O Circo Voador

História do Zé Carioca, de 1984.

Inaugurado em outubro de 1982 no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, o “Circo Voador” é um daqueles espaços culturais tão importantes e benéficos para a população em geral que chegou a ser fechado por vários anos por um prefeito de Ego frágil.

Mas, me adianto. Voltando um pouco no tempo, na época em que esta história foi escrita ele havia acabado de abrir as portas, atiçando a curiosidade e a imaginação de todas as pessoas que se interessavam por espetáculos de circo, dança e música de todos os estilos em nosso País.

Mas acima de tudo, o nome do espaço cultural era o que mais intrigava as pessoas. Afinal, por quê “Circo Voador”? Papai, é claro, oferecerá sua própria explicação, que certamente causará muitas risadas ao leitor.

Outra definição com a qual ele brinca é a de “trapézio voador“, uma popular atração de qualquer circo que se preze. Quando bem executadas, as acrobacias desta modalidade podem ser realmente emocionantes. Mas não será este o caso, hoje.

Seria de admirar bastante se uma construção de fundo de quintal, feita por duas crianças com os aparatos de cama, mesa e banho da família para uma brincadeira, tivesse uma atração dessas.

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Juiz Sem Juízo

História do Zé Carioca, de 1977.

Bem ao estilo de papai, a história trata dos jogos e brincadeiras de infância dos brasileiros que já estavam caindo em desuso. Um desses era o futebol de botão, que pelo jeito teve um novo impulso ao longo das décadas, e hoje é tido como “esporte sério” e “de gente grande”.

Mas isso é apenas o testemunho do fascínio que o também chamado “futebol de mesa” suscita em crianças de todas as idades, e até mesmo aquelas que já têm mais de 45 anos de idade.

Nos tempos de criança de papai a coisa era bem mais simples, para crianças mesmo. Uma caixa de fósforos com uma pedrinha dentro servia de goleiro, e qualquer botão maiorzinho para roupas corria sério risco de sumir das caixas de costura das mamães para “ser promovido a jogador”.

Já no meu tempo começaram a aparecer os jogos de luxo, com botões de bom acrílico e campos de madeira compensada de primeira qualidade. Esses botões eram guardados com todo o cuidado, polidos regularmente com um paninho macio e retirados da caixa apenas para jogos importantes, como o de hoje.

A briga dos meninos no primeiro quadrinho, aliás, vem de uma brincadeira usada em casa para desencorajar brigas entre nós crianças, para que não discutíssemos por qualquer “foi-não-foi, é-não-é”.

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Em todo caso, se o problema fosse só uma briga dos sobrinhos do Zé por causa de uma partida entre eles, a história não seria tão engraçada. Divertido é ver como a coisa toda vai atingindo proporções cada vez maiores e mais graves, com torcidas exaltadas de ambos os lados. A coisa toda chega às raias da briga, até que, em um momento decisivo, o Zé pisca por um segundo, não vê uma jogada, e o caldo entorna de vez. E agora, José?

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A revista está na coleção, é a única história nacional que ela contém, o nome da história está na lista de trabalho, mas, por causa de uma mudança no nome da história feita pelo editor algum tempo depois, os rapazes do Inducks ainda não a creditaram a papai. Aparentemente, resolveram esperar até terem certeza. Podem creditar, é dele sim. 🙂

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Zé Relâmpago

História do Zé Carioca, de 1978.

Esta é mais uma variação sobre o tema “corrida”, ou “competição”, no mesmo estilo de histórias como as que mostram gincanas, corridas de vassouras de bruxa, competições de aeromodelismo, ou corridas de tartarugas. No caso de hoje temos o resgate de um brinquedo bem brasileiro, mas que já estava caindo em desuso: os carrinhos de rolimã.

Nos tempos áureos das brincadeiras com esses veículos improvisados os meninos (principalmente) tinham orgulho em fazer, com muito capricho e os melhores rolamentos que conseguissem encontrar, seus próprios carrinhos para competir com os amigos. Alguns não passavam de tábuas com rodinhas, mas outros chegavam a ser bastante elaborados.

No afã de vencer a competição e ganhar mil cruzeiros o Zé não medirá esforços. Mas acaba se traindo por falar antes de pensar, e arranjando a vizinhança inteira como adversários.

