Ópera-Rock Rural

História da Companhia Teatral Peninha, de 1975.

Não satisfeita em azucrinar os cidadãos de Patópolis com suas – aham – “encenações” sem pé nem cabeça, a CTP resolve levar sua, bem, “arte” à área rural da cidade em um palco montado na carroceria de um caminhão. Os resultados serão hilários, é claro, mas não da maneira pretendida pelos personagens.

O teatro de rua inspirado em tradições que remontam à Idade Média, inclusive com o costume do show itinerante, é o tema central da CTP. A piada interna, com a saudação em acorde de Dó maior (um “olá” em Dó, outro em Mi e outro em Sol), também é uma marca registrada da trupe.

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Papai junta aqui vários conceitos tomados das artes performáticas e os combina em algo que parecia insólito na época, mas que foi se tornando cada vez mais comum ao longo das décadas. Como sempre, ele estava uns 30 anos à frente de seu tempo.

Como eu disse, o conceito do teatro de rua itinerante remonta à Idade Média. Dessa tradição nasceu o conceito do Circo, e hoje em dia temos também grupos de pessoas que levam o cinema aos confins do Brasil, como o CineSolar e o TelaBrasil, por exemplo.

Já a Ópera é um tipo de entretenimento que combina música e teatro e que se popularizou nos séculos XVII e XVIII. A Ópera Rock é algo inventado nos anos 1960, e o Rock Rural também existe e tem seus principais representantes no Brasil em Sá e Guarabyra a partir dos anos 1970. Essa pode, muito provavelmente, ter sido a inspiração para esta história.

Mais recentemente temos artistas como o cantor Meno e sua “Ópera Rock Caipira”, e até mesmo a banda de rock Jethro Tull enveredando pelo conceito de Ópera Rock Rural.

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Outra piada interessante da história é a referência a “Rock” como se fosse uma pessoa, um “artista de cinema”. Essa é uma referência à canção “Esse Tal de Roque Enrow“, de Rita Lee, do álbum “Fruto Proibido”, de 1975. E a canção é uma referência ao galã Rock Hudson, que era famoso nos anos 1950 e 1960, exatamente na época em que o estilo musical seu “xará” começou a ficar popular. Isso deu um “nó” na cabeça de alguns pais mais caretas, que não conseguiam entender pelo que era, exatamente, esse fanatismo todo de seus filhos.

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O Banquete De Natal

História de Natal “perdida”, de 1977.

Começo hoje uma pequena “maratona de Natal”, com todas as histórias sobre o tema que ainda não foram comentadas. Esta, em especial, está na lista de trabalho de papai, e as duas revistas nas quais ela foi publicada estão aqui na coleção. Neste momento o credito ainda não foi confirmado no Inducks, mas eu acredito que agora é só uma questão de tempo.

Todo mundo sabe que o Tio Patinhas é um muquirana que não abre a carteira nem mesmo no Natal. Aliás, esta é justamente a origem do personagem, que nasceu de uma adaptação da história “Um Conto de Natal” de 1843, de Charles Dickens. Esta é a natureza do personagem.

Mas o que aconteceria se ele resolvesse, em um arroubo de “quase generosidade” (ainda que não desinteressada: o objetivo é ganhar um concurso) abrir (só um pouquinho) a carteira e oferecer um banquete de Natal à fina nata da sociedade patopolense?

O problema é justamente esse “só um pouquinho”: para não gastar demais, o pato quaquilionário deixa a improvisação do almoço a cargo dos desastrados Peninha e Donald, que não irão desapontar no quesito trapalhadas. Destaque para o nome do Peru de estimação do Urtigão, o Guglielmo.

(Esta parte é inspirada em uma velha piada de caipiras, na qual a esposa do anfitrião passa a história toda perguntando se já pode levar o peru, e ele sempre dizendo que não. Quando finalmente acaba a sopa de nabos com pão que fora servida e o convidado pensa que finalmente vai colocar os dentes em um peru assado, o anfitrião manda trazer o pásaro, que sobe na mesa, vivinho da silva, para comer as migalhas.)

