que seja só por causa de futebol.

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