O SuperBanzé

História do Banzé, escrita em 1974 e publicada pela primeira vez em 1978.

As histórias do cachorrinho e suas irmãs são sempre mais infantis e inocentes, em tramas de até quatro páginas e com aventuras que refletem aquelas de crianças bem pequenas.

Hoje papai revisita aquele “trauma de infância” que teve quando era pequeno, ao não conseguir se transformar em “super” após ler suas primeiras revistas em quadrinhos de super heróis, mesmo imitando todos os detalhes, usando uma capa vermelha, gritando palavras mágicas, etc.

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Assim, o Banzé começará a história pensando que basta somente usar a capa vermelha amarrada no pescoço para poder voar. Quando isso não funciona, ele grita “xaxam”, come amendoins, e finalmente coloca molas nas patas traseiras, como se fossem um “equipamento Morcego”.

A capa vermelha, aliás, é o que têm em comum o Capitão Marvel, o Superpateta e o Morcego Vermelho, entre outros heróis que se vê por aí.

De resto, o cãozinho pode até não conseguir os superpoderes que deseja, mas tem suficiente sucesso imitando o Morcego Vermelho. Isso não é por acaso: de todos os heróis citados, o Morcego é aquele que foi criado por papai, e dentre todos o seu predileto.

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Diário De Um Herói

História do Morcego Vermelho, publicada pela primeira vez em 1977.

A brincadeira de hoje inclui um pouco de tudo: primeiramente, tenta desfazer a noção de que diários são coisas apenas para mulheres. Um herói também pode ter o seu, desde que consiga escrever alguma coisa entre uma missão e outra.

De resto a trama explora o talento para o desastre do herói, juntamente com a falta de credibilidade dele junto à população patopolense. Até as crianças preferem outros heróis, pois confiam mais na capacidade deles e não no Morcego. A cada página o menino pede por um herói diferente. Do Superpateta ao Vespa Vermelha (duas vezes), passando até pelo Mickey. O único que não é chamado é o Superpato, de quem papai não gostava muito pois achava que ele competia com o Xaxam.

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Mas como sempre o objetivo de papai não é fazer o mocinho pegar o bandido, mas sim fazer o leitor rir. Para isso, ele usa e abusa das quedas e trombadas. Tudo o que poderia sair errado será um verdadeiro desastre, desde o primeiro quadrinho e até a última página. O herói se acidentará pelo menos uma vez em cada página, e em algumas delas até mais. Mas, mesmo assim, não desiste nunca.

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E por fim, como se não bastasse, todo o esforço será em vão, com um desfecho tão surpreendente (para o leitor) quanto decepcionante (para o personagem). Mas de qualquer maneira, qual outro dos heróis de Patópolis se prestaria, com tamanha boa vontade, a fazer papel de bobo para agradar uma criança?

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Xaxam, O Invencível

História do Peninha na redação de A Patada, de 1976.

Esta deve ser uma das histórias de humor mais escrachado de papai, na qual ele usa o Peninha para avacalhar com o primo dele de um modo como talvez gostasse de fazer com o Tio Patinhas, mas nunca teria coragem. Esse é o tipo de zoação que só se pode fazer entre amigos muito próximos, como irmãos e primos de primeiro grau, que são quase como irmãos, também.

Se a atitude do Peninha para com a implicância do tio enquanto ele faz quadrinhos é de uma espécie de sutil “agressão passiva”, provavelmente para evitar ser demitido pela enésima vez e, assim, poder terminar mais uma história, quando chega a vez do Donald de bancar o “chefe de redação”, a coisa muda para uma esculhambação quase explícita.

Esta história é tão genial que é até uma pena ela ter sido publicada apenas uma vez. É também fácil notar que esse “Super Donald” de papai tem claramente alguma coisa de Superpato, algo como uma sátira. (Vide a pose do Donald no papel de Xaxam, o Invencível, que lembra bastante o “super” italiano).

Peninha Xaxam

O anti-herói combina o talento do Morcego Vermelho para trapalhadas com uma extrema burrice, um grito similar ao “Shazam!” do Capitão Marvel dos quadrinhos clássicos (que marcou a infância de papai e que deve ter sido uma de suas primeiríssimas desilusões, ao ver que ele não se transformava ao gritar a “palavra mágica”) e que ele usou repetidamente para personagens de vários tipos, e também qualquer coisa do que viria a ser mais adiante o Morcego Verde. Mas o personagem “do Peninha” é propositadamente “tosco”, um perdedor de verdade.

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Interessante é também a “troca” dos nomes dos personagens de Patópolis que “o Peninha” faz: assim, o Mancha Negra vira “Mancha Preta”, a Margarida vira outra flor (Magnólia), e o Gastão é chamado de “Gastrônomo”. Enquanto esse expediente pode ser útil no mundo real, nos meta-quadrinhos ele é somente mais um dos elementos cômicos da história.

Acho que aqui cabe explicar que papai aprendeu a ler muito cedo, com 4 ou 5 anos de idade, e que antes disso meu avô lia para ele muitas histórias em quadrinhos. Assim, enquanto a maioria das crianças nos anos 1940 passava a conhecer os quadrinhos somente após a alfabetização, aos 8 ou 9 anos de idade, papai já havia sido exposto a eles vários anos antes, e provavelmente antes de saber distinguir realidade de imaginação. Daí o relacionamento totalmente ingênuo com a palavra mágica Sazam, por exemplo.

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Quadrinhos e Adivinhos

História do Donald e Peninha na Redação de A Patada, de 1974.

