No País Dos Feiticeiros

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1977.

Volta e meia os dois agentes secretos são enviados a algum lugar distante e exótico para combater a Bronka. Hoje visitaremos o Pais dos Feiticeiros, chamado Zumba-Quizumbalândia.

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“Quizumba” é sinônimo de música, dança, confusão, briga, macumba e feitiçaria. E é principalmente esta última definição que papai usará aqui. Todo o humor da trama, aliás, será baseado em diálogos cheios de trocadilhos, cacófatos e jogos de palavras ao redor do tema magia e folclore, em adição às costumeiras piadas sobre os equipamentos e métodos dos agentes secretos.

Em uma história sobre magia tudo pode acontecer. O agente da Bronka de nome Bigode até consegue enganar os nativos por algum tempo com truques de mágica de salão e tomar o lugar do verdadeiro feiticeiro, mas acaba sendo desafiado para um duelo de magia cujo resultado será julgado pelo conselho dos velhos da tribo. O Interessante e que um deles se parece bastante com o jogador de futebol Pelé, mas não tenho certeza se é coisa de meu pai (apesar de suspeitar que sim) ou do Herrero, o desenhista.

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É óbvio que a Bronka não pode ganhar a parada. Mas isso não quer dizer que o final da história vá deixar de ser surpreendente.

A última história de papai nesta revista Tio Patinhas 144 é a piadinha final, que versa sobre a memória (ou falta dela) do Professor Ludovico. Isso faz com que o gênio de Patópolis, especialista em todas as coisas, seja associado com Albert Einstein que, dizem, também era bastante esquecido.

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Mas Que Bronka!

História do Peninha, de 1984.

A trama em si é a confusão de sempre feita por 00-ZÉro e Pata Hari em suas disputas contra a Bronka, que é inspirada em séries e filmes de espionagem como “Agente 86”, por exemplo. É claro que tudo está bem trabalhado, com muita ação e suspense, como nas melhores obras do gênero.

Mas a parte mais importante da história não é essa. O mais importante, hoje, está nos detalhes, a começar pelo “transplante” do Parque Taquaral, que fica em Campinas (onde morávamos na época) para Patópolis. Está tudo lá: a lagoa, a Caravela, e até o bonde turístico, que havia mesmo acabado de ser inaugurado.

Apresentado o parque, na primeira página, papai então começa a trabalhar as livres associações que vão ligar o local à trama de espionagem. Para começar, ele transforma um antigo anúncio do remédio Rum Creosotado, que com o tempo se transformou no símbolo da era dos bondes no  Brasil, em uma espécie de senha entre espiões.

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Em seguida, ele faz da Caravela o veículo mutante dos agentes secretos, como o leitor atento logo vai desconfiar, pela cor e pelos remendos metálicos no casco, que não existiam nas naus de madeira do século 16.

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Por fim, a disputa da vez é sobre um produto químico perigoso que existe de verdade, de nome hidrazina. Consta que, além de ser tóxica, ela também é explosiva e usada inclusive como combustível para foguetes. Com um pouco de calculado exagero, papai faz com que o líquido se comporte como outro explosivo famoso, a nitroglicerina.

É óbvio que toda essa correria com e atrás de uma garrafinha contendo algo tão perigoso não pode acabar bem. Mas até aí a homenagem a Campinas, cidade que o viu crescer e na qual ele desenvolveu todo o seu talento para os quadrinhos, está feita.

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A Torre Sinistra

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1975.

Em mais uma missão para o leitor atento, os agentes secretos são chamados para investigar uma série de assaltos a joalherias nos quais a Bronka está envolvida.

Como sempre todos são suspeitos, nada é o que parece ser, e papai joga pistas falsas para todos os lados.

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A primeira tarefa do leitor, mais do que decidir se o contato é realmente um aliado ou um inimigo disfarçado, será descobrir qual é a ligação entre os roubos e a misteriosa figura apelidada de “o Fantasma da Torre Sinistra” que tem aparecido todas as noites na janela de uma torre abandonada.

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O nome escolhido para a cidade, “Londônia”, não é um acaso nem uma coincidência. A similaridade com o nome da cidade de Londres, capital da Inglaterra, serve para justificar os frequentes e fortes nevoeiros que aparecem na história. Eles também terão sua função na solução do mistério, já que nada aparece ou acontece por acaso na trama.

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O Sumiço De Lobo

História de 00-ZÉro e Pata Hari, publicada uma vez só em 1975.

O Lobo foi sequestrado enquanto estava em missão especial com o “Agente 00-3,1416”, e a história mostra como será o resgate do agente canino.

Como sempre, os agentes vão desvendando o mistério e encontrando o caminho até o amigo Chihuaua (raça, aliás, que – por coincidência ou não – tem parentesco mais próximo com os lobos do que outras, como o Golden Retriever) meio por acaso, aos trancos e barrancos, mas, pelo menos, eles sempre têm o equipamento apropriado para lidar com cada situação.

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O nome do Agente 00-3,1416, personagem criado especialmente para esta história, é uma dupla brincadeira: a primeira é com denominações famosas de espiões, como os famosos Agente 007, Agente 86, e o próprio 00-Zéro. A segunda, que papai certamente gostaria que seus leitores tivessem a capacidade de identificar logo ao ler a história, ou que pelo menos tivessem a delicadeza de pesquisar, é com o valor de PI.

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A Epidemia Maluca

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1976.

