Os Saltadores Salteadores

História do Superpateta, publicada uma única vez em 1972.

O Super está a caminho de Faroeste City, onde precisa resolver um caso envolvendo ladrões de ouro. Enquanto voa, passa por cima de uma carroça de Saltimbancos, cujos ocupantes se fazem uma adaptação das clássicas perguntas relativas ao Super Homem (É um pássaro, é um avião? Não! É o Super Homem!). Aqui fica: “um avião, um balão, uma pipa ou um disco voador”. Até mesmo o cavalo interpreta o que vê de acordo com o que conhece, e faz referência ao Pégaso, cavalo alado da mitologia grega.

Quanto ao mistério a resolver, o herói começa seguindo uma pista falsa, depois acaba o efeito do superamendoim em pleno ar e ele cai bem dentro da carroça dos saltimbancos, bate a cabeça e perde a memória. Ele chega a ser adotado pelo grupo e a participar do espetáculo mas, com mais uma batida na cabeça, e ele recupera a memória. Perde o chapéu com os amendoins, reencontra os amendoins com a ajuda de seus principais suspeitos e assim, de reviravolta em reviravolta, e de risada em risada do leitor, a história vai se desenrolando.

Saltadores

Aos poucos vai ficando claro para o leitor quem são os verdadeiros vilões da história, e no final até o Superpateta se toca, mas do jeito dele. Interessantes são algumas das armas dos bandidos, como a “corneta trabuco”. Já o nome “Maria Linda” (ou melhor, João Versátil, especialista em papéis femininos no teatro) é uma referência à Maria Bonita, companheira do cangaceiro Lampião.

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Esta é apenas a quinta história escrita por papai para os estúdios Disney no Brasil, e ele ainda não havia desenvolvido totalmente a sua técnica, apesar das referências históricas e da mitologia, que acompanhariam a sua obra durante toda a sua carreira. Em épocas mais tardias, por exemplo, ele não seria tão explícito com a questão do sapato da Maria Linda, e deixaria o leitor notar o detalhe por si mesmo.

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Não Pesquei Nada

História do Peninha contra o Ronrom, de 1977.

Despedido de A Patada pela enésima vez, o pato abilolado resolve tentar a sorte trabalhando na seção de peixes de um supermercado.

Mas o Peninha não conta com o Ronrom, que o viu ser chutado para fora do jornal. Tudo o que aparece do Tio Patinhas nesta história é a pata calçada com uma polaina no primeiro quadrinho. Já o gato tem ideias bem definidas sobre as coisas, e também no primeiro quadrinho nos brinda com seu senso crítico, tão afiado quanto suas garras.

pesquei

O nome do dono supermercado é bastante sugestivo: Peixoto. Para um comerciante que começou sua carreira como dono de uma banca de peixes, nada mais apropriado. Só que, como comerciante de peixes, o homem não gosta nadinha de gatos. O problema é que o Ronrom também tem birra com gente que não gosta de gatos, e fica mais disposto ainda a roubar um peixe do Seu Peixoto.

Já o Peninha, como sempre, só vai perceber que o Ronrom está por perto bem no finalzinho da história, depois que o gato já “sapateou” bastante pela loja de peixes. A palavra “pescar”, aqui, é uma referência à gíria que se usava na época para “entender”. O Peninha não “pesca” o que está acontecendo, enquanto o Ronrom tenta “pescar” um peixe para comer.

Está armada a situação para uma verdadeira batalha: o Peninha até que não é mau vendedor, e sua veia de publicitário ajuda muito na hora de “vender o peixe”. Do outro lado o Ronrom, com sua ideia fixa por peixes, não vai deixar ninguém em paz.

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A pergunta é: será que, finalmente, o gato do Donald vai conseguir comer peixe? (Uma boa olhada na “cara” do peixe que o Peninha está vendendo já dá uma pista: o bicho está até tiritando de frio, de tão congelado que está).

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A Volta De Luís Carlos

História do Zé Carioca, de 1977.

Luís Carlos, antigo pretendente da Rosinha, volta do exterior para atazanar o seu rival. Arrogante como sempre, não perde a oportunidade de tentar humilhar o Zé, comentando sobre o quanto ele é pobre, e exibindo um carro esporte enorme.

O fato é que o vilão menciona o “estratagema”, nas palavras da Rosinha, que o Zé usou para conquistá-la, ou seja, o fato de ele ter se passado por rico para poder se aproximar da moça. Enquanto isso, ele próprio afirma estar mais rico do que nunca.

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A história mexe bastante com aquele estereotipo que os brasileiros têm, aquela impressão de que basta sair do Brasil por alguns anos para se voltar podre de rico.

