O Conto Da Cascata

História do Sr. X, o “Rei do Crime”, de 1976.

O chamado “Golpe da Cascata” existe de verdade, e é mais uma das modalidades dos chamados “contos do vigário”, nos quais um ou mais golpistas exploram a ingenuidade, ganância ou até mesmo desonestidade de uma vítima incauta para ficar com o dinheiro dela.

Os quadrinhos desfiam, em todos os detalhes, o modo como um golpe desses se desenrola. Disfarçado, o chefe do bando inicia a encenação e o resto da quadrilha continua com o plano.

A coisa toda transcorre de modo bastante fácil. Na verdade, parece até mesmo um pouco fácil demais. O leitor que estiver esperando para ver o momento em que a vítima vai reagir, ou a polícia vai aparecer, ou algo no gênero, vai se sentir realmente frustrado. Será que, desta vez, a pretensa quadrilha conseguirá, finalmente, cometer um crime? E se conseguir, será mesmo que os bandidos vão sair impunes?

De certo modo, quem está aplicando um “golpe” é papai, com seu hábito de espalhar pistas falsas e apresentar situações que não são o que parecem ser. Seja como for, esta história serve como uma ferramenta educacional, ensinando o leitor a reconhecer o conto do vigário para que tenha uma chance de não cair nele, caso se veja na mesma situação no futuro.

E sim, os vilões vão se dar mal no final, como não poderia deixar de ser. O problema é que, como eu já disse no passado, “para cada idiota que se faz de monstro, existe um monstro que se faz de idiota”. Quem ler, verá.

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Um Mago Tantã

História das Bruxas, de 1975.

Trata-se de mais uma tentativa de roubar a moedinha número um, é claro, e esta é realmente caprichada. Mas, como sempre, um pequeno erro de execução leva a um resultado inesperado logo de saída e à necessidade de improvisar, o que colocará tudo a perder para as vilãs.

O “plano perfeito com erros de execução” é algo que também acontece muito com os Irmãos Metralha, aliás. E é assim também na vida de muita gente: é fácil sonhar e planejar, mas colocar em prática são outros quinhentos. E olhem que as palavras mágicas usadas são realmente uma invocação de antigos mistérios (ou, pelo menos, a primeira delas).

Mas talvez por isso mesmo, e pela força de uma magia real e milenar como a Cabala, o resultado não poderia favorecer às bruxas. Afinal, nas histórias em quadrinhos, a magia é como os computadores: faz o que você manda, não o que você quer. A invocação de uma força do bem não pode resultar em um efeito do mal.

O interessante é que os poderes do Mago Tantã, que acaba de se formar com nota 10 em um curso de magia branca, são perfeitamente prodigiosos: ele consegue voar sem vassoura, e tem um poder de concentração absurdo. Por alguns quadrinhos realmente parece que, desta vez, com a ajuda dele (que está sendo usado como inocente útil, aliás), nada conseguirá impedir as duas malvadas de conseguir o que querem, o que só demonstra o quanto a magia branca é realmente muito mais poderosa do que a magia negra.

E esse é o erro das bruxas más: se elas se dedicassem a usar seus grandes poderes somente para o bem, provavelmente já teriam conseguido o poder mágico e a riqueza material que tanto desejam, sem precisar roubar o amuleto dos outros.

Fica a dica, criançada. 😉

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A Nova Investida Dos Metralhas

História dos Metralhas, de 1975.

Esta é outra daquelas preciosidades que foram inexplicavelmente publicadas uma vez só. O plano é roubar a Caixa Forte do Patinhas (o que mais poderia ser?) mas os vilões acabam se atrapalhando tanto que vão presos (obviamente, como não poderia deixar de ser) quase sem dar trabalho à polícia e sem nem ao menos conseguir chegar perto de seu alvo.

O desencontro entre as duas partes do bando, uma chefiada pelo Intelectual, que já está esperando perto da fortaleza, e a do Vovô, que está levando a dinamite e o detonador até lá, é algo que acontecia bastante nos tempos antes da invenção do telefone celular.

E, para aumentar a confusão, temos um agravante: hoje o Vovô, que já está meio gagá e às vezes (na maior parte do tempo, na verdade) se comporta como uma criança, está com uma hilária fixação por máquinas de chiclete.

