O Roubo Da Coroa Do Rei

História do Zé Carioca, de 1977.

É Carnaval, e o Pedrão é o Rei Momo da Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita. A trama é menos sobre o desfile em si, e mais sobre uma tentativa de sabotagem de um grupo rival, que rouba a coroa para que o Pedrão não possa desfilar.

A história tem como ponto de partida uma antiga marchinha de Dircinha Batista cujo tema é a coroa do Rei Momo. A letra da canção menciona justamente a falta de valor material da coroa de fantasia feita de lata, que qualquer um que tenha as características corretas pode usar, e que geralmente é usada por uma pessoa diferente a cada ano.

O resto da trama fica por conta do engenhoso plano que a turma coloca em prática para reaver a coroa roubada e prosseguir com os planos para o desfile, se bem que não exatamente da maneira pretendida em um primeiro momento.

Hoje temos a adição por papai de mais alguns personagens à turma do morro, entre eles o Bernardão, o Jair e o Ratão, que aparecem somente nesta história.

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Fórmula Zé-Ro

História do Zé Carioca, de 1973.

As corridas de automóveis estavam entre os esportes prediletos de papai mas, ao contrário do Xadrez, isso era algo que ele não praticava. Fã do Emerson Fittipaldi, ele apenas gostava de assistir e se inspirar na perícia dos pilotos, mas nem tanto na velocidade, para dirigir defensivamente e acompanhar a manutenção dos vários carros que teve ao longo da vida.

Esta história tem como tema central a vontade do Zé de agradar à Rosinha, já que às vezes ela se cansa um pouco do estilo de vida folgado do namorado malandro. E como ela gosta de corridas (e de corredores), nada melhor do que se tornar corredor também. Mas, é claro, isso é algo que é mais fácil falar do que fazer.

A trama começa a ficar interessante quando o Zé se vê obrigado a improvisar, sempre com a ajuda do Nestor, o amigo que nunca o deixa na mão.

Já a “Gincana Surpresa”, organizada por um canal de TV, a “TV Visão”, é inspirada não apenas na Fórmula 1, mas também na Corrida Maluca e em histórias como “O Carrinho Fantástico”, que serviria de inspiração também para as histórias do Vavavum publicadas mais tarde na Revista Crás! e “O Pequeno Campeão” da revista Destaque e Brinque, todas já comentadas aqui.

O “Fórmula Zé-ro” (Fórmula 0) no nome da história seria uma referência às capacidades automobilísticas do Zé, já que, como piloto, ele realmente “não é de nada”. E, é claro, a gincana também não se chama “surpresa” por acaso…

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Robin Grude

História do Zé Carioca, de 1974.

Esta é a primeira da trilogia de “Robin Grude”, um Robin Hood “alternativo” encarnado pelo Zé Carioca na companhia da Rosinha e do Nestor com uma “ajudinha” do Doutor Estigma.

É um exercício de imaginação interessante de papai, que elimina o herói original, coloca o Zé em seu lugar e o faz passar por mais ou menos as mesmas situações da história clássica, mas sem descaracterizar o Zé. Ou seja, ele continua o mesmo malandro falastrão de sempre.

Em todo caso, como o coração é puro e a intenção é boa, o Zé e seus amigos acabam conseguindo ajudar os renegados da floresta em sua resistência contra o Rei João, o Usurpador, enquanto também lidam com a armadilha preparada para eles pelo inventor do mal.

O interessante é que, depois de derrotar também o Doutor Estigma, o Zé e seus amigos ficam de posse da invenção, que colocarão para bom uso, é claro.

Assim a máquina dimensional, uma espécie de “teletransporte do tempo”, permanece escondida no meio da floresta para uso posterior da turma. Na terceira história desta série (que eu infelizmente não tenho aqui) a máquina é levada pelo Zé para a própria casa dele, facilitando ainda mais as coisas.

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O Sucessor

História do Zé Carioca, de 1979.

Já que o Pedrão não pode, este ano, ser o Rei Momo da Escola de Samba Unidos da Vila Xurupita por motivo de viagem, a turma vai precisar arranjar outra pessoa para substituí-lo. O problema vai ser, em um lugar tão pobre, encontrar alguém gordo o suficiente para a função.

É então que, diante da absoluta falta de outro candidato, e por não querer usar enchimentos que poderiam cair durante o desfile e tirar pontos da Escola, o Zé resolve fazer o “sacrifício” de engordar (e aproveitar para tirar a barriga da miséria) às custas do caixa da agremiação.

Pode-se argumentar que hoje em dia existem muito mais pessoas obesas nas favelas do Brasil, e há quem possa se sentir tentado a relacionar o fenômeno com algum tipo de melhora nas condições financeiras das populações mais pobres, mas a verdade é que, no final dos anos 1970, o brasileiro em geral não tinha o tipo de acesso a tantos alimentos industrializados e calorias vazias como o que temos atualmente.

Interessante será o método usado para fazer o nosso amigo ganhar peso. Nos quadrinhos, a crítica de livros de auto ajuda e de dietas, por exemplo, é a de que os métodos ensinados neles no mínimo não funcionam, quando não acabam tendo o efeito contrário.

Assim, a cada nova história de Carnaval papai vai examinando um aspecto diferente da festa, a cada vez sob um novo enfoque.

Apesar de não estar ainda creditada no Inducks, ela é dele, sim. O que aconteceu foi que ele só se lembrou de anotar seu nome na Lista de Trabalho quando ela foi republicada, em 1988.

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Zé Dinamite

História do Zé Carioca, de 1976.

