Vassoura Ao Molho Pardo

História das bruxas, escrita e publicada em 1974.

Esta é mais uma daquelas histórias geniais que foram, sabe-se lá por quê, publicadas no Brasil uma única vez. Isso é uma pena, mais gente deveria ter a oportunidade de ler esta pequena joia.

A trama se baseia, todinha, desde o início e até o final, em sutilezas. Toda a discussão entre as bruxas na segunda página é cuidadosamente composta para fazer com que as duas percam a aposta. Pois é, isso é possível.

O plano é muito bem bolado, como todos os planos de papai para seus bandidos, e o uso liberal de magia certamente é uma vantagem para eles. Mas, como sempre, haverá uma falha fundamental. Falha essa que, hoje, tem mais a ver com o fato de que não existe honra entre ladrões – e bruxas, também – (não vamos nos esquecer que todos os personagens principais são vilões) do que com qualquer outro fator.

A referência a “molho pardo”, como eu já mencionei neste blog, se dá porque este era o prato mais repugnante que papai conhecia. É a punição suprema às bruxas.

Já os Metralhas, desta vez, vão ficar sem uma punição mais séria porque eles afinal foram, para todos os efeitos, sequestrados e usados pelas bruxas para um plano que nem era deles.

Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

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A Vassoura Doida Varrida

História da Maga Patalójika, de 1978.

O título é uma associação de ideias entre o conceito de vassouras e a expressão “doido varrido“. Essa é uma daquelas expressões que usamos há tanto tempo (mais precisamente, desde os tempos do “Santo Ofício” – ou Inquisição, mesmo – no Brasil) que até já esquecemos o porquê, ou o que quer dizer exatamente. Mais precisamente, “varrido do juízo” é alguém cuja sanidade parece ter se esfarelado e sido removida, como que por uma vassoura ou ventania.

Assim, temos aqui uma vassoura mecânica “muito louca” criada pelo Bruxinho Peralta e “envenenada” (hoje em dia se diz “tunado”) como se fosse um carro ou uma motocicleta. A diferença é que aqui o “veneno” vem de poções de plantas venenosas, como na história “A Corrida de Vassouras” já comentada neste blog. Aliás, a intenção hoje é a mesma: ter algo poderoso com o qual participar da corrida de vassouras da grande gincana de Bruxópolis e vencê-la, de preferência.

O problema começa quando o bruxinho se choca em pleno ar com a Maga durante o voo de testes. Para não virar sapo, ele faz para ela uma vassoura a jato igual à dele, que ela vai usar, obviamente, para ir à Caixa Forte e tentar roubar a Moedinha Número Um pela enésima vez. É claro que, como sempre, o plano que parece infalível será frustrado. O interessante será ver exatamente como.

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E no final papai ainda consegue devolver a trama à gincana de Bruxópolis, com um final inusitado. Afinal, depois de tantas peraltagens, troças e trapaças, seria impensável que o Peralta tivesse permissão para vencer a corrida de vassouras.

(E por falar no Peralta, sou só eu ou a JK Rowling andou lendo quadrinhos Disney quando criança? Ou isso, ou então é realmente muito fácil imaginar vassouras “modernosas” e associá-las aos carros, por exemplo. Agora, a autora que me perdoe, mas a “mala cheia de monstros” da trama de “Animais Fantásticos” é uma coisa que foi criada juntamente com o Bruxinho Peralta nos EUA em 1964, desenhada pela primeira vez por Tony Strobl e muito usada por papai nos anos 1970/80. É óbvio que não é impossível que ela tenha chegado a essa noção por esforço de imaginação próprio, mas que é curioso, isso lá é.)

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A Moeda Número Um Do Patinhas Não É Minha

História da Maga Patalójika, de 1978.

A base para esta história é uma reflexão sobre o significado e a psicologia dos amuletos e talismãs em geral: afinal de contas, esses objetos têm e irradiam poderes mágicos por si sós, ou somos nós que projetamos neles os nossos anseios, em mais um caso de “profecia auto-realizável”?

É isto que vamos investigar hoje enquanto o Patinhas está às voltas com a Maga, que veio atrás dele para tentar roubar sua moeda número um. A bruxa joga sujo e acaba bestificando o quaquilionário. Mas, apesar de tudo, não consegue encontrar a moeda de maneira nenhuma. Não está na maleta, nem nos bolsos, e muito menos escondida dentro do guarda-chuva. É sabido que o pato não se separa dela por muito tempo. Sendo assim, ela precisa estar por perto, mas, onde?

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Com o Patinhas desmaiado em uma cama, o Donald é convocado a comandar o império comercial do tio em seu lugar. É aí que a influência mágica da moedinha começa a se manifestar: a cada vez que ele sai de casa para ir à Caixa Forte, os negócios começam a ir desastrosamente mal. Quando ele volta para casa, em estado de choque, as coisas se resolvem quase por si sós. Diante da situação os patos, que no início estavam bastante céticos quanto ao amuleto, começam até a acreditar nos poderes da moeda e concluem que ela só pode estar dentro da casa.

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O pato muquirana tem por certo que a moeda dá sorte. Afinal, foi ele quem criou a coisa toda. A Maga tem mais do que certeza de que o objeto é mágico, a ponto de não poupar esforços para tentar roubá-lo. O leitor já viu inúmeras provas dos poderes do amuleto. Mas o desfecho da trama faz com que os sobrinhos continuem na dúvida, para a diversão do leitor.

Já o título da história é inspirado em uma canção de Caetano Veloso chamada “Superbacana“, que faz alusão a vários heróis dos quadrinhos, do Super Homem ao Superpateta.

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A Noite Dos Zumbis

História do Zé Carioca, de 1979.