Interessante, aqui, é que a Rosinha está morando em uma casinha de alvenaria, simples mas arrumadinha, com um belo jardim de margaridas, e não na mansão de seu pai. Essa casinha não parece ficar muito longe do Morro do Papagaio, aliás.

E por falar em margaridas, o leitor vai perceber que a periquita parece estar se comportando mais ou menos como uma certa pata com nome de flor que mora em Patópolis. Ela aceita passear de carrão com o Luis Carlos, mas a verdade é que dá um jeito de fazê-lo levar o rival com eles. Parece estar bastante atraída pelo tucano arrogante, mas insiste em ter um cada vez mais enciumado Zé ao seu lado o tempo todo. Qual é a dela, afinal?

E para coroar a tarde dos comportamentos estranhos, quando o Zé volta ao morro recebe do Nestor a notícia que eles têm um novo vizinho, e que ele tem um carro “maior do que o barraco onde mora”. É aí que todas as peças do quebra-cabeças se juntam: o Luis Carlos está tentando fazer o mesmo que o Zé fez, mas com uma diferença… ele não tem amor pela Rosinha. Apenas uma grande vontade de dar o golpe do baú.

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E antes que os machistas de plantão venham atacar a reputação da Rosinha, ela logo aparece para se explicar: já estava sabendo do plano todo pelas amigas (o que seria de uma mulher chique sem suas amigas fiéis?) e só fingiu se interessar pelo pilantra para ganhar tempo e desmascará-lo. Seu coração sempre foi e sempre será do Zé Carioca, mas acontece que ela é uma moça fina demais para fazer barracos, e prefere esperar o momento certo para agir.

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Os Morcegos Negros

História do Morcego Vermelho, de 1977.

O Peninha está atrasado para o trabalho, mas a cada vez que tenta chegar à redação de A Patada é distraído por gritos de socorro que demandam a intervenção do Morcego Vermelho.

Perfeitamente dividido entre seu trabalho e sua missão, o herói vai atender aos chamados, mas todas as vezes se depara com um número crescente de novos heróis. Eles são uns morcegões vestidos de preto, que ameaçam, com sua aparente eficiência, acabar com a carreira de herói do Peninha.

Diante disso ele chega a ficar bastante abatido e desencorajado, pensando inclusive em abandonar de uma vez por todas o ramo dos trabalhos heroicos. Será este o fim do Morcego Vermelho?

Como é comum nesse tipo de história, o Morcego Vermelho só se mete em confusões, o Coronel Cintra desvenda (pelo menos “oficialmente”) o mistério (seguindo as pistas em verdadeiro estilo de romance policial e salvando a carreira do herói no processo), e o leitor, com sua atenção aos detalhes, logo “saca” o que está realmente acontecendo.

Vejamos, eles são seis morcegos, todos grandes e encorpados, com carantonhas de queixos grandes, barbas por fazer e botas tamanho 44 de bico largo.

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Como se não bastasse, os “assaltados” da história parecem estar vestindo uma conhecida camiseta laranja de gola arredondada por baixo de seus casacos, além de sapatos tamanho 44 de bico largo.

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Lembram alguém? 😉

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O que os amigos dizem sobre Ivan Saidenberg

Mauricio de Sousa:

“Fui amigo do Said e realmente quando me perguntaram sobre suas aptidões, na Abril, falei um monte de verdades (meritórias, lógico) sobre ele. Ainda bem que tudo foi bem, e ele deu sua contribuição para a Disney permanecer com mais brilho, durante muito tempo, no Brasil. Imagino que muitas histórias ainda publicadas (republicadas) são de sua autoria. Abraços à família do Said.”

Renato Canini:

“Por incrível que pareça, só vi o Ivan uma vez. Eu trabalhava na Revista Recreio lá por 69 e 70, e o Ivan apareceu por lá. Acho que ele já colaborava com a Disney, que ficava na sala ao lado.

O Igayara, que era o chefe de arte da Recreio me apresentou o Ivan por ser o irmão do Luiz, que foi um grande amigo lá de Porto Alegre, onde eu morava. Eu era funcionário público, mas fazia um expediente na CETPA – Cooperativa e Editora de Porto Alegre – Fundada por José Geraldo, que era do Rio. Era uma tentativa de nacionalizar as histórias em quadrinhos, e o José Geraldo trouxe para Porto Alegre vários desenhistas do Rio e de São Paulo: o Luiz, o Shimamoto, o Flávio Colin, o Getúlio Delphin e muitos outros. A CETPA não deu certo, e cada um voltou para o seu estado.

O Zé Carioca ainda não havia entrado na minha vida.

