O Feitiço Quaquaquá!

História da Maga Patalójika, de 1983.

A bruxa realmente não perde as suas manias. Além da obsessão de sempre pela moedinha número um, ela também não perde o hábito de querer usar feitiços do bem para o mal, como em “Nas Malhas da Magia”, de 1981. E isso, é claro, sempre tem um preço amargo para ela.

O feitiço do Mago Tantã, desta vez, na verdade está mais para invenção no estilo do Professor Pardal. Ou então, algo puxado mais para a alquimia do que para a confecção de poções. Em todo caso, como já vimos antes (em “Dormindo no Ponto”, de 1974), o gás do riso existe, e se chama Óxido nitroso. Ao que parece, ele tanto pode fazer rir como dormir.

Mas a semelhança com o Professor Pardal não para por aí: a intenção do bruxinho do bem de fazer as pessoas rirem tem grande semelhança com a do inventor patopolense em “O Espelho das Gargalhadas”, de 1976.

Essa é, também, a ambição de papai, mas ele sabia que não se pode simplesmente obrigar o leitor a rir. É preciso um pouco mais de tato. Afinal, muito de uma coisa boa também pode ser uma coisa ruim.

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Uma Idéia De Gênio

História dos Irmãos Metralha, de 1982.

Bem, se tem gênio no título, geralmente é porque tem gênio na garrafa, também. Até aí, tudo bem. O problema é que, além do gênio e da ilha deserta vai haver o Metralha 1313, só para adicionar mais uma pitada de caos à confusão.

Como já vimos em outras histórias de papai sobre o tema, conseguir bons resultados ao fazer pedidos a gênios da garrafa não é tão fácil como parece. Na verdade, isso chega a ser uma arte. Mais ainda, é realmente preciso ser mesmo um “gênio”, uma pessoa muito inteligente, para conseguir arrancar algo que preste de um gênio da garrafa.

O Gênio de hoje é até bem generoso: ao ver cinco “candidatos a amo” em volta de sua garrafa na areia, concede um pedido a cada um. Parece bom, mas como evitar fazer pedidos conflitantes naquele estilo dos “dois náufragos, o gênio, três pedidos e a linguiça”? (Só para lembrar: o primeiro está com fome, e pede uma linguiça. O segundo fica com raiva, e manda a linguiça ficar grudada no nariz do primeiro. No final, eles têm de usar o terceiro pedido para tirar a linguiça do nariz do rapaz e acabam ficando a ver navios.) É aí que o Metralha Intelectual vai colocar toda a sua inteligência para funcionar, e chegar ao que parece ser o pedido perfeito. É essa a “ideia de gênio” de que fala o título.

Mas não vamos nos esquecer de que a família que é também uma quadrilha só está onde foi parar porque roubou um iate do banqueiro Patacôncio. Eles são bandidos, são ladrões, são vilões, trapaceiros, desleais até com os próprios parentes e não merecem que nada de bom aconteça com eles, decididamente.

Assim, papai usará o 1313 como o elemento curinga que, com sua ideia de “jênio” (com “J” mesmo, para enfatizar a burrada) colocará tudo a perder e servirá o castigo de bandeja aos primos. É a famosa “ideia de Jerico“.

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Zé Bombeiro

História do Zé Carioca, de 1978.

Ao contrário do Donald e do Gastão, quatro anos antes, o Zé não se torna bombeiro voluntário por vaidade, ou somente para impressionar a namorada. Mas isso não quer dizer que ele esteja realmente afoito para combater muitos incêndios. Como quase sempre, ele se coloca na situação por falar demais.

Em todo caso, uma vez eleito, ele sinceramente e de boa vontade faz o melhor que pode e acaba ajudando de verdade a prender um incendiário piromaníaco que resolveu atacar o morro, mesmo sem conseguir sequer pronunciar a palavra “piromaníaco” direito. Ainda assim ele é parabenizado pelo chefe dos Bombeiros, que não é um chato como o chefe do Donald e do Gastão.

