Criança Sofre!

História do Professor Pardal, de 1980.

Muita gente sonha em voltar aos tempos de infância e ser criança de novo para poder fazer todas as coisas de que gostava e rever seus entes queridos que podem já não estar entre nós.

Mas pouca gente se lembra de que, mesmo que a idade adulta não seja fácil, a vida de uma criança pode ser também bastante complicada. O principal problema de ser criança é a falta de autonomia que faz com que elas estejam sempre sob a supervisão e submetidas à autoridade dos adultos, que sempre acham que sabem o que é melhor para elas (e frequentemente com toda a razão) e podem não acreditar no que elas têm a dizer, mesmo que seja verdade.

Em todo caso, mais do que uma oportunidade para filosofar sobre as dores e as delícias de ser criança, papai viu aqui uma chance de proporcionar à Nani Metralha (criada no exterior em 1977 com o nome original de Nanny Beagle para uma história só e publicada no Brasil em 1979) mais uma aventura antes que ela caísse na mais completa obscuridade.

Essa personagem é um misto de babá com avó e tia velhinha, uma cuidadora super protetora e condescendente que trata os jovens Metralhas como se fossem anjinhos, mesmo sabendo de suas traquinagens. Como bem sabemos, mimar uma criança, fazer todas as suas vontades e fazer vista grossa para todos os seus erros é a receita certa para criar um adulto de valores completamente distorcidos.

Assim, temos pelo menos uma explicação possível para o mau caráter dos Irmãos Metralha e de como eles chegaram a ser os bandidos que são.

O resto são variações sobre o tema da história original, com algumas coisas fielmente adotadas, como a máquina do tempo que mais parece um cofre e a boa fé do Pardal, que se deixa levar na lábia dos Metralhas na esperança de poder regenerá-los, e outras diferentes, como a volta à infância propriamente dita e não à adolescência.

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A Receita Da Invisibilidade

História do Professor Pardal, de 1980.

O título original na lista de trabalho era “A Fórmula Da Invisibilidade”, o que faz muito mais sentido, mas o editor achou por bem mudar, sabe-se lá por qual motivo.

A inspiração vem da literatura, mais especificamente de uma novela de ficção científica escrita por H. G. Wells e publicada em capítulos em 1897, antes de ser lançada como livro no mesmo ano. Além disso, a história virou também filme em 1933, com várias sequências pelos anos 1940 adentro e nas muitas décadas desde então.

Ao longo dos séculos figuras mitológicas, magos e cientistas vêm procurando uma maneira de tornar coisas e pessoas invisíveis, seja por meio de “poções”, capas ou mantos, anéis, capacetes (como o de Hades, depois emprestado a Perseu) e outros objetos e métodos.

Aqui papai segue a linha de Wells, com o Tio Sabiá inventando uma fórmula (se fosse uma bruxa, poderia ser igualmente uma poção) que, quando fervida, produz um vapor que deixa invisíveis a tudo e a todos que toca. O efeito é tão forte que até a casa do inventor fica completamente transparente. Parte da graça da história é observar o Pardal trabalhando às cegas em um laboratório e com objetos que ninguém vê.

A tarefa do Pardal será encontrar um antídoto para ajudar o tio a voltar ao normal, enquanto enfrenta o Professor Gavião com a ajuda do Lampadinha para que a receita não caia em mãos erradas.

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No Tempo Dos Piratas

História do Professor Pardal, de 1980.

Muito antes de “De Volta Para o Futuro”, papai já brincava com a noção de paradoxos nas viagens no tempo. A pergunta que se faz é: se esse tipo de viagem fosse possível, quais seriam realmente as chances de que um visitante de um tempo com tecnologia mais avançada entrasse e saísse de uma época sem influenciá-la de alguma maneira?

Será que essa pessoa conseguiria resistir à tentação de adaptar seus conhecimentos para poder viver melhor, ou até mesmo enfrentar alguma situação de perigo, como a que vemos nesta história? E como isso afetaria a vida dos habitantes originais daquele tempo? (É, aliás, nessa mesma premissa que se baseia Erich Von Däniken em sua teoria dos “antigos astronautas”: seriam os “deuses” na verdade astronautas – ou até mesmo viajantes do tempo – que ensinaram os rudimentos da alta tecnologia aos nossos antepassados mais primitivos?)

A máquina do tempo do Pardal é sempre a mesma, em todas as histórias que papai escreveu com esse tema: trata-se de um aparelho parecido com um enorme despertador analógico, daqueles antigões. A curiosidade é que a máquina tem uma aparência bastante humanoide, com o sino no topo por chapéu, os ponteiros parecendo bigodes, pés com sapatos, e uma projeção frontal que lembra uma língua, e que serve de assento para o viajante. Ela é quase um personagem por si só.

O interessante é que algumas coisas nunca mudam, apesar de tudo. Hoje veremos que ambos os laboratórios, o do Pardal do presente e o do Pardal do passado, têm caixas reservadas para “inventos inúteis”. Se prestarmos atenção, veremos que a do Pardal do presente contém nada menos do que a Máquina Talvez, que seria no futuro a estrela da História do Computador.

Hoje temos a primeira aparição de Thomás “El Borrón”, o pirata antepassado do Mancha Negra. Ele seria usado novamente dois anos depois no episódio da História de Patópolis que trata do ataque dos piratas à antiga Vila de Patópolis.

A ilha de nome Barataria que o Borrón cita, de onde viriam reforços de piratas, existe de verdade. Fica na costa dos EUA, no estado da Louisiana. No ano citado nesta história, 1738, os Estados Unidos ainda eram colônia britânica e os piratas a usavam para desembarcar mercadorias contrabandeadas fora das vistas dos fiscais do Rei, já que ela ficava longe das bases navais oficiais. Já no final do século XVIII e início do XIX, a ilha ficou famosa como base do Pirata Lafitte.

Curiosamente, a ilha é citada também na história de Dom Quixote: seu escudeiro, Sancho Pança, se torna governador do lugar.

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Feitiço Caprichado

História do Professor Pardal, de 1974.

Um velho ditado diz que “situações desesperadoras exigem ações desesperadas”. E nessas horas, ao que parece, vale tudo: até mesmo recorrer aos serviços de uma bruxa. E é exatamente o que fará o Professor Gavião, após ser expulso do laboratório do inventor do bem pela enésima vez.

Isso, aliás, é algo muito comum aqui mesmo no Brasil. Muito mais gente do que pode parecer (e não, não tem nada a ver com pobreza ou ignorância), ao primeiro sinal de que alguém não vai fazer suas vontades, ou à menor frustração, corre se consultar com uma cartomante (especialmente aquelas que fazem “trabalhos”) ou encomendar feitiços “cabeludos” a algum feiticeiro ou milagreiro de aluguel.

Mas é claro que, em uma história em quadrinhos Disney, ainda que magias e poderes mágicos possam ser tratados como algo real, nenhum mal pode realmente acontecer aos bons, e nenhum crime poderá ficar impune.

O detalhe que porá os planos do Gavião a perder é uma pequena falha de comunicação, aliada à vontade da Madame Min de “caprichar” para impressionar o comparsa cientista. Na parte da magia, mais um ditado se aplica: “cuidado com o que você pede, você pode conseguir exatamente isso”. E na ciência, como sabemos, “um computador não faz o que você quer, mas sim o que você manda. Nesta história, a bruxa será o veículo de um pouco de cada uma das duas coisas. 

Interessante é a pressuposição de que não se pode simplesmente criar dinheiro por meio de magia, mas que ele precisa ser ganho (ou atraído) de algum modo (de preferência honesto), e que até mesmo bruxas superpoderosas precisam dele de vez em quando. Que poder é esse que tem o dinheiro que o torna “imune” às forças ocultas? Ou será que é a dificuldade que nós, simples mortais, temos em ganhá-lo que nos dá essa impressão? É algo para se pensar.

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O Planeta Dos Autômatos

História do Professor Pardal, de 1975.

Esta história é um resumo de todos os anseios de papai no que diz respeito à existência de vida em outros planetas, à possibilidade de que nossa civilização se encontre com civilizações alienígenas no futuro e às consequências desse encontro.

Ao contrário das visões apocalípticas de muitos, que temem que esses seres sejam hostis e que possam querer nos aniquilar para tomar nosso lugar sobre a Terra, ele acreditava que esse contato poderia ser amigável e trazer grandes avanços tecnológicos a todos os envolvidos.

Para que isso acontecesse, ainda segundo suas teorias, bastaria que a humanidade alcançasse um nível suficiente de capacidade tecnológica que viesse a nos permitir encontrar com eles já no espaço, ou descobri-los antes que eles nos descubram. Essa teoria, aliás, é a base que rege séries de TV de ficção científica como Star Trek, por exemplo.

