A Ameaça do Subsolo

História do Poderoso Tor, escrita em junho de 1976 e publicada pela Editora Abril na revista Heróis da TV número 21, de fevereiro de 1977.

De acordo com a lista de trabalho de papai, pouco antes de escrever esta ele estava trabalhando na série de histórias “Professor Pardal na Atlântida”. O interessante é que esta parece ser inspirada, consciente ou inconscientemente, em alguns aspectos da outra.

Os homens-peixe do fundo do mar foram trocados por um povo-toupeira, e as “profundezas” aqui são as da terra, um labirinto de túneis e cavernas. Outra semelhança é o rapto indiscriminado de pessoas inocentes para serem usadas como escravas.

Tor subsolo

É uma história bem mais curta e simples do que a saga submarina, obviamente, mas as coincidências são inegáveis. Assim se vê, mais uma vez, como é que uma mesma ideia, desde que bem aproveitada e trabalhada, pode resultar em histórias diferentes para personagens distintos.

Sendo uma história de super herói, é claro que ele terá o papel principal e a incumbência de salvar a todos, com direito aos momentos de dilema e escolhas difíceis, as cenas de luta onde ele demonstra toda a sua força, e sem muito espaço para grandes reviravoltas surpreendentes ou muito humor, até mesmo por causa das características e linha editorial do próprio personagem. Em compensação, há cenas dramáticas e suspense de sobra.

Tor subsolo1

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Um Lobinho Quase Feroz

História do Lobão, de 1974.

Desde o ano anterior, na história “Mal Me Quer, Bem Me Quer” e até 1984, dez anos depois, em “O Feitiço Da Vila”, ambas já comentadas aqui, papai brincou com a ideia do “feitiço da inversão de personalidades”, a cada vez de uma maneira um pouco diferente.

O leitor atento vai saber que alguma coisa está muito errada logo de cara, quando uma mão a princípio desconhecida aparece na janela logo no primeiro quadrinho, e em seguida coisas estranhas começam a acontecer sem motivo aparente.

Lobinho feroz

A história é curta e a solução é bastante simples, mas o importante na trama é mesmo essa inversão de papéis, que é outra coisa que papai gostava de fazer em suas histórias para o Lobinho, aliás. Em “Papéis Trocados”, outra história já comentada aqui, ele explora bastante esse tema do “Lobinho mau”.

No final das contas, a coisa toda era para ele quase um exercício em psicologia: era colocar diferentes personagens mais ou menos na mesma situação para ver, quase como se eles tivessem vida própria, como eles reagiriam, sempre respeitando as personalidades atribuídas a eles nas descrições que vinham da editora, anotadas em folhas impressas para que os argumentistas pudessem consultar e não se desviassem demais do estilo predefinido.

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Por Falar Em Assalto…

História dos Irmãos Metralha, de 1980.

“Não existe honra entre ladrões”, diz o ditado. Este é um golpe, dentro de um golpe, dentro de outro golpe, e ainda por cima papai tem o capricho de fazer a história terminar quase exatamente como começa, só para chatear os bandidos ainda mais. Por mais “camadas” que esse golpe possa ter, como uma cebola, ele obviamente não pode dar certo.

Metralhas maquina

A ideia de uma máquina “assaltante”, que desmaterializa coisas à distância e as materializa dentro do covil dos bandidos seria realmente a realização do crime perfeito, um verdadeiro terror para qualquer pessoa de bem com algo de valor em sua posse.

Por um momento o Primo Cientista (outro “adotado” de papai, inventado no exterior mas usado só uma vez por lá) acredita que aplicou o golpe perfeito. E teria sido mesmo o caso, se, e apenas se, houvesse alguma honra entre ladrões.

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A Festa Dos Vampiros

História do Pena das Selvas, escrita em 1982 e publicada pela primeira vez em 1987.

Dizem que os mais assustadores filmes de terror começam com alguma situação bem tranquila, idílica mesmo. Esta história não é diferente. A paz da floresta é interrompida pela chegada de um bando de vampiros, magicamente transportados para o cume do monte “Kilomanjaram” com castelo e tudo.

O nome do monte já foi comentado aqui, e foi usado algumas vezes por papai como trocadilho para Kilimanjaro. Mais interessante é o nome do vampiro invasor que ameaça tirar a paz dos habitantes da floresta: “Ivan Pyro” é mais uma maneira que papai encontrou para “assinar” sua obra.

PS Vampiros

A história toda é inspirada no clássico filme de terror “A Dança dos Vampiros”, de 1967. O próprio Pena das Selvas faz o papel do “fearless” (destemido) caçador de vampiros, em uma alusão ao título original do filme em inglês. Outros elementos do filme citados aqui são os espelhos que só refletem os vivos, mas não os mortos-vivos, e a imunidade de alguns deles a clássicas “armas” anti-vampiro. No filme original era o crucifixo, mas aqui (para evitar símbolos religiosos, que não “cabem” no estilo Disney) o alho é usado.

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Outra coisa que não se pode usar em histórias Disney são balas de prata e estacas de madeira no coração (violentos demais, não pode haver sangue ou mortes), e assim papai recorre a uma solução criativa: ele dá ao Pena a ajuda de um “feiticeiro das selvas” e suas poções. É uma solução “pouco ortodoxa”, mas por isso mesmo bastante engraçada. Quem disse que só se pode lutar contra os seres das trevas (e principalmente vencê-los) da maneira tradicional?

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Zé Carioca Invisível

História do Zé Carioca de 1984.

Anéis mágicos e seus poderes são o tema de muitas histórias de ficção e fantasia, desde antigas fábulas árabes e africanas e até clássicos da literatura ocidental, como “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien.

Aqui temos uma história que logo de cara se inicia com um estrondo, literalmente. Alguma coisa cai do céu sobre o topo do Morro do Cochilo, perto de onde o Zé costuma passar tardes inteiras dormindo. Todos, incluindo o nosso amigo dorminhoco, passam a história inteira achando que o estrondo foi causado pela queda de um meteorito (e não meteoro, como aparece nas páginas). Mas a verdade é que, se papai tivesse usado o termo correto, poderia ter alienado o leitor, já que não é todo mundo que realmente sabe a diferença.

Em todo caso, a teoria do meteorito pode até explicar a muito real queda de um objeto bastante sólido, mas não explica o aparecimento do anel, que em um primeiro momento vem voando e acerta o Zé em cheio na cabeça. Estariam os dois acontecimentos relacionados? Que anel é esse? De onde veio? Será uma joia, valerá alguma coisa? Para não chamar a atenção o Zé resolve virar a pedra do anel para o lado de dentro da mão, fora da vista dos amigos, e é nesse momento que ele descobre o poder “mágico” do objeto.

ZC invisivel

E ele até consegue se divertir um pouco com sua invisibilidade e fazer algumas das coisas que uma pessoa poderia pensar em fazer se tivesse esse tipo de poder, como passar rasteiras e dar empurrões em seus desafetos. É claro que ele precisará ser castigado por isso, no final. Mas mais do que ser desmascarado, ter de confessar e se arrepender, como aconteceria em uma clássica história Disney como as do Pato Donald, por exemplo, aqui o castigo do Zé está intimamente ligado à revelação final sobre a verdadeira natureza do anel.

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Taca Sal no Sapo

História da Turma da Patrícia, publicada na Revista Patrícia número 5, em 1987.

Na lista de papai há um (L) antes do nome da história, o que indica que fui eu quem deu a ideia, e foi isso mesmo. Papai gostava de ouvir qualquer nova gíria ou expressão que meu irmão e eu aprendêssemos com os colegas na escola, e na época os meninos de minha escola em Campinas se saíram com essa, para perseguir e fazer bullying com qualquer pessoa que eles não quisessem ouvir.

Patricia sal

Essa pessoa era então tachada de “chata” e de “sapo”, e calada e afugentada na marra sob muita gritaria de “taca sal no sapo”. Era uma maneira muitíssimo antipática e mal educada de se calar os outros, menos “populares” na turma, e ainda tinha o “conveniente” de poder ser passada por “brincadeira”, se a vítima reclamasse. Mas a minha sugestão parou por aí. A história em si é 100% obra de papai.

No universo da Patrícia temos o Sapo Urucubaca, que diz (sim, ele fala) ter sido um marinheiro transformado em sapo por uma bruxa. Como se não bastasse, ele tem fama de ser muito azarado, mais ou menos como um certo membro da família Metralha no universo Disney. E é justamente esse sapo que o menino praguinha chamado Terremoto resolve perseguir, saleiro na mão, aos gritos de “taca sal no sapo”, por puro preconceito e antipatia. É claro que a falta de educação do Terremoto não passará impune no final.

Patricia sal1

A palavra “urucubaca” é sinônimo de “mau agouro”, “azar”, etc. Além disso, papai usa outras expressões populares e mais antigas, mais conhecidas dele, como “sapo de fora não chia”, para enriquecer um pouco mais o tema “sapo” da história.

Mas a verdade é que a mensagem, hoje, é justamente “não jogue sal no sapo”, pois eles são animais inocentes dos nossos preconceitos, e o sal em contato com suas peles de batráquio pode até matar. Fazer isso é uma maldade imensa com o bichinho. Eles são feios, mas não merecem tamanha tortura. E, é claro, também não se deve calar pessoas na marra por bullying, já que isso é uma falta de educação e uma grosseria das grandes.

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Nozes Com Mel

História dos esquilos Tico e Teco, de 1974.

Com apenas duas páginas, esta história é mais simples e mais infantil do que a maioria das histórias que papai costumava escrever, mas é também uma pequena aula sobre como funciona (ou deveria funcionar) o Sistema Judiciário de um país.

Logo de cara há um conflito, quando o urso Zé Grandão arromba a porta dos esquilos à procura de algum lugar de onde possa retirar mel. Para se vingar, os esquilos então o dirigem a uma colmeia guardada por “perigosas abelhas africanas”. E não, as flechas não são uma intervenção do desenhista. Isso é parte integrante da trama, e papai sempre dava instruções muito exatas aos seus desenhistas sobre como ele queria que as coisas fossem feitas, até mesmo quando era ele que fazia o rafe.

T&T mel

Mas é somente após a intervenção do Seu Corujão, o “juiz da floresta” que as coisas se resolvem e a paz volta a reinar.

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Curta, simples, direta e educativa. O que mais se pode esperar de uma história infantil?

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