O Vulto Sinistro

História do Zé Carioca, de 1975.

Os Detetives da Moleza, Zé e Nestor, são chamados a investigar um caso envolvendo um tesouro enterrado em um casarão em ruínas no meio de uma noite escura durante uma tempestade de raios. Está estabelecido, desde o primeiro quadrinho, o cenário perfeito para uma história de fantasmas.

A história segue, de uma maneira como sempre simplificada, o roteiro clássico dos mais tradicionais contos policiais e de mistério da literatura mundial: nada é o que parece ser, os aparentemente inocentes são na verdade culpados, e os aparentemente culpados na verdade são inocentes.

A brincadeira segue com os nomes dos primos, dois macacos netos do “Barão das Bananeiras”. Micco, com dois “C” só pelo efeito cômico, e Mac Acco, em uma grafia que lembra os pomposos sobrenomes escoceses. No final das contas, “mico” e “macaco”, são praticamente sinônimos. É como “o roto falando do rasgado”, por exemplo.

Já o título “Barão das Bananeiras” serve para denotar algo ao mesmo tempo pomposo e prosaico, algo como uma oitava abaixo em relação aos “barões do café”, expressão também pejorativa. Era o título “informal” dado pelo povo aos “coronéis” que compravam esse tipo de título de nobreza para melhor poderem continuar explorando e oprimindo a população mais pobre no entorno de suas terras.

Mas ao que parece existiu mesmo um barão “Das Bananeiras”, com o título oficial de Barão de Araruna. Ele também tinha propriedades em Bananeiras/PB. Vai daí…

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Anúncios

O Rei Dos Disfarces

História do Zé Carioca, de 1982.

Diz o ditado que “na guerra e no amor vale tudo”.  Essa frase parece ser a máxima do Zé na hora de enfrentar a ANACOZECA (Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca) já que, na hora de fugir dos cobradores, nosso amigo sempre usa toda a sua criatividade.

E hoje ele vai se superar, com disfarces perfeitos que vão enganar aos quatro anacozecos direitinho. Mas o interessante é que o Nestor reconhece o amigo em qualquer situação, até mesmo muito bem disfarçado. É como diz aquele outro velho ditado: “é possível enganar parte das pessoas parte do tempo, mas não todas as pessoas o tempo todo”.

O Zé se disfarça de bruxo, e até de Nestor, e os anacozecos caem na armação todas as vezes, mas o golpe de mestre papai deixa para o leitor atento perceber. Ele tinha por regra nunca subestimar a inteligência do leitor, muito pelo contrário:

Por fim, é claro, o Zé vai ser finalmente desmascarado e cobrado. Mas isso não quer dizer que o Zé vá se dar assim tão mal, nem que os anacozecos vão se dar assim tão bem: nem a derrota do papagaio verde, e nem a vitória dos tucanos cobradores durará muito tempo.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Zé Bombeiro

História do Zé Carioca, de 1978.

Ao contrário do Donald e do Gastão, quatro anos antes, o Zé não se torna bombeiro voluntário por vaidade, ou somente para impressionar a namorada. Mas isso não quer dizer que ele esteja realmente afoito para combater muitos incêndios. Como quase sempre, ele se coloca na situação por falar demais.

Em todo caso, uma vez eleito, ele sinceramente e de boa vontade faz o melhor que pode e acaba ajudando de verdade a prender um incendiário piromaníaco que resolveu atacar o morro, mesmo sem conseguir sequer pronunciar a palavra “piromaníaco” direito. Ainda assim ele é parabenizado pelo chefe dos Bombeiros, que não é um chato como o chefe do Donald e do Gastão.

Interessante é a “Mansão do Nestor”, uma criativa barrica transformada em casebre. Isso me lembra vários contos de fadas que começam com pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que moram em velhas barricas. Há também a lenda do filósofo Diógenes, que também, dizem, morava dentro de um barril para expressar seu desprezo pelas riquezas materiais. Assim, nosso amigo corvo está em boa companhia na escolha de sua moradia.

Outra coisa legal desta história são os nomes de alguns coadjuvantes que papai inventou para terem seus barracos incendiados: João Cebola (assim como a casa do Zé parece ser feita de caixotes de sabão, será que a desse personagem é feita de engradados de cebola?), Toninho Estilingue e Chico Rapadura, além, é claro, do vilão Zé Foguinho. Todos eles são personagens de uma história só.

Enquanto isso, discretamente e nas entrelinhas, papai vai descrevendo a vida na favela mais alta do morro mais alto do Rio de Janeiro: falta água encanada, o que torna a mangueira emprestada ao Zé inútil, e também não há eletricidade que possa causar um curto circuito para iniciar um incêndio. São realmente condições bastante precárias de vida.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Grande Circo

História do Nestor, de 1975.

É sério, nesta história o personagem principal é o Nestor. O papel do Zé, hoje, vai ser o do amigo que vem ajudar em um momento de necessidade.

Mas a história funciona também como um alerta para mais um dos muitos golpes que costumam ser aplicados nos incautos pelas ruas das grandes cidades, e como um pequeno mistério para o leitor resolver.

Qualquer pessoa, vendo o Urubu Malandro, vai ter certeza de que é um golpe. As condições do negócio proposto estão “simpáticas” demais. O desafio será tentar entender que tipo de golpe é esse, e onde está a trapaça.

O leitor vai ficar ainda mais desconfiado quando o urubu, antes tão simpático, se revelar um vilão que tenta, ativamente, sabotar o espetáculo. Afinal de contas, o que é que ele está querendo?