Em 71 eu estava querendo voltar para Porto Alegre e o Igayara me deu força. Desenharia a Recreio de lá e enviaria pelo malote da Abril. E o Yga me perguntou se eu não gostaria de tentar desenhar o Zé Carioca. Topei e daí surgiu nossa “inesquecível dupla”. Antes o Zé Carioca já havia sido desenhado por vários artistas brasileiros: Izomar Camargo Guilherme, Jorge Kato, e o próprio Igayara.

A nossa parceria durou de 71 a 75 ou 76, por aí. O meu único contato com o Ivan era pelas anotações que ele fazia nos argumentos. Depois que eu parei, o Ivan continuou a escrever roteiros para outros desenhistas.

Anos depois soube que o Ivan estava em Israel. Não sei quanto tempo ele ficou lá.

Depois o Ivan voltou para Santos e ficou de me visitar em Porto Alegre, mas nunca pode vir. Até hoje mantenho correspondência com o mano Luiz, grande desenhista e cronista.”

Ziraldo Alves Pinto:

“O Ivan e o Canini eram dois dos maiores roteiristas da Editora Abril, quando as histórias em quadrinhos da editora dominavam o mercado brasileiro. Eles – acho que até mais o Ivan – praticamente deram uma vida verdadeiramente brasileira ao Zé Carioca e fizeram do Tio Patinhas um velho usura dos mais simpáticos. Quando fui fazer a revista da Turma do Pererê para a Abril, entre os roteiristas da casa, coube-me o Ivan. O que foi uma coisa muito boa, principalmente pelo fato de ele ter vindo acompanhado da Thereza, sua mulher, que também era muito criativa. Foi uma bela experiência que teve o defeito de durar pouco. Mas, que até hoje, me deixa muita saudade.”

Os depoimentos a seguir apareceram originalmente no gibi especial “A História de Patópolis”, publicado pela Editora Abril em abril de 2012:

Primaggio Mantovi:

Em 1973, uma das minhas atribuições era avaliar os roteiros Disney made in Brazil. Logo que as primeiras histórias do Said caíram nas minhas mãos, fiquei embasbacado com a qualidade do material. Ele era único! Eu morria de rir com suas histórias (e ainda ganhava pra isso!) e, consequentemente, aprovava todas, com raríssimas modificações.

Euclides Miyaura:

Conheci o Said assim que entrei na Editora Abril, em julho de 1973. Para um garoto de 14 anos como eu, aquele senhor de terno caqui e calça marrom era o “monstro sagrado” dos roteiros. Tenho na memória até hoje o dia em que fui encarregado de desenhar minha primeira história com argumento do mestre Said (lembro-me do fato, mas não da HQ em si, porque posteriormente vieram muitas outras). Aquilo foi a afirmação da minha maioridade como desenhista profissional.

Júlio de Andrade Filho:

Quando frequentei a Escolinha Disney da Editora Abril, em 1973, Said já era um autor renomado. Eu e meus colegas éramos um grupo de jovens aprendizes que ficavam lendo, rabiscando folhas de papel e estudando maneiras de dar vida a personagens como Mickey, Donald e Zé Carioca. Num belo dia, chegou um homem de cabelos compridos que desciam por cima dos ombros, de óculos quadrados, meio prognático e sorridente. Nosso chefão, Claudio de Souza, o recebeu com festa, mostrando a ele o primeiro volume da coleção de livros ilustrados Os Grandes Duelos. O homem abriu o exemplar com olhar crítico, folheou lentamente página a página, como que saboreando as ilustrações. Os editores, ao lado, suspenderam a respiração, esperando o veredicto… O homem fechou o livro, olhou para o chefão e disse, com um brilho nos olhos: “Ficou do grande $#@&!” Todos respiraram aliviados e eu fiquei me perguntando quem seria aquele sujeito tão respeitado. Victor Civita, o dono da editora? Não, não era. Mas acho que, sem ele, a Abril seria menor. Aquele era Ivan Saidenberg.

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Prisioneiro de Guerra!

História de guerra publicada na revista Almanaque do Combate Nº 14, da editora Taika, com argumento de Ivan Saidenberg, letras de Marcos Maldonado e desenhos de Salatiel de Holanda.

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O início se passa na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, com o enfrentamento entre os nazistas da SS e os guerrilheiros da resistência. É sabido que muitos dos membros da resistência eram jovens judeus que conseguiam escapar de serem capturados e que, muitas vezes sob nomes falsos, decidiam fazer o que pudessem para se opor aos nazistas. Mas guerra é guerra, e muitos desses partisans, como eram chamados, acabavam capturados novamente e enviados a campos de trabalho ou extermínio.

Nossa história já começa na frente do pelotão de fuzilamento dos nazistas, que estão tentando extrair confissões dos capturados. Um deles é Iohan Kolek, “nom de guerre” de Iohan Koler, um judeu da resistência. Atemorizado, ele acaba confessando e entregando seus líderes aos nazistas.

