Superpateta Versus Vespa Vermelha

História do Superpateta, de 1975.

Se o Pateta é um (bem, como dizer?) pateta na maior parte do tempo, a mesma lógica se aplica ao Superpateta. É certo que o super amendoim dá a ele uma série de poderes especiais, mas não anula a patetice, e há quem diga que até a aumenta.

O fato é que o “pateta” está, nesta história, em sua melhor forma. Ao que parece, os sintomas são uma memória fraca, uma certa confusão mental, e uma mente altamente sugestionável, mas também muito criativa.

SP VV

Ao contrário do nosso herói, o leitor atento logo perceberá que há algo muito errado com o suposto Vespa Vermelha, que de repente deu para sair por aí assaltando e pior, dá claras mostras de não conhecer o Tio Patinhas.

TP VV

No final, aprendemos que o poder de voar do Vespa Vermelha está nas asas de inseto de seu uniforme, e que esse herói tem sua base em Gansópolis, de onde o Falso Vespa roubou a roupa, indo em seguida para Patópolis.

Também aprendemos uma teoria alternativa para como se formam aquelas figuras que se vê nas nuvens, que na verdade é um curioso fenômeno do cérebro chamado pareidolia.

SP nuvem

O Grande Roubo Do Trem

Esta história dos Irmãos Metralha de 1975 é inspirada em eventos históricos como o famigerado assalto ao trem pagador, que aconteceu na Inglaterra em 1963, e no filme (mudo e em P&B) norte americano chamado “The Great Train Robbery”, de 1903.

O filme, aliás, tem apenas 12 minutos de duração, é um marco na história do cinema e pode ser visto na própria página da Wikipédia sobre ele. Esse filme já era uma perfeita antiguidade quando papai o viu pela primeira vez, certamente nos anos 1940, em alguma sala de cinema no interior do estado de São Paulo. Eu fico imaginando a diversão da criançada, já que o filme pretende ser sério, mas acaba sendo engraçado pela própria precariedade (e ousadia, diga-se de passagem) técnica.

Aqui temos a quadrilha Metralha, completa com o Vovô, a Titia, o Primo Cientista e o Azarado 1313, planejando o assalto a um trem de propriedade do Tio Patinhas, que leva toda semana uma carga misteriosa às minas de chumbo do… Tio Patinhas.

O problema dos assaltantes nem é tanto o planejamento, mas a execução do plano, que é cheia de falhas e esquecimentos. E de qualquer maneira, a mera presença do 1313 na história já indica que o plano vai dar espetacularmente errado, apesar de o Azarado só aparecer nas duas primeiras e na última página.

Mas a verdade é que o tema do assalto é só um pretexto de papai para colocar os Metralhas em todo tipo de encrenca, acidente e confusão. Maltratar esse bando de malvados incompetentes era, para ele, uma perfeita alegria.

metr trem

Zé Crusoé

Esta história de 1977 é muito livremente inspirada na história de Robinson Crusoé, o romance de Daniel Defoe de 1719.

Alguns dos detalhes originais estão certamente presentes, como o naufrágio, a ilhota deserta, as roupas improvisadas com materiais encontrados no local, tentativas de fazer fogo e outros clichês do gênero. Aliás, o próprio Zé Carioca menciona “o filme que ele viu” para o Nestor em vários momentos durante a história.

A aventura tem até momentos de suspense, quando nossos heróis percebem que não estão sozinhos na ilha. Para dois pássaros do morro carioca, a “natureza selvagem” da ilhota é certamente assustadora. Mas é claro que, tendo saído da costa num pequeno bote construído pelo próprio Zé (chamado, aliás, de “Zé I”), eles não podem estar assim tão longe, e são logo encontrados.

O detalhe curioso desta história fica por conta da cena de “nudez” dos nossos heróis entre as pedras da praia.

ZC Nu

 

Enfim, Um Assalto!

Nesta história de 1976 o Sr. X continua tentando se tornar o “Rei do Crime”.

Mas primeiro ele precisa conseguir praticar algum crime, já que ele e seu projeto de quadrilha nunca conseguem roubar uma galinha que seja.

Por isso mesmo, o Sr. X resolve “demitir” a pontapés os ajudantes X-1, X-2, X-3 e X-8 e tentar agir sozinho. O problema é que os demitidos têm a mesma ideia, e pior, resolvem por em prática o mesmo plano do ex-chefe, com algumas modificações.

A trama se baseia na divisão do bando e na confusão causada pela mudança que o X-8 faz nos planos do Sr. X, que resolve atacar no mesmo dia com o plano original. Os dois planos acabam se complementando, da maneira mais desastrosa possível para os candidatos a bandido, é claro.

