A Noite Dos Bruxinhos

História de Huguinho, Zezinho e Luisinho, de 1980.

A inspiração vem de uma história de Carl Barks de 1952. Dela papai usou o Dia das Bruxas, as fantasias dos patinhos e a participação da Bruxa Vanda com sua vassoura pensante, a Jezebel.

Para deixar clara a referência, ele usou inclusive um título parecido com o da história de Barks. Mas as semelhanças param por aí. Desta vez não há conflito com o Pato Donald, muito pelo contrário. O conflito será, aliás, completamente indireto, e essa é a principal diferença e o ponto forte desta história.

Fantasiados, os meninos nem estão pedindo doces ou donativos para si mesmos, mas sim para uma festa beneficente dos Escoteiros que, curiosamente, já está prestes a começar. (Papai não explica, mas seria interessante saber que despesa tão urgente é essa que força os garotos a arrecadarem dinheiro assim tão de última hora.)

O interessante é que o Luisinho até chega a ver os bruxinhos que são os vilões da história voando em suas vassouras várias vezes, mas não terá certeza e não haverá nenhum contato direto entre eles. Nem mesmo a Bruxa Vanda, companheira da aventura anterior, eles verão, desta vez.

Somente o Tio Patinhas chega a ver os dois conjuntos de crianças fantasiadas, já que os bruxinhos aproveitam a passagem dos meninos pela Caixa Forte para assumir a aparência deles, enganar o velho pato e assim entrar na fortaleza eles também.

Mas este não é o tema principal da história. É só o “gancho” que vai possibilitar a intervenção da Vanda e a punição dos bruxinhos. O tema da história não é o relacionamento dos meninos com o Donald, que mal participa da coisa toda. Não é exatamente o relacionamento dos patinhos com o tio rico (que hoje aliás está especialmente generoso, coisa rara, mas o tema também não é esse.) E certamente não é a festa beneficente dos Escoteiros.

O tema da história é puramente o Dia das Bruxas, e aquele tipo de magia que está constantemente à nossa volta mas que nós, materialistas e sobrecarregados com as tarefas do dia a dia, simplesmente não conseguimos ver.

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A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Também na Amazon, estou lançando um novo projeto: o Sebo Saidenberg, no qual inicialmente estou disponibilizando alguns dos livros de minha coleção particular que podem ser interessantes aos amigos, incluindo alguns poucos exemplares da biografia que estão comigo, e que seguirão autografados a quem os comprar diretamente do meu sebo.

Vassoura Ao Molho Pardo

História das bruxas, escrita e publicada em 1974.

Esta é mais uma daquelas histórias geniais que foram, sabe-se lá por quê, publicadas no Brasil uma única vez. Isso é uma pena, mais gente deveria ter a oportunidade de ler esta pequena joia.

A trama se baseia, todinha, desde o início e até o final, em sutilezas. Toda a discussão entre as bruxas na segunda página é cuidadosamente composta para fazer com que as duas percam a aposta. Pois é, isso é possível.

O plano é muito bem bolado, como todos os planos de papai para seus bandidos, e o uso liberal de magia certamente é uma vantagem para eles. Mas, como sempre, haverá uma falha fundamental. Falha essa que, hoje, tem mais a ver com o fato de que não existe honra entre ladrões – e bruxas, também – (não vamos nos esquecer que todos os personagens principais são vilões) do que com qualquer outro fator.

A referência a “molho pardo”, como eu já mencionei neste blog, se dá porque este era o prato mais repugnante que papai conhecia. É a punição suprema às bruxas.

Já os Metralhas, desta vez, vão ficar sem uma punição mais séria porque eles afinal foram, para todos os efeitos, sequestrados e usados pelas bruxas para um plano que nem era deles.

Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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O Presidente Das Bruxas

História das bruxas, de 1975.

Que não há honra entre ladrões, nós já sabemos. O que vamos aprender hoje é que, ao que parece, também não há honra entre as bruxas. Mas o pior, nós veremos, acontece quando misturamos bruxas com ladrões.

A Madame Min teve a ideia de fundar um Clube das Bruxas. A sede do clube, onde acontece a primeira reunião, fica na casa da Madame Min. Mas, mesmo assim, a Min não se sagrará presidente do clube sem antes haver muita discussão.

Para piorar, o Mancha Negra chega de repente e acaba se aproveitando da situação (e da paixonite que a Min tem por ele) para usurpar a presidência do clube e obrigar as bruxas a participarem de assaltos a joalherias. Elas podem até ser más, mas não são ladras, e isso acabará sendo a ruína do Mancha.