Hoje vemos uma série de coisas interessantes: em primeiro lugar, a demissão do astrólogo do jornal, por pedir aumento, dá início à produção de quadrinhos de A Patada, que renderia tantas ótimas histórias ao longo dos anos.

Outra coisa interessante são os talentos do Peninha: além de desenhar, ele parece ser bom em adivinhar o futuro. Teria a criatividade amalucada do personagem alguma relação com essa intuição percebida? O Peninha parece não ter “freios” ao livre fluxo de ideias vindas do inconsciente, o que dá a ele esse “jeitão” e talentos todos. Essa criatividade toda que papai “emprestava” ao Peninha era certamente algo que ele almejava ardentemente para si mesmo.

Assim, além de desenhista das novas histórias, que em princípio deveriam ter como argumentista o Donald, ele (sem nem ao menos precisar consultar mapas astrológicos, e por meio da mais desvairada intuição) vira também um acertadíssimo escritor de previsões, algumas das quais dão certo até demais.

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E mais, hoje ficamos conhecendo os signos dos principais personagens. Assim, o Tio Patinhas é de Libra (apropriado, não?), o Donald de Leão (por força do nascimento a 13 de agosto) e o Peninha (não vamos esquecer que ele sempre foi “meio hippie”) é de Aquário (algo assim como em “era de aquário”).

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Dos dois personagens inventados hoje, o Pena Kid (pelo Donald) e Xaxam, o Invencível, (pelo Peninha), só o primeiro “sobreviveu”.

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Pena Kid E Xaxam

Segunda história de criação do Pena Kid, escrita em 1972 e publicada em 1974.

Se, em “Quadrinhos e Adivinhos”, primeira história do personagem, o Pena Kid ainda aparecia apenas como uma ideia na cabeça do Pato Donald, aqui ele começa a se tornar realmente um personagem no que viria a ser a série de quadrinhos na redação de A Patada. Em 1991, papai deixou esta anotação no topo da primeira página:

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Se na história anterior de papai nesta revista, comentada ontem, o Peninha foi visitar o Professor Pardal em busca de uma ocupação que não exija prática nem habilidade, nesta ele finalmente encontra seu verdadeiro propósito na vida, maior ainda do que ser o Morcego Vermelho: ele é… um quadrinista!

Ironia das ironias, o Pato Donald (que é muito criativo mas não sabe desenhar) é o verdadeiro criador e primeiro argumentista do personagem, enquanto o Peninha é o “todo poderoso” (e talentoso) desenhista e argumentista que com o tempo acaba “assumindo” a criação e a produção das histórias, deixando o primo em segundo plano. Para quem achava que não tinha habilidade nenhuma, o Peninha até que está bem.

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O detalhe do espelho já é uma referência ao trabalho numa redação de quadrinhos de verdade, e alguns desenhistas Disney famosos diziam que estudavam as expressões faciais de seus personagens exatamente assim, fazendo caretas na frente do espelho.

A história, além de um raro (até então) vislumbre de como uma redação de quadrinhos funcionava, é também um elogio ao talento e à genialidade do artista solitário, já que, na “guerra de quadrinhos” que se inicia entre A Patada e A Patranha, Donald e Peninha, sozinhos e mal pagos, conseguem ser melhores e mais criativos do que duas ou três equipes de quadrinistas contratados especialmente pelo Patacôncio.

O detalhe é que essas equipes são compostas por caricaturas de todos os membros da redação das revistas infantis da Editora Abril, papai incluso. O pensamento do Patacôncio, no quadrinho, é típico de quem não dá o devido valor aos artistas e o pior é que, infelizmente, esse tipo de comportamento não é monopólio de quem não entende nada dessa arte.

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O Inducks identifica alguns dos retratados: Jorge Kato, Waldyr Igayara, Carlos Herrero, Izomar Guilherme, Ivan Saidenberg, Basilio da Gama, Eduardo Octaviano, e Cristina ‘Kitti’. (Só assim mesmo para papai, que trabalhava em Campinas enquanto os outros ficavam na redação em São Paulo, ser retratado junto com os colegas. Pelo que entendo, várias fotos em grupo foram tiradas na redação em épocas diferentes, mas aparentemente ninguém lembrava de levar uma máquina fotográfica para o trabalho quando meu pai estava presente. Nem ele mesmo, o que é pior).

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Mas há também um elemento de franca rivalidade entre os primos, com direito a ataques de ciumeira de lado a lado. O Donald não esconde os ciúmes, e demonstra até uma pontinha de inveja, pelo tratamento dado ao “seu” personagem pelo primo. O Peninha, então, aproveita para “se vingar” usando o próprio desenho como “arma”. E no final o personagem teoricamente criado pelo Peninha, de nome “Xaxam”, acabou não vingando como personagem independente de papai por causa do aparecimento do italiano Superpato pouco tempo depois.

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Além de Pena Kid e Xaxam, papai também apresenta outros personagens nesta história, no âmbito da “guerra de quadrinhos”. Alguns são paródias de nomes de personagens conhecidos dos quadrinhos clássicos, e outros também poderiam facilmente ter sido desenvolvidos em histórias independentes: Kid Zaforo (jogo de palavras e cópia do Pena Kid), Superpicolé (cópia do Xaxam), Príncipe Super Marinho (Namor), Rei Submarino (a cópia da cópia), Capitão Marinho, Coronel Goiaba, Brasa Humana, Foguete Humano, Kid Maçaneta, Durango Rila, Billy Musine, Bronco Roca, Bat Deira, e por aí vai.

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html