Furos Em Reportagem

História do Peninha, de 1982.

Em jornalismo, um “furo de reportagem” é aquela notícia “quente” que uma única equipe de jornalistas tem em absoluta primeira mão e dá antes que todas as outras.

Só que a guerrinha particular entre Urtigão e Juca Piau já deixou de ser novidade faz tempo. Essa notícia é, aliás, mais velha do que andar para a frente. É uma verdadeira “furada”. Já o verdadeiro “furo”, aqui, vai ser mais nos repórteres do que realmente em qualquer outra coisa, e por isso o “em” no lugar de “de” no título. Mas nem por isso os nossos intrépidos jornalistas vão deixar passar a chance de bancar os “correspondentes de guerra” por um dia.

Além disso, esta é uma pequena parábola sobre a futilidade de todas as guerras. Os dois turrões estão brigando há tanto tempo que até já esqueceram o motivo, ou quem começou a briga, ou quem é que está brigando com quem.

  

Outro problema de todas as guerras é que, uma vez que alguém se envolve, é muito difícil se manter isento ou até mesmo evitar cair vítima delas. Assim, os dois jornalistas passarão rapidamente à condição de “espiões” e logo em seguida “prisioneiros” de guerra, enquanto ao Tio Patinhas caberá a “missão de resgate” e a “negociação” para a libertação deles.

E desse modo papai nos dará mais uma última lição nesta pequena “aula de guerra”: a de que, quando se pensa mais em dinheiro do que no valor das vidas humanas, é “mais barato” (e até mesmo mais lucrativo) se envolver nela e deixar rolar até que ela se defina sozinha do que tentar negociar a paz.

Qualquer semelhança com as políticas externas de alguns países por aí não terá sido mera coincidência.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

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O Norte Contra o Sul

História do Pena Kid, de 1976.

Esta é uma brincadeira com a Guerra Civil nos EUA. Pode ser considerada também um manifesto pacifista, ou uma sátira que tenta demonstrar a inutilidade de todas as guerras. “Norte Contra Sul” é também o nome de um livro, de autoria de ninguém menos do que Julio Verne.

A premissa é bastante logica: se a história se passa no Velho Oeste, em algum momento a cidade de Pacífica City deve ter se visto envolvida no conflito. Esta é a primeira desvantagem das guerras em geral: se os governantes decidem que o país está em guerra, todos os habitantes serão envolvidos, queiram ou não. Em tempos de paz é muito fácil ser pacifista, mas isso pode não ser tão simples em épocas de conflito.

Outro problema é que lado tomar, já que não há alternativa. E esta é outra das desvantagens de uma guerra: é obrigatoriamente preciso tomar um partido, mesmo que isso signifique ter de ver seus amigos ou entes queridos do outro lado. Aqui, enquanto os personagens decidem de que lado ficar, vemos as caricaturas de alguns membros da redação. Um deles, inclusive, chega a ser preso só por achar os uniformes azuis mais bonitos do que os cinza.

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Em seguida, juntamente com a suposta localização de Pacífica City no mapa, vemos um importante detalhe geológico. A cidade fica às margens do “Rio Colorido”, em uma alusão ao “Rio Colorado“, que corta cinco estados na região mais desértica dos EUA. Desses, só o Arizona ficou do lado dos sulistas. Se Pacífica City realmente existisse no mundo real, eu arriscaria então dizer que ela ficaria em algum lugar às margens do Lago Powell, entre Utah e Arizona. Mas os mapas antigos podiam ser bastante imprecisos e isso, em época de guerra, também pode ser um grande problema.

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Por fim, meu “mui modesto” (sqn) papai também deixou uma anotação no alto da primeira página. Mas enfim, ele era realmente um gênio, e tinha todo o direito de mandar a modéstia às favas de vez em quando.

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A Recompensa

História de Guerra, publicada na revista Almanaque de Combate AM-1, Mês 7, de 1971.

É uma história adaptada por papai de uma fonte não identificada, com letras de Dolores Maldonado e discretamente assinada pelo mesmo desenhista de “O Irlandês Brigador”, também publicada nesta mesma revista.

