A Visita Dos Manchinhas

História do Mancha Negra, de 1975.

Bem, se todos os personagens Disney (ou pelo menos muitos dos mais importantes) têm sobrinhos, por quê o Mancha Negra também não poderia tê-los?

É sob essa premissa que papai criou estes três “Manchinhas” e os usou em duas de suas histórias. A ideia era que eles não fossem personagens fixos, mas aparecessem de tempos em tempos para complicar a vida do tio.

Eles aparentemente vivem com um outro membro da “família Mancha”, um obscuro “Tio Manchado”, que é especialista em teorias e táticas criminosas. O problema (para os Manchinhas que, como todo pré-adolescente, já querem ser precocemente adultos) é que ele raramente parte para a ação.

Os meninos malvados querem “aulas práticas”, querem já começar uma carreira de crimes, sendo que o direito de toda criança é justamente o contrário, é ir para a escola e aprender a ser uma boa pessoa. É exatamente por ceder às vontades maléficas dos sobrinhos que o Mancha será humilhado mais uma vez.

Papai deixa transparecer uma certa tensão entre esses dois “tios”, com os Manchinhas mencionando que o Manchado haveria criticado o Mancha (seria algo como o “sujo criticando o mal lavado”?) por não observar certas táticas maléficas básicas e, por isso, acabar sempre preso pelo Mickey.

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O Poderoso Metralhão

Esta é a última história da série A História de Patópolis, publicada pela primeira vez em 1982.

A saga da Pedra do Jogo da Velha chega ao fim nos anos 1930, em uma Patópolis muito parecida com a Chicago da mesma época, tomada por gangsteres e pelo crime organizado.

Apesar da semelhança com a quadrilha Metralha, o vilão chamado Al Metralhone não é um antepassado do Vovô Metralha. Como vimos em outra história de mesmo nome da série Metralhas Históricos que já trata desse personagem, ele é um tio dos Metralhas atuais.

O nome dele é uma referência a Al Capone e, como ele, o Metralhone andava sempre na tênue linha entre legalidade e ilegalidade, entre roubos e a exploração do jogo (e principalmente o da velha, é claro). Como ele, também, será preso por algo que não tem lá muito a ver com o atos de violência que comete pela cidade.

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Papai “costura” a história de uma maneira inusitada: ela começa com uma ação dos bandidos para roubar uma banca de frutas. Em seguida ficamos sabendo que o Metralhone está atrás de jabuticabas (fruta que era, aliás, a predileta de papai). Na continuação, vemos um alambique ao fundo, e por fim ficamos sabendo o que é produzido ali: licor de jabuticaba!

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Em nenhum momento papai fala explicitamente sobre a Lei Seca nos EUA, mas quem conhece um mínimo de História vai finalmente conseguir unir os pontos.

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Perdidos No Vale Do Eco

História do Mickey, publicada uma vez só em 1975.

Trata-se de um bom mistério policial. Ao mesmo tempo em que vai armando uma armadilha quase perfeita para o herói (eu já avisei que não existe crime perfeito?), papai vai deixando todas as pistas possíveis para que o leitor o solucione.

Logo no último quadrinho da primeira página nosso leitor atento já terá a certeza de que há algo muito errado acontecendo. Mesmo com o mapa e as placas aparentemente apontando o caminho certo para uma suposta “Estância Azul” (o Google me mostra vários equipamentos turísticos com esse nome pelo Brasil afora, mas eu não me lembro de ter visitado nenhum deles), será que a placa de advertência caiu sozinha ou foi retirada?

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Com a progressão dos quadrinhos, um sofisticado plano maléfico vai se revelando: mapas adulterados, placas trocadas, sabotagem no carro do Mickey, e finalmente a “cereja do bolo” – o bandido deu o telefone do próprio esconderijo ao herói para poder falar com ele como se fosse o dono da tal estância. Tudo isso para tirar o rato do caminho, levando-o para longe no meio do deserto, e poder praticar um crime.