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Mas como é Natal, ninguém está ligando muito para certos “detalhes”. O que importa, de verdade, é o espírito natalino e o esforço do Patinhas para agradar. Papai também parte da premissa de que os ricos são “gente como a gente” e que também sabem apreciar as coisas simples da vida.

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O Prefeito Perfeito – Inédita

História do Urtigão contra as Solteironas, composta em 25 de julho de 1993.

Esta é, de modo definitivo, a última história escrita por papai para este personagem. Trata-se, também, da grandiosa (tanto quanto possível) “batalha final” entre o velho matuto e o bando de mulheres que só pensam em casar. Hoje, finalmente, acontecerá o tão esperado (para alguns, e temido para outros) casamento do Urtigão.

A história é uma espécie de continuação e deve ser lida após “A Sorterona Prefeita”, já comentada aqui. Portanto, se você, leitor, ainda não fez isso, está na hora de fazer.

O título é um jogo de palavras entre os sons “pre” e “per”, só pela graça da coisa. De resto, a trama retrata bem, e sempre de maneira satírica, o jogo político de qualquer cidadezinha dos cafundós do Brasil. Governada por decretos, com “baile de posse” para um vice que simplesmente está assumindo temporariamente por uma doença do titular que nem é tão grave assim, fraudes com o papel timbrado da prefeitura, uma concorrência feroz entre “situação” e “oposição” e legislação em causa própria por parte de quem detém o poder. Qualquer semelhança com a política brasileira desde sempre não terá sido mera coincidência.

Será também “por decreto” que a bagunça toda vai se resolver, já que hoje nem a Amazona Solitária conseguirá salvar o Urtigão.

Na página 8, quadrinho no centro da página, há uma piada talvez não muito conhecida, por ser muito antiga, marcada com um ponto de interrogação em azul. Pois é, a pessoa da lapiseira azul não poderia faltar, depois de ter ficado “ausente” por algumas histórias.

A expressão “Tarde piaste” é uma piada malvada que se contava no interior de São paulo quando papai era criança, sobre um homem que, ao comer ovos crus, acaba engolindo um pintinho vivo. Ao que parece, é um provérbio originário de Portugal. Significa “chegar atrasado”, ou “protestar tarde demais”.

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A Ocasião “faiz” O Ladrão

História do Urtigão, publicada pela primeira vez em 1983.

Esta história é uma variação sobre o tema de “Os Ladrões de Terras”, já comentada aqui. Novamente temos os repórteres Donald e Peninha bisbilhotando as terras próximas ao sítio para fazer uma reportagem para o jornal A Patada, de seu tio Patinhas.

E mais uma vez o Urtigão (pensa que) está às voltas com um ladrão, passando a atirar em tudo o que se move com seu trabuco. Para piorar o vizinho enxerido vem bisbilhotar, fornecendo o clássico suspeito óbvio demais que é usado em histórias policiais para desviar a atenção do leitor.

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Pistas falsas estão por todos os lados. Avidamente em busca de uma boa reportagem para justificar a demora em voltar para Patópolis os dois jornalistas que antes estavam pesquisando plantas medicinais, agora transformados em repórteres investigativos, vão chegando às suas próprias conclusões sobre os acontecimentos.

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O desfecho da história é feito mais engraçado justamente por causa da disparidade entre o que os “detetives” acham que deduziram e a realidade das coisas.

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A Sorterona Prefeita – Inédita

História do Urtigão contra as Solteironas Anônimas, de 20 de julho de 1993.

Nesse dia ele escreveu e rafeou duas histórias. A primeira é esta, e a outra será comentada na segunda que vem, se Deus quiser.

