Pra MIN Sete É Número De Azar

História da Madame Min, de 1983.

Do mesmo modo que a Maga Patalójika é obcecada com a Moedinha Número 1 do Tio Patinhas, os Sete Anões Maus estão sempre em busca de um livro de magia para roubar, já que não sabem fazer seus próprios encantamentos.

O alvo preferido deles é o livro do Mago Mandrago, mas ele é também difícil de roubar. Além disso, sempre que eles tentam, a reação do Mago é fulminante. Mas, ao contrário da Moedinha, que é única no mundo, livros de magia existem aos montes. Cada bruxo ou bruxa tem o seu.

Assim sendo, hoje os duendes malvados resolvem mudar de alvo e roubar o livro de magia da Madame Min. Ela também é muito poderosa mas, em um primeiro momento, subestima os Anões. Essa será a ruína da bruxa, pelo menos por hoje.

Mas é claro que os Anões não podem se dar bem, porque eles também são vilões. Em todo caso, eles começam com algo que parece ser uma vantagem, mas que logo se virará contra eles.

Como sempre, as regras da magia são caprichosas e levam a resultados inesperados. Afinal, até mesmo grandes bruxos já foram meros aprendizes de feiticeiros, e precisam ter começado a aprender de alguma maneira, com alguma espécie de “cartilha” de magia.

O nome da história é uma referência à superstição que dá conta que o número sete é um número de sorte. A não ser, é claro, que os “sete” sejam os Anões Maus. Aí é realmente azar na certa.

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O Outro

História do Terremoto, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista Patrícia em Quadrinhos número 3, de novembro de 1987.

Na lista de trabalho consta que a ideia foi de minha mãe, mas esta história também se parece bastante com “O Irmão Gêmeo do Biquinho”, escrita em 1984 e publicada no mesmo ano de ’87. É uma variação sobre o mesmo tema.

Como na outra história, esta também tem toques de temas como o “gêmeo mau” (e bem mau, diga-se de passagem) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”. O Terremoto chega até mesmo a ser perseguido pelas traquinagens do “outro”, e a pensar que está endoidando, mas só se encontrará com ele, oficialmente, no último quadrinho.

Mas ao contrário do Biquinho, que queria um gêmeo para poder “aprontar melhor”, o Terremoto só queria outro tipo de vida, com menos responsabilidades, e não exatamente um companheiro de traquinagens. Daí o choque.

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Festa-Surpresa

História do Pateta, de 1975.

A Clarabela vai dar uma festa surpresa pelo aniversário do Horácio, e pede ajuda ao Pateta. Ele é bem intencionado e não se furta à tarefa, mas também é completamente inepto, e o leitor já sabe que nada do que ele possa fazer vai ajudar em alguma coisa. Mas isso, é claro, faz parte da graça da coisa toda.

O problema é que ela vai ter de sair para assistir a palestra de um ator famoso no clube feminino e deixar o amigo sozinho. O nome do ator, “Taceso Mora”, é uma brincadeira com Tarcísio Meira, que era um grande galã de novelas na época.

Mesmo com as instruções que a Clarabela dá (ou apesar, ou  até mesmo por causa delas), o Pateta fará a maior confusão. Esta é uma piada um pouco sexista, já que existe essa crença de que os homens “não estariam acostumados” com tarefas domésticas, ou “seriam incapazes fazê-las” por conta de seus “genes diferenciados”.

Assim, coisas simples e corriqueiras aos ouvidos de uma mulher, como “olhar o doce no fogão”, “comprar balas” e “arranjar brigadeiros” poderiam soar estranhas e até mesmo sem sentido aos ouvidos de um homem. (Ora, pipocas! Está bem que talvez o Pateta não saiba cozinhar um doce. Mas não saber que tipo de balas e brigadeiros comprar para uma festa de aniversário já é demais.)

Suspeita-se, inclusive, de que alguns maridos e namorados façam esse tipo de coisa de propósito, para que suas companheiras não repitam o pedido. Enfim, pode ser que papai estivesse até tentando criticar esse comportamento, apesar de ele mesmo não ter participado muito das tarefas da casa enquanto eu era criança.

Afinal de contas, errar de propósito tarefas simples como “descascar metade das batatas”, como no meme que andou correndo a internet, é coisa de gente pateta, muito pateta.

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O Grande Circo

História do Nestor, de 1975.

É sério, nesta história o personagem principal é o Nestor. O papel do Zé, hoje, vai ser o do amigo que vem ajudar em um momento de necessidade.

Mas a história funciona também como um alerta para mais um dos muitos golpes que costumam ser aplicados nos incautos pelas ruas das grandes cidades, e como um pequeno mistério para o leitor resolver.

Qualquer pessoa, vendo o Urubu Malandro, vai ter certeza de que é um golpe. As condições do negócio proposto estão “simpáticas” demais. O desafio será tentar entender que tipo de golpe é esse, e onde está a trapaça.

O leitor vai ficar ainda mais desconfiado quando o urubu, antes tão simpático, se revelar um vilão que tenta, ativamente, sabotar o espetáculo. Afinal de contas, o que é que ele está querendo?

