O Rajá De Blá-Blá-Blá

História do Superpateta, de 1983.

Esta história serve para demonstrar o quanto é importante saber falar mais do que um só idioma. Também mostra a utilidade de se ter um bom tradutor/intérprete à disposição quando é preciso lidar com idiomas estrangeiros.

No caso de hoje a participação do inteligentíssimo Gilberto, sobrinho do Pateta, que entende um pouco do idioma exótico em questão, será fundamental para a solução do mistério. Após conseguir traduzir um telegrama escrito em Blá-Blá-Blês, no qual o Rajá pede ajuda, ele se surpreende ao se ver de frente com quem se apresenta como sendo o monarca. Acreditando que o idioma é obscuro o suficiente para não ser compreendido por estrangeiros, o vilão se sente à vontade para enrolar a língua sem remorsos.

Para que não haja dúvida, mais uma sutil pista é deixada para o leitor atento por papai na página seguinte. Em momento de raiva, o “Rajá” até se esquece de que, um momento antes, “precisava” ter suas falas traduzidas por um assessor seu cúmplice.

A julgar pelo título de Rajá adotado pelo vilão, o suposto País de Blá-Blá-Blá, que fica no “Oriente”, faz parte da região da Índia.

Já o nome do idioma do lugar, “Blá-Blá-Blês”, me parece uma referência ao Javanês (da Ilha de Java, na Indonésia, que aliás não fica lá muito longe da Índia) e ao célebre conto de Lima Barreto chamado “O Homem que Sabia Javanês“, uma sátira que versa justamente sobre linguística e aprendizado de idiomas exóticos. O conto é curtinho, divertidíssimo, e eu recomendo a leitura.

***************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

tp-horrores

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon 

 

Pateta em “Gelo Seco”

Piada do Pateta, de 1977.

Trata-se de meia página, apenas, mas é uma grande sacada sobre o modo de pensar das crianças. Afinal, qual é a criança que, ao ouvir falar pela primeira vez em “gelo seco“, não fique pelo menos surpresa ou intrigada?

O gelo que a maioria das crianças conhece é feito de água, na geladeira da família, e ao ser manuseado fica molhado muito rápido. Afinal, perguntam-se os mais novos, como se faz para o gelo ficar seco? Será que enxugar com o pano de prato ajuda?

pateta-gelo

E há também uma associação com a expressão “enxugar gelo”, justamente, que é sinônimo de “trabalho de Sísifo“, uma tarefa inútil e sem propósito que nunca tem fim nem produz o resultado esperado. Além disso a história é uma advertência contra a ignorância (crianças, estudem e procurem saber mais sobre as coisas) e também segue aquela tradição “patética” (ou seja, do Pateta) de mostrar como *não* se faz algo, seja um esporte, uma tarefa doméstica, um conserto ou reparo de algo, etc.

Na data deste post havia um sinal de interrogação após o nome de papai no registro no Inducks. Mas como a revista está na coleção (papai guardava tudo dele que era publicado), as outras histórias brasileiras na revista já estão todas creditadas e seus nomes não constam na lista de trabalho que tenho aqui, só posso acreditar que esta piada é dele sim.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

 

Xeque-Mate

História do Professor Pardal, de 1972.

Aqui temos mais uma vez o jogo de xadrez como tema de uma história. Esta parece ser uma primeira versão de outra, já comentada neste blog, chamada “Um Problema de Xadrez”.

Como também foi visto na segunda história, temos peças de xadrez gigantes e automatizadas que, além de tudo, são programadas para jogar sozinhas. Mas hoje não teremos uma aula do esporte. Esta é basicamente uma apresentação do tema e uma ficção científica já que, desde o advento dos computadores pessoais e caseiros, existem programas que jogam xadrez de modo até melhor que as pessoas. Mais uma vez, brincando e imaginando, papai acaba “prevendo o futuro” com suas histórias.

pardal-xadrez

Aliás talvez não seja impossível, nestes nossos dias, usando um programa desses em conjunto com peças robóticas movidas por controle remoto, fazer um tabuleiro de xadrez gigante cujas peças se movam sozinhas nas direções certas e de acordo com as regras. Como sugerem os pomposos enxadristas da ficção, do alto de sua confiança no poder do intelecto humano (sabem de nada, inocentes) talvez uma coisa dessas pudesse servir para popularizar o jogo, educar, mostrar como se joga, etc.

Para adicionar ação à trama papai faz com que as peças em tamanho gigante saiam sozinhas do laboratório durante a madrugada e espalhem pânico por Patópolis. Para completar, ele inclusive faz uma referência à novela radiofônica de 1938 “A Guerra dos Mundos” que chegou a causar pânico entre a população dos EUA.

pardal-xadrez1

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Se você gosta do que lê aqui, por favor considere comprar os livros. Se não puder (ou já tiver a sua cópia), e assim mesmo ainda quiser ajudar, considere fazer uma doação de qualquer valor à vaquinha deste blog. Obrigada.

O Superladrão

História do Superpateta, de 1973.

Uma maneira simples e eficaz de se criar suspense em histórias de super heróis é tentar privar o super de seus poderes, de um modo que pelo menos pareça definitivo à primeira vista.

