Um Mago Tantã

História das Bruxas, de 1975.

Trata-se de mais uma tentativa de roubar a moedinha número um, é claro, e esta é realmente caprichada. Mas, como sempre, um pequeno erro de execução leva a um resultado inesperado logo de saída e à necessidade de improvisar, o que colocará tudo a perder para as vilãs.

O “plano perfeito com erros de execução” é algo que também acontece muito com os Irmãos Metralha, aliás. E é assim também na vida de muita gente: é fácil sonhar e planejar, mas colocar em prática são outros quinhentos. E olhem que as palavras mágicas usadas são realmente uma invocação de antigos mistérios (ou, pelo menos, a primeira delas).

Mas talvez por isso mesmo, e pela força de uma magia real e milenar como a Cabala, o resultado não poderia favorecer às bruxas. Afinal, nas histórias em quadrinhos, a magia é como os computadores: faz o que você manda, não o que você quer. A invocação de uma força do bem não pode resultar em um efeito do mal.

O interessante é que os poderes do Mago Tantã, que acaba de se formar com nota 10 em um curso de magia branca, são perfeitamente prodigiosos: ele consegue voar sem vassoura, e tem um poder de concentração absurdo. Por alguns quadrinhos realmente parece que, desta vez, com a ajuda dele (que está sendo usado como inocente útil, aliás), nada conseguirá impedir as duas malvadas de conseguir o que querem, o que só demonstra o quanto a magia branca é realmente muito mais poderosa do que a magia negra.

E esse é o erro das bruxas más: se elas se dedicassem a usar seus grandes poderes somente para o bem, provavelmente já teriam conseguido o poder mágico e a riqueza material que tanto desejam, sem precisar roubar o amuleto dos outros.

Fica a dica, criançada. 😉

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Feitiço Caprichado

História do Professor Pardal, de 1974.

Um velho ditado diz que “situações desesperadoras exigem ações desesperadas”. E nessas horas, ao que parece, vale tudo: até mesmo recorrer aos serviços de uma bruxa. E é exatamente o que fará o Professor Gavião, após ser expulso do laboratório do inventor do bem pela enésima vez.

Isso, aliás, é algo muito comum aqui mesmo no Brasil. Muito mais gente do que pode parecer (e não, não tem nada a ver com pobreza ou ignorância), ao primeiro sinal de que alguém não vai fazer suas vontades, ou à menor frustração, corre se consultar com uma cartomante (especialmente aquelas que fazem “trabalhos”) ou encomendar feitiços “cabeludos” a algum feiticeiro ou milagreiro de aluguel.

Mas é claro que, em uma história em quadrinhos Disney, ainda que magias e poderes mágicos possam ser tratados como algo real, nenhum mal pode realmente acontecer aos bons, e nenhum crime poderá ficar impune.

O detalhe que porá os planos do Gavião a perder é uma pequena falha de comunicação, aliada à vontade da Madame Min de “caprichar” para impressionar o comparsa cientista. Na parte da magia, mais um ditado se aplica: “cuidado com o que você pede, você pode conseguir exatamente isso”. E na ciência, como sabemos, “um computador não faz o que você quer, mas sim o que você manda. Nesta história, a bruxa será o veículo de um pouco de cada uma das duas coisas. 

Interessante é a pressuposição de que não se pode simplesmente criar dinheiro por meio de magia, mas que ele precisa ser ganho (ou atraído) de algum modo (de preferência honesto), e que até mesmo bruxas superpoderosas precisam dele de vez em quando. Que poder é esse que tem o dinheiro que o torna “imune” às forças ocultas? Ou será que é a dificuldade que nós, simples mortais, temos em ganhá-lo que nos dá essa impressão? É algo para se pensar.

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O Novo Aprendiz De Feiticeiro

História do Peninha, de 1974.

Este é um interessante exercício de imaginação, uma variação sobre o tema do Aprendiz de Feiticeiro, com resultados surpreendentes.