Muito antes de The Walking Dead, e seguindo uma já então longa tradição de histórias de terror cinematográficas que vinha desde 1932, papai também abordava o tema.

Depois de um longo e cansativo dia procurando (e não achando) emprego, o Zé se vê às voltas com uma moedinha aparentemente sem valor e com acontecimentos muito estranhos envolvendo a turma da Vila Xurupita durante a noite.

A história é uma referência ao filme “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1968, e sua sequência de 1978 (que provavelmente foi o estopim desta história), mas o método de “zumbização” dos amigos do Zé está mais para os antigos filmes de Bela Lugosi dos anos 1930, com uma sugestão hipnótica tomando o lugar da poção maléfica.

Papai faz questão de confundir o leitor ao máximo, deixando-o “no escuro” para criar a maior sensação de “terror” possível em uma história Disney, a começar pela moedinha que vai parar nas mãos do Papagaio, uma pataca antiga que é estranhamente parecida com a moeda-talismã de um certo pato quaquilionário de Patópolis. Será a Número Um?

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Apesar de tudo, não é feita nenhuma menção ao velho Patinhas. Se for mesmo a Número Um, não fica explicado como ela acabou indo parar tão longe da cidade dos patos. Também não há pista nenhuma de como ela voltará ao seu dono original. Na história de hoje, ela é o talismã do Bruxinho Peralta, que pela primeira vez não é tão vilão assim e só está tentando reaver o que é (aparentemente) seu. O fato é que a turma do Rio de Janeiro, muito por acaso, foi pega de surpresa no meio de um “tiroteio” mágico, uma guerra entre bruxos.

As aparições do Pedrão e do Nestor como zumbis são verdadeiramente impagáveis, e certamente fazem a confusão toda valer a pena, pelo menos do ponto de vista do leitor.

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Os Minimetralhas

História da Maga Patalójika, de 1977.

Esta é uma daquelas histórias que papai mais gostava de fazer, nas quais o final é exatamente igual ao início. Existem, aliás, duas histórias de papai com o mesmo nome. (Esta, com 11 páginas, de 1977, e outra, com 9 páginas, publicada em 1981.) Pode-se considerar que são variações sobre um mesmo tema. Talvez seja por isso que o pessoal do Inducks ainda não deu os créditos por esta, mas basta verificar com atenção a lista de trabalho para ver que são duas histórias distintas.

A vasta fortuna do Tio Patinhas, toda ela amontoada em uma “cesta” só, é o maior chamariz para todos os bandidos de Patópolis. E os principais, dentre esses bandidos todos, são certamente os Metralhas e a Maga Patalójika.

Quando as regras da bandidagem (como o famoso ditado “não há honra entre ladrões”) e as da magia convergem, tudo pode acontecer. Mas, é claro, nenhum dos vilões vai se dar bem, apesar de um aparente sucesso inicial.

Maga Metralhas

O plano maléfico da vez até que é bom, mas os Metralhas põem tudo a perder por um descuido bobo, um erro crasso. E a sensação de vazio no estômago por fome vai ter um papel central nisso. Nada, em uma história de meu pai, ficava “solto” na trama. Se ele colocava alguma coisa no papel, era certamente para usar como elemento na solução da coisa toda, por menor e menos importante que pudesse parecer. E, frequentemente, por isso mesmo.

Quem conhece os personagens, e especialmente a Maga, quase sente pena dos Metralhas nas mãos dela. Mas quase, só quase. Enquanto isso, o Tio Patinhas e o Donald não são bobos, e sabem muito bem que não se deve ignorar acontecimentos estranhos, por menores que sejam.

Maga Metralhas1

Puxando um pouco para uma referência do mundo real, é preciso dizer que o polimento de moedas antigas, especialmente as de coleção, é uma controvérsia entre numismatas, apesar de ser algo que o Patinhas faça todo dia com a sua mais querida moedinha.

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Os Sete Signos Mágicos

História das bruxas Maga e Min, de 1976.

Quando a Maga Patalójika não está às voltas com tentativas de roubar a moedinha número um do Patinhas, ela está procurando por outros amuletos que possam substituí-la, ou ajudá-la a conseguir a moedinha. É uma ideia fixa, uma mania da bruxa.

Este é um duelo de magia dos grandes, quase uma guerra total, para ninguém mesmo botar defeito. Mas, como papai indica logo na primeira página e, aliás, não poderia deixar de ser, mais este plano maligno também está fadado ao fracasso por um motivo bastante óbvio.

Maga signos

A biblioteca (da Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas) de Bruxópolis é um lugar deveras curioso, com prateleiras para “livros embolorados”, “autores desconhecidos”, “autores que não vêm ao caso” (o que poderia ser pior do que um autor desconhecido, senão um cujo nome nem vale a pena citar? Seria este um protesto contra o “anonimato” imposto aos autores das histórias Disney na época?), “livros empoeirados”, “livros indecifráveis” (como o Manuscrito Voynich) e “livros inacabados”.

A viagem é difícil e a busca pelos sete signos mágicos é perigosa, mas as bruxas são poderosas e conseguem derrotar facilmente o Pássaro Roca (da história de Simbad, o Marujo), e um dragão que cospe fogo. Mas derrotar a bruxa rival em si vão ser outros quinhentos, é claro, mesmo usando todas as palavras mágicas em seu repertório. A aventura toda é, de fato, tão movimentada e cheia de reviravoltas que o leitor até se esquece do “pequeno detalhe” do início.

As bruxas de lado a lado usam também várias ferramentas místicas do mundo real, como a “forquilha mágica”, usada em radiestesia para procurar por água e metais preciosos, e a “bacia mágica”, que é algo que John Dee e Nostradamus usavam em suas previsões e investigações ocultas.

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