Quem Tem Medo Do Bicho-Papão?

História do Morcego Vermelho, de 1978.

Como toda boa trama de terror (e de “terrir” também), esta história começa com uma paz enganadora. O nosso herói conseguiu vencer e mandar para a cadeia todos os bandidos de Patópolis. Isso é uma coisa boa, é claro, mas também deixa o personagem principal sem ter muito o que fazer.

Mas como esta não é uma história do Pena Kid, quando a paz for quebrada, será em grande estilo. (Eu disse “grande”?) É que “grande”, na verdade, é só o estilo, mesmo. O vilão da vez até que é bem pequeno.

Para o leitor atento vai ficar claro de imediato que não é nenhuma alucinação. Resta tentar adivinhar, então, quem, ou o que, é esse “Bicho Papão”. Pelo tamanho, poderia ser o bruxinho Peralta transformado, ou até mesmo um produto de sua maleta de monstrinhos. Mas qual interesse ele teria no Morcego Vermelho? Ou talvez seja alguma criação robótica de algum dos gênios do mal que o Morcego prendeu? Uma coisa é certa: seres sobrenaturais, como monstros, seres mitológicos e assombrações não existem. Ou será que existem?

Quando a “pulga atrás da orelha” do leitor já está coçando bastante, papai começa a jogar mais pistas nas páginas. A insistência do bicho em sugerir que o herói abandone a carreira é a principal delas. E o fato de na verdade serem três os monstrinhos lembra bastante as histórias do Zorrinho. Só que os sobrinhos do Donald podem ser um pouco levados de vez em quando, mas não cometeriam uma agressão dessas. Assim, quem eles poderiam ser?

A resposta, é claro, será revelada na última página, depois de uma intensa troca de sopapos entre os bons e os maus. Lembrem-se: foram os monstrinhos quem começaram a agressão, e para valer. Mas tenho a impressão de que esta história não seria aceita para publicação nos dias de hoje no formato em que está, justamente por causa da identidade dos vilões.

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Histórias Do Vovô

História da família Metralha, de 1975.

Em geral, as “vítimas” prediletas do Vovô quando ele resolve contar suas histórias são os Metralhas adultos, mas hoje, por falta dos mais velhos, quem vai escutar o “causo” são os Metralhinhas.

De qualquer modo, não é nenhum grande relato sobre os antepassados, mas sim sobre um plano de assalto bastante recente. Mas isso não quer dizer que a história não terá lá as suas reviravoltas. O leitor atento logo vai perceber que algo está errado quando vir que os próprios Metralhas não contaram a aventura aos meninos. Afinal, eles também gostam de se gabar de seus feitos.

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O plano não chega a ser ruim, mas como não existe crime perfeito, a execução será bem falha e com resultados surpreendentes. O problema é que passou-se muito tempo entre o planejamento e a execução.

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A verdade é que cidades são coisas muito dinâmicas: a loja que outro dia estava bem ali pode de repente não estar mais, pessoas mudam de endereço, e até mesmo coisas que não se mudam tão facilmente, como bancos e repartições públicas, também podem ser extintas ou mudar de endereço.

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O Circo Dos Horrores

História do Tio Patinhas, de 1976.

Os assim chamados “shows de horrores” ou circos de horrores eram uma forma de entretenimento que foi muito popular nos EUA do século XIX, mas eu desconfio que é algo que vem desde a Idade Média, ou até antes na História.

Nas cortes dos reis medievais e renascentistas europeus eram muitos os contratados para entreter os nobres, entre palhaços, mágicos, músicos e pessoas portadoras de deficiências, como o nanismo, por exemplo.

O fato é que, por falta total de tecnologia médica para ajudá-las e pelo forte preconceito que essas pessoas sofriam, os deficientes físicos em geral não teriam outra condição de trabalhar e se sustentar, a não ser que se juntassem a algum tipo de “circo” ou se colocassem sob a “proteção” de algum explorador inescrupuloso.

No Novo Mundo, os shows itinerantes que viajavam pelos EUA eram um misto de zoológico humano e museu de bizarrices: pessoas deformadas, objetos estranhos usados em shows de mágica, e animais mitológicos empalhados. Desses bichos empalhados, as mais famosas talvez sejam as Sereias de Fiji, que nada mais eram do que carcaças de macacos costuradas em rabos de grandes peixes.

(Aliás, se você ainda não clicou nos links, eu recomendo cautela: algumas das imagens são um pouco fortes.)

Com o início do Século XX e os avanços da medicina e da cultura esses espetáculos deploráveis foram caindo em desuso. Mas algo inspirado nisso que ainda circula por todo o Brasil em circos e parques de diversões itinerantes é o show da “Monga, a Mulher Gorila“.

Na história de hoje, os monstros bizarros que povoam o circo “Gorlando, O Feio” (mais uma brincadeira com o famoso Circo Orlando Orfei) são na verdade bruxos vindos de Bruxópolis para ajudar a Maga Patalójika em mais um plano para tentar roubar a Moedinha Número Um.

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A Árvore Assaltante

História dos irmãos Metralha, publicada uma única vez em 1975.

Trata-se de mais um plano para tentar praticar assaltos, já que eles são tão manjados na cidade e tão ineptos no que fazem que já não estão conseguindo nada.

O problema é que eles se consideram descendentes de “grandes” bandidos (embora essa noção seja bastante questionável, pois já vimos que seus antepassados através da História não eram muito diferentes deles) e se sentem na obrigação de praticar grandes assaltos e roubos, coisa que nunca conseguem fazer, obviamente. No fim das contas, não passam de ladrões de galinhas.

Enquanto a maioria dos planos que eles bolam até que são bons e poderiam dar certo se não fosse a execução relapsa, este plano em especial já surpreende, logo de saída, pelo absurdo da ideia.

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Mas isso não quer dizer que a execução não será um verdadeiro desastre, ainda por cima.

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Os metralhas vão sair de mãos abanando, como sempre, e como não poderia deixar de ser. Quem ganha é o leitor, que certamente rolará de rir com a situação positivamente insólita que vai se desenrolando pelas ruas de Patópolis.

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O Poderoso Metralhão

História dos Irmãos Metralha, de 1975.

Da série “Metralhas Históricos”. Desta vez a referência é ao filme “O Poderoso Chefão”, de 1972. Assim, o “Poderoso Metralhão” seria um tio dos Metralhas atuais.

Mas, apesar da aparência, com terno riscado de alfaiataria, monóculo e bochechas caídas, a semelhança com a máfia italiana para por aí. Também não fica claro que tipo de crime esse “Metralhão” praticava com seu bando. Tudo o que se sabe é que ele era procurado pela polícia na Patópolis dos anos 1920, mas tinha muita prática em fugir e se disfarçar.

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Ao que tudo indica, ele era tão pé de chinelo como todos os outros Metralhas através da História, praticando pequenos assaltos por onde passava. O modus operandi aqui é se infiltrar em festas e outros eventos com muitos participantes e se aproveitar da descontração e distração dos incautos para roubar à mão armada.

O método de fuga e local de esconderijo são quase perfeitos, e o principal plano de assalto, como sempre, é bom. Mas é claro que, com o 1313 (que na verdade é um tio do Azarado que conhecemos) por perto, nada pode dar certo. Um erro crasso, daqueles bem bobos mesmo, será mais uma vez a ruína do bando, para a diversão do leitor.

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O Irmão Gêmeo Do Biquinho

História do Biquinho, publicada pela primeira vez em 1987.

Esta é mais uma boa sacada de papai: a maioria dos sobrinhos dos personagens Disney existe aos pares e até mesmo às trincas. Os sobrinhos do Donald são 3. As sobrinhas da Margarida, também. Até os vilões têm sobrinhos múltiplos, como por exemplo os Metralhinhas. Os sobrinhos do Mickey e do Zé Carioca são 2 para cada tio. As bruxas também têm sobrinhos de sobra, com as bruxinhas Perereca e Magali (era uma bruxinha só, mas papai acabou desdobrando a personagem em duas) representando o tema “gêmeos”.

Os que têm um sobrinho só são o Pateta, com o Gilberto, o Professor Pardal e seu sobrinho Pascoal, o Gastão com o Trevinho, e por fim o Peninha que, com o Biquinho, foi provavelmente o último a ganhar um sobrinho.

O interessante é que a descrição do personagem, o patinho nascido de um ovo abandonado ao sol e criado por porcos-espinho, em uma alusão ao Tarzan, o órfão criado pelos macacos da floresta, deixa espaço para a interpretação que é feita hoje: se havia um ovo abandonado ao sol, será que não poderia haver outros? Afinal, pássaros como galinhas e patas costumam botar um ovo por dia, às vezes até dois.

Muitas crianças, aliás, já sonharam em ter um irmão gêmeo só para poder “aprontar” melhor. Esse parece ser o caso do Biquinho, que acaba vendo o seu desejo ser realizado logo na esquina de casa. A história tem toques de temas como o “gêmeo mau” (se bem que, aqui, é difícil dizer quem é o pior… o Trambique que o diga) e referências à literatura como em “o príncipe e o mendigo”.

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O Cisquinho, patinho parecido com o Biquinho e seu tio Penald (uma mistura dos nomes do Peninha e Donald) são, por definição, “personagens de uma história só”, criados especialmente para esta história.

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O Gato De Botas

História do Morcego Vermelho, de 1977.

O título é uma referência ao conto infantil de mesmo nome, de autoria de Charles Perrault.

Como sempre, papai não reconta a história na qual se inspirou em todos os detalhes, mas usa alguns de seus elementos para compor algo totalmente novo. Neste caso, o principal elemento usado é o das botas mágicas que fazem quem as calça percorrer 7 léguas com um só passo.

Em 1697, ano em que o conto de fadas foi escrito e publicado pela primeira vez, esse provavelmente era um sonho comum, já que ainda não existiam as grandes máquinas que hoje rapidamente nos levam a todo lugar. Os mais ricos andavam a cavalo ou de carruagem, e os mais pobres iam a pé, mesmo. Essa era a tecnologia da época, e qualquer coisa mais rápida era muito provavelmente considerada impossível.

Estranhos gatos com capas e calçando as prodigiosas botas aparecem em Patópolis aprontando todas, e será tarefa do Morcego Vermelho prendê-los (do jeito dele, é claro) e acabar com a farra.

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O interessante é que o Morcego não é somente um pato fantasiado. O que começou como uma fantasia de carnaval para que o repórter Peninha pudesse entrar em uma festa a fantasia foi, com o tempo, se tornando algo quase mágico por si só. Ao vestir a roupa de herói o primo do Donald realmente se transforma, senão somente em nível psicológico, mas realmente muda até mesmo de personalidade. Apesar de conservar a qualidade desastrada, o Morcego é bem mais esperto e sabe raciocinar com mais clareza do que o Peninha.

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Mas a história não é só isso. Papai vai deixando pistas pelas páginas sobre a possível real identidade dos gatos, na esperança que o leitor adivinhe. E o Morcego, apesar de acabar prendendo os bandidos, infelizmente também vai se dar mal. É a vida: às vezes a gente perde, até mesmo quando a gente ganha.

Hoje entre as curiosidades temos um cinema chamado “Cine Lândia”, uma referência tanto à praça chamada Cinelândia, no Rio de Janeiro, quanto à distribuidora de filmes de mesmo nome.

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