O Grande Circo

História do Nestor, de 1975.

É sério, nesta história o personagem principal é o Nestor. O papel do Zé, hoje, vai ser o do amigo que vem ajudar em um momento de necessidade.

Mas a história funciona também como um alerta para mais um dos muitos golpes que costumam ser aplicados nos incautos pelas ruas das grandes cidades, e como um pequeno mistério para o leitor resolver.

Qualquer pessoa, vendo o Urubu Malandro, vai ter certeza de que é um golpe. As condições do negócio proposto estão “simpáticas” demais. O desafio será tentar entender que tipo de golpe é esse, e onde está a trapaça.

O leitor vai ficar ainda mais desconfiado quando o urubu, antes tão simpático, se revelar um vilão que tenta, ativamente, sabotar o espetáculo. Afinal de contas, o que é que ele está querendo?

Moral da história: “nunca assine um contrato sem ler”. Mas como esta é uma história Disney e o Nestor assinou de boa fé (e a assinatura dele até que é bonitinha!), é óbvio que ele e a turma da Vila Xurupita não podem se dar mal.

Interessante será ver como é que a turma vai dar a volta por cima e frustrar a tramoia do vilão trapaceiro, com uma leve “ajuda” de toda a população de Vila Xurupita. Afinal de contas a platéia só deseja ser feliz, como na música de 1974 chamada Pois é, seu Zé de Gonzaguinha.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

A Babá-Morcego

História do Morcego Vermelho, de 1976.

O nosso herói tem sido tão eficiente no combate ao crime em Patópolis que nem acontecem mais assaltos pelas ruas, o próprio Morcego mal tem tido o que fazer, e os bandidos estão se sentindo muito frustrados.

A sensação de segurança é tão grande, na verdade, que quando “Cara de Bebê” e “Cara de Babá” resolvem agir na tentativa de desmascarar o Morcego, o herói nem desconfia de que pode estar correndo perigo.

E a inocência dele, como sempre acontece em histórias Disney (aliada ao seu grande talento para trapalhadas) será sua própria proteção e salvação.

Hoje temos um novo vilão, o “João Ratão”, usado somente nesta história. Ele é similar ao Zé Ratinho, comparsa do Dr. Estigma, e seu nome lembra o de um dos personagens da História de Dona Baratinha, o Doutor João Ratão, o noivo guloso e afoito que tentou comer antes da hora e caiu na panela do feijão, desgraçando a si mesmo e à noiva.

Nesta história a função do João Ratão é ser o interlocutor do Cara de Babá enquanto o “bebê” está agindo, já que o diálogo entre os dois é parte integrante (e importante) da narração. É, em grande parte, por meio da conversa deles que o leitor fica sabendo dos detalhes do plano.

Papai poderia ter deixado o vilão grandão sozinho e usar balões de pensamento, por exemplo, mas aí a coisa toda não seria tão divertida.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Retrato Enfeitiçado

História do Tio Patinhas contra Maga Patalójika, de 1973.

É o seguinte: a revista está na coleção, e o estilo é dele (a forte influência de Barks dos primeiros anos e o uso de um tema da literatura mundial). Mas me parece que ele se esqueceu de anotá-la na lista de trabalho. Eu tenho 99% de certeza de que a história é dele, mas se alguém tiver 100% de certeza de que não é, por favor me avise.

Então: a inspiração vem de “O Retrato de Dorian Grey”, de 1891, escrito por Oscar Wilde. Na história original o retrato vai envelhecendo no lugar de seu dono, um aristocrata hedonista, amoral e tão moralmente corrupto quanto fisicamente jovem e belo, enquanto ele mesmo se mantém misteriosamente jovem e belo por muitas décadas.

Aqui, o quadro vai ficando “mais rico” à medida que uma maré de azar magicamente induzida pela Maga Patalójika vai fazendo o Tio Patinhas perder dinheiro e ficar “mais pobre”.