Assim, um bandido pé de chinelo convenientemente criado somente para esta história, para que possa depois ser descartado sem mais, por acaso acaba descobrindo a identidade secreta do herói e destruindo sua plantação de superamendoins. Será este o fim do Superpateta?

sp-superladrao

Mas é claro que não existe crime perfeito e que as plantas sempre dão um jeito de crescer de novo, se tiverem um mínimo de condição. Em todo caso, a temporária escassez de amendoins mágicos certamente dificultará as coisas, tornando a história toda mais interessante. Afinal, não haveria graça nenhuma se o super simplesmente fosse lá e prendesse o bandido, sem dificuldade.

Interessante e bastante hábil é o artifício que papai usa para fazer com que o vilão esqueça, no final da história, tudo sobre a identidade heroica do Pateta.

Uma coisa que o bandido e o herói têm em comum é a tendência a não saber controlar direito os próprios poderes, dando pulos errados e quebrando quase tudo em seu caminho. Isso terá uma consequência no final da história, como também acontece em algumas aventuras do Morcego Vermelho, por exemplo.

sp-superladrao1

E por falar no outro herói, aqui papai também usa o recurso do apedrejamento da estátua, como usou nas primeiras histórias do Morcego, para demonstrar o descontentamento do povo de Patópolis com o Superpateta.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll recontada a partir da perspectiva e da experiência dos fãs. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

Um Problema De Xadrez

História do Superpateta, de 1975.

O Xadrez era o esporte predileto de papai, e ele chegou a ser bom nele, inclusive ganhando alguns pequenos campeonatos. Tínhamos um tabuleiro em tamanho tradicional com as peças em casa, em madeira, e ele chegou a fazer suas próprias peças em argila, um pouco maiores. Ele também gostava muito da ideia dos jogos de xadrez “gigantes”, com peças de até 1 metro de altura que ele chegou a ver em um parque, e é daí que vem a inspiração para esta história.

Giant-Garden-Chess-Set

Inanimadas na vida real, papai transforma suas peças imaginárias em robôs para adicionar mais movimento à história. De fato, deve ser um pouco difícil mover peças tão grandes por um tabuleiro (a não ser que sejam feitas de material leve) e rodinhas, ou quem sabe até um controle remoto, podem ser boas ideias para facilitar o jogo.

Original em matéria de quadrinhos, esta história também serve como uma pequena aula de Xadrez, ensinando ao leitor os nomes das peças, algumas expressões usadas no jogo, e até mesmo as funções de algumas das peças no tabuleiro, como o Rei e a Rainha.

Assim, temos o nome do vilão, Dr. Gambito, que é o nome do movimento de abertura do jogo, e expressões como “Xeque”, que é um ataque direto ao Rei, e “casa de fuga”, que é uma técnica para se retirar o Rei do Xeque, movendo-o para um quadrado (a casa) seguro do tabuleiro. O nome da história também é uma referência a uma das características do jogo, que é o uso de “problemas“, situações propostas que demandam uma solução lógica de acordo com as regras.

SP xadrez

Já a função da Rainha, a peça com mais mobilidade no jogo, é liderar os ataques ao Rei adversário, e é justamente isso que ela faz nesta história.

SP xadrez1

Por fim, com a inevitável prisão do vilão, temos um trocadilho com o nome do jogo e seu uso na gíria como uma expressão para significar “cadeia”. O bandido, que tanto gosta de Xadrez, acaba indo jogar Xadrez… no xadrez.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

A História dos Quadrinhos no Brasil, e-book de autoria de papai, pode ser encontrado na Amazon

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

O Cavaleiro Da Patética Figura

História do Pateta, de 1974.

Aqui papai combina alguns de seus temas favoritos em um criativo mistério policial de ficção científica. Há um pouco de tudo, nesta história: um convite aparentemente inocente para o museu, uma referência ao clássico da literatura “Dom Quixote” (também conhecido como o cavaleiro da triste figura), sugestão hipnótica, sonhos induzidos e até mesmo um estranhíssimo invento tecnológico, o “televisor de sonhos”.

Pateta figura

Como nas melhores histórias de suspense e mistério, tudo se inicia de uma maneira bastante tranquila, aparentemente inocente. É só lá pela segunda página que o leitor atento vai começar a achar que algo está errado. E a sensação de estranheza vai se intensificar ainda mais quando nossos heróis voltarem ao museu para falar com o diretor do lugar.

Pateta figura1

O plano do vilão não é de todo ruim, mas ele logo descobre que “ler sonhos” não é a mesma coisa que controlar sonhos. A indução hipnótica foi bem sucedida em fazer o Pateta e seu sobrinho Gilberto sonharem, mas o vilão Dr. Estigma não contava com o fator da sugestão, que pode ter desdobramentos imprevisíveis. O vilão vai perceber, da pior maneira possível, que não há garantia nenhuma de que a vítima da bisbilhotice dos sonhos vai sonhar aquilo que ele quer ver.

Interessante é o fato de os dois, tio e sobrinho, sonharem juntos a mesma coisa. Isso é aparentemente impossível, mas há relatos de eventos paranormais dessa natureza. O Gilberto pode ser mais inteligente e ter mais estudo formal do que seu tio, mas tudo indica que ele é tão sugestionável quanto o outro. Mas neste caso, pelo menos, essa vai ser a sorte deles.

****************

Já leste o meu livro? Quem ainda não leu está convidado a conhecer minha biografia de papai, à sua espera nas melhores livrarias: Marsupial – Comix – Cultura – Monkix 

***************

Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook