História Pra Boi Não Dormir

História do Biquinho, de 1986.

O título se refere a uma velha expressão popular: “história”, ou melhor, “conversa (mole) para boi dormir” é o mesmo que inventar mentiras em sequência para tentar enganar alguém.

Hoje papai associa o conceito com as histórias noturnas contadas às crianças pequenas pelos pais ou tios com a característica do Biquinho de ser difícil de colocar para dormir e com um antigo conto de fadas chamado “Os Três Cabelos de Ouro do Diabo”, dos Irmãos Grimm.

Há toda uma arte e uma ciência por trás dessa coisa toda de se contar histórias para dormir, na verdade. Mais do que o teor da história em si, especialmente para crianças bem pequenas, o que realmente vale é manter um tom de voz calmo e pausado, para que a pessoinha ali na cama se acalme e durma. Daí a associação com a conversa para boi dormir.

Para crianças mais velhas um pouco, a repetição de uma mesma história, noite após noite (ou várias vezes em seguida em uma mesma noite) também tem um efeito calmante por causa justamente da previsibilidade. Saber a história de memória, poder prever o que vai acontecer e até declamar os diálogos, dá à criança uma sensação de segurança. (Mas, até que a história se torne realmente familiar, alguns “acidentes de percurso” podem acontecer.)

Mas é claro que para toda regra existe uma exceção, e hoje ela se chama Biquinho. E papai “empresta” ao patinho toda a criatividade que ele mesmo tinha quando criança, nos tempos em que inventava finais alternativos (e frequentemente muito mais engraçados) para as histórias que ouvia.

Só que, para o Biquinho (e para a diversão do leitor), isso nem sempre é uma coisa boa.

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Peninha e Donald Enfrentam Mortrambique, A Fera Do Mar

História dos supracitados, de 1984.

Continuando a série de sátiras de grandes clássicos da literatura, a obra “zoada” da vez é Moby Dick. De autoria de Herman Melville, o livro foi originalmente lançado em 1851.

A adaptação, como sempre, é fiel ao original “até a metade do caminho”. Uma vez apresentados os personagens e o cenário geral da história, são introduzidas várias alterações por vários motivos. Para começar, não era intenção de papai copiar a história do livro em todos os detalhes. Mais importante, para ele, era apresentar o tema aos leitores para que eles fossem pesquisar e, quem sabe, até mesmo ler o livro em si.

Outras alterações foram feitas para acomodar o “estilo Disney”, que desde sempre (ou pelo menos a partir da criação do personagem Capitão Mobidique em 1967) tem sido contra a caça de baleias e proíbe a representação da captura desses animais. Elas devem sempre vencer a parada, e escapar para a liberdade.

E há as alterações nos nomes dos personagens, é claro, em uma mistura dos nomes da Disney com os do livro. Assim, Ismael, o narrador da história, é representado pelo Donald e tem o nome trocado para “Donaldel”. O Capitão Ahab, representado pelo Patacôncio, vira “Capitão Pathab”. A alteração no nome da baleia branca é, talvez, a mais engraçada, fazendo referência aos termos “maior” e “trambique”, ou seja, uma encrenca completa.

O interessante é que o nome do personagem representado pelo Peninha não muda muito: hoje papai resolve não usar o prefixo “Pen”, ou “Pena”, de costume, e simplesmente coloca um hífen no lugar do segundo “e” em Queequeg (Qué-Queg). É a clássica piada pronta, e certamente foi a partir da semelhança do nome do habitante dos mares do sul com o grasnar de um pato que surgiu a inspiração para esta história.

O caixão no nome da estalagem na primeira página também não é coincidência, sendo mais uma referência ao personagem Queequeg. Aliás, nada mais justo que o Pato Donald participe de uma história sobre marinheiros como personagem principal, não é mesmo?

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Um Tremendo Furo

História do Peninha, de 1977.

