Os Metralhas Das Cavernas

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

A trama trata dos primórdios da História humana, e tenta explicar, sempre de modo divertido, como é que foram “inventadas” coisas como o roubo, as defesas antirroubo e a polícia, entre outras, como o dinheiro, o comércio e a riqueza.

E afinal, o crime compensa ou não? Tudo é uma questão de ponto de vista, é claro, e do preço que se deve estar disposto a pagar para poder “viver sem trabalhar”.

A participação do Metralha Azarado hoje será engraçada mas limitada, porque nesta época ele ainda não havia sido alçado a “estrela” da série. O foco está todo no Vovô e na história dos antepassados.

Há também a participação de antepassados do Tio Patinhas e do Professor Pardal, como os bons que darão combate às forças do mal.

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Zé Dinamite

História do Zé Carioca, de 1976.

A história de hoje combina a habitual falastrice e o talento para se meter em encrencas do Zé com várias referências interessantes. Diante do desabamento da “pedra do macaco” durante uma tempestade, o nosso herói tolamente se coloca em uma posição difícil. O interessante será ver como, exatamente, ele sairá dela. Papai saberá oferecer, no momento certo, uma solução original e digna da confusão inicial.

Mas, antes de mais nada, vamos às referências:

A favela do Morro dos Macacos existe mesmo, e fica na região da Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ao que parece, o Pedrão morava por lá antes de se mudar para a Vila Xurupita no Morro do Papagaio e criar seu pomar de jacas e outras frutas. Aqui ela é chamada de “Morro do Macaco”, no singular.

Outra coisa que existe de verdade e fica no Rio de Janeiro é a Pedra do Macaco, embora não exatamente na cidade, mas ainda no mesmo estado. Papai tomou a liberdade de “movê-la” só um pouquinho. 😉

A implosão mencionada pelo Zé do edifício “Caldas Mendeira”, na Praça da Sé em São Paulo também é um fato real, acontecido em 16 de novembro de 1975, e o nome verdadeiro do prédio é Mendes Caldeira.

E a comoção toda que se cria pela boataria e expectativa de um espetáculo popular grátis também é algo bem brasileiro, que lembra um pouco a canção de 1974-5 chamada “De Frente Pro Crime“, de João Bosco. Só falta, mesmo, um corpo, mas isso certamente não “caberia” em uma história da Disney.

Assim temos a memória de vários fatos reais recentes (naquela época, é claro), que seriam facilmente reconhecíveis por quem lesse a história, “rearranjados” e combinados de maneira criativa para compor uma trama que se torna realmente engraçada exatamente porque combina essa sensação de familiaridade toda com uma situação completamente insólita.

Qualquer semelhança com a realidade brasileira de todos os tempos (não) terá sido mera coincidência.

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Restaurando O Restaurante

História do Professor Pardal, de 1973.

O inventor maluco de Patópolis tem uma namorada, quem diria! É uma passarinha parecida com ele, criada no exterior em 1966 por Vic Lockman e Tony Strobl e… esquecida até 1973, quando papai a resgatou e adotou para esta história.

Esta é, portanto, a primeira aparição dela em histórias nacionais. Depois disso ainda seria usada quase uma dúzia de vezes ao longo dos anos, por papai e vários outros argumentistas brasileiros, mas nunca mais no exterior. Assim, se a Ermengarda conseguiu “se salvar” de ser uma personagem de uma historia só, o crédito é todo de meu pai.

A trama é de ficção científica, e gira em torno de um velho restaurante herdado de uma velha tia. E “velho” aqui, é o que realmente dá o tom ao local: a começar do garçom, e certamente passando pelo cozinheiro e chegando até à cozinha (embora não se veja esta parte do restaurante), tudo ali é velho, antiquado e demorado. A “missão” do Pardal é modernizar o lugar com alguma engenhoca.