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Por isso, ele passa a história toda cheio de remorsos, torturando a si mesmo por sua “covardia”, e sendo maltratado pelos seus colegas sobreviventes. “Iohan”, aliás, é um nome europeu que tanto pode ser traduzido por João quanto por Ivan. Outro nome citado, o do líder delatado por Iohan, é Karl Krugek.

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Durante a história toda, sempre que os partisans tentam uma ação contra os nazistas, eles percebem que foram delatados por alguém, e que os vilões já estão sabendo de seus planos de antemão, o que faz com que eles sejam derrotados todas as vezes. Apesar de toda a carnificina, alguns poucos sobrevivem para ver o final do conflito.

A história termina anos após a guerra, quando o sobrevivente Iohan já está morando e trabalhando em São Paulo, no Brasil. Ao ir para o trabalho, certa manhã, ele se depara com um “fantasma” de seu passado, o ex líder partisan que ele achava que havia traído covardemente e enviado para a morte. Era Karl Krugek, ou melhor, Karl Kruger, na verdade o agente duplo que os estava entregando aos nazistas toda vez, durante a guerra.

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Como ele próprio, Karl havia adotado um sobrenome falso, mas com intenção inversa: a de se passar por judeu para melhor traí-los. Assim que ele entende o que realmente havia acontecido, tudo o que ele passou durante a guerra volta à sua memória, e faz seu sangue ferver. É nessa hora que ele ataca o verdadeiro traidor de sua causa a socos e pontapés no meio da rua paulistana. Nesse dia, o colaborador nazista recebe o que merece, e Iohan lava sua alma com o sangue do verdadeiro traidor covarde.

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A Grande Corrida De Tartarugas

História de Donald e Sobrinhos, de 1977.

O pato chega em casa e encontra os meninos brincando com um filhote de jabuti, que eles estão tentando treinar para uma corrida de tartarugas que haverá em Patópolis. A ideia é mais ou menos a mesma que a do torneio de aeromodelos, de 1973, que eu já comentei aqui.

O interessante é que o Zizo, o bichinho dos meninos, existiu de verdade e era um dos nossos animais de estimação. Ficava escondido entre as folhagens de um dos jardins da casa em Campinas, e só saía de seu esconderijo uma vez por semana, mais ou menos, em busca de alimento. Eu conto a história do pequeno quelônio com mais detalhes na minha biografia de papai, aliás.

E para uma tartaruga, até que ele era bem rápido, mesmo. Ao brincar com ele um dia meu irmão e eu chegamos a nos admirar do quanto ele conseguia correr, e esse foi, muito provavelmente, o ponto de partida para esta história.

Voltando à trama, os prêmios da tal corrida são bons, e o Donald resolve comprar uma tartaruga “de verdade” (já que ele não considera a dos meninos grande e forte o suficiente para ganhar a corrida) para competir e aumentar as chances da família de ganhar, já que ele está precisando do dinheiro do prêmio. Só que o Donald não apenas compra um animal de corrida: ele dá a ela o nome de Gertrudes, e dá-se a entender que ela certamente se juntará ao Zizo como animal de estimação da casa após o evento.

Enquanto isso o Gastão, que (coisa rara) está em maré de azar, também resolve participar. Ele compra outro jabuti grande e rápido mas, ávido pelo prêmio, nem ao menos se preocupa em dar um nome ao bicho. Isso, para quem gosta de animais, é perfeitamente imperdoável. Além disso, ele está disposto até a trapacear para ganhar (para ele, sinal de que sua sorte teria voltado), e isso também não é algo que passe impune numa história Disney.

Quem conhece tartarugas sabe que elas só se dispõem a correr se estiverem realmente com fome. Mas como conseguem passar longos períodos sem comer, não é exatamente uma maldade atrasar um pouco o dia da alimentação delas.

É sabido também que tartarugas mais velhas são maiores e mais fortes, certamente, mas também são mais pesadas. Por outro lado, os filhotes são mais leves, mas podem não ser tão fortes. Parte da motivação da história é a indagação de papai sobre mais ou menos como isso tudo influenciaria na velocidade da corrida dos bichos, mas a intenção principal é na verdade “fazer festinha” para o Zizo, e para os próprios filhos, por tabela.

A cena da trapaça do Gastão, em seis quadrinhos, é a chave para toda a trama (note-se a falta de fome misteriosa do Zizo e o arbusto com frutinhas silvestres próximo à tartaruga do trapaceiro), e ponto central do “plano” de meu pai para fazer o humilde e pequeno Zizo ganhar a corrida e ser aclamado como herói, no final.

PD Zizo

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