Interessante é a “Mansão do Nestor”, uma criativa barrica transformada em casebre. Isso me lembra vários contos de fadas que começam com pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que moram em velhas barricas. Há também a lenda do filósofo Diógenes, que também, dizem, morava dentro de um barril para expressar seu desprezo pelas riquezas materiais. Assim, nosso amigo corvo está em boa companhia na escolha de sua moradia.

Outra coisa legal desta história são os nomes de alguns coadjuvantes que papai inventou para terem seus barracos incendiados: João Cebola (assim como a casa do Zé parece ser feita de caixotes de sabão, será que a desse personagem é feita de engradados de cebola?), Toninho Estilingue e Chico Rapadura, além, é claro, do vilão Zé Foguinho. Todos eles são personagens de uma história só.

Enquanto isso, discretamente e nas entrelinhas, papai vai descrevendo a vida na favela mais alta do morro mais alto do Rio de Janeiro: falta água encanada, o que torna a mangueira emprestada ao Zé inútil, e também não há eletricidade que possa causar um curto circuito para iniciar um incêndio. São realmente condições bastante precárias de vida.

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Pé de Sapo, Mangalô Três Vezes!

História da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 12 em março de 1988.

Hoje papai trata de explicar a origem do Sapo Urucubaca, que diz ter sido um marinheiro enfeitiçado por uma bruxa. Como em toda boa história de marinheiros e piratas de todos os tipos, a trama envolve também um tesouro enterrado e a busca por ele.

Levado pela bruxa a uma ilha cheia de sapos, ele é persuadido a desenterrar um baú cheio de coisas preciosas com a promessa de que poderá ficar com ele, mas acaba transformado em sapo pela maldição do tesouro.

A referência, além de às histórias da literatura sobre viajantes do mar e tesouros enterrados, é também à história da Odisseia, especialmente a passagem que coloca Ulisses na ilha da feiticeira Circe, que se divertia transformando homens em animais diversos, e especialmente porcos.

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Zorrinhos Contra Os Abóboras

História dos Sobrinhos do Donald, de 1977.

As histórias do Zorrinho seguem sempre uma linha mais ou menos fixa, com algumas variações que dão graça à brincadeira.

Assim, novamente, as sobrinhas da Margarida estão fazendo alguma coisa e os Metralhinhas estão tentando atrapalhar, enquanto os meninos bonzinhos usam sua identidade secreta para defender as amiguinhas. A diferença está no tema da atividade (um conveniente baile a fantasia) e no desfecho da historinha.

Para começar vemos o contraste entre os escrúpulos dos meninos, que têm o dinheiro da entrada mas não as fantasias, e a total falta de vergonha na cara dos bandidinhos, que entram de penetras na festa, e com uma fantasia toscamente improvisada.

A partir daí começa o embate entre mocinhos (devidamente fantasiados de Zorrinhos, já que essa é a única fantasia que eles têm) e os bandidinhos, que vai dominar todo o resto da história. Como sempre, os meninos do bem agem um de cada vez, para melhor fingir que são uma só pessoa e confundir os inimigos.

Isso tudo mostra que é possível “estar e não estar” em um lugar, e cria uma série de dilemas, dos quais o leitor só vai se dar conta depois que terminar de ler a história. (Já que, na verdade, o confronto e a vitória final do Zorrinho, por mais interessante e divertido que seja, é só um detalhe. Há coisas mais importantes acontecendo na história que não fazem parte da ação, mas ficam subentendidas).

Se, por um lado, os meninos bonzinhos tivessem improvisado fantasias (nada mais fácil do que pegar um lençol e bancar o fantasma), eles teriam participado da festa como as meninas queriam, mas não teriam podido fazer muita coisa quando os bandidinhos atacassem.

Por outro lado, seria difícil aparecer por lá com a fantasia do Zorrinho e convencer a todos de que é só uma fantasia. Assim, ou eles teriam sido obrigados a revelar a identidade secreta, ou participar do baile um de cada vez, se fazendo passar por uma única pessoa.

Por essa última hipótese, o resultado teria sido igual: os meninos teriam estado na festa, mas as meninas não saberiam disso e ficariam chateadas do mesmo jeito.

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A Receita Da Invisibilidade

História do Professor Pardal, de 1980.