A palavra “furo”, como quase todas elas, tem mais de um significado. Tudo depende do contexto, é claro. Em jornalismo, um “furo” é uma notícia inédita e exclusiva, aquela que ninguém mais tem para dar. Já em outros contextos ela pode significar um rasgo, buraco ou orifício, uma depressão que atravessa de um lado a outro de um objeto. Hoje, papai brincará com todas estas acepções da palavra.

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Além disso, para engrossar um pouco mais esse caldo, ele usará a noção dos sonhos proféticos que “emprestou” ao Peninha. Por ser totalmente “lado direito” do cérebro, o pato abilolado tem também, na visão de papai, uma intuição bastante desenvolvida expressada em sincronicidades e sonhos no mínimo curiosos que acabam se manifestando na realidade desperta. Esse, aliás, é um talento que ele próprio tinha e que associou também a outros dos seus personagens prediletos, como o Zé Carioca.

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A minha teoria quanto a esse assunto é a de que, em uma noite bem dormida, as pessoas que se lembram dos seus sonhos com facilidade (todo mundo sonha, mas nem todos se lembram deles ao acordar) imaginarão quase todos os desfechos possíveis para algum problema ou preocupação que esteja ocupando suas mentes. Isso acontece por causa da capacidade analítica do cérebro humano, que nunca para de funcionar, mesmo quando adormecido.

Assim, quando um dos desfechos imaginados acaba se realizando a pessoa pode se convencer de que previu os acontecimentos antecipadamente, e na maioria dos casos foi isso mesmo o que aconteceu, mas não por causa de algum fenômeno sobrenatural. A coisa só se complica quando aparecem, nos sonhos, informações das quais a pessoa não poderia ter conhecimento por vias normais. Mas esse é assunto para um outro dia.

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A Repórter Mais Simpática

História da Margarida, de 1974.

Toda profissão tem seus “ossos do ofício”, e o jornalismo não é diferente. A competição entre os profissionais pode ser acirrada, e nem todos jogam limpo.

A isto papai adiciona o mito da rivalidade entre mulheres, uma fantasia machista que estava muito arraigada na cultura brasileira da época, e que é, até hoje, encorajada como mais uma das maneiras que existem de se tentar controlar o comportamento das mulheres para benefício dos homens. (Lembrem-se, mulherada: isso não precisa ser assim, e nós ganhamos muito mais unidas do que separadas.)

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Há também o problema da competição que é organizada de propósito para que apenas o participante “da casa” tenha chance de ganhar, de preferência humilhando os adversários no processo. A tarefa do pessoal do bem da história será conseguir ter uma chance justa, usando de alguma engenhosidade e astúcia, mas de preferência sem trapacear também. Papai usou isso várias vezes, mais notoriamente em histórias como “A Copa do Morro é Nossa”, e outras semelhantes.

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O desafio principal da competição será fazer uma entrevista agradável com “a pessoa mais antipática de Patópolis”. Por sorte da Margarida, a definição de antipatia é algo um pouco subjetivo, e é a chance que ela terá de “virar o jogo” com sutileza e elegância.

São os “truques” do jornalismo para se conseguir informações, algumas vezes até mesmo não deixando que o objeto da entrevista perceba que está sendo entrevistado.

O editor J. Rata Zana e a repórter Malu Tadora (ambos de A Patranha) aparecem apenas nesta história e são, portanto, criações de papai.

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As Caçadoras da Arca Perdida – Parte 2

Esta terceira e última “história testamento”, escrita em 04/07/1993 e jamais publicada, não deixa nada a desejar até mesmo em comparação com as histórias de Natal Premiadas de papai: até milagre vai ter, no final, com direito à descoberta definitiva da Arca da Aliança e a revelação da verdadeira identidade do Professor Said Mulla.

A página de rafe da Editora abril é um pouquinho larga demais para o meu scanner, mas ele deixou várias notas com instruções nas margens. Na primeira página, por exemplo, o lado israelense do Rio Jordão é verdejante, enquanto o da jordânia é puro deserto. O que parece um coqueiro, na terceira página, é na verdade uma tamareira. E na página 9, os metralhas sobre camelos usam a Cafia jordaniana, quadriculada em vermelho e branco.