Até mesmo o grande Feiticeiro está sujeito a errar uma palavra mágica ou duas (ou três ou quatro) de vez em quando, com resultados desastrosos. Essa, aliás, é outra das regras da magia dos quadrinhos: as palavras mágicas devem ser pronunciadas corretamente para que haja o efeito desejado. Palavra trocada, efeito trocado.

O interessante é que o Feiticeiro é muito valente enquanto pensa que está no controle da situação, e se dá ao luxo de tratar o Peninha bem mal enquanto o captura para servir de aprendiz.

Mas quando as coisas dão errado de novo e ele se vê sem seu livro de magias, ele se torna apenas um velhinho frágil vestido com roupas esquisitas. Já o Peninha, ao que parece, daria um aprendiz melhor do que o próprio Mickey, no final das contas. Pelo jeito, ter “um parafuso a menos” é uma vantagem, quando há magia envolvida.

Isso, aliás, é algo que papai trabalharia bastante com o Peninha ao longo dos anos: essa predominância do “lado direito do cérebro” que dá ao pato uma criatividade quase mágica, seja como quadrinista, publicitário, adivinho/vidente, ator, ou herói mascarado.

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A Feiticeira Eletrônica

História da Maga Patalójika, de 1975.

Apresentando “Bruxax”, o bruxo robô computadorizado, este é mais um engraçado exercício em tecnofobia. Mas o fato é que, apesar de tudo, o tema desta história também é bastante profético. (E sim, apesar de ainda não estar creditado no Inducks, esta história é de papai.)

Dizem os atuais futuristas que, em 20 anos, mais ou menos, metade das profissões que temos hoje já serão exercidas por robôs e que 95% dos carros nas ruas serão autônomos. Ninguém mais precisará levantar caixas pesadas em almoxarifados, fazer tarefas perigosas em indústrias, tirar carteira de motorista, ou mesmo ter um carro particular em casa. Quem viver, verá.

Mas a verdade é que, já agora, neste exato momento, muitos sites especializados em direito, por exemplo, contam com robôs para responder perguntas simples (ou vocês achavam mesmo que há um advogado de plantão o tempo todo do outro lado da telinha só esperando alguém acessar a caixa de diálogo “fale com um advogado”?).

A própria Internet é a maior biblioteca de todos os tempos, com milhões de conteúdos sobre todos os assuntos que qualquer pessoa pode consultar a qualquer momento, sem nem mesmo sair de casa. Se bem que papai colocou na biblioteca cheia de traças da Maga alguns volumes interessantes, como um tomo sobre Kabala.

E para profissionais de muitas profissões que se baseiam na consulta constante a livros, como tradutores, escritores, médicos, os já citados advogados, professores, historiadores, etc. etc., hoje em dia já é mais fácil e rápido encontrar esses conteúdos auxiliares online. Isso, enquanto os próprios conteúdos ainda não são capazes de fazer o trabalho por si sós, tornando os profissionais humanos redundantes.

Os trabalhos que sobrarão para os humanos, em 30 anos, serão as artes e as humanidades, para os quais as máquinas não terão “alma” e sensibilidade suficientes. A própria bruxaria, no exemplo desta história, apesar de contar com uma biblioteca virtual armazenada em um grande computador e fornos elétricos e alambiques industriais no lugar do velho caldeirão, ainda terá um elemento muito humano, apesar do que possa parecer.

Mas tudo isso vem com um preço, é claro, e dos bem monetários, que o velho laboratório cheio de traças e aranhas pelo menos não tinha.

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Um Dia De Gênio

História do Zé Carioca, de 1983.

O que você faria se pudesse ser o gênio da garrafa por um dia? Esta é a pergunta que papai busca responder para o Zé, com resultados hilários. Outra premissa básica desta história é o velho ditado: “cuidado com o que você pede, pois é isso mesmo o que você vai receber”.

Interessante é que, ao pedir para trocar de lugar com o gênio, o Zé estará realizando um desejo dos dois. Essa “troca de favores” é algo que se tornou a linha que “costura” as três histórias nas quais este gênio amigo aparece.