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Por fim, o mapa adulterado contém em si a solução para o problema, e o leitor que souber lê-lo poderá ficar tranquilo na certeza de que o Mickey vai conseguir dar a volta por cima e prender os bandidos. Afinal, é mais fácil trocar alguns detalhes em um mapa já existente, do que desenhar algo completamente falso. Sendo assim, caberá ao leitor decidir quais elementos no mapa são falsos, e quais são os verdadeiros.

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Oh, Que Saudades Que Eu Tenho…

História do Donald e do Peninha, de 1982.

Com o tema “infância”, a história gira em torno das reminiscências dos dois primos que, com a ajuda de um antigo álbum de fotos vão contando, primeiro ao Biquinho, e depois aos sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, “causos” engraçados sobre seus tempos de criança: como se conheceram, os tempos de escola, e até mesmo uma passagem dos dois pelo batalhão dos Escoteiros Mirins de Patópolis, onde conheceram o Silva.

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A cada uma das histórias é um deles que se dá mal, e os outros que dão risada. (O leitor, é claro, rirá de todas, já que a intenção é essa.) Casos de família são assim mesmo: algumas das coisas pelas quais as crianças passam podem parecer quase trágicas, ou pelo menos muito embaraçosas na hora em que acontecem mas, décadas depois, viram motivo para riso.

O título é inspirado em um poema de Casimiro de Abreu chamado “Meus Oito Anos” (Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!), que papai aprendeu na escola e que sabia declamar inteirinha de memória, assim como vários outros textos literários. Naqueles tempos do início do Século XX era preciso ensinar às crianças a memorizar com eficiência, já que não se podia ficar consultando livros o tempo todo.

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A Propaganda É A Alma Do Negócio

História do Peninha, de 1973.

O Peninha é despedido novamente por dormir no horário de trabalho e resolve procurar outro emprego, dando início a mais uma aventura maluca.

As histórias do Peninha como “gênio da propaganda” são recorrentes com papai. Eu sinto muito em “tomar” mais uma história do Julio de Andrade, pois é assim que ela (ainda) está creditada no Inducks, mas o nome dela está na lista de trabalho, e a revista aqui na coleção. Para mim, não há dúvida.

O que acontece, a meu ver, é que há bastante similaridade entre o estilo do Julio e o do meu pai, principalmente porque quando o Julio entrou para a escolinha da Abril papai já era um artista reconhecido lá dentro e uma forte influência.

Uma diferença que eu percebo entre eles é que, com o Julio, os personagens trocam mais sopapos entre si ao longo das páginas do que na maioria das histórias do meu pai. E talvez seja justamente pela quantidade de “patadas” distribuídas liberalmente hoje, desde o primeiro quadrinho, que se deu o equívoco.

De resto, a história é bastante parecida com outra, já comentada aqui, chamada “O Grande Gênio”, que em 1975 coloca o peninha como “criativo” na agência do Pato Eurico. E o erro cometido pelo Peninha é o mesmo: querer usar uma só “fórmula” para todos os produtos, indiscriminadamente. O fato é que não é porque funcionou com um que vai funcionar com todos.

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A premissa da “campanha publicitária” é brincar com uma velha expressão da cultura brasileira. “Ele tem cara de quem comeu e não gostou” era algo que se dizia de quem fazia cara feia por estar chateado ou insatisfeito com alguma coisa. Mas, como no Brasil nem todo mundo tinha dinheiro nem para comer (e há quem não tenha até hoje), depois de algum tempo a piada passou a ser “não comeu e não gostou”.

E há também quem tenha aversão a certos ingredientes, como berinjelas, quiabos e coisas parecidas, mesmo sem nunca tê-los provado, e se recuse a comer alimentos feitos com eles. É nesse momento que geralmente começa a pressão de familiares e amigos no sentido de que a pessoa justamente tem de experimentar, fazendo a “propaganda” do alimento para quem não gosta dele.

