Tiôô! Eu Quero Ir Pra Escola!

História do Biquinho, de 1984.

O Peninha sempre foi adepto do empreendedorismo, abrindo todo tipo de negócio a cada vez que é despedido do Jornal A Patada. O fato de nenhum desses empreendimentos ter durado muito tempo, por vários motivos, só serve para tornar a coisa mais engraçada.

Em outros tempos, como em “Sauna, Suor e Lágrimas”, o pestinha que faria tudo ir por água abaixo seria o gato Ronrom, animal de estimação do Donald. Mas após a criação do Biquinho o gato perdeu seu posto de “terror do Peninha” para o patinho, que demonstrou ser muito mais terrível do que o próprio felino. (Quem diria que o Ronrom um dia teria um rival à sua altura e levaria o “troco” por todas as peraltagens. Não que isso tenha feito alguma diferença para o Peninha, é claro.)

Papai dizia que demorou um pouco para se acostumar com essa coisa toda de ir à escola. Chorou muito em seu primeiro dia de aula e resistiu o quanto pode, no caminho para lá, na tentativa de se safar da obrigação, mas é claro que não conseguiu.

O Biquinho, muito pelo contrário, sempre quis justamente ir para a escola, apesar de ser novo demais para isso (ou justamente por causa disso). Mas esse interesse todo pela escola não é exatamente por causa das aulas, diga-se de passagem, e nisso talvez o patinho amarelinho tenha sido até mais esperto do que seu criador.

Já a visão de papai sobre o que pode acontecer quando um professor deixa a classe sozinha, nem que seja por um minuto, me parece bastante acertada. Isso só vem para mostrar, aliás, que o Biquinho não é nem mais, nem menos pestinha que seus coleguinhas. Ele é apenas uma criança normal e cheia de energia como qualquer outra de sua idade. Mas é claro que isso não torna o trabalho dos adultos de criar e educar mais fácil.

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A Invasão Dos Piratas

Este é o segundo episódio da História de Patópolis, de 1982.

O herói é um antepassado do Zé Carioca, que em 1789 chega à cidade no navio do “pirata do Caribe” El Borrón, antepassado do Mancha Negra.

O nome “Zé Cariboca” é uma brincadeira com o “Carioca” do Zé do presente: se carioca é como se chama uma pessoa do Rio de Janeiro, “cariboca” deve ser alguém que vem do Caribe. Mas logo no primeiro quadrinho temos um equívoco, talvez do letrista: onde o Prof. Ludovico fala “Carioca”, leia-se “Cariboca”, é claro.

A história, como todas as outras, gira em torno da então Vila de Patópolis e dos esforços de seus habitantes fundadores para consolidar o assentamento e fazer a cidade prosperar contra todas as adversidades. Além disso aqui, também, a “Pedra do Jogo da Velha” terá um papel central na trama: o Zé Cariboca, apaixonado por uma ancestral da Rosinha, a usa para afastar os piratas da Vila com promessas de que ela seria um mapa para tesouros de ouro e prata.

A localização exata de Patópolis, como sempre, não fica clara: papai seguia a linha criativa de Carl Barks, e considerava que ela fica em algum lugar no Hemisfério Norte, nos EUA. Mas o pessoal da Editora Abril queria que se passasse a impressão de a cidade fica no Brasil, para que o leitor brasileiro pudesse se identificar mais facilmente. O fato é que, pela localização do Caribe a meio caminho entre Brasil e EUA, os piratas teriam igual facilidade em atacar ambos. Em todo caso, as roupas dos antigos patopolenses, a arquitetura das casas e a aparência dos índios são, todas elas, típicas da parte Norte do planeta.

Interessante é a placa que aponta para “Patópolis a 1500 Km”. Ora, nós sabemos que o Zé carioca vem do Rio de Janeiro, e sabemos onde a cidade fica. Assim, de duas, uma: ou consideramos que Patópolis fica a 1500 Km de lá, ou que o Zé já estava “a meio caminho” de Patópolis ao passar pela placa. Assim sendo, a essa distância do Rio temos algumas referências interessantes: se formos para o Norte, estaremos passando por algum lugar ao Sul de Salvador, no litoral da Bahia.

Se formos para o Sul do Brasil, chegaremos em Tramandaí, no litoral do Rio Grande do Sul (já que Patópolis é sem dúvida uma cidade de praia). Mais interessantemente ainda, se voltarmos nossa atenção para o próprio mar, a 1500 Km do Rio na direção do mar aberto foi descoberto por geólogos um possível “continente submerso“. Seria Patópolis algum tipo de “Atlântida”? 😉 O certo é que o Zé precisou andar um bocado.

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As Lagartixas Raras

História do Urtigão, de 1975.

Ler mapas, decididamente, é uma arte. Entre uma demissão e outra do jornal “A Patada” Donald e Peninha arranjam outros empregos, com resultados frequentemente hilários.

Hoje eles irão se aventurar pela nobre arte e técnica da Agrimensura ou, pelo menos, tentar. O fato é que uma nova estrada está para ser aberta nos arredores de Patópolis e tudo indica que ela passará pelas terras do matuto Urtigão, de quem os dois patos da cidade morrem de medo, e não sem motivo.

Para a sorte dos primos, ele está de bom humor e os recebe de maneira hospitaleira. Mas eles tremem de pavor só em ver a espingarda do velho.

A desculpa que o Donald inventa é bastante tosca, afinal, o que pode haver de “raro” em uma lagartixa? Elas são bastante comuns no mundo todo, e muito úteis no controle de pestes silvestres e domésticas, como formigas, cupins, mariposas e baratas, insetos dos quais se alimentam.

Mas mesmo assim, uma breve busca na Internet nos revela alguns espécimes realmente exóticos, incluindo uma chamada “Draco Volans“, bichinho natural da Indonésia que lembra bastante as antigas lendas de enormes dragões que cospem fogo.

A graça da história fica por conta dos erros e mal-entendidos que vão se amontoando pelas páginas, para a diversão do leitor. O desfecho é tão surpreendente quanto hilário, mas o leitor atento, ao ver o mapa nas mãos do Peninha, já deveria ter desconfiado.

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O Novo Aprendiz De Feiticeiro

História do Peninha, de 1974.

Este é um interessante exercício de imaginação, uma variação sobre o tema do Aprendiz de Feiticeiro, com resultados surpreendentes.

Até mesmo o grande Feiticeiro está sujeito a errar uma palavra mágica ou duas (ou três ou quatro) de vez em quando, com resultados desastrosos. Essa, aliás, é outra das regras da magia dos quadrinhos: as palavras mágicas devem ser pronunciadas corretamente para que haja o efeito desejado. Palavra trocada, efeito trocado.

O interessante é que o Feiticeiro é muito valente enquanto pensa que está no controle da situação, e se dá ao luxo de tratar o Peninha bem mal enquanto o captura para servir de aprendiz.

Mas quando as coisas dão errado de novo e ele se vê sem seu livro de magias, ele se torna apenas um velhinho frágil vestido com roupas esquisitas. Já o Peninha, ao que parece, daria um aprendiz melhor do que o próprio Mickey, no final das contas. Pelo jeito, ter “um parafuso a menos” é uma vantagem, quando há magia envolvida.

Isso, aliás, é algo que papai trabalharia bastante com o Peninha ao longo dos anos: essa predominância do “lado direito do cérebro” que dá ao pato uma criatividade quase mágica, seja como quadrinista, publicitário, adivinho/vidente, ator, ou herói mascarado.

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Os Sobreviventes

História do Peninha, de 1977.

Esta não é a primeira nem a última vez que papai retrata o Peninha como piloto de aviões de pequeno porte, em especial monomotores de cabine aberta e movidos a hélice. Creio, inclusive, que esta é uma característica que acompanha o personagem desde sempre, juntamente com a preferência do pato abilolado pela motocicleta como veículo terrestre.

A coisa toda também é levemente inspirada em histórias reais de acidentes aéreos, como por exemplo o famoso Milagre dos Andes (ou Tragédia dos Andes) acontecido cinco anos antes, em 1972. Este caso, que foi tão trágico quanto espetacular, serviu como inspiração para vários livros e filmes, aliás.