O título original na lista de trabalho era “A Fórmula Da Invisibilidade”, o que faz muito mais sentido, mas o editor achou por bem mudar, sabe-se lá por qual motivo.

A inspiração vem da literatura, mais especificamente de uma novela de ficção científica escrita por H. G. Wells e publicada em capítulos em 1897, antes de ser lançada como livro no mesmo ano. Além disso, a história virou também filme em 1933, com várias sequências pelos anos 1940 adentro e nas muitas décadas desde então.

Ao longo dos séculos figuras mitológicas, magos e cientistas vêm procurando uma maneira de tornar coisas e pessoas invisíveis, seja por meio de “poções”, capas ou mantos, anéis, capacetes (como o de Hades, depois emprestado a Perseu) e outros objetos e métodos.

Aqui papai segue a linha de Wells, com o Tio Sabiá inventando uma fórmula (se fosse uma bruxa, poderia ser igualmente uma poção) que, quando fervida, produz um vapor que deixa invisíveis a tudo e a todos que toca. O efeito é tão forte que até a casa do inventor fica completamente transparente. Parte da graça da história é observar o Pardal trabalhando às cegas em um laboratório e com objetos que ninguém vê.

A tarefa do Pardal será encontrar um antídoto para ajudar o tio a voltar ao normal, enquanto enfrenta o Professor Gavião com a ajuda do Lampadinha para que a receita não caia em mãos erradas.

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No Tempo Dos Piratas

História do Professor Pardal, de 1980.

Muito antes de “De Volta Para o Futuro”, papai já brincava com a noção de paradoxos nas viagens no tempo. A pergunta que se faz é: se esse tipo de viagem fosse possível, quais seriam realmente as chances de que um visitante de um tempo com tecnologia mais avançada entrasse e saísse de uma época sem influenciá-la de alguma maneira?

Será que essa pessoa conseguiria resistir à tentação de adaptar seus conhecimentos para poder viver melhor, ou até mesmo enfrentar alguma situação de perigo, como a que vemos nesta história? E como isso afetaria a vida dos habitantes originais daquele tempo? (É, aliás, nessa mesma premissa que se baseia Erich Von Däniken em sua teoria dos “antigos astronautas”: seriam os “deuses” na verdade astronautas – ou até mesmo viajantes do tempo – que ensinaram os rudimentos da alta tecnologia aos nossos antepassados mais primitivos?)

A máquina do tempo do Pardal é sempre a mesma, em todas as histórias que papai escreveu com esse tema: trata-se de um aparelho parecido com um enorme despertador analógico, daqueles antigões. A curiosidade é que a máquina tem uma aparência bastante humanoide, com o sino no topo por chapéu, os ponteiros parecendo bigodes, pés com sapatos, e uma projeção frontal que lembra uma língua, e que serve de assento para o viajante. Ela é quase um personagem por si só.

O interessante é que algumas coisas nunca mudam, apesar de tudo. Hoje veremos que ambos os laboratórios, o do Pardal do presente e o do Pardal do passado, têm caixas reservadas para “inventos inúteis”. Se prestarmos atenção, veremos que a do Pardal do presente contém nada menos do que a Máquina Talvez, que seria no futuro a estrela da História do Computador.

Hoje temos a primeira aparição de Thomás “El Borrón”, o pirata antepassado do Mancha Negra. Ele seria usado novamente dois anos depois no episódio da História de Patópolis que trata do ataque dos piratas à antiga Vila de Patópolis.

A ilha de nome Barataria que o Borrón cita, de onde viriam reforços de piratas, existe de verdade. Fica na costa dos EUA, no estado da Louisiana. No ano citado nesta história, 1738, os Estados Unidos ainda eram colônia britânica e os piratas a usavam para desembarcar mercadorias contrabandeadas fora das vistas dos fiscais do Rei, já que ela ficava longe das bases navais oficiais. Já no final do século XVIII e início do XIX, a ilha ficou famosa como base do Pirata Lafitte.

Curiosamente, a ilha é citada também na história de Dom Quixote: seu escudeiro, Sancho Pança, se torna governador do lugar.

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