O Cavaleiro Mascarado Ataca Novamente

História do Terremoto, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista Patrícia número 22 em agosto de 1988.

O terrível ladrão de bonecas ataca novamente, depois de uma história em março do mesmo ano na qual papai nos apresentou o Furacão, primo do Terremoto e tão pestinha quanto ele.

A situação é mais ou menos a mesma: o pestinha odeia bonecas, e também as brincadeiras das meninas com elas, como os concursos de bonecas, e resolve roubar os brinquedos só para chatear e impedir a realização do próximo.

Mas seria fácil (e repetitivo) demais simplesmente seguir a mesma linha da história anterior. Assim, papai começa a brincar com as percepções do leitor, na intenção de “bagunçar o coreto” e deixar a dúvida até os últimos quadrinhos.

Afinal, será que é novamente o Furacão se fazendo passar por Terremoto disfarçado de Zorro, ou será o Terremoto querendo fazer parecer que é o primo, só para disfarçar, ou não será nada disso? Será um bando de moleques?

Até de detetive o Terremoto vai aparecer, para melhor ajudar nas investigações. Ou será que é isso mesmo? O festival de pistas falsas só aumenta e o pestinha, seja ele quem for, é esperto, mas a Patrícia é mais e não vai ter dificuldade alguma em solucionar o mistério.

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O Zorrinho Ataca Novamente

História do Zorrinho, de 1975.

Esta pode ser considerada uma segunda história de criação da identidade secreta dos sobrinhos do Donald, com os personagens ainda em um estado bem inicial. Ainda não temos o “grito de guerra” inspirado nos três mosqueteiros, nem a importunação dos Metralhinhas às meninas Lalá, Lelé e Lili.

Mas isso não quer dizer que os vilõezinhos não vão aprontar aos montes, antes de serem finalmente pegos e punidos. Hoje a “peraltagem” é entrar e sair dos lugares sem pagar, o que em alguns momentos coloca os meninos bonzinhos em situação delicada enquanto eles tentam não perder os bandidinhos de vista.

Uma coisa que eu acho interessante é que o dinheiro de Patópolis teoricamente se chama “pataca patopolense” mas, na maioria das histórias onde é mencionado algum valor específico, a moeda é a brasileira. Neste caso, Cruzeiros.

Uma das piadas, bastante sutil, fica por conta da cédula que o Zorrinho usa para pagar a entrada de um brinquedo que custa 3 Cruzeiros. Talvez seja preciso virar a revista de cabeça para baixo e olhar com a ajuda de uma lente de aumento, mas pode-se ver nitidamente que é uma nota de 3 Cruzeiros, coisa que não existia na época.

Isso se explica pelo fato de que a história não pode parar para o Zorrinho receber o troco, e uma nota é mais reconhecível para o leitor do que três moedinhas, que ficariam pequenas demais no desenho. Em todo caso, não sei se isso é coisa de papai, ou uma inserção do desenhista Primaggio Mantovi.

Voltando ao desenvolvimento do personagem Zorrinho, hoje os meninos se darão conta de que podem conquistar uma liberdade de ação quase “sobrenatural” ao fingirem ser um só, já que os Metralhinhas são, de qualquer maneira e como todo o resto da família Metralha, burrinhos demais para perceber que estão lidando com três patinhos, e não apenas um.

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Zorrinhos Contra Os Abóboras

História dos Sobrinhos do Donald, de 1977.

As histórias do Zorrinho seguem sempre uma linha mais ou menos fixa, com algumas variações que dão graça à brincadeira.

Assim, novamente, as sobrinhas da Margarida estão fazendo alguma coisa e os Metralhinhas estão tentando atrapalhar, enquanto os meninos bonzinhos usam sua identidade secreta para defender as amiguinhas. A diferença está no tema da atividade (um conveniente baile a fantasia) e no desfecho da historinha.

Para começar vemos o contraste entre os escrúpulos dos meninos, que têm o dinheiro da entrada mas não as fantasias, e a total falta de vergonha na cara dos bandidinhos, que entram de penetras na festa, e com uma fantasia toscamente improvisada.

A partir daí começa o embate entre mocinhos (devidamente fantasiados de Zorrinhos, já que essa é a única fantasia que eles têm) e os bandidinhos, que vai dominar todo o resto da história. Como sempre, os meninos do bem agem um de cada vez, para melhor fingir que são uma só pessoa e confundir os inimigos.

Isso tudo mostra que é possível “estar e não estar” em um lugar, e cria uma série de dilemas, dos quais o leitor só vai se dar conta depois que terminar de ler a história. (Já que, na verdade, o confronto e a vitória final do Zorrinho, por mais interessante e divertido que seja, é só um detalhe. Há coisas mais importantes acontecendo na história que não fazem parte da ação, mas ficam subentendidas).

Se, por um lado, os meninos bonzinhos tivessem improvisado fantasias (nada mais fácil do que pegar um lençol e bancar o fantasma), eles teriam participado da festa como as meninas queriam, mas não teriam podido fazer muita coisa quando os bandidinhos atacassem.

Por outro lado, seria difícil aparecer por lá com a fantasia do Zorrinho e convencer a todos de que é só uma fantasia. Assim, ou eles teriam sido obrigados a revelar a identidade secreta, ou participar do baile um de cada vez, se fazendo passar por uma única pessoa.

Por essa última hipótese, o resultado teria sido igual: os meninos teriam estado na festa, mas as meninas não saberiam disso e ficariam chateadas do mesmo jeito.