Como eu já disse antes, papai tinha um perfeito pavor de restaurantes demorados. Se ele entrava em algum estabelecimento comercial para comer, ele esperava ser atendido e servido logo, já que estava geralmente com fome. A ideia de ter um prato preparado na hora especialmente para ele por um “Chef” renomado, ainda que compreensivelmente chique, era algo que não o atraía. Essa noção feria seu senso de praticidade.

Desse modo, temos aqui mais um dos lampejos futuristas dele, cuja imaginação estava sempre uns 30 anos à frente: uma “máquina de cozinhar” na qual fosse preciso apenas colocar os ingredientes e esperar um pouquinho (e certamente bem menos do que o tempo gasto pelo cozinheiro) para receber um prato prontinho, cheio de comida apetitosa e quentinha. O que parecia algo impossível naquele tempo, hoje em dia já é uma realidade, ainda que um pouco cara.

Outra “piada” que já virou lugar comum nos dias de hoje, mas que há meros 40 anos também parecia impossível, é o “telefone sem fio” do primeiro quadrinho.

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O Planeta dos Macacos

História do Pererê, de Ziraldo, composta em novembro de 1975 e publicada pela Editora Abril na revista A Turma do Pererê número 10 em abril de 1976.

Esta deve ser a mais original história de caçada de onça já escrita. A inspiração vem de “O Planeta dos Macacos“, livro de 1963 de Pierre Boulle que acabou virando filme pela primeira vez em 1968.

Mas a semelhança fica só no nome. Na trama, veremos o que começa como um cochilo coletivo da turma em uma morna tarde brasileira se transformar rapidamente em uma aventura no “meio do meio” da Mata do Fundão, para onde os macacos (primos do Alan) atraem a todos.

A situação também tem algo de “O Caso dos Dez Negrinhos“, romance policial de Agatha Christie, no fato de que os amigos vão sumindo, ou sendo levados, um a um, o que só aumenta a tensão toda.

O suspense só cresce até o momento em que, sozinho na escuridão da mata fechada, o Galileu se depara com um enorme e ameaçador ser que se intitula “Rei do Planeta dos Macacos”. Em troca da libertação dos amigos, esse “rei” exige que a onça se entregue para um “sacrifício”. Mas é também nesse momento que o “macacão” comete um erro crasso.

É um bom plano, como em todas as histórias nas quais papai usa esse expediente. Mas, no final, tudo não passa de mais uma tentativa dos Compadres de caçar o Galileu.

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História Pra Boi Não Dormir

História do Biquinho, de 1986.

O título se refere a uma velha expressão popular: “história”, ou melhor, “conversa (mole) para boi dormir” é o mesmo que inventar mentiras em sequência para tentar enganar alguém.

Hoje papai associa o conceito com as histórias noturnas contadas às crianças pequenas pelos pais ou tios com a característica do Biquinho de ser difícil de colocar para dormir e com um antigo conto de fadas chamado “Os Três Cabelos de Ouro do Diabo”, dos Irmãos Grimm.

Há toda uma arte e uma ciência por trás dessa coisa toda de se contar histórias para dormir, na verdade. Mais do que o teor da história em si, especialmente para crianças bem pequenas, o que realmente vale é manter um tom de voz calmo e pausado, para que a pessoinha ali na cama se acalme e durma. Daí a associação com a conversa para boi dormir.

Para crianças mais velhas um pouco, a repetição de uma mesma história, noite após noite (ou várias vezes em seguida em uma mesma noite) também tem um efeito calmante por causa justamente da previsibilidade. Saber a história de memória, poder prever o que vai acontecer e até declamar os diálogos, dá à criança uma sensação de segurança. (Mas, até que a história se torne realmente familiar, alguns “acidentes de percurso” podem acontecer.)

Mas é claro que para toda regra existe uma exceção, e hoje ela se chama Biquinho. E papai “empresta” ao patinho toda a criatividade que ele mesmo tinha quando criança, nos tempos em que inventava finais alternativos (e frequentemente muito mais engraçados) para as histórias que ouvia.