O mistério de hoje envolve um suposto caso de histeria coletiva, no qual toda a população de uma cidade, localizada em algum país exótico de aparência arabizada, endoideceu de repente. Se isso não fosse o suficiente, (mais) coisas estranhas estão acontecendo, e os chefes de nossos amigos agentes secretos acreditam que a BRONKA tem alguma coisa a ver com isso.

“Epidemias malucas” de vários tipos são mais comuns e têm existido por mais tempo do que se pensa, desde os episódios de “dançomania” durante a Idade Média e até a “epidemia de riso de Tanganika“, ocorrida já no século XX. Uma teoria que eu ouvi sobre o assunto propõe que elas acontecem mais entre populações que vivem sob estritas leis morais e religiosas, justamente aquelas onde demonstrações públicas de alegria e descontração são condenadas, e nas quais as mulheres são mais reprimidas.

Mas o caso, aqui, é menos psicológico e mais “farmacológico”. Também existiram casos de “Ergotismo“, que é o envenenamento acidental por um fungo do centeio, na História do mundo até a Idade Média, mas casos de loucura por envenenamento da água são mais comuns em filmes de espionagem e mistério do que na realidade.

Mas é claro que uma cidade cheia de gente maluca dançando nas ruas e fazendo a maior confusão é um tema muito engraçado para uma história em quadrinhos, que funciona muito bem e certamente vai fazer os leitores rirem bastante. E este, mais do que a solução de qualquer possível mistério, é o objetivo maior desta história.

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Em especial temos um coadjuvante um tanto surreal, que primeiro acredita ser Robin Hood, depois Guilherme Tell, e finalmente o Arqueiro Verde, em referência a três personagens clássicos bastante conhecidos.

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Operação Oriente

História do 00-Zéro, de 1976.

Se estivesse vivo, hoje papai completaria 75 anos de idade. A você que lê estas linhas, peço por favor um momento de oração.

O 00-Zéro, Pata Hari e o Grande BRONKA parecem ser criação de Dick Kinney, dos EUA. Mas aqui no Brasil, papai foi o “adotante” inconteste dos personagens, já que a maioria absoluta das histórias nacionais onde eles aparecem é dele.

Ao que parece o Gato do Grande BRONKA aparece nesta história pela primeira vez, o que o torna criação de papai. O raciocínio é o seguinte: se o Zéro é um agente secreto nos moldes de James Bond, por que motivo o seu vilão e principal adversário não pode se espelhar em Ernst Stavro Blofeld, o vilão criado por Ian Fleming para antagonizar seu herói? Sinal claríssimo da influência é justamente o fato de só aparecerem o gato branco e as mãos do vilão, exatamente como no filme.

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Além disso, os gatos, por sua natureza muito mais contida do que a dos cães, sempre foram (injustamente!) associados aos mais variados vilões das mais variadas formas de ficção, entre eles o mafioso Vito Corleone, para citar apenas um.

De resto a história segue a linha dos destinos exóticos em países distantes, de preferência no Oriente Médio ou Ásia, com suas piadas clássicas e seus clichês: a correria no bazar/souk árabe, os potes quebrados, e o esconderijo (completo com masmorras para os desafetos) localizado em velhas ruínas.

O tema da correria no mercado árabe e uma cena em especial viriam a ser usados no futuro (com algumas modificações, é claro) no filme Indiana “Jones e os Caçadores da Arca Perdida”, na cena onde o macaquinho malvado come uma tâmara envenenada. Seria uma premonição de papai? Ou só mais um clichê usado até a exaustão?

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Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias.

Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

Comix: http://www.comix.com.br/product_info.php?products_id=23238

Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Os Patos Do Deserto

História de 00-ZÉro e Pata Hari, publicada em 1977.

A missão é “no deserto”, e a julgar pela presença de um Xeque árabe e menção à Legião Estrangeira, em algum lugar no Norte da África. O nome do Xeque, Ali Katt, é um trocadilho com a palavra Alicate. Ele é “colega” dos nossos heróis, e estava transportando uma valiosa carga pelo deserto, até que foi assaltado.

É nesse ponto que a história começa, e vai se desenvolvendo no clássico estilo “policial” de papai, que vai deixando pistas para o leitor e praticamente o convida a prestar atenção nos detalhes e ir desvendando o mistério juntamente com (ou no lugar dos) mocinhos. Um exemplo desse tipo de pista é o ataque da Bronka à tenda do Xeque. Ao se aproximar, eles são três. Mas quando entram são dois. Não é “erro de continuidade”. Papai não faria isso. Então, onde está o terceiro?

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Isso é o que a turminha do bem vai descobrir logo, ao cair na armadilha da organização do mal. 00-ZÉro e Pata Hari, como sempre, pouco entendem do que está realmente acontecendo e pouco fazem para solucionar o mistério, mas pelo menos não se furtam de uma boa briga, quando a coisa esquenta.

No fim a Bronka é derrotada mais uma vez e tudo acaba bem, é claro, mas isso não quer dizer que os agentes deixarão de levar uma bronca do sub-chefe por suas trapalhadas.

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O trocadilho entre “deserto” e “desertores” é uma ótima sacada, e o interessante é que naquela época o herói podia acender seu cachimbo e dar suas baforadas sem se preocupar em dar mau exemplo às crianças. Também, depois de todas as armas sacadas, tiros disparados e personagens femininas partindo para a briga (mas montada no camelo sentadinha de lado, com toda a elegância de quem usa saia curta), um cachimbo aceso parece até inocente.

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