Pilotar a aeronave que seja durante um forte nevoeiro ou tempestade não é, para dizer o mínimo, uma coisa segura, ou mesmo sensata, de se fazer. É por causa de condições atmosféricas como estas que muitos acidentes aéreos acontecem, como o retratado nesta história.

E é também verdade que é preciso ter muita perícia como piloto para transformar o que poderia ser uma queda feia e mortal em um pouso forçado. O pato é abilolado, é desastrado, é atrapalhado, mas também tem seus talentos e habilidades.

Sem saber exatamente onde estão e perdidos em um matagal no meio de uma tempestade, os dois primos lutam contra o frio e a chuva na tentativa de sobreviver até que o tempo melhore e eles possam finalmente pedir ajuda ou tentar sair dali.

Mas, é claro, também nesta história nem tudo é o que parece ser. A chave para a solução da trama está na estimativa do Peninha sobre a localização do avião. Afinal, “a última vez”, como medida de tempo, é algo bastante relativo.

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O Patinho Feio… Pra Burro!

História da Companhia Teatral Peninha, de 1977.

Esta é a última história da CTP contra o Pato Donald em si escrita por papai, que não está vinculada a outras linhas criativas como as Sátiras do Peninha, por exemplo.

Como em outras desta série, o conflito aqui é entre os primos pelo direito da CTP de ensaiar ou se apresentar na casa do Donald. Ao mesmo tempo em que tenta negar aos bagunceiros o acesso à sua propriedade, o pato patopolense sempre acaba persuadido a fazer o grande favor (e arcar com os prejuízos) de ceder o espaço, mesmo que seja na base da barra forçada e da chantagem emocional.

Da segunda metade da trama em diante, a coisa toda lembra bastante as brincadeiras de teatrinho que eu fazia naquela mesma época com meu irmão, primos e amiguinhos, sempre que tinha a oportunidade. Essas brincadeiras aconteciam inclusive nas casas de parentes, como a de um irmão de minha mãe, quando íamos visitar.

O interessante é que a companheira de brincadeiras na casa deste meu tio era a filha de uma vizinha, uma menina magrinha que sempre inventava um pretexto para “visitar” a geladeira como se isso fizesse parte da peça, como papai retrata aqui.

Por mais incrível que pareça, portanto, esta é uma obra de ficção baseada em fatos reais. (hehehe) E a bronca acima, pelo jeito, é provavelmente a que papai gostaria de ter ralhado comigo, se não tivesse rido tanto de mais esta pequena “arte” da filha querida.

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O Navio-Fantasma

História do Donald e do Peninha, de 1977.

Enviados pelo Tio Patinhas a uma localidade no litoral para um trabalho, os dois primos se vêm às voltas com o que parece ser um caso de aparição de fantasmas, completo com uma misteriosa caravela que aparece e desaparece aparentemente do nada.

Como sempre fazia quando compunha esse tipo de história, papai faz o mistério e o suspense aumentarem a cada quadrinho que se adiciona aos demais, mas também deixa pistas para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões, com uma série de silhuetas escuras à espreita pelos cantos (mesmo que nosso amigo leitor precise, talvez, de uma lente de aumento para perceber do que se trata).

Quem serão essas pessoas, e quais serão as intenções delas? Também como sempre, nada nem ninguém é o que parece ser, e é melhor que o leitor atento desconfie de tudo e de todos, porque tudo é muito misterioso e muito suspeito. Na verdade, nem mesmo a função dos repórteres de A Patada na trama é o que parece ser.

Uma pista bastante óbvia do que pode realmente estar acontecendo é a ausência do pato muquirana do escritório, quando o Donald finalmente consegue encontrar um telefone fixo para tentar falar com o tio. (Pois é, houve um tempo em que nem se sonhava com telefones celulares, e esse tipo de desencontro era algo muito comum.) Se o Patinhas não está onde deveria estar, então onde está ele?

É preciso não esquecer que, na literatura de mistério policial na qual esta história se insere e à qual faz homenagem, nada acontece por acaso e o vilão é geralmente o personagem que menos levanta suspeitas.

Papai tira sua inspiração não apenas das tramas clássicas de estilo policial, de suspense, de terror e de mistério, mas também das histórias de piratas e ilhas do tesouro, completas com mapas antigos e grandes pedras em forma de caveira.

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