O Roubo Da Diligência

História do Zorro, de 1974.

Em mais um embate entre o Zorro e o Águia, este é um elaborado plano do vilão para criar uma emboscada para o herói usando seu “ponto fraco”, esse “estranho” senso de justiça, essa “mania”, (na opinião dos verdadeiramente maus), que o mocinho tem de combater a criminalidade e defender os cidadãos da Califórnia da tirania dos políticos. Criminalidade e tirania essas que, aliás, como papai irá demonstrar, muitas vezes andam de mãos dadas e servem uma à outra.

A trama se parece bastante com uma partida de xadrez. Os primeiros movimentos são aparentemente bastante simples e despretensiosos, mas a coisa toda vai rapidamente evoluindo para uma verdadeira batalha mental entre os dois adversários.

A princípio tudo parece ser “apenas” um assalto a uma diligência, mas o caldo começa a engrossar logo no primeiro quadrinho da terceira página, quando é mostrado que os soldados de Los Angeles tudo viram e nada fizeram. Só isso deveria bastar para sinalizar ao leitor atento que algo está muito errado nessa história.

Mas será apenas gradativamente que a verdadeira extensão do plano maléfico irá se descortinando em sua totalidade, uma pista de cada vez, à medida que Dom Diego vai discretamente investigando o que pode estar acontecendo. O plano é realmente muito inteligente, mas o Zorro é mais e logo conseguirá conectar os pontinhos e novamente frustrar os vilões.

Ele só cometerá um erro: profundamente ofendido pelo ataque covarde a seu pai que ele não pode impedir para não revelar a sua identidade secreta, o Zorro/Dom Diego não resistirá à tentação de se vingar. Isso só não terá consequências mais graves porque o capanga do Águia é realmente burro, mas serve para mostrar que Dom Diego, no final das contas, não tem “sangue de barata” e que o Zorro, apesar de sua fama de quase sobrenatural, é também um mortal muito humano.

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Unidos, Perderemos!

História dos Irmãos Metralha contra o Sr. X e seu bando, de 1985.

Este é mais um daqueles casos em que o editor achou por bem mudar o nome da história na hora de publicar. Composta originalmente em janeiro de 1984 para os Irmãos Metralha com o nome “O Roubo Do Século”, ela voltou à mesa de papai para ser reformulada em fevereiro (quando passou para o domínio do Sr. X) e maio do mesmo ano, sendo então finalmente comprada.

Além disso, papai aparentemente se confundiu ao registrar o número final de páginas na lista de trabalho. São 12, não 9. Por tudo isso, o pessoal do Inducks provavelmente resolveu não arriscar e deixou a história sem autoria. (Ainda está em tempo, rapazes, podem creditar). Mas como também não há nenhuma história no Inducks com o nome de “O Roubo Do Século”, só restam duas alternativas: ou “O Roubo” nunca foi publicada e se perdeu entre os papéis, ou é mesmo esta aqui. (E a presença da revista na coleção é outra pista importante, é claro.)

Mais evidências são o uso que o Sr. X faz, por duas vezes, da expressão “roubo do século” (uma logo no primeiro quadrinho e a outra na página 6) e a menção às “Jóias da Coroa do Império da Bobilônia” como sendo o alvo do tal roubo. Este era um jogo de palavras bastante comum (misturando “bobo” com “babilônia”) no “estilo Said” de se fazer quadrinhos.

A trama bem costurada também é típica do estilo de papai, a começar pelo fato de que os dois bandos rivais têm a mesma ideia maligna ao mesmo tempo. Como sempre nada está ali por acaso, muito menos a infestação de pernilongos no esconderijo.

E acontece que o plano do Sr. X é tão sofisticado que conta até com um spray que é usado para descobrir focos de alarmes e outro de gás do sono para enfrentar a polícia. Mas o leitor atento já vai perceber que o plano não vai dar certo ao ver que há três latas de spray sobre a mesa, contando com o inseticida. A partir daí, não será difícil adivinhar o que vai acontecer.

Na verdade o leitor vai se divertir tanto, mas tanto, com as trapalhadas dos dois bandos de ladrões pés de chinelo cheios de si que talvez nem perceba que o Sr. X finalmente conseguiu pelo menos parte do que queria. Ele pode ainda não ter sido reconhecido como o “rei” do crime, mas foi finalmente preso, junto com sua quadrilha, por *tentativa de roubo*. Já é alguma coisa, para quem começou a carreira sem nem ao menos conseguir realmente cometer um crime, e muitas vezes até mesmo inadvertidamente ajudando a polícia.