A ideia por trás da trama parece se basear na pergunta: existe recompensa maior do que servir a uma causa? Quando uma ação em prol da Rainha e da Pátria (“Queen and Country”, a expressão máxima do patriotismo britânico) é sua própria recompensa, o que mais se pode esperar? O herói desta história é um soldado britânico solitário, que culpa os nazistas pela morte de sua mulher, e por isso os odeia de todo o coração.

Desde que perdeu o amor de sua vida, o Capitão Smith endureceu seu coração e se dedica sempre às missões mais perigosas, talvez em busca de vingança e de morrer em combate, para finalmente unir-se à sua amada Rose. Tanto já fez, que foi apelidado no exército de “o louco” Smith.

A perigosa missão, desta vez, será resgatar uma certa Dra. Ilse, agente dupla da resistência, que está na Noruega se passando por nazista, mas prestes a ser presa por eles, e muito provavelmente torturada e morta. Além disso, revela-se depois, ela também é uma mulher jovem e muito bonita.

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A missão de resgate é complicada, e o Capitão Smith, juntamente com seus colegas da resistência norueguesa, terão de se disfarçar de nazistas para entrar no coração do reduto dos vilões. Lá, eles resgatarão a mocinha, e em seguida partirão em uma arriscada fuga noturna através da floresta rumo aos Fiordes, onde um barco os espera para levá-los novamente a Londres, e à liberdade.

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Como de costume, papai mistura expressões em alemão nas falas dos personagens. Ele também conduz a história de modo a fazer o leitor esquecer o drama pessoal do Capitão, e se concentrar na aventura de guerra. Assim, quando vem o desfecho romântico da trama (sim, a Dra. Ilse se apaixona por seu salvador, o “cavaleiro da reluzente armadura”), o leitor é pego quase de surpresa.

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No final, e até mesmo em meio aos horrores da guerra, somos lembrados do velho ditado latino: “Cras amet qui nunquam amavit, quique amavit cras amet” (quem nunca amou amará amanhã, e quem já amou amará também amanhã).

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O Irlandês Brigador

História de Guerra, publicada na revista Almanaque de Combate AM-1, Mês 7, de 1971.

Esta revista tem 6 histórias. Destas, 4 são adaptadas por papai de contos de guerra que ele leu naqueles tempos. Esta vem de “Um Diário de Guerra”, com letras de Antonio Maldonado. Já a assinatura do desenhista, discreta e apenas na última página, não está clara para mim.

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Hoje temos os britânicos contra os japoneses, lutando seus combates mortais nas selvas da Ásia. O que esta história tenta mostrar é que o termo “britânicos” está longe de descrever um tipo só de pessoas, e que em tempos de paz essas pessoas todas, e tão diversas, nem sempre se dão bem. Aqui se explora a rivalidade cultural entre ingleses e irlandeses.

Na trama temos dois rapazes, britânicos mas de nacionalidades diferentes, que foram rivais no amor antes da guerra, e que por acaso, destino, sorte ou azar, terão de lutar juntos, lado a lado mesmo, contra o inimigo asiático. São antes de mais nada seres humanos, com suas paixões e fraquezas, metidos numa encrenca de proporções mundiais.

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O inglês com o seu jeito contido mas petulante, é tenente. O irlandês, de boca suja e encaixando um “diabos” a cada 3 ou 4 palavras, é sargento. Mas não é por isso que o soldado vai levar desaforo para casa, mesmo que vindo de um oficial.

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No decorrer da guerra, e da batalha desesperada, que é lutada pela própria vida e a dos companheiros – mais do que por um país ou ideologia – os dois homens vão aprendendo a reconhecer o valor um do outro, e a se respeitar. Se tornarão, após um “batismo de fogo”, onde chegam a ver a morte de perto, mas acabam salvos por um regimento indiano – também eles britânicos, afinal de contas – verdadeiros “brothers in arms”, as diferenças de outrora perfeitamente perdoadas e esquecidas.

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Afinal, existem coisas mais importantes do que o amor de uma mulher, no mundo… 😉

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O Inferno de Dunquerque

História de Guerra, publicada na revista Almanaque de Combate AM-1, Mês 7, de 1971.