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Outra coisa importante para que haja uma corrida de carrinhos de rolimã é a existência de uma ladeira no local da competição. O problema é que, no morro, existem ladeiras de todos os tipos, e nem todas são lá muito seguras. E agora, José?

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Se o Zé vai ou não ganhar a corrida nem é tão importante quanto o festival de trapalhadas e trombadas com o qual papai nos brinda nas páginas, até o surpreendente desfecho.

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O Irmão Gêmeo Do Biquinho

História do Biquinho, publicada pela primeira vez em 1987.

Esta é mais uma boa sacada de papai: a maioria dos sobrinhos dos personagens Disney existe aos pares e até mesmo às trincas. Os sobrinhos do Donald são 3. As sobrinhas da Margarida, também. Até os vilões têm sobrinhos múltiplos, como por exemplo os Metralhinhas. Os sobrinhos do Mickey e do Zé Carioca são 2 para cada tio. As bruxas também têm sobrinhos de sobra, com as bruxinhas Perereca e Magali (era uma bruxinha só, mas papai acabou desdobrando a personagem em duas) representando o tema “gêmeos”.

Os que têm um sobrinho só são o Pateta, com o Gilberto, o Professor Pardal e seu sobrinho Pascoal, o Gastão com o Trevinho, e por fim o Peninha que, com o Biquinho, foi provavelmente o último a ganhar um sobrinho.

O interessante é que a descrição do personagem, o patinho nascido de um ovo abandonado ao sol e criado por porcos-espinho, em uma alusão ao Tarzan, o órfão criado pelos macacos da floresta, deixa espaço para a interpretação que é feita hoje: se havia um ovo abandonado ao sol, será que não poderia haver outros? Afinal, pássaros como galinhas e patas costumam botar um ovo por dia, às vezes até dois.

Muitas crianças, aliás, já sonharam em ter um irmão gêmeo só para poder “aprontar” melhor. Esse parece ser o caso do Biquinho, que acaba vendo o seu desejo ser realizado logo na esquina de casa. A história tem toques de temas como o “gêmeo mau” (se bem que, aqui, é difícil dizer quem é o pior… o Trambique que o diga) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”.

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O Cisquinho, patinho parecido com o Biquinho e seu tio Penald (uma mistura dos nomes do Peninha e Donald) são, por definição, “personagens de uma história só”, criados especialmente para esta história.

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A Visita do Juquinha – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 14 de agosto de 1993.

Esta é, definitivamente, a última história escrita e rascunhada por papai para o universo Disney. Aqui termina a prolífica produção de quadrinhos de Ivan Saidenberg, no que talvez seja um final bastante apropriado.

Mas me adianto: vamos começar pelo começo. O “Juquinha” era um gatinho de pelagem cinza-chumbo que foi jogado no jardim do prédio onde nossa família morava em Yavne, Israel, e que eu peguei para cuidar. A pobre coisinha era tão novinha que ainda tinha os olhinhos fechados e um pedaço do cordão umbilical preso ao corpinho. Foi preciso tratar o bichinho na base da mamadeira e garrafa de água morna para que ele sobrevivesse, mas posso dizer, e com orgulho, que consegui salvar uma vidinha.

O único problema era que, pelo menos nas primeiras semanas, o bichinho acordava miando para mamar a cada duas horas, no máximo, não importava se era dia ou noite. Não foi um período fácil, mas valeu a pena, para mim e para ele, que acabou tendo a ideia para esta história.

Desconfio, aliás, que a “Prima Donna”, a mãe cantora de ópera que o Biquinho inventa para o seu alter Ego seja uma alusão a esta que vos escreve, e que sempre gostou de cantar em tons agudos. E há até quem diga que eu nem canto tão mal assim. (A verdade é que eu tento. Às vezes dá certo, e fica até bonito. Mas em outras vezes dá errado, e aí vira um desastre.) 😉

Só me incomoda um pouco a extrema falta de modos do Biquinho nesta história. O personagem está um pouco radical demais em comparação com a proposta original do personagem, e xinga bastante no decorrer das páginas. Ao que parece papai ficou mais irritado com os miados gatinho do que demonstrou na minha frente, e isso se refletiu na história.