Moral da história: “nunca assine um contrato sem ler”. Mas como esta é uma história Disney e o Nestor assinou de boa fé (e a assinatura dele até que é bonitinha!), é óbvio que ele e a turma da Vila Xurupita não podem se dar mal.

Interessante será ver como é que a turma vai dar a volta por cima e frustrar a tramoia do vilão trapaceiro, com uma leve “ajuda” de toda a população de Vila Xurupita. Afinal de contas a platéia só deseja ser feliz, como na música de 1974 chamada Pois é, seu Zé de Gonzaguinha.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Pescadores De Águas Turvas

História do Zé Carioca, de 1981.

Pescar, mais do que um esporte, é uma arte e uma aventura. Você sabe como vai chegar à beira da água, mas nunca como, exatamente, estará quando sair de lá.

O fato é que quanto maior e mais velho o peixe, mais difícil é capturar o animal, especialmente com técnicas mais simples de pescaria como vara, linha e anzol. É como no caso do ditado que diz que “macaco velho não bota a mão em cumbuca”: o bicho já passou por tantas encrencas (e escapou de todas, é claro) que conhece todos os perigos e todos os truques, e não se deixa mais capturar.

E algumas espécies de peixes são mais espertas e difíceis de pegar que outras, como as Carpas e as Trutas. Estas últimas, aliás, são tão espertas que seu nome virou uma espécie de gíria para “enganação”, ou “engodo”. A expressão “sai que é truta (ou treta)” é uma advertência contra uma possível cilada.

Papai aqui fala de uma carpa em uma lagoa, mas a referência é a um antigo conto sobre “aquela velha truta” que pescador nenhum consegue pegar, e que, ao final da aventura, parece estar rindo do pobre coitado que ousou enfrentá-la. Nós lemos esta história há décadas em alguma já velha edição do “Readers Digest”, se não me falha a memória, mas não lembro muitos detalhes.

Mas a história, aqui, é basicamente a mesma: são as várias e acidentadas tentativas de pegar um peixe enorme que sempre consegue escapar do anzol, de maneiras cada vez mais espetaculares, para a diversão do leitor.

O nome da lagoa, “Pirajadaí”, pode ter algo a ver com a localidade de Pirajuí, no Estado de São Paulo, mas é mais provavelmente um simples jogo de palavras. “Pirar”, em gíria, quer dizer “sair”, ou fugir (como em “vou pirar daqui”). Seria então uma advertência para que os dois saiam logo dali, porque o lugar “não está para peixe”.

Já a expressão “pescar em águas turvas”, aqui usada como título, é um velho ditado português que significa “procurar tirar proveito/vantagem de uma situação confusa ou difícil”. Mas isso, como a carpa desta história poderia dizer, é o que veremos.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

Um Caso Macabro

História do Zé Carioca, escrita no finalzinho de 1982 e publicada pela primeira vez em 1985.

Trata-se de uma versão “atenuada” de “O Cão Dos Baskervilles”, um macabro romance policial de 1902 escrito por Sir Arthur Conan Doyle para os personagens Sherlock Holmes e Dr. Watson.

Na data da composição deste comentário a história ainda não estava creditada a papai no Inducks (tenho certeza de que alguém pulou uma linha ou esqueceu de apertar algum botão), mas com o nome na lista de trabalho e a revista na coleção, além do tema, é claro, já que fazer adaptações de grandes clássicos da literatura era um dos hábitos dele, não há dúvida da autoria.

Da história original ele usa a ambientação lúgubre, completa com um pântano e terrenos que expelem asfixiantes gases sulfurosos, o sobrenatural “cão dos infernos” (aqui um “cão fantasma” pintado com tinta fosforescente) e o “herdeiro torto” (um velho descontente que acredita ter direitos à herança) obcecado e capaz de tudo por dinheiro. Mas é claro que não poderá haver mortes nem nada de mais grave.

O Zé e o Nestor, chamados a investigar pela Rosinha, farão o papel do detetive famoso e seu ajudante, ainda que relutantemente, como sempre. O papagaio não é exatamente famoso por sua coragem, para se dizer o mínimo. Mas eles se esforçam e até mesmo conseguem resolver o mistério, na tentativa de “marcar pontos” com o Rocha Vaz. Será que desta vez ele conseguirá conquistar a simpatia do “sogrão”? Quem ler, verá.

**************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

O Roubo Da Coroa Do Rei

História do Zé Carioca, de 1977.

É Carnaval, e o Pedrão é o Rei Momo da Escola de Samba Unidos de Vila Xurupita. A trama é menos sobre o desfile em si, e mais sobre uma tentativa de sabotagem de um grupo rival, que rouba a coroa para que o Pedrão não possa desfilar.

A história tem como ponto de partida uma antiga marchinha de Dircinha Batista cujo tema é a coroa do Rei Momo. A letra da canção menciona justamente a falta de valor material da coroa de fantasia feita de lata, que qualquer um que tenha as características corretas pode usar, e que geralmente é usada por uma pessoa diferente a cada ano.

O resto da trama fica por conta do engenhoso plano que a turma coloca em prática para reaver a coroa roubada e prosseguir com os planos para o desfile, se bem que não exatamente da maneira pretendida em um primeiro momento.

Hoje temos a adição por papai de mais alguns personagens à turma do morro, entre eles o Bernardão, o Jair e o Ratão, que aparecem somente nesta história.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.