A solução é recrutar um velho inimigo da Maga, um obscuro tio dela com aparência de Leprechaun chamado Nicodemo que só aparece nesta história, para lançar um contrafeitiço. Um leprechaun parecido, de nome “O’Doom” (Nicodemus), é uma criação italiana e pode muito bem ter sido a inspiração para este da história de hoje.

O interessante é que esta é uma figura do folclore irlandês. O autor Oscar Wilde também era irlandês, e consta que a mãe dele, Lady Jane Wilde, era poetisa, nacionalista irlandesa e estudiosa do folclore da Ilha Esmeralda.

E isto também é uma sutileza muito característica do estilo de meu pai de compor histórias.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

A Escalada

História da turma da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 5 em dezembro de 1987.

Ela é inspirada em duas histórias Disney do início dos anos 1980: “Escalando a Duras Penas” e “A Montanha Enfeitiçada”, já comentadas aqui.

Da primeira história papai aproveita a noção da “montanha que nunca foi escalada” e da “informação requentada”. Neste caso o problema não é uma reportagem mal feita, mas sim a revista de alpinismo em si, que já é antiga. Da segunda, papai adapta o nome da montanha de “Pico do Rola-Rola” para “Pico do Caio Rolando”.

Mas hoje não veremos bruxarias ou pássaros hostis. O grande obstáculo é mesmo a montanha em si, apesar dos esforços dos meninos e dos engenhosos equipamentos adaptados pelo Sócrates, o inventor da turminha.

E o “crime” que levará os meninos à derrocada final é a insistência em excluir as meninas das brincadeiras sob a premissa de que existiriam “brincadeiras de menino” e “brincadeiras de menina”. O que existe são vários métodos diferentes de se subir e descer de uma montanha. Desde que adaptados às intenções e às capacidades físicas de quem participa da aventura, todos são válidos.

Nem todo mundo precisa fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, nem achar que somente um jeito de fazer uma coisa está certo, ou que todos os outros tenham de fazer aquela coisa daquele exato mesmo jeito. O que importa é alcançar o objetivo de maneira honesta, e se divertir.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

A Invasão Dos Piratas

Este é o segundo episódio da História de Patópolis, de 1982.

O herói é um antepassado do Zé Carioca, que em 1789 chega à cidade no navio do “pirata do Caribe” El Borrón, antepassado do Mancha Negra.

O nome “Zé Cariboca” é uma brincadeira com o “Carioca” do Zé do presente: se carioca é como se chama uma pessoa do Rio de Janeiro, “cariboca” deve ser alguém que vem do Caribe. Mas logo no primeiro quadrinho temos um equívoco, talvez do letrista: onde o Prof. Ludovico fala “Carioca”, leia-se “Cariboca”, é claro.

A história, como todas as outras, gira em torno da então Vila de Patópolis e dos esforços de seus habitantes fundadores para consolidar o assentamento e fazer a cidade prosperar contra todas as adversidades. Além disso aqui, também, a “Pedra do Jogo da Velha” terá um papel central na trama: o Zé Cariboca, apaixonado por uma ancestral da Rosinha, a usa para afastar os piratas da Vila com promessas de que ela seria um mapa para tesouros de ouro e prata.

A localização exata de Patópolis, como sempre, não fica clara: papai seguia a linha criativa de Carl Barks, e considerava que ela fica em algum lugar no Hemisfério Norte, nos EUA. Mas o pessoal da Editora Abril queria que se passasse a impressão de a cidade fica no Brasil, para que o leitor brasileiro pudesse se identificar mais facilmente. O fato é que, pela localização do Caribe a meio caminho entre Brasil e EUA, os piratas teriam igual facilidade em atacar ambos. Em todo caso, as roupas dos antigos patopolenses, a arquitetura das casas e a aparência dos índios são, todas elas, típicas da parte Norte do planeta.