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Em meio ao androcentrismo da maioria das histórias Disney da época, que às vezes chegava às raias do machismo (essa era a cultura daqueles tempos, infelizmente), esta pode ser considerada até mesmo uma fábula “feminística”: é isso o que acontece quando as mulheres se desunem e dão um poder que deveria ser só delas ao homem errado. Afinal, nem mesmo bruxo ele é. Somente unidas elas poderão reverter a situação e usar as caprichosas “leis da magia” para destituir o “presidento”.

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O interessante, novamente, é ver a velha e boa intuição de papai em ação no comentário sobre se ter “um maluco” como presidente. Como sempre, ele estava 30 ou 40 anos à frente de seu tempo.

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O Bruxo

História do Inspetor Vivaldo, publicada pela Editora Abril na revista A Pantera Cor de Rosa número 15, em setembro de 1976.

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Composta em agosto de 1975, a história foge um pouco do estilo policial, e rapidamente envereda pelos domínios dos bruxos e da magia. Ao que parece, a maneira mais fácil de se lidar com um personagem comercial com o qual não se tem muita prática (já que foram poucas as histórias da turma da Pantera Cor de Rosa que papai escreveu) é combiná-lo com algum tema “coringa” com o qual já se tenha alguma intimidade.

Assim, todos os clichês se aplicam: há a perseguição policial ao bandido, que é também um bruxo, transformações em sapo (com a inescapável visita ao brejo), a casinha feita de doces da história de João e Maria, abóboras e maçãs envenenadas.

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Mas o mais importante é o desafio de como prender um bruxo sem usar magia, que revela toda a coragem, astúcia e habilidade dos heróis.

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Os Espiões Que Entraram Em Fria

História do Zé Carioca, de 1975.

Trata-se de mais um “encontro” de “turmas” diferentes, ainda que os integrantes desses dois universos mal se encontrem.

A Maga Patalójika resolve se mudar do Vesúvio para o Rio de Janeiro (com casa e tudo, diga-se de passagem), mas não consegue despistar os dois detetives (criados em 1963 por Carl Barks) que o Tio Patinhas contratou para vigiá-la. Esta é, aliás, a primeira história brasileira na qual esses dois aparecem. A segunda (e última) história nacional na qual eles são usados data de 1981, mas não é de papai.

Enquanto isso, a Rosinha cismou que o Zé precisa arrumar um emprego imediatamente. Isso, é claro, vai acabar levando a uma situação na qual ele e o Nestor vão substituir os detetives por algum tempo, mesmo sem saber a quem estão vigiando, nem quem é o “patrão” que está pagando pelo serviço. O mais importante, aqui, é “mostrar serviço” para a Rosinha, só isso.

O título da história é uma alusão ao filme de 1965 de nome “O Espião Que Saiu do Frio”, inspirado no livro homônimo de 1963. Além disso é também uma referência aos poderes da Maga, que costuma conjurar tempestades e nevascas quando quer atacar “discretamente” a quem a incomoda.

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Por fim, o detalhe interessante é o curioso telefone sem fio dentro da maleta, um “futurismo retrô” que me parece ser também coisa do Barks mas que, como bons brasileiros trabalhando para uma grande empresa, o Zé e o Nestor vão usar para fins pessoais.

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O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

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A Bola Maravilhosa

História do Gordo, publicada pela Editora Abril na revista O Gordo número 2 em 1987.

O personagem principal, menino ruim de bola, encontra uma bola “diferentona” no meio da rua e resolve ficar com ela. O resultado é que, misteriosamente, ao jogar com ela, ele repentinamente vira um craque.

A coisa toda lembra um pouco outro perna de pau das histórias em quadrinhos, o Zé Carioca, e uma história de 1972 chamada “O Craque”, onde o papagaio verde usa chuteiras tecnológicas para se dar bem em campo.

Como sabemos, nos quadrinhos a tecnologia e a magia são intercambiáveis, com resultados semelhantes. Assim, o objeto maravilhoso da vez será justamente a bola em si, que é na verdade um menino transformado por uma bruxa malvada. A primeira pista que papai dá ao leitor atento de que esta não é uma bola comum é a “reação” do objeto ao ser recolhido.

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Esta também lembra um pouco outra história do Zé, chamada “A Copa do Morro é Nossa”, de 1978, na continuação com o jogo contra a turma do Jarbas, no qual há toda uma negociação sobre as regras e a bola a ser usada, e também tem elementos de contos de fadas, na própria bola enfeitiçada e no método usado para desfazer o encanto.

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