Ele começa comprando os doces com uma moeda, como qualquer pessoa, mas ao receber somente duas bolinhas se frustra e começa a roubar, em um crescente de “violência”. A primeira máquina libera as guloseimas após levar uma mera chacoalhada, mas à medida em que elas vão ficando mais “teimosas” (há várias, espalhadas pelas esquinas das redondezas) o Vovô também vai “sofisticando” os seus métodos. Só que isso não quer dizer, é claro, que os resultados serão os esperados.

Papai tinha uma teoria de que, quanto mais velha uma pessoa vai se tornando, mais “criança” ela vai ficando. A coisa começa com pequenos esquecimentos e manias bobas, depois a pessoa vai ficando frágil, em seguida pode perder o controle sobre certas funções corporais, etc. Se ficar velha o suficiente, corre o risco de ficar tão dependente como um bebê. (O que não é, exatamente, um prospecto lá muito desejável, mas assim é a vida.)

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Reunião Anual Dos Metralhas

História da Família Metralha, de 1975.

A sorte dos Metralhas é que o Superpateta costuma ser mais “pateta” do que “super”, na maior parte do tempo, o que dá a eles algum espaço para manobras. O azar deles é que, mais cedo ou mais tarde, os dois neurônios do herói acabam chegando a um acordo.

Hoje os malfeitores têm uma ideia para sair às ruas sem despertar a suspeita do Super, mas não têm um plano definido. Se, mesmo com um plano pensado nos mínimos detalhes eles conseguem fazer confusão, imagine só a bagunça causada por um “arrastão” a esmo de roubos do tipo “pé-de-chinelo”.

Além disso, papai também nos apresenta mais uma das festividades oficiais do calendário anual de Patópolis: a “Grande Festa”. Marcada por fantasias, desfiles em blocos, pandeiros e tambores, ela se assemelha bastante ao Carnaval. Assim, temos mais uma festa além do Natal (que não poderia faltar), o desfile do Dia do Aniversário da Cidade, e o dia do “Adivinhe quem vem para jantar” (uma espécie de Dia de Ação de Graças).

Interessante é a “participação especial” do Sr. X e sua quadrilha, em um quadrinho apenas. Seria muito fácil colocar meros figurantes desconhecidos para fazer este papel mas, convenhamos, é muito mais engraçado quando eles são conhecidos do leitor. E ainda mais se também forem bandidos. “Parece” que esse bairro não é lá muito bem frequentado.

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O Jeito É “Dar Chapéu”

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

Inspirada nos melhores romances policiais de Agatha Christie, esta história é milimetricamente calculada para dar um baita chapéu também no leitor. Principalmente no leitor. Só mesmo quem passou anos lendo com atenção as histórias de papai vai conseguir decifrar esta de primeira.

Trata-se de mais um embate “do século” entre os metralhas francamente criminosos e os supostamente regenerados Sherlock e Doutor Metralha. A guerra de inteligências será, como sempre, terrível, com reviravoltas constantes. Algumas delas bastante inesperadas.

Mas comecemos do começo:

Logo no primeiro quadrinho temos a menção do “endereço” dos metralhas: “Rua que Sobe e Desce, Número que Não Aparece”. Esta é uma velha brincadeira para significar um endereço genérico ou não sabido. Poderia ficar em qualquer lugar, e ao mesmo tempo não fica em lugar algum. Já no nosso caso, fica em Patópolis.

O endereço do Sherlock Metralha, obviamente, é inspirado no do Sherlock Holmes: “Sobreloja da Rua do Beco, número 17-B”. E se o Sherlock Metralha se inspira no xará britânico, o Doutor Metralha é fã de Agatha Christie e se identifica com Hercule Poirot.

A expressão “dar chapéu”, no título, é tomada do jargão do futebol e significa um tipo de drible. Além disso, sempre que há referência a chapéus em histórias de meu pai é bom lembrar outro velho ditado que ele citava sempre: “(tal coisa) é como comprar um chapéu – ou vai de embrulho, ou fica na mão ou leva na cabeça”. Ou seja, é uma situação que não pode acabar bem.

O nome do diamante a ser roubado, Kuly-Náryo, é inspirado no do Diamante Cullinan, um dos maiores e mais famosos do mundo.

Mas o mais interessante de tudo, e que vai colocar a pulga atrás da orelha do leitor atento para pular loucamente é a guinada na trama que começa quando o Sherlock telefonar ao Inspetor Joca para denunciar o plano maléfico:

Se o Intelectual está preso, então alguém está se fazendo passar por ele. Mas, quem?? É neste momento que papai nos apresenta mais um Metralha obscuro. Tão obscuro, na verdade, que aparentemente só aparece nesta história. Em todo caso, mais do que considerá-lo uma criação de papai, eu não posso deixar de notar uma grande semelhança do “Veterano 002”, como é visto aqui, com algumas versões estrangeiras (principalmente italianas) de ninguém menos que o Vovô Metralha. É papai, mais uma vez, resgatando personagens e “dando um alô” (ou um chapéu, como queiram) na direção de Carl Barks, sua grande inspiração.