O trocadilho/cacófato da vez fica por conta do bar onde os guardas do carro forte param todo dia para tomar café, o Bar Batana, e o detalhe dos uniformes também adiciona graça à história.

X8 escoteiros

Kung-Fu-Zão

Em 1976, inconformado de sempre apanhar dos bandidos, o Morcego Vermelho resolveu aprender alguma arte marcial para melhor (tentar) defender a cidade de Patópolis.

Relacionar o nome da arte marcial chinesa “Kung Fu” com “confusão” talvez não fosse uma coisa tão comum em 1976, mas atualmente todas as versões mais cômicas (ou menos sérias) de filmes de artes marciais apresentadas na TV do Brasil incluem o trocadilho no título.

Esse trocadilho deriva, também, de uma certa desconfiança que existe em nossa cultura ocidental dessas técnicas marciais, sempre cercadas de uma certa aura de mistério.

Hoje em dia, além disso, com a popularização do tal de “MMA” e a exploração comercial descarada das lutas pelas emissoras de TV, as artes marciais aparentemente se transformaram numa salada só. Salvam-se poucas.

Mas no tempo em que essa história foi escrita elas eram coisa séria, e qualquer curso de artes marciais era um projeto de longo prazo, com um treinamento lento e minucioso que não era de modo algum voltado para “técnicas de briga”, bem ao gosto oriental.

MOV kungfu

Isso, é claro, não agradava aos ocidentais mais afoitos (como o Peninha, em nosso caso), cujo objetivo, sempre imediatista, era “aprender a brigar” ou, no máximo “aprender a se defender”.

Daí o grande número de pessoas que tentavam “aprender sozinhos” ou “treinar em casa”, com resultados sempre desastrosos, em maior ou menor grau. Isso, quando não procuravam professores mais “moderninhos” e seus cursos menos tradicionalistas e mais rápidos.

O Peninha / Morcego Vermelho tenta todos os “atalhos” ocidentais, comete todos os erros mais comuns dos iniciantes afoitos e, é claro, continua apanhando. E a gente ri. 

Ajudante Desajustado

Em 1973, o Prof. Pardal está ocupadíssimo com uma encomenda de 10 mil mini robôs. Já o Lampadinha, seu fiel ajudante, não aguenta o cansaço e cai no sono no meio do serviço.

O problema começa quando o Pardal resolve construir um novo ajudante, chamado Lamparina, que então começa a querer competir com o Lampadinha no trabalho de “instrumentador” do inventor, inclusive recorrendo a trapaças, o que irrita o Lampadinha profundamente.

Como, exatamente, autômatos tão pequenos, que podem ser construídos em minutos com meia dúzia de refugos eletrônicos são capazes de comportamentos tão complexos, e com tanta autonomia, será para sempre um mistério. E, claro, a graça da coisa toda é justamente essa.

Ao contrário do Prof. Pardal, o leitor atento vai perceber, pelo choque que o Lampadinha leva ao cumprimentar o Lamparina pela primeira vez, e pelo som estranho que o novato faz, que algo está muito errado com ele.

O interessante é que o Lamparina cria todo o problema e também a solução, até que o Pardal descobre o que está errado com o novo ajudante e o conserta, mas também o demite, no final.

Lampadinhas

Resultado “Chutado”

História do Zé Carioca e Nestor, publicada pela primeira vez em 1973.

Como explicar a Loteria Esportiva para quem não faz ideia do que seja isso? (Algum tempo mais tarde, aliás, o papel desempenhado aqui pelo Nestor cairia como uma luva para o Afonsinho).

A trama aborda todo o folclore que cerca esse tipo de aposta, desde a profunda decepção de quem faz 12 pontos e tem de ver outra pessoa ganhar o prêmio que passou tão perto e ao mesmo tempo tão longe, até a “sorte de principiante” de quem “chuta” todos os resultados na base do palpite e se dá bem, passando pelos prognósticos e cálculos matemáticos de quem tenta prever o imprevisível.

Já pior do que acertar 12 palpites, ou não acertar nenhum (e dizem que isso é matematicamente mais difícil até mesmo que fazer todos os pontos), é acertar todos os 13 e ainda assim não ganhar porque não pagou pela aposta. Isso, aliás, é até hoje desesperadoramente comum, e volta e meia vemos nas notícias casos de gente que deixa de ganhar uma bolada porque os funcionários da lotérica cometeram algum erro, ou do azarado que por acaso ficou de fora de um bolão do qual ele sempre participava, só para ver os amigos ganharem o prêmio sem ele.

Mas o mais pitoresco nesta história é o registro histórico de um tempo em que o funcionário da lotérica precisava perfurar manualmente o volante para poder depois passá-lo pelo “jurássico” computador que iria então registrar a aposta.

Nestor volante