Moral da história: “nunca assine um contrato sem ler”. Mas como esta é uma história Disney e o Nestor assinou de boa fé (e a assinatura dele até que é bonitinha!), é óbvio que ele e a turma da Vila Xurupita não podem se dar mal.

Interessante será ver como é que a turma vai dar a volta por cima e frustrar a tramoia do vilão trapaceiro, com uma leve “ajuda” de toda a população de Vila Xurupita. Afinal de contas a platéia só deseja ser feliz, como na música de 1974 chamada Pois é, seu Zé de Gonzaguinha.

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A Babá-Morcego

História do Morcego Vermelho, de 1976.

O nosso herói tem sido tão eficiente no combate ao crime em Patópolis que nem acontecem mais assaltos pelas ruas, o próprio Morcego mal tem tido o que fazer, e os bandidos estão se sentindo muito frustrados.

A sensação de segurança é tão grande, na verdade, que quando “Cara de Bebê” e “Cara de Babá” resolvem agir na tentativa de desmascarar o Morcego, o herói nem desconfia de que pode estar correndo perigo.

E a inocência dele, como sempre acontece em histórias Disney (aliada ao seu grande talento para trapalhadas) será sua própria proteção e salvação.

Hoje temos um novo vilão, o “João Ratão”, usado somente nesta história. Ele é similar ao Zé Ratinho, comparsa do Dr. Estigma, e seu nome lembra o de um dos personagens da História de Dona Baratinha, o Doutor João Ratão, o noivo guloso e afoito que tentou comer antes da hora e caiu na panela do feijão, desgraçando a si mesmo e à noiva.

Nesta história a função do João Ratão é ser o interlocutor do Cara de Babá enquanto o “bebê” está agindo, já que o diálogo entre os dois é parte integrante (e importante) da narração. É, em grande parte, por meio da conversa deles que o leitor fica sabendo dos detalhes do plano.

Papai poderia ter deixado o vilão grandão sozinho e usar balões de pensamento, por exemplo, mas aí a coisa toda não seria tão divertida.

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O Retrato Enfeitiçado

História do Tio Patinhas contra Maga Patalójika, de 1973.

É o seguinte: a revista está na coleção, e o estilo é dele (a forte influência de Barks dos primeiros anos e o uso de um tema da literatura mundial). Mas me parece que ele se esqueceu de anotá-la na lista de trabalho. Eu tenho 99% de certeza de que a história é dele, mas se alguém tiver 100% de certeza de que não é, por favor me avise.

Então: a inspiração vem de “O Retrato de Dorian Grey”, de 1891, escrito por Oscar Wilde. Na história original o retrato vai envelhecendo no lugar de seu dono, um aristocrata hedonista, amoral e tão moralmente corrupto quanto fisicamente jovem e belo, enquanto ele mesmo se mantém misteriosamente jovem e belo por muitas décadas.

Aqui, o quadro vai ficando “mais rico” à medida que uma maré de azar magicamente induzida pela Maga Patalójika vai fazendo o Tio Patinhas perder dinheiro e ficar “mais pobre”.

A solução é recrutar um velho inimigo da Maga, um obscuro tio dela com aparência de Leprechaun chamado Nicodemo que só aparece nesta história, para lançar um contrafeitiço. Um leprechaun parecido, de nome “O’Doom” (Nicodemus), é uma criação italiana e pode muito bem ter sido a inspiração para este da história de hoje.

O interessante é que esta é uma figura do folclore irlandês. O autor Oscar Wilde também era irlandês, e consta que a mãe dele, Lady Jane Wilde, era poetisa, nacionalista irlandesa e estudiosa do folclore da Ilha Esmeralda.

E isto também é uma sutileza muito característica do estilo de meu pai de compor histórias.

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A Escalada

História da turma da Patrícia, de Ely Barbosa, publicada pela Editora Abril na revista da personagem número 5 em dezembro de 1987.

Ela é inspirada em duas histórias Disney do início dos anos 1980: “Escalando a Duras Penas” e “A Montanha Enfeitiçada”, já comentadas aqui.

Da primeira história papai aproveita a noção da “montanha que nunca foi escalada” e da “informação requentada”. Neste caso o problema não é uma reportagem mal feita, mas sim a revista de alpinismo em si, que já é antiga. Da segunda, papai adapta o nome da montanha de “Pico do Rola-Rola” para “Pico do Caio Rolando”.

Mas hoje não veremos bruxarias ou pássaros hostis. O grande obstáculo é mesmo a montanha em si, apesar dos esforços dos meninos e dos engenhosos equipamentos adaptados pelo Sócrates, o inventor da turminha.

E o “crime” que levará os meninos à derrocada final é a insistência em excluir as meninas das brincadeiras sob a premissa de que existiriam “brincadeiras de menino” e “brincadeiras de menina”. O que existe são vários métodos diferentes de se subir e descer de uma montanha. Desde que adaptados às intenções e às capacidades físicas de quem participa da aventura, todos são válidos.

Nem todo mundo precisa fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, nem achar que somente um jeito de fazer uma coisa está certo, ou que todos os outros tenham de fazer aquela coisa daquele exato mesmo jeito. O que importa é alcançar o objetivo de maneira honesta, e se divertir.

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