Interessante é a placa que aponta para “Patópolis a 1500 Km”. Ora, nós sabemos que o Zé carioca vem do Rio de Janeiro, e sabemos onde a cidade fica. Assim, de duas, uma: ou consideramos que Patópolis fica a 1500 Km de lá, ou que o Zé já estava “a meio caminho” de Patópolis ao passar pela placa. Assim sendo, a essa distância do Rio temos algumas referências interessantes: se formos para o Norte, estaremos passando por algum lugar ao Sul de Salvador, no litoral da Bahia.

Se formos para o Sul do Brasil, chegaremos em Tramandaí, no litoral do Rio Grande do Sul (já que Patópolis é sem dúvida uma cidade de praia). Mais interessantemente ainda, se voltarmos nossa atenção para o próprio mar, a 1500 Km do Rio na direção do mar aberto foi descoberto por geólogos um possível “continente submerso“. Seria Patópolis algum tipo de “Atlântida”? 😉 O certo é que o Zé precisou andar um bocado.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Ladrão De Casaca

História da família Metralha, de 1976.

“Arsène Lupin, o Ladrão de Casaca” é um personagem criado pelo escritor francês Maurice Leblanc em 1907. A intenção do autor era justamente contrastar conceitos e brincar com as ideias preconcebidas das pessoas de sua época.

Para a maioria das pessoas daquela época, ladrões e bandidos em geral eram uma gente feia, suja, embrutecida, sem modos, sem educação e sem valores morais. Já as pessoas boas eram sempre representadas na literatura como o completo oposto: belas, ricas, educadas e refinadas. O anti-herói francês também tem algo de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres.

Já o antepassado dos Metralhas é bem menos do que tudo isso. Ele é apenas um “mãos leves” pomposo e arrogante, mas é admirado por seus descendentes porque, pelo menos, não era um reles ladrão de galinhas como eles.

Mas o problema de quem tem apenas um modus operandi (ou modo de operação) é que às vezes o plano dá errado e o bandido se dá mal. O caso, aqui, não poderia ser diferente.

De qualquer maneira, enquanto o desfecho esperado não vem, papai aproveita para salpicar frases simples em francês pelos quadrinhos, convidar o leitor a consultar um dicionário de português, e brincar com os colegas da redação.

O desfecho é uma brincadeira com a “casaca” no apelido do ladrão: já que, desta vez, ele não conseguiu roubar nenhuma joia, será humilhantemente preso por roubar… uma casaca.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Conto Da Cascata

História do Sr. X, o “Rei do Crime”, de 1976.

O chamado “Golpe da Cascata” existe de verdade, e é mais uma das modalidades dos chamados “contos do vigário”, nos quais um ou mais golpistas exploram a ingenuidade, ganância ou até mesmo desonestidade de uma vítima incauta para ficar com o dinheiro dela.

Os quadrinhos desfiam, em todos os detalhes, o modo como um golpe desses se desenrola. Disfarçado, o chefe do bando inicia a encenação e o resto da quadrilha continua com o plano.

A coisa toda transcorre de modo bastante fácil. Na verdade, parece até mesmo um pouco fácil demais. O leitor que estiver esperando para ver o momento em que a vítima vai reagir, ou a polícia vai aparecer, ou algo no gênero, vai se sentir realmente frustrado. Será que, desta vez, a pretensa quadrilha conseguirá, finalmente, cometer um crime? E se conseguir, será mesmo que os bandidos vão sair impunes?

De certo modo, quem está aplicando um “golpe” é papai, com seu hábito de espalhar pistas falsas e apresentar situações que não são o que parecem ser. Seja como for, esta história serve como uma ferramenta educacional, ensinando o leitor a reconhecer o conto do vigário para que tenha uma chance de não cair nele, caso se veja na mesma situação no futuro.

E sim, os vilões vão se dar mal no final, como não poderia deixar de ser. O problema é que, como eu já disse no passado, “para cada idiota que se faz de monstro, existe um monstro que se faz de idiota”. Quem ler, verá.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.