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O Talismã Da Sorte

História da Maga Patalójika, de 1975.

Para compor esta história papai se inspirou em outra, de Carl Barks, de 1964, chamada “As Mil Faces de Maga Patalójika”. O elemento adotado é uma poção para borrifar no rosto que faz a vítima adotar a aparência de qualquer outra pessoa para a qual olhe. O uso feito da poção para o plano de roubo é realmente engenhoso, mas é claro que o golpe não poderá dar certo.

Trata-se se mais um plano para se apoderar de algum amuleto de outra bruxa que possa substituir aquele que ela quer fazer com a Moedinha Número Um do Tio Patinhas mas o problema é que, obviamente, as bruxas que realmente têm esse talismã são poderosas demais para a Maga. Ela não tem nem nunca vai ter chance alguma.

Esta mesma ideia foi retrabalhada no ano seguinte em “Os Sete Signos Mágicos”, na qual a maga enfrenta outra bruxa igualmente detentora de um amuleto poderoso ao extremo. Para termos uma ideia dos poderes que a Maga poderia ter se conseguisse realmente roubar a Moedinha do Patinhas, papai nos mostra que a caverna que serve de morada à Madame Mac Bruxa é iluminada pelo próprio amuleto em seu pescoço.

Outro elemento interessante do poder do talismã é o Fogo de Sete Cores que abriga um poderoso Gênio que serve somente às bruxas que o têm (que tem algo a ver com as sete cores do arco-íris e certas teorias misticas sobre as propriedades mágicas dessas cores todas).

E para dar um toque de autenticidade à história, papai coloca discretas referências visuais nas páginas para o desenhista Roberto Fukue passar à tinta: já que a bruxa que vai ser alvo da Maga mora na Escócia, papai mostra a Maga passando por Stonehenge e pela Muralha de Adriano em sua viagem até lá.

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O Conto Da Cascata

História do Sr. X, o “Rei do Crime”, de 1976.

O chamado “Golpe da Cascata” existe de verdade, e é mais uma das modalidades dos chamados “contos do vigário”, nos quais um ou mais golpistas exploram a ingenuidade, ganância ou até mesmo desonestidade de uma vítima incauta para ficar com o dinheiro dela.

Os quadrinhos desfiam, em todos os detalhes, o modo como um golpe desses se desenrola. Disfarçado, o chefe do bando inicia a encenação e o resto da quadrilha continua com o plano.

A coisa toda transcorre de modo bastante fácil. Na verdade, parece até mesmo um pouco fácil demais. O leitor que estiver esperando para ver o momento em que a vítima vai reagir, ou a polícia vai aparecer, ou algo no gênero, vai se sentir realmente frustrado. Será que, desta vez, a pretensa quadrilha conseguirá, finalmente, cometer um crime? E se conseguir, será mesmo que os bandidos vão sair impunes?

De certo modo, quem está aplicando um “golpe” é papai, com seu hábito de espalhar pistas falsas e apresentar situações que não são o que parecem ser. Seja como for, esta história serve como uma ferramenta educacional, ensinando o leitor a reconhecer o conto do vigário para que tenha uma chance de não cair nele, caso se veja na mesma situação no futuro.

E sim, os vilões vão se dar mal no final, como não poderia deixar de ser. O problema é que, como eu já disse no passado, “para cada idiota que se faz de monstro, existe um monstro que se faz de idiota”. Quem ler, verá.

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Um Mago Tantã

História das Bruxas, de 1975.

Trata-se de mais uma tentativa de roubar a moedinha número um, é claro, e esta é realmente caprichada. Mas, como sempre, um pequeno erro de execução leva a um resultado inesperado logo de saída e à necessidade de improvisar, o que colocará tudo a perder para as vilãs.

O “plano perfeito com erros de execução” é algo que também acontece muito com os Irmãos Metralha, aliás. E é assim também na vida de muita gente: é fácil sonhar e planejar, mas colocar em prática são outros quinhentos. E olhem que as palavras mágicas usadas são realmente uma invocação de antigos mistérios (ou, pelo menos, a primeira delas).