A história de hoje combina a habitual falastrice e o talento para se meter em encrencas do Zé com várias referências interessantes. Diante do desabamento da “pedra do macaco” durante uma tempestade, o nosso herói tolamente se coloca em uma posição difícil. O interessante será ver como, exatamente, ele sairá dela. Papai saberá oferecer, no momento certo, uma solução original e digna da confusão inicial.

Mas, antes de mais nada, vamos às referências:

A favela do Morro dos Macacos existe mesmo, e fica na região da Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ao que parece, o Pedrão morava por lá antes de se mudar para a Vila Xurupita no Morro do Papagaio e criar seu pomar de jacas e outras frutas. Aqui ela é chamada de “Morro do Macaco”, no singular.

Outra coisa que existe de verdade e fica no Rio de Janeiro é a Pedra do Macaco, embora não exatamente na cidade, mas ainda no mesmo estado. Papai tomou a liberdade de “movê-la” só um pouquinho. 😉

A implosão mencionada pelo Zé do edifício “Caldas Mendeira”, na Praça da Sé em São Paulo também é um fato real, acontecido em 16 de novembro de 1975, e o nome verdadeiro do prédio é Mendes Caldeira.

E a comoção toda que se cria pela boataria e expectativa de um espetáculo popular grátis também é algo bem brasileiro, que lembra um pouco a canção de 1974-5 chamada “De Frente Pro Crime“, de João Bosco. Só falta, mesmo, um corpo, mas isso certamente não “caberia” em uma história da Disney.

Assim temos a memória de vários fatos reais recentes (naquela época, é claro), que seriam facilmente reconhecíveis por quem lesse a história, “rearranjados” e combinados de maneira criativa para compor uma trama que se torna realmente engraçada exatamente porque combina essa sensação de familiaridade toda com uma situação completamente insólita.

Qualquer semelhança com a realidade brasileira de todos os tempos (não) terá sido mera coincidência.

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O Dia Dos Invasores

História do Zé Carioca, de 1979.

Esta é a primeira da série de quatro histórias dos invasores transmorfos Alfabeta e Gamadelta. Apesar de (ainda) não estar creditada, ela é de papai sim, assim como as outras três.

A primeira missão deles é apenas de reconhecimento, mas todas as características principais dos vilões já são apresentadas aqui. Assim, temos as armas de raios, a capacidade de flutuar, os rádios transmissores e (principalmente) o total desconhecimento (e desprezo, já que eles planejam a dominação total, de qualquer maneira) da cultura e modo de vida dos terráqueos.

O leitor já de saída vai se surpreender com as diminutas proporções da nave em comparação com o ambiente terrestre à sua volta. O aparelho que vemos sendo usado para raptar o Biquinho em “Uma Invasão de Dar Pena”, já comentada, parece até grande, por comparação.

Inversamente oposta a  seu tamanho, aliás, é a capacidade das duas nuvenzinhas de causar confusão. O resto da coisa toda é uma comédia de erros das mais peculiares, com os alienígenas assumindo as formas do Zé e do Nestor enquanto eles (convenientemente) dormem o dia todo e aprontando todas pelo Rio de Janeiro afora, para quem quiser ver.

E apesar de tudo, ninguém desconfia que na verdade isso é uma invasão alienígena. Será que eles já estão entre nós, e nem percebemos? Tão absortos que estamos em nossos próprios afazeres, muitas vezes nos esquecemos de parar um pouco de vez em quando e ver que coisas realmente extraordinárias podem estar acontecendo bem na frente de nossos olhos cansados.

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“Pé De Pato, Mangalô Três Vezes”

História do Zé Carioca, de 1975.

O tema de hoje versa sobre as superstições brasileiras sobre sorte e azar, com uma pequena “ajuda” do bruxinho Peralta.

O bico do chapéu do bruxinho, aliás, pode ser visto por detrás das cercas já desde o primeiro quadrinho, e também é possível ver uma mão ou um braço aqui e ali no decorrer das primeiras páginas, mas a presença do vilãozinho só será realmente revelada na quarta página, depois que o leitor já estiver bastante desconfiado.

Mas afinal, passar por baixo de escadas ou atravessar o caminho de um gato preto dá mesmo azar? E será mesmo que repetir certas frases “mágicas”, ou carregar todo tipo de objeto, como pés de coelho e outros amuletos, ou jogar coisas como sal e ferraduras por cima do ombro dá mesmo sorte? De onde vêm todas essas superstições e crendices?

As origens de algumas dessas crendices são bem conhecidas: por exemplo, a crença de que quebrar um espelho dá azar vem da Veneza da Renascença. Naqueles tempos, quando os espelhos de vidro ou cristal eram uma novidade rara e cara, ai do empregado de uma rica mansão que quebrasse um deles. Certamente nunca mais conseguiria emprego na cidade.

A crença na boa sorte trazida por pés de coelhos, geralmente embalsamados e levados junto ao corpo, remonta à China do século VII a.C. A “sorte” que eles davam, originalmente, era relacionada à grande capacidade reprodutiva desses animais. A vitalidade da economia das sociedades antigas dependia fortemente da fertilidade dos animais e das pessoas, também.

E não nos esqueçamos do pobrezinho Gato Preto, esse bichinho historicamente injustiçado: por ser um animal noturno, durante a Idade Média o gato foi associado com as “trevas” e com a capacidade de ver espíritos. Além disso, por causa da amizade natural entre mulheres (especialmente as mais velhas, naqueles tempos) e gatos, eles acabaram sendo também associados à imagem das “Bruxas”. E se fossem pretos, então… coitados!

Mas toda essa perseguição implacável aos bichanos, motivada pelo medo e pela desconfiança, e sua quase extinção na Europa, não ficaria impune: foi por falta de gatos para caçar os ratos que infestavam ruas e casas que a Peste negra se espalhou pelo Velho Continente, levando com ela algo como metade da população.

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