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A “Agência Maccão” é uma referência à McCann Erickson, uma famosa agência de publicidade dos EUA que está presente em diversos países ao redor do mundo. Aqui no Brasil ela passou por várias fusões, mas continua na ativa.

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O Invencível Mancha Negra

História do Mickey, de 1974.

Este é mais um ótimo mistério policial para o leitor resolver. O Mancha está foragido da cadeia mais uma vez (não devemos nos esquecer de que ele é um mestre em fugas), e todas as joalherias de Patópolis estão em alerta. Afinal, ele é também um notório ladrão de joias.

Uma delas chega inclusive a instalar um sistema anti roubos que tem aquele “jeitão” de ser coisa inventada pelo Professor Pardal, apesar de não se tocar no nome dele em nenhum momento. O problema é que ele será de pouco uso em uma sala cheia de convidados que não foram treinados para lidar com ele em uma situação de assalto.

A primeira e principal pista que papai deixa para o leitor é a sequência abaixo, onde o vilão não parece estar para muita conversa, repetindo sempre a mesma frase:

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Em seguida, temos mais uma pista quando o Coronel Cintra se lembra de que o Mancha estava “pensando em se regenerar”, e até mesmo fazendo um curso por correspondência. O problema é que ele não se lembra qual era, exatamente, a disciplina do tal curso.

Quando finalmente o bandido atravessa uma porta de metal como se ela fosse um biombo de papel, o que só serve para deixar a pulga atrás da orelha do leitor atento ainda mais agitada, o Mickey resolve armar uma emboscada para capturá-lo. A isca da vez será o Diamante Estrela do Sul, que existe de verdade e foi descoberto no Brasil. “Estrela” (de alguma coisa ou algum lugar) é um nome comum para diamantes no mundo todo, e uma tradição que papai continuou em muitas de suas histórias onde eles aparecem.

Por fim, não será apenas o Mancha que vai se surpreender com a reação da polícia no momento do segundo assalto. Isso certamente causará muitas risadas no leitor, logo antes da explicação lógica e solução do mistério.

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E depois ainda tem gente que diz que papai não tinha muito jeito para fazer histórias do Mickey…

E assim chegamos ao final de mais um ano. Desejo a todos os que acompanham este blog um Feliz Ano Novo e um 2017 de Paz e Prosperidade.

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Diário De Um Herói

História do Morcego Vermelho, publicada pela primeira vez em 1977.

A brincadeira de hoje inclui um pouco de tudo: primeiramente, tenta desfazer a noção de que diários são coisas apenas para mulheres. Um herói também pode ter o seu, desde que consiga escrever alguma coisa entre uma missão e outra.

De resto a trama explora o talento para o desastre do herói, juntamente com a falta de credibilidade dele junto à população patopolense. Até as crianças preferem outros heróis, pois confiam mais na capacidade deles e não no Morcego. A cada página o menino pede por um herói diferente. Do Superpateta ao Vespa Vermelha (duas vezes), passando até pelo Mickey. O único que não é chamado é o Superpato, de quem papai não gostava muito pois achava que ele competia com o Xaxam.

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Mas como sempre o objetivo de papai não é fazer o mocinho pegar o bandido, mas sim fazer o leitor rir. Para isso, ele usa e abusa das quedas e trombadas. Tudo o que poderia sair errado será um verdadeiro desastre, desde o primeiro quadrinho e até a última página. O herói se acidentará pelo menos uma vez em cada página, e em algumas delas até mais. Mas, mesmo assim, não desiste nunca.

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E por fim, como se não bastasse, todo o esforço será em vão, com um desfecho tão surpreendente (para o leitor) quanto decepcionante (para o personagem). Mas de qualquer maneira, qual outro dos heróis de Patópolis se prestaria, com tamanha boa vontade, a fazer papel de bobo para agradar uma criança?

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