Isso, mais aliás ainda, difere bastante da tecnofobia exibida em outras histórias de ficção científica criadas por ele, nas quais não há alienígenas envolvidos. O porquê de haver essa confiança tão grande na suposta tecnologia alienígena e tão pequena na tecnologia humana é um paradoxo que eu não sei explicar. Muito provavelmente, é algo que tem mais a ver com os clichês dos quadrinhos do que realmente com as ideias pessoais de meu pai.

Representando a humanidade como um todo, ao fazer o “test drive” de uma nova e revolucionária tecnologia para foguetes, o Professor Pardal acaba encontrando uma civilização de pequenos robôs muito parecidos com o lampadinha. Eles a princípio são hostis, e têm a intenção de invadir o nosso planeta.

Já que, para evitar essa catástrofe, uma guerra está fora de questão, somente a cooperação tecnológica poderá resolver o problema. A grande sacada de papai é a de que, se os seres são artificiais, criados por um inventor alienígena (e nesse ponto temos também um “aceno” às teorias de “Eram os Deuses Astronautas” de Erich Von Daniken), por quê o planeta deles também não pode ser?

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Restaurando O Restaurante

História do Professor Pardal, de 1973.

O inventor maluco de Patópolis tem uma namorada, quem diria! É uma passarinha parecida com ele, criada no exterior em 1966 por Vic Lockman e Tony Strobl e… esquecida até 1973, quando papai a resgatou e adotou para esta história.

Esta é, portanto, a primeira aparição dela em histórias nacionais. Depois disso ainda seria usada quase uma dúzia de vezes ao longo dos anos, por papai e vários outros argumentistas brasileiros, mas nunca mais no exterior. Assim, se a Ermengarda conseguiu “se salvar” de ser uma personagem de uma historia só, o crédito é todo de meu pai.

A trama é de ficção científica, e gira em torno de um velho restaurante herdado de uma velha tia. E “velho” aqui, é o que realmente dá o tom ao local: a começar do garçom, e certamente passando pelo cozinheiro e chegando até à cozinha (embora não se veja esta parte do restaurante), tudo ali é velho, antiquado e demorado. A “missão” do Pardal é modernizar o lugar com alguma engenhoca.

Como eu já disse antes, papai tinha um perfeito pavor de restaurantes demorados. Se ele entrava em algum estabelecimento comercial para comer, ele esperava ser atendido e servido logo, já que estava geralmente com fome. A ideia de ter um prato preparado na hora especialmente para ele por um “Chef” renomado, ainda que compreensivelmente chique, era algo que não o atraía. Essa noção feria seu senso de praticidade.

Desse modo, temos aqui mais um dos lampejos futuristas dele, cuja imaginação estava sempre uns 30 anos à frente: uma “máquina de cozinhar” na qual fosse preciso apenas colocar os ingredientes e esperar um pouquinho (e certamente bem menos do que o tempo gasto pelo cozinheiro) para receber um prato prontinho, cheio de comida apetitosa e quentinha. O que parecia algo impossível naquele tempo, hoje em dia já é uma realidade, ainda que um pouco cara.

Outra “piada” que já virou lugar comum nos dias de hoje, mas que há meros 40 anos também parecia impossível, é o “telefone sem fio” do primeiro quadrinho.

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A Máquina Talvez

História do Professor Pardal, de 1980.

Inventada por Carl Barks em 1958, a simpática máquina em questão é mais uma daquelas coisas engraçadíssimas que papai adorava “adotar” e usar para mais algumas histórias.

Na história original a máquina lê pensamentos, mas só responde às perguntas que são dirigidas a ela com frases estapafúrdias que começam com “talvez”, sabotando, assim, o próprio propósito, que seria o de dar alguma vantagem ou conhecimento privilegiado ao usuário.

Ela seria usada novamente na edição especial sobre a História dos Computadores, já comentada aqui, ajudando a explicar o tema às crianças de Patópolis. Nos dois casos, o “método” para consertar a máquina (e também para quebrá-la de novo, ou a coisa toda não teria a menor graça) é o mesmo: um forte chute ou outro tipo de pancada. Como se diz por aí, quando o assunto é “computadores”, é aquela coisa: “software” é o que você xinga, e “hardware” é o que você chuta.

Isso é também uma referência a antigas comédias pastelão e filmes mudos, onde amnésias (e outros problemas mentais) eram causadas e também curadas com fortes pancadas na cabeça (crianças, não tentem isso em casa).

Interessante é o modo como papai combina à história principal a “trama paralela” do Lampadinha, também ao estilo Carl Barks, na qual o robozinho luta com várias aranhas enquanto o Professor limpa o depósito de inventos inúteis. Na maioria das histórias, isso é algo que acontece ao fundo, como uma história dentro de outra história.

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