Como sempre acontece com esta linha de personagens que a Abril estava trabalhando naqueles tempos, a história lida com a fantasia/pesadelo machista das mulheres desesperadas para se casar, como se todas fossem assim e só pensassem nisso. Ainda bem que essa série não durou muito. Alguém por lá deve ter se tocado que a ideia não era assim tão boa, afinal.

Em todo caso a história de hoje (que começa com um súbito impedimento do prefeito e posse da vice-prefeita que em seguida começa a legislar um monte de arbitrariedades em causa própria e em claro abuso de poder) é quase profética, como muitas das coisas que ele escrevia enquanto estava absorto, sua mente voando nas asas da imaginação. Qualquer semelhança com o momento político atual do Brasil talvez não tenha sido uma completa coincidência. Ele só inverteu os gêneros “um pouco”.

De resto, há as brincadeiras com os nomes dos personagens, como Juca Piau (capiau) Joca Ipira (caipira), etc. A menção à feira na página 3 é mais uma referência à canção “De Papo Pro Ar”, que papai associava com o Urtigão, e o brado de guerra “Talirô” é uma brincadeira com “Tally-Ho“, antiga frase britânica usada tradicionalmente na caça de raposas. Na página 4 temos o número “2222” no trem, que é uma referência à canção “Expresso 2222“, de Gilberto Gil.

A coisa toda lembra bastante, também, as histórias em quadrinhos clássicas de Ferdinando contra Maria Cebola.

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A Fonte da Juventude II – Inédita

História do Urtigão criada em 10 de julho de 1993 e nunca publicada.

O personagem pode ser tudo: um solteirão convicto, um chato de botinas, ranzinza até não poder mais, mas ele não é mau. Ele não é um vilão.

Assim quando as Solteironas Anônimas, suas piores inimigas, estão sendo vítimas de um golpe, e por mais ridículas que elas sejam em seu desespero para casar a qualquer custo, o Urtigão não pode deixar que elas caiam no golpe e sejam roubadas.

Ele fará o que puder para ajudá-las, mesmo que isso envolva enganá-las mais um pouquinho, só para despistar.

E isso é uma lição para os “neomachistas” de plantão, que acham que, só porque hoje em dia as mulheres estão menos dependentes, eles podem tratá-las com brutalidade. Qualquer pessoa que esteja precisando de ajuda merece essa ajuda, mesmo que seja mulher, e mesmo que seja uma mulher de quem você não goste. O simples fato de você ser homem deveria colocá-lo acima de certas mesquinharias, mas isso é uma tradição que está sendo esquecida, infelizmente.

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O Dia dos Espantáio – Inédita

História do Urtigão, composta em 07 de julho de 1993 e nunca publicada.

Nem é preciso dizer que o “Clube das Solteironas Anônimas” está, por definição, fadado ao fracasso, por mais que tente armar planos e armadilhas para agarrar e tentar forçar o Urtigão a se casar. Foi para isso que esse grupo de personagens foi criado. O editor sabe disso, o autor da história sabe disso, e o leitor, é claro, também sabe, ou pelo menos desconfia, que nunca verá o casamento de um personagem Disney.

Mas, obviamente, nada impede o autor de brincar justamente com isso, e pelo menos fazer parecer que o plano vai dar certo, e que desta vez o Urtigão não terá escapatória. Em todo caso, este é um jogo de ilusões. O “Urtigão” da primeira página é um espantalho feito pelo próprio capiau, e bem se sabe que “quem faz um cesto, faz um cento”. Se ele fez um espantalho, nada o impede de fazer outros.

Aliás, espantalhos também era algo que papai sabia fazer. Quando saíamos em viagem, ele costumava deixar um boneco feito com as próprias roupas recheadas de jornal sentado em uma cadeira no jardim de inverno, de modo que pudesse ser visto da rua. Até uma cabeça papai fez para o nosso “guarda”, com um balão de festa e papel machê. De longe, parecia mesmo uma pessoa.

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