A citação “de repente, não mais que de repente” que aparece no primeiro quadrinho vem de um poema de Vinícius de Moraes, o Soneto de Separação.

O truque usado pelos verdadeiros sobrinhos do Zé para capturar o intruso e obrigá-lo a tomar um banho remonta às antigas brincadeiras de crianças, e esse tema do “brincar de pirata” foi usado por papai muitas vezes ao longo dos anos, inclusive em histórias do Vovô Metralha, por exemplo mas não somente.

Por fim, o final “à altura”, radical e definitivo, com tudo indo pelos ares. Depois de uma explosão dessas, certamente haveria muitos cacos para juntar, talvez cacos demais. É o fim, da história, talvez até da Vila Xurupita, e da carreira de um brilhante quadrinista.

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O Gazéteiro

História do Zé Carioca, de 1985.

Esta é mais uma daquelas histórias que estabelecem as origens do Zé Carioca, onde o papagaio malandro e seus amigos relembram os tempos de criança e contam como foi para o Zico e Zeca, os sobrinhos do Zé.

Uma coisa é ser criança e aprontar todas, e outra completamente diferente é ter fi… Ah, quer dizer, sobrinhos para criar, e ser responsável também pela educação deles. Não é só porque o Zé já aprontou todas quando criança que ele vai deixar que seus protegidos faltem à escola, assim, sem mais nem menos.

Na gíria brasileira, “gazeteiro” é a criança que falta às aulas para poder ficar mais tempo brincando despreocupadamente. Obviamente, não é isso que as famílias e professores esperam das crianças, e este é um costume extremamente mal visto.

O resgate de hoje das antigas brincadeiras das crianças de outros tempos é a bola de meia, brinquedo artesanal feito pelos próprios meninos com alguma ajuda de adultos. Um passo a passo para confecção de uma delas pode ser visto aqui.

O resto da história reconta o (um tanto traumático) primeiro dia de escola do Zé Carioca. Só não se sabe quem ficou mais traumatizado, o Zé ou seus professores e amigos. Ele, como sempre, narra os acontecimentos do jeito dele, enquanto o Nestor e o Pedrão vão dando a versão real.

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De resto, hoje também ficamos sabendo que o Soneca, o cãozinho do Zé, o acompanha desde que ele era pequeno. Quando mais novinho ele era certamente bem mais ativo do que o cãozinho que hoje em dia adora tirar uma soneca. Também, pudera: agora sabemos que ele já é bem velhinho.

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A Infância Do Zé Carioca

História do Zé Carioca, de 1982.

Esta é uma tentativa de explicar como é que o Zé nasceu e depois iniciou a amizade de uma vida inteira com o Pedrão e o Nestor, coisa que, até então, nunca havia sido feita.

A noção de que o Zé teria nascido em pleno Carnaval durante o desfile da Escola de Samba Berço de Ouro lembra um pouco uma antiga canção de Roberto Carlos, chamada “Maria, Carnaval e Cinzas” que descreve uma situação parecida, mas um pouco polêmica pela associação meio “torta” com o Catolicismo.

Se bem que papai não deixa escapar aqui uma referência religiosa, já que as iniciais do nome da “Escola Berço de Ouro” formam no estandarte a expressão “EBÓ“, que nas religiões afro-brasileiras significa uma oferenda aos deuses.

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Ele voltaria ao tema do “nascido em berço de ouro” em 1993, quando escreveu mais uma história sobre as origens do personagem, que permanece inédita. Nela papai retrata a si mesmo contracenando com o Zé, enquanto rascunha a biografia em quadrinhos do papagaio malandro.

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Nesta história vemos também que o Nestor e o Pedrão, quando foram “adotados” pelo Zé, eram um pouco mais velhos do que ele. Se ele tinha então três anos de idade, de acordo com seu próprio relato, o Nestor aparenta uns 10, e o Pedrão uns 12, mais ou menos.

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Depois de feitas as apresentações, a história passa então a descrever as primeiras desventuras dos três amigos, a alergia bastante precoce do Zé pelo trabalho formal, e seus planos sempre mirabolantes e fadados ao fracasso de levantar uma graninha mais ou menos fácil, como apresentações de circo e outros bicos e pequenos empreendimentos.

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