Só que, para o Biquinho (e para a diversão do leitor), isso nem sempre é uma coisa boa.

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O Circo Voador

História do Zé Carioca, de 1984.

Inaugurado em outubro de 1982 no bairro da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, o “Circo Voador” é um daqueles espaços culturais tão importantes e benéficos para a população em geral que chegou a ser fechado por vários anos por um prefeito de Ego frágil.

Mas, me adianto. Voltando um pouco no tempo, na época em que esta história foi escrita ele havia acabado de abrir as portas, atiçando a curiosidade e a imaginação de todas as pessoas que se interessavam por espetáculos de circo, dança e música de todos os estilos em nosso País.

Mas acima de tudo, o nome do espaço cultural era o que mais intrigava as pessoas. Afinal, por quê “Circo Voador”? Papai, é claro, oferecerá sua própria explicação, que certamente causará muitas risadas ao leitor.

Outra definição com a qual ele brinca é a de “trapézio voador“, uma popular atração de qualquer circo que se preze. Quando bem executadas, as acrobacias desta modalidade podem ser realmente emocionantes. Mas não será este o caso, hoje.

Seria de admirar bastante se uma construção de fundo de quintal, feita por duas crianças com os aparatos de cama, mesa e banho da família para uma brincadeira, tivesse uma atração dessas.

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A Noite Dos Bruxinhos

História de Huguinho, Zezinho e Luisinho, de 1980.

A inspiração vem de uma história de Carl Barks de 1952. Dela papai usou o Dia das Bruxas, as fantasias dos patinhos e a participação da Bruxa Vanda com sua vassoura pensante, a Jezebel.

Para deixar clara a referência, ele usou inclusive um título parecido com o da história de Barks. Mas as semelhanças param por aí. Desta vez não há conflito com o Pato Donald, muito pelo contrário. O conflito será, aliás, completamente indireto, e essa é a principal diferença e o ponto forte desta história.

Fantasiados, os meninos nem estão pedindo doces ou donativos para si mesmos, mas sim para uma festa beneficente dos Escoteiros que, curiosamente, já está prestes a começar. (Papai não explica, mas seria interessante saber que despesa tão urgente é essa que força os garotos a arrecadarem dinheiro assim tão de última hora.)

O interessante é que o Luisinho até chega a ver os bruxinhos que são os vilões da história voando em suas vassouras várias vezes, mas não terá certeza e não haverá nenhum contato direto entre eles. Nem mesmo a Bruxa Vanda, companheira da aventura anterior, eles verão, desta vez.

Somente o Tio Patinhas chega a ver os dois conjuntos de crianças fantasiadas, já que os bruxinhos aproveitam a passagem dos meninos pela Caixa Forte para assumir a aparência deles, enganar o velho pato e assim entrar na fortaleza eles também.

Mas este não é o tema principal da história. É só o “gancho” que vai possibilitar a intervenção da Vanda e a punição dos bruxinhos. O tema da história não é o relacionamento dos meninos com o Donald, que mal participa da coisa toda. Não é exatamente o relacionamento dos patinhos com o tio rico (que hoje aliás está especialmente generoso, coisa rara, mas o tema também não é esse.) E certamente não é a festa beneficente dos Escoteiros.

O tema da história é puramente o Dia das Bruxas, e aquele tipo de magia que está constantemente à nossa volta mas que nós, materialistas e sobrecarregados com as tarefas do dia a dia, simplesmente não conseguimos ver.

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Também na Amazon, estou lançando um novo projeto: o Sebo Saidenberg, no qual inicialmente estou disponibilizando alguns dos livros de minha coleção particular que podem ser interessantes aos amigos, incluindo alguns poucos exemplares da biografia que estão comigo, e que seguirão autografados a quem os comprar diretamente do meu sebo.