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O Pássaro Muxoloko

História das Bandeirantes, de 1980.

Os Metralhinhas estão, mais uma vez, atrapalhando as meninas. Mas, desta vez, a ajuda do Zorrinho não será necessária.

O fato é que a bondade dos bons é sua própria proteção, como sempre. Mesmo enganadas como patinhas que são, elas (surpreendentemente) ainda vão conseguir se sair bem na tarefa de observar pássaros.

O nome do bicho, como grafado no título da história, é (obviamente) uma referência à expressão “muito louco” para indicar algo inventado na hora, que não existe.

Uma coisa interessante é que a Margarida é instrutora da tropa de bandeirantes, enquanto o Donald nem chega perto de ser alguma coisa com relação aos escoteiros, muito pelo contrário. Quando o pato está envolvido, geralmente é na intenção de atrapalhar os meninos. Ponto para as mulheres.

A ideia de transformar a pata em chefe das bandeirantes vem de uma história estrangeira de 1963, que papai certamente leu em uma das republicações subsequentes aqui no Brasil. Mas pelo menos ele “liberta” as meninas da maçante tarefa de vender biscoitos e coisas assim, e as coloca na mata para observar pássaros, exatamente como os Escoteiros na história chamada “O Pássaro Não Identificado”, que ele criou dois anos antes desta.

E a pitada de futurismo fica por conta da máquina fotográfica no estilo “polaróide“, aquela que revela as fotos instantaneamente, mas em um formato mais compatível com as modernas câmeras digitais. Um prodígio! 😉

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O Zorrinho Não É De Fritar Bolinho

História do Zorrinho, de 1982.

Hoje papai aborda o tema das brincadeiras infantis, que era um de seus favoritos, de um modo um pouco diferente. A pergunta que se faz é: existe brincadeira “de menino” e “de menina”? Ou: por que os meninos não podem brincar de casinha com as meninas? Que mal há nisso?

A verdade é que, e isso logo ficará muito claro, somente meninos muito maus, como os Metralhinhas, enxergam algum problema na situação. Outra verdade é que os meninos bonzinhos só não brincam mais frequentemente com as meninas por medo de serem ridicularizados pelos outros.

“Ser de fritar bolinho” é uma expressão popular que significa: não ser de nada; ser incapaz; ser fraco. Ela é usada aqui para mostrar, justamente, que um menino não é, necessariamente, “de fritar bolinho” só porque está brincando com as meninas.

As próprias meninas também não são “de fritar bolinho” só porque estão, bem… fritando bolinhos. Não há demérito algum em ser menina, em brincar de casinha, ou em ser um menino que brinca de casinha. Além disso, frigideiras podem ser usadas para um pouquinho mais do que simplesmente cozinhar, e as meninas logo vão mostrar que também sabem brigar tão bem quanto os meninos, quando necessário.

Nada, nesta história, é exclusividade só dos meninos ou das meninas. Todos são iguais, na hora da brincadeira e também na hora da briga, para o azar dos maus.

Nesta revista temos novamente a aparição de uma história promocional de papai para as Meias Lupo, chamada “O Bicho Saltador”, que chegou a aparecer bastante nas revistas Edição Extra da época.

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O Terrível… TRRR!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, escrita em março de 1988 e publicada na revista da personagem número 21 em julho de 1988.

Hoje temos um “Cavaleiro Mascarado” e sua identidade secreta, o Furacão, primo do Terremoto, em mais um personagem que parece ter sido criado por papai para a turminha do Ely Barbosa.

A princípio tudo leva a crer que é o Terremoto, o terror do bairro, aprontando as suas traquinagens vestido com uma fantasia que lembra o Zorro, o Zorrinho (mas “do mal”), ou até mesmo o Mancha Negra das histórias Disney.

Será somente aos poucos, e depois de algumas reviravoltas, que a verdadeira identidade do pestinha da vez se revelará.

É uma espécie de inversão: desta vez serão as meninas que vão resolver o mistério, desmascarar e até mesmo punir o “bandidinho”. Só assim elas poderão finalmente participar em paz de seu concurso de beleza para bonecas.

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Zorrinhos X Metralhinhas

História do Zorrinho, de 1975.

A Gincana, como brincadeira infantil (e às vezes não tão infantil assim) onde um pouco de tudo pode acontecer, foi um tema ao qual papai voltou algumas vezes ao longo dos anos, tanto em histórias Disney quanto em outras, “não-Disney”.

O potencial humorístico de uma gincana, com os tombos e as confusões que podem acontecer, é grande, e o tema serve também como um resgate das antigas atividades infantis que, já nos anos 1970, estavam se perdendo entre os prédios das grandes cidades.

O título original desta história é “A Grande Gincana”, como atesta a faixa na largada da corrida de sacos, mas, como um pouco antes no mesmo ano outra história de título semelhante escrita por papai já havia sido publicada (A Grande Gincana de Patópolis, já comentada aqui), o editor achou por bem trocar o nome da história por este. Em 1982, quando ela foi republicada pela primeira vez, o título foi corrigido.

Zorrinho gincana

De resto, a trama é o que se pode prever para uma história com esses personagens: as meninas vão participar da gincana, os bandidinhos resolvem atrapalhar só para “zoar”, e os três sobrinhos do Donald se passam por um só Zorrinho para melhor confundir os Metralhinhas e proteger as suas amigas patinhas. O que torna esta história interessante nem é saber o que vai acontecer, afinal, os mocinhos sempre vencem no final de todas as histórias Disney, mas sim ver como eles vão fazer isso.

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html