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A Volta De Sherlock Metralha

Esta história dos Irmãos Metralha, de 1976 é, nada mais, nada menos, o que o “embate do século”, ou um confronto de dois gênios: o “Gênio do Bem”, representado pelo Xerloque Metralha, e o “Gênio do Mal”, na pessoa do Metralha Intelectual.

A questão é que o Metralha regenerado e seu primo bandido se conhecem tão bem, mas tão bem, que cada um dos dois é capaz de adivinhar o que o outro vai fazer. Eles sabem prever, inclusive, quando o outro mudará de planos para tentar despistar. Assim, não adianta o que os Metralhas façam, o Xerloque está sempre um passo à frente.

O plano de hoje é tentar roubar um quadro famoso e valioso, chamado “A Irmã Elisa”, que é, obviamente, uma paródia da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci. O método é um dos mais comuns quando se fala em roubo de arte: dar um jeito de burlar a segurança, e depois trocar a tela original por uma cópia.

Esse tipo de desonestidade é mais comum do que parece, e o mundo da arte sempre esteve cheio de falsários talentosos. O mais famoso da atualidade parece ser Wolfgang Beltracchi, que já esteve preso por produzir obras ao estilo de grandes mestres como Picasso, Gauguin e Monet. Hoje regenerado, ele continua brincando com os estilos de pintores famosos em seus quadros, desta vez assinados com seu próprio nome.

Outro falsário regenerado, Edward Hopper, além de tudo dá aulas de pintura no estilo dos grandes mestres. Uma seleção de videoaulas pode ser vista aqui.

E por falar em “regenerado”, o Xerloque Metralha e seu ajudante, o Doutor Metralha, conseguem atrapalhar o plano dos outros Metralhas com o mesmo método da falsificação e juram que já não são mais bandidos. Mas será que é mesmo verdade?

Por fim, temos hoje uma piada e homenagem interna: a julgar pelos exemplares de revistas do personagem “Satanésio” na banca de jornais, o sonolento jornaleiro desta história é uma caricatura do quadrinista Ruy Perotti, que na época era chefe de papai na Editora Abril.

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A Quadrilha Fantasma

História do Morcego Vermelho, de 1975.

Grande inimiga do maior herói de todos os tempos, aquele a quem todos esperavam, a Quadrilha Fantasma foi criada por papai na mesma época da criação do Morcego e usada somente por ele em exatas duas histórias: esta, que comento hoje, e uma anterior, chamada “A Volta do Morcego Vermelho” e já comentada aqui.

Outro personagem criado por papai para participar das histórias do Morcego Vermelho é o Ratchinho, uma simpática ratazana que, com o tempo, acaba ganhando até asinhas. Mas, até agora, o único que entende o que seu ajudante está tentando dizer é mesmo o Professor Pardal.

(E falando nele…) A caçada à Quadrilha Fantasma não será fácil, ainda mais porque desta vez seus membros contam com a ajuda do terrível Dr. Estigma. Este gênio do mal parece ter pensado em tudo ao compor o seu plano maléfico, no esforço de não dar chance ao herói.

Sabendo que o herói é somente um pato fantasiado sem as invenções do Pardal, ele sabota os equipamentos-morcego e sequestra o próprio Professor, que é a única pessoa que poderia consertá-los.

E agora? Será este o fim do Morcego Vermelho? Conseguirá o herói levar a melhor sobre os bandidos mesmo sem seus prodigiosos aparelhos? Ou será que ele encontrará uma saída? O Peninha é abilolado e atrapalhado, mas não é burro, muito pelo contrário: ele é criativo e inteligente.

Interessante é a participação especial do Horácio, eterno namorado da Clarabela, primeiro como vítima de um assalto e, em seguida, como a testemunha que ajuda a polícia com valiosas informações em primeira mão.

O toque final da história também é bem legal. O “pulo do gato” é que, hoje, o herói contará com dois ajudantes, e não apenas um. Isso valerá ao Lampadinha até mesmo o direito de usar uma pequena fantasia-morcego, em reconhecimento.

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