Na segunda página, toda a história que o Professor Said conta é verídica. Essa é a verdadeira lenda judaica de como a “Arca Perdida” se perdeu. Mas a partir do momento em que o Pardal chega a Israel, a história toda toma um rumo mais fantasioso. Mas tudo bem, afinal, não há prova alguma sobre a atual localização dos objetos sagrados do povo judeu.

No final, o “Professor Said” revela ser, na verdade, o “Professor Zaid”, arqueólogo judeu e diretor do Museu de Jerusalém. Essa é uma maneira romanceada que papai achou para explicar sua mudança de país e de nome, com toda a carga cultural e emocional que isso acarreta.

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A Coroa Do Rei

História do Sr. X e seus capangas, de 1983.

Histórias de Carnaval com o Zé Carioca são legais, retratam muito bem como são as festividades no Rio de Janeiro, representam a “nata” e o “luxo” das histórias do gênero, mas esta aqui ganha no quesito criatividade.

Papai hoje traça uma correlação entre o pretenso “Rei do Crime”, candidato fracassado a bandido, mas com uma megalomania de dar inveja, e o Rei Momo, que também não é rei de nada no mundo real. Com a diferença, é claro, que o Momo pelo menos é reconhecido como “Rei” de alguma coisa por exatos três dias no ano. O Sr. X, nem isso. A canção que os capangas do vilão cantam no início vem justamente de uma antiga marchinha que faz alusão ao Rei Momo e às ilusões de grandeza da festa.

Coincidindo com o Baile de Máscaras do Patópolis Palace Hotel (que equivale mais ou menos ao do Teatro Municipal no Rio), o Clube dos Fora da Lei da cidade estará coroando seu novo Rei, ou seja, aquele que fizer o assalto mais audacioso inteligente. E o Sr. X decide que esta é a oportunidade ideal para realizar seu sonho maléfico.

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Pior, ele realmente consegue realizar seu plano de roubar o Patacôncio, que estará no baile fantasiado de Pantaleão. O próprio bando de vilões usará fantasias de Arlequim, Pierrô, Polichinelo e Colombina. (Papai não perdia a chance de usar referências dos antigos Carnavais).

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Mas não se esqueça, leitor, de que estamos falando de Carnaval e de bailes de máscaras, onde tudo é ilusão, e nada é o que parece ser. Conseguirá o Sr. X se sagrar, finalmente, “Rei do Crime”? E em pleno Carnaval?

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A Coqueluche-Morcego

História do Morcego Vermelho, de 1976.

A coqueluche é uma doença do aparelho respiratório que tem a característica de ser altamente contagiosa. Por esse motivo, em outros tempos a palavra virou sinônimo de outros tipos de “epidemias”, ou “febres”, como os modismos que se espalham por certas comunidades de pessoas de tempos em tempos.

O mais interessante é que a “Coqueluche Morcego” existiu mesmo no Brasil nos anos que se seguiram ao lançamento do personagem, em 1973. Ele realmente virou um “herói nacional”, por assim dizer, com direito ao lançamento de brinquedos, bonecos, e até mesmo picolés, tamanho foi o sucesso que fez.

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Era a vida imitando a arte, e já que, como diria Aristóteles, “a arte imita a vida”, papai resolveu fechar o círculo e “documentar”, do jeito dele, é claro, o “modismo Morcego” nesta história. Só que aqui tudo não passa de um plano dos Irmãos Metralha que, por meio de algum tipo de engenharia social, conseguem criar essa moda toda para confundir a polícia e escapar mais facilmente após cometer seus crimes, no meio da multidão de fãs fantasiados de Morcego Vermelho.

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O problema é que, sendo os vilões pé de chinelo de inteligência limitada que são, os bandidos acabam também eles se confundindo com a “morcegaiada” toda, e baixando a guarda. É o famoso caso do feitiço que vira contra o feiticeiro. Bem feito para eles.

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html