Zé Bombeiro

História do Zé Carioca, de 1978.

Ao contrário do Donald e do Gastão, quatro anos antes, o Zé não se torna bombeiro voluntário por vaidade, ou somente para impressionar a namorada. Mas isso não quer dizer que ele esteja realmente afoito para combater muitos incêndios. Como quase sempre, ele se coloca na situação por falar demais.

Em todo caso, uma vez eleito, ele sinceramente e de boa vontade faz o melhor que pode e acaba ajudando de verdade a prender um incendiário piromaníaco que resolveu atacar o morro, mesmo sem conseguir sequer pronunciar a palavra “piromaníaco” direito. Ainda assim ele é parabenizado pelo chefe dos Bombeiros, que não é um chato como o chefe do Donald e do Gastão.

Interessante é a “Mansão do Nestor”, uma criativa barrica transformada em casebre. Isso me lembra vários contos de fadas que começam com pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que moram em velhas barricas. Há também a lenda do filósofo Diógenes, que também, dizem, morava dentro de um barril para expressar seu desprezo pelas riquezas materiais. Assim, nosso amigo corvo está em boa companhia na escolha de sua moradia.

Outra coisa legal desta história são os nomes de alguns coadjuvantes que papai inventou para terem seus barracos incendiados: João Cebola (assim como a casa do Zé parece ser feita de caixotes de sabão, será que a desse personagem é feita de engradados de cebola?), Toninho Estilingue e Chico Rapadura, além, é claro, do vilão Zé Foguinho. Todos eles são personagens de uma história só.

Enquanto isso, discretamente e nas entrelinhas, papai vai descrevendo a vida na favela mais alta do morro mais alto do Rio de Janeiro: falta água encanada, o que torna a mangueira emprestada ao Zé inútil, e também não há eletricidade que possa causar um curto circuito para iniciar um incêndio. São realmente condições bastante precárias de vida.

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Polícia Desmontada

História do Peninha, de 1974.

Com o Peninha, é tudo “des”: ele é da polícia “desmontada”, é o espírito que “desanda”, ele é desmiolado, desajustado, desastrado, desengonçado… Mas certamente nunca desonesto.

Já o Ronrom tem um problema de “ideia fixa”: depois de escutar a palavra “peixe”, ele não consegue pensar em mais nada e fará qualquer coisa para por as garras em um peixinho. (E hoje ele até conseguirá, ainda que brevemente). Mas ele não será exatamente o vilão da história, apesar de fazer suas traquinagens e causar uma enorme confusão. Há vilões piores em ação.

Que a polícia montada de Patópolis se parece muito com a do Canadá eu já falei. Papai voltaria ao tema no ano seguinte com “Patrulheiros e Escoteiros”, já comentada aqui. As duas histórias têm em comum o tema da proteção das florestas e a recomendação de que não se deve julgar mal aos outros sem antes nos certificarmos muito bem do que está realmente acontecendo.

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Mas enfim, o Ronrom é apenas um gato e, apesar da boa vontade, não é um bom detetive. Quem conhece os personagens, e especialmente a risada do Peninha, logo vai entender onde é que o Ronrom errou em suas deduções. Em todo caso, o castigo por suas traquinagens virá “a cavalo” (pelo menos figuradamente) na piada recorrente desta história, na qual ele terá a cauda queimada repetidas vezes.

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Mas nem tudo será dor para o gato, pelo menos nesta história. Bem ou mal, ele estava tentando ajudar, e será recompensado pelo esforço.

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