Mas talvez por isso mesmo, e pela força de uma magia real e milenar como a Cabala, o resultado não poderia favorecer às bruxas. Afinal, nas histórias em quadrinhos, a magia é como os computadores: faz o que você manda, não o que você quer. A invocação de uma força do bem não pode resultar em um efeito do mal.

O interessante é que os poderes do Mago Tantã, que acaba de se formar com nota 10 em um curso de magia branca, são perfeitamente prodigiosos: ele consegue voar sem vassoura, e tem um poder de concentração absurdo. Por alguns quadrinhos realmente parece que, desta vez, com a ajuda dele (que está sendo usado como inocente útil, aliás), nada conseguirá impedir as duas malvadas de conseguir o que querem, o que só demonstra o quanto a magia branca é realmente muito mais poderosa do que a magia negra.

E esse é o erro das bruxas más: se elas se dedicassem a usar seus grandes poderes somente para o bem, provavelmente já teriam conseguido o poder mágico e a riqueza material que tanto desejam, sem precisar roubar o amuleto dos outros.

Fica a dica, criançada. 😉

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A Nova Investida Dos Metralhas

História dos Metralhas, de 1975.

Esta é outra daquelas preciosidades que foram inexplicavelmente publicadas uma vez só. O plano é roubar a Caixa Forte do Patinhas (o que mais poderia ser?) mas os vilões acabam se atrapalhando tanto que vão presos (obviamente, como não poderia deixar de ser) quase sem dar trabalho à polícia e sem nem ao menos conseguir chegar perto de seu alvo.

O desencontro entre as duas partes do bando, uma chefiada pelo Intelectual, que já está esperando perto da fortaleza, e a do Vovô, que está levando a dinamite e o detonador até lá, é algo que acontecia bastante nos tempos antes da invenção do telefone celular.

E, para aumentar a confusão, temos um agravante: hoje o Vovô, que já está meio gagá e às vezes (na maior parte do tempo, na verdade) se comporta como uma criança, está com uma hilária fixação por máquinas de chiclete.

Ele começa comprando os doces com uma moeda, como qualquer pessoa, mas ao receber somente duas bolinhas se frustra e começa a roubar, em um crescente de “violência”. A primeira máquina libera as guloseimas após levar uma mera chacoalhada, mas à medida em que elas vão ficando mais “teimosas” (há várias, espalhadas pelas esquinas das redondezas) o Vovô também vai “sofisticando” os seus métodos. Só que isso não quer dizer, é claro, que os resultados serão os esperados.

Papai tinha uma teoria de que, quanto mais velha uma pessoa vai se tornando, mais “criança” ela vai ficando. A coisa começa com pequenos esquecimentos e manias bobas, depois a pessoa vai ficando frágil, em seguida pode perder o controle sobre certas funções corporais, etc. Se ficar velha o suficiente, corre o risco de ficar tão dependente como um bebê. (O que não é, exatamente, um prospecto lá muito desejável, mas assim é a vida.)

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Reunião Anual Dos Metralhas

História da Família Metralha, de 1975.

A sorte dos Metralhas é que o Superpateta costuma ser mais “pateta” do que “super”, na maior parte do tempo, o que dá a eles algum espaço para manobras. O azar deles é que, mais cedo ou mais tarde, os dois neurônios do herói acabam chegando a um acordo.

Hoje os malfeitores têm uma ideia para sair às ruas sem despertar a suspeita do Super, mas não têm um plano definido. Se, mesmo com um plano pensado nos mínimos detalhes eles conseguem fazer confusão, imagine só a bagunça causada por um “arrastão” a esmo de roubos do tipo “pé-de-chinelo”.

Além disso, papai também nos apresenta mais uma das festividades oficiais do calendário anual de Patópolis: a “Grande Festa”. Marcada por fantasias, desfiles em blocos, pandeiros e tambores, ela se assemelha bastante ao Carnaval. Assim, temos mais uma festa além do Natal (que não poderia faltar), o desfile do Dia do Aniversário da Cidade, e o dia do “Adivinhe quem vem para jantar” (uma espécie de Dia de Ação de Graças).

Interessante é a “participação especial” do Sr. X e sua quadrilha, em um quadrinho apenas. Seria muito fácil colocar meros figurantes desconhecidos para fazer este papel mas, convenhamos, é muito mais engraçado quando eles são conhecidos do leitor. E ainda mais se também forem bandidos. “Parece” que esse bairro não é lá muito bem frequentado.

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