De resto, o Zé verá que ser gênio da garrafa (mesmo que seja por um só dia) não é assim tão fácil como parece e que ele também estará sujeito às leis da magia, mesmo que as desconheça, e à punição por desobedecê-las. Afinal de contas, essas leis já foram burladas uma vez (por uma boa causa, é claro) e resultados permanentes já foram conseguidos. Já está de bom tamanho. 

(A lei da magia específica, aliás, é algo que já havia sido usado na história chamada “Nas Malhas da Magia”, das bruxas.) Isso, aliado ao caráter malandro do papagaio e à incapacidade de resistir à oportunidade de “zoar” os amigos, será a receita certa para uma bela confusão.

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Pena Kid, O Bandidão

História do Pena Kid, de 1976.

Todo herói dos quadrinhos que se preze tem seu dia de bandido, e com o Vingador do Oeste não poderia ser diferente. Mas não é só o herói que vai ficar malvadão: todos os habitantes de Pacífica City terão suas personalidades invertidas.

O interessante é que papai nos oferece duas explicações para o fato. Uma advinda da redação de A Patada, e outra contida na história que “o Peninha” está escrevendo, que está mais de acordo com as soluções apresentadas em filmes e HQs: na maioria dos casos mais clássicos ou é fingimento do herói como parte de um plano para infiltrar uma quadrilha de bandidos, ou ele é coagido a agir assim por chantagem e para proteger alguma pessoa inocente que é refém dos vilões, ou é vítima de algum elixir ou raio de controle da mente.

Mas a verdade é que inversões de personalidade em massa, como a que vemos hoje, são bem mais raras de acontecer. Afinal, se o mocinho pode, às vezes, ter um bom motivo para ficar temporariamente mau, os bandidos quase nunca se convertem em bons.

Papai, como sempre, vai distribuindo pistas pelas páginas na esperança de que o leitor atento vá saber identificá-las e solucionar o mistério da inversão de papéis.

Não que isso realmente importe, aqui. Mais importante do que o roteiro da história do Pena Kid em si é mostrar como uma história em quadrinhos é feita ou, mais exatamente, satirizar alguns métodos de criação de quadrinhos, e especialmente os mais espontâneos (quando o escritor inicia uma história sem ter decidido como ela vai terminar e se guia pela livre associação de ideias – o que pode levar a soluções forçadas), ou os que se apoiam demais em clichês e se tornam previsíveis.

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“Bruxo-Padrinho”

História da Maga Patalójika, de 1975.

A Maga é uma bruxa malvada, disso não há dúvida. E o Tantã é um bruxinho bonzinho, disso todo mundo sabe. Assim, quando ele aparece no laboratório dessa que é tia dele para fazer um estágio ao final do curso na Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o leitor pode ter certeza de que vem chumbo grosso por aí.

A coisa mais fácil de acontecer em um lugar onde se fazem poções, e que é o que acaba acontecendo, é uma grande bagunça, com líquidos esparramados e frascos quebrados. Nesse sentido, um laboratório de magia de uma bruxa de histórias em quadrinhos não é lá muito diferente de uma grande cozinha daquelas antigas, nas quais a presença de crianças não era bem aceita, justamente por causa do risco de acidentes com grandes panelas e fogões a lenha.

É óbvio que um acidente doméstico em um lugar cheio de feitiços prontos para serem lançados vai acabar causando uma transformação maluca, especialmente se, na bagunça, eles se misturarem todos de algum modo imprevisível.

Fácil, também, seria inverter a personalidade do Tantã, de bonzinho para temporariamente mau. Na verdade, isso seria um pouco fácil demais, e um pouco “manjado” demais. É por isso que papai escolheu um caminho diferente e, por isso mesmo, totalmente hilário. Afinal, até mesmo para um bruxo bom, sair por aí transformado em “fado” (uma espécie de fada do sexo masculino) é um pouquinho de humilhação demais.

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