Esta é mais uma história adaptada para os quadrinhos por papai. O autor é Francisco de Assis, com desenhos de Salathiel Holanda e letras de Dolores Maldonado.

O ano é 1940, estamos em plena Segunda Guerra Mundial, e infelizmente numa época na qual os alemães nazistas ainda estão vencendo a maioria das batalhas e forçando os exércitos britânico, francês e belga a uma dramática retirada estratégica.

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A longa história é uma dramatização da terrível batalha, que começa com os britânicos tranquilos e confiantes demais por trás de suas linhas de defesa, que serão facilmente transpostas pelos nazistas, passando então a descrever a verdadeira odisseia dos soldados aliados para conseguirem chegar de volta à Inglaterra para se reagrupar.

Papai como sempre mistura frases em inglês no meio do texto, para dar mais autenticidade aos diálogos, enquanto o colega desenhista “abusa” dos desenhos de todos os tipos de máquina de guerra, entre tanques, aviões e navios, entre cenas de combate corpo a corpo.

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No final, os alemães vencem a batalha, mas não a guerra, é claro. A história serve de alerta às futuras gerações, para que não pensem que, só porque os aliados venceram, foi uma guerra “fácil”. Não foi, e muitas vidas valiosas se perderam, para que nosso estilo de vida pudesse continuar existindo. Cada um desses soldados mortos era um ser humano único e insubstituível, e o mundo se tornou um lugar menos “rico” em capital humano com a perda de cada um deles.

O último quadrinho tem direito até a uma citação de Shakespeare, para ainda mais ênfase no drama:

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O Caçador

História de Guerra, publicada na revista Almanaque de Combate AM-1, Mês 7, de 1971.

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Adaptado por Ivan Saidenberg de algo chamado “Um Diário de Guerra”, com letras de Antonio Maldonado e desenhos de Ignacio Justo, e aparentemente, mais um desenhista. A História se passa em 1942, e basicamente mostra uma “dogfight” (batalha aérea) da maneira como é vista de dentro das aeronaves, com o enfrentamento cheio de reviravoltas entre britânicos e alemães.

O diálogo é recheado de jargões de aviação e de guerra da época, e a trama de papai é basicamente uma “escada” para os maravilhosos desenhos dos colegas. A história é longa, então não vou postá-la toda, só algumas páginas mais importantes:

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O “I.J.” ao pé desta página parece ser uma rubrica de Ignácio Justo:

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Mas este outro maravilhoso desenho tem uma assinatura diferente, que não sei identificar. Alguém?

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Por fim, o destino final das duas aeronaves, caídas juntas no mesmo descampado, como a denunciar a inutilidade das guerras: luta-se tanto, e no fim…

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E o meu livro em homenagem a papai também já está em pré venda no site da Editora Marsupial no link http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava.

O Fim da Terceira Companhia

História que combina guerra e terror, publicada na revista Seleções de Terror (Uma edição especial com Histórias Sinistras) Nº 79, da Editora Outubro. A capa, por outro lado, apresenta o número 17. O argumento é de papai, e o desenho do Julio Shimamoto, datado de 1961.

A guerra em questão, a julgar pelos uniformes, parece ser a Guerra Civil dos EUA em meados do século XIX, ou algo parecido. A Terceira Companhia estava guardando um forte, quando um fulminante ataque do inimigo mata a todos, apesar de terem lutado com bravura. Sobra só o tenente, comandante da Companhia, que mesmo ferido faz um esforço sobre-humano (ou melhor, sobrenatural) para chegar de volta ao posto e comunicar a derrota de seus soldados.

Uma vez lá, se depara com superiores que não querem enxergar as falhas no seu plano de guerra e que colocam a culpa toda no pobre tenente, condenado então ao pelotão de fuzilamento. Mas, quando vão buscá-lo ao amanhecer para a execução ele não está mais na cela, apesar de ter sido vigiado a noite toda. O que será que aconteceu? Um soldado tão valente e abnegado teria preferido fugir covardemente a enfrentar o seu destino? Impensável! E como ele poderia ter escapado? A surpreendente e aterrorizante resposta teremos, como de costume, no último quadrinho.

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