Os adoradores de INTI

Guardei para hoje, na postagem número 666 deste blog, a última das histórias de terror de papai que tenho guardadas aqui no arquivo. Sei que existem outras, mas não as tenho em minha coleção. Assim, até que eu consiga completá-la, um dia, talvez, quem sabe, esta ficará conhecida como “a última”.

Com roteiro de Ivan Saidenberg e desenhos de Júlio Shimamoto, foi publicada na revista Histórias Sinistras – Seleções de Terror. Como tenho apenas as páginas soltas (e está faltando uma, ainda por cima), não sei o número nem o ano.

INTI é o Deus Sol da religião Inca, e foi muito cultuado em todo o continente americano em épocas pré-colombianas. O elemento da religião dos Incas, Astecas e afins que mais causava aversão aos europeus era certamente o dos sacrifícios humanos.

O que eram esses sacrifícios? Para quê serviam? Eram apenas macabras ações simbólicas, ou seriam, em tempos remotos, poderosos atos mágicos? Poderia o Deus Sol realmente atender às preces daqueles que realizassem essas cerimônias de sacrifício de uma maneira “correta” e já esquecida por todos? Ou será que alguém ainda se lembra de como se faz?

As expedições à amazônia do início do Século XX, onde pesquisadores bem intencionados mas totalmente incautos se embrenhavam na selva inóspita para nunca mais voltar, também tinham um profundo efeito macabro no imaginário dos brasileiros.

Combinando os dois temas com uma pitada de mistério em estilo quase policial e terror psicológico, papai nos brinda com mais um clássico do terror em quadrinhos.

inti01

inti02

inti03

inti04

inti05

inti06

inti07

inti08

inti09

inti10

inti11

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook.

O Dia Dos Mascarados

História do Mancha Negra, de 1973.

Esta não é, de modo algum, uma história de Carnaval, mas seu título é uma brincadeira com o nome da canção “A Noite dos Mascarados”, lançada por Chico Buarque em 1967.

O fato é que há um novo “mascarado” em Patópolis, e em franca competição com o Mancha, ainda por cima. Ele usa um capuz negro que se auto-replica ao ser retirado, de modo que ninguém jamais será capaz de desmascarar o bandido. A coisa é tão eficiente que nem mesmo ele consegue mais ver o próprio rosto. O nome “Tomaz Carado” dispensa explicações, sendo mais um dos famosos trocadilhos que papai usava para criar os nomes de seus personagens coadjuvantes.

Pateta Mascarados

Para piorar, e para o desgosto do Coronel Cintra, o Mickey está fora da cidade. Assim, o Pateta resolve investigar o caso no lugar do amigo, usando o Manual do Mickey como guia. No processo, ele se compara com detetives famosos, como “Berloque Gomes” (Sherlock Holmes) e Hércules Poirot, chegando até mesmo a se auto-intitular “Hércules Patetô”.

Pateta Mascarados1

Os métodos um pouco, digamos, “tradicionais demais” de investigação do Pateta não renderão, é claro, o resultado desejado, mas isso não quer dizer que os dois bandidos não vão se dar mal no final. O interessante, como sempre, é ver exatamente como.

Além de humor, também não falta ação nesta história. Desde a cruel guerra travada entre os dois bandidos e até a perseguição que levará à prisão dos dois, a confusão será grande.

A mesma revista onde esta história foi publicada pela primeira vez contém mais uma de papai, curtinha, de uma página só, que faz piada com as tentativas de assalto dos Irmãos Metralha à Caixa Forte do Tio Patinhas. Ela pode ser vista no site do Inducks, aqui.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores e agBook.

Ataque De Surpresa

História do Peninha, de 1973.

Fiscal de preços, pesquisador de mercado… o Peninha arranja um bico diferente a cada dia. E a cada novo sub-emprego a confusão aumenta, especialmente quando o tal “mercado” a ser fiscalizado é o mercado de peixes de Patópolis, é claro, pois é aí que o Ronrom aparece literalmente do nada na esperança de conseguir pegar alguma coisa.

Peninha Surpresa

O problema começa, é claro, quando é essa “alguma coisa” que pega o Ronrom.

Peninha Surpresa1

A palavra “surpresa” é usada nesta história como um acrônimo para o nome do órgão controlador de preços de Patópolis, a Superintendência Regional de Preços dos Serviços Autônomos. A ideia é sugerir que os ficais sempre agem “de surpresa” surpreendendo os peixeiros desonestos, mas neste nosso caso, vão sobrar surpresas para todos os envolvidos, e para o leitor também.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

***************

Hoje tenho o prazer de lançar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda no site do Clube de Autores.

O Hotel Do Zé

História do Zé Carioca, de 1975.

Logo de saída, o Zé está deitado em sua rede lendo revistas em quadrinhos. Isso é algo que ocorre em várias das histórias de papai, em parte para associar este hábito bem brasileiro ao papagaio, já que, naquela época, todos liam quadrinhos, e também para melhor caracterizá-lo como fã de HQs, e especialmente das do Morcego Vermelho, o que é o ponto de partida para a criação e caracterização do Morcego Verde.

A história em si é um daqueles mistérios em estilo policial nos quais o leitor é convidado a investigar, e mais até do que os personagens, já que o Zé só vai perceber o que realmente está acontecendo lá pela metade da história. Afinal de contas, como se diz por aí, “se algo parece bom demais para ser verdade, é porque provavelmente é mesmo”. Ninguém deixa um hotel, assim, do nada, para um primo em segundo grau. O leitor atento não demorará a perceber que algo está muito errado.

ZC Hotel

Valendo-se do fato de que todos os papagaios são mesmo muito parecidos, papai não se encabulava em criar sósias e mais sósias para o Zé Carioca. O nome “Currupaco Papaco” é uma onomatopeia do som que essas aves emitem. Este primo, aliás, aparece somente nesta história. Não há dúvida, portanto, de que ele foi criado por meu pai. E esta é a primeira história (de duas) na qual o Bando dos Urubus aparece. A segunda, “O Detetive que veio do Frio”, também é de papai e já foi comentada aqui.

ZC Hotel1

O nome da localidade “Xique-Xique da Serra” pode ser uma referência a Xique-Xique, na Bahia, enquanto “Mogi das Corujas” e “Pedradas” podem ser referência a Mogi das Cruzes e Pedreira, ambas no estado de São Paulo.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

Amigo É Pra Essas Coisas

História do Pateta, de 1980.

Esta história combina vários dos temas que papai gostava de trabalhar: narrativas das origens ou da infância dos personagens, brincadeiras de crianças dos tempos de infância dele, e temas inspirados na História do mundo e nos clássicos da literatura.

Aqui vemos Pateta, Mickey e sua turma quando crianças, enfrentando os valentões do bairro, um bando de gatos gatunos comandados por um jovem João Bafo de Onça. O Pateta é alvo de bullying mas, mesmo com todas as trapalhadas que faz, tem no Mickey um amigo inteligente e sensível que finalmente o fará sentir-se acolhido. Com esse histórico, fica fácil de entender o motivo de tanta amizade e parceria na idade adulta.

Pateta amigo

A brincadeira de “Legião Estrangeira” é um tema retirado do cinema e da literatura (bons tempos aqueles nos quais as crianças liam livros) para enriquecer as brincadeiras de mocinho e bandido. Naqueles tempos era comum as crianças montarem algum tipo de barricada com qualquer material que tivessem à mão, como tábuas velhas e caixas de papelão, à qual davam o nome de “forte” (podia também ser Forte Apache, ou Caverna dos Piratas) como um refúgio para descansar um pouco da brincadeira e território a defender, atirando mamonas com seus estilingues nos “bandidos” de plantão. Ir “se alistar na Legião Estrangeira” era também o plano da maioria dos meninos que cismavam em querer fugir de casa por motivos de “dá cá essa palha”.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

Operação Resgate

História do Capitão Valente publicada pela Editora Abril na revista Pic Pic número 11, de 1981, com argumento de Ivan Saidenberg e desenhos de José Claudino Gomes.

O avião “homenageado” da vez, impresso em cartão colorido e pronto para ser destacado e montado pelo jovem leitor é o Tupolev TU-22 “Blinder”, um bombardeiro a jato de segunda linha fabricado pela antiga União Soviética e muito usado até os anos 1990 por ditadores muçulmanos no Norte da África em suas constantes guerras regionais.

Mas a história de hoje do Capitão Valente não tem nada a ver com o avião descrito acima. O Capitão, desta vez, sai à procura de um Cessna, que teria desaparecido misteriosamente sobre uma densa floresta enquanto transportava uma cientista nuclear, de nome Dra. Frankemberg, e seus planos altamente secretos.

O leitor que tem acompanhado as histórias deste personagem até aqui, acostumado com histórias de contatos alienígenas e cientistas malucos, deve estar se perguntando, juntamente com o Capitão, qual será o motivo do desaparecimento. Serão os OVNIs, um sequestro, uma sabotagem?

Pela primeira vez vemos nomes de localidades brasileiras sendo mencionados no decorrer da história. Até este momento havia um grande cuidado de tentar retratar um aviador de uma força aérea “genérica”, que não se limitasse a regiões específicas. Mas, refazendo a trajetória do avião, nosso herói descobre que ele desapareceu entre as cidades de Alto da Serra e Riacho Grande, que ficam, as duas, aqui no Estado de São Paulo. Papai só aumentou “um pouco” (200 Km ao invés de 30) a distância entre as duas localidades, para efeito dramático.

CV Operacao

Um toque muito legal na trama é a participação de um operador de Radioamador, que ajuda o herói em sua missão como, aliás, acontecia muito na época em que esta história foi escrita.

Já a surpresa final será justamente a total falta de causas sobrenaturais para o desaparecimento. É somente um caso de resgate, perfeitamente mundano, mas nem por isso menos interessante. Afinal, quem disse que, só porque a série se iniciou com histórias sobrenaturais, todas elas têm, obrigatoriamente, que ser assim?

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

É Duro Ser Dedo-Duro

História dos Irmãos Metralha, de 1977.

O Metralha Dedo Duro é um chato de galochas, mas nem sei se é possível chamá-lo de “ovelha negra” de uma família que já é composta por tantos bandidos. Ele não é honesto, como a Tia Ana, mas assim mesmo se arvora a “dedo duro” da polícia, sempre consultando o Código Penal e pronto a entregar seus primos por qualquer motivo.

Este é mais um dos “adotados”, de papai. Foi criado no exterior em 1975 e usado lá em exatas duas histórias. Aqui no Brasil foi usado em mais duas, ambas escritas por meu pai. (Sim, apesar de ainda não estar creditada no Inducks, a história chamada “Que 10-Leal” também é dele, e será comentada aqui algum dia).

Metralha dedo duro

Nesta história ele “chega chegando”, e vai logo começando a querer dedurar. Na verdade, isso é somente um método para chantagear os primos e conseguir algumas vantagens, como um bom tratamento, por exemplo. Mas é claro que nenhum plano maléfico pode ter muito sucesso em uma história Disney, nem mesmo quando todos os personagens são vilões.

A presença do jogo de bolas de gude é mais um resgate de antigos jogos e brincadeiras brasileiros que papai gostava de fazer, como o jogo de palitinho nas histórias do Zé Carioca, as gincanas das crianças, e por aí vai.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix