Dançando na Corda Bamba – Inédita

História do Zé Carioca, criada em 17 de maio de 1993 e nunca publicada.

De todos os planos do Zé Carioca para levantar uma graninha com pouco esforço, este é certamente o “menos honesto”, e isso dá a esta história um estilo um pouco mais “alternativo” do que à maioria das outras criadas por papai.

É provavelmente por isso mesmo que ela nunca foi comprada, nem na primeira e nem na segunda vez em que foi apresentada à turma da Abril.

Mas, como diziam os antigos, “a mentira tem asas, mas tem pernas curtas, e a verdade é uma velhinha que mora no fundo de um poço”. Quando a verdade finalmente consegue sair do poço, sempre escalando as paredes com muito esforço, a mentira perde suas asas e, por ter pernas curtas, não consegue mais fugir.

A trama de hoje, mais do que ser somente sobre o plano do Zé, é inspirada por um antigo samba de Ismael Silva chamado “Antonico“. O nosso anti-herói canta a primeira estrofe todinha na primeira página. “Dançar na corda bamba” era uma antiga gíria que queria dizer “passar por grandes dificuldades na vida”.

Já a cena mais engraçada desta história certamente está na página 05: os Anacozecos não apenas nunca conseguiram cobrar o Zé, como desta vez darão dinheiro (!) a ele. No final, é tudo um grande elogio e uma homenagem ao Nestor, o amigo fiel para todas as horas, pois aqui vemos o quanto ele é querido por todos na Vila Xurupita.

O Nestor é, aliás, tão “boa praça” que em momento algum nesta história fica bravo com o Zé por causa da trapaça que o papagaio tentou aprontar.

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A Epidemia Maluca

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1976.

O mistério de hoje envolve um suposto caso de histeria coletiva, no qual toda a população de uma cidade, localizada em algum país exótico de aparência arabizada, endoideceu de repente. Se isso não fosse o suficiente, (mais) coisas estranhas estão acontecendo, e os chefes de nossos amigos agentes secretos acreditam que a BRONKA tem alguma coisa a ver com isso.

“Epidemias malucas” de vários tipos são mais comuns e têm existido por mais tempo do que se pensa, desde os episódios de “dançomania” durante a Idade Média e até a “epidemia de riso de Tanganika“, ocorrida já no século XX. Uma teoria que eu ouvi sobre o assunto propõe que elas acontecem mais entre populações que vivem sob estritas leis morais e religiosas, justamente aquelas onde demonstrações públicas de alegria e descontração são condenadas, e nas quais as mulheres são mais reprimidas.

Mas o caso, aqui, é menos psicológico e mais “farmacológico”. Também existiram casos de “Ergotismo“, que é o envenenamento acidental por um fungo do centeio, na História do mundo até a Idade Média, mas casos de loucura por envenenamento da água são mais comuns em filmes de espionagem e mistério do que na realidade.

Mas é claro que uma cidade cheia de gente maluca dançando nas ruas e fazendo a maior confusão é um tema muito engraçado para uma história em quadrinhos, que funciona muito bem e certamente vai fazer os leitores rirem bastante. E este, mais do que a solução de qualquer possível mistério, é o objetivo maior desta história.

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Em especial temos um coadjuvante um tanto surreal, que primeiro acredita ser Robin Hood, depois Guilherme Tell, e finalmente o Arqueiro Verde, em referência a três personagens clássicos bastante conhecidos.

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Os Sete Signos Mágicos

História das bruxas Maga e Min, de 1976.

Quando a Maga Patalójika não está às voltas com tentativas de roubar a moedinha número um do Patinhas, ela está procurando por outros amuletos que possam substituí-la, ou ajudá-la a conseguir a moedinha. É uma ideia fixa, uma mania da bruxa.

Este é um duelo de magia dos grandes, quase uma guerra total, para ninguém mesmo botar defeito. Mas, como papai indica logo na primeira página e, aliás, não poderia deixar de ser, mais este plano maligno também está fadado ao fracasso por um motivo bastante óbvio.

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A biblioteca (da Faculdade de Ciências Ocultas e Letras Apagadas) de Bruxópolis é um lugar deveras curioso, com prateleiras para “livros embolorados”, “autores desconhecidos”, “autores que não vêm ao caso” (o que poderia ser pior do que um autor desconhecido, senão um cujo nome nem vale a pena citar? Seria este um protesto contra o “anonimato” imposto aos autores das histórias Disney na época?), “livros empoeirados”, “livros indecifráveis” (como o Manuscrito Voynich) e “livros inacabados”.

A viagem é difícil e a busca pelos sete signos mágicos é perigosa, mas as bruxas são poderosas e conseguem derrotar facilmente o Pássaro Roca (da história de Simbad, o Marujo), e um dragão que cospe fogo. Mas derrotar a bruxa rival em si vão ser outros quinhentos, é claro, mesmo usando todas as palavras mágicas em seu repertório. A aventura toda é, de fato, tão movimentada e cheia de reviravoltas que o leitor até se esquece do “pequeno detalhe” do início.

As bruxas de lado a lado usam também várias ferramentas místicas do mundo real, como a “forquilha mágica”, usada em radiestesia para procurar por água e metais preciosos, e a “bacia mágica”, que é algo que John Dee e Nostradamus usavam em suas previsões e investigações ocultas.

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No Tempo dos Faraós

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

Mais uma da série “Metralhas históricos”, e desta vez a brincadeira é com o tema “Egito antigo”. O esquema é o mesmo da maioria das outras do tipo: o Vovô conta uma história, e os Irmãos estão em volta ouvindo, acompanhados do 1313, que também tem o seu ancestral azarado, de nome Azarophis, fazendo das suas na narrativa.

Logo no primeiro quadrinho temos uma deslumbrante visão de como deve ter sido a Esfinge de Gizé em todo o seu antigo esplendor, quando ela “ainda tinha nariz”. A História exata de como a Esfinge perdeu seu nariz é misteriosa e controversa. Há quem diga que foram os soldados de Napoleão que o removeram a canhonaços, ou até mesmo soldados britânicos no século 19, mas há também registros históricos que mostram a esfinge sem nariz muito antes da chegada das tropas europeias ao Nilo, e que atribuem a culpa a um líder muçulmano da região, no século 14.

Ao longo dos quadrinhos vemos mais cenas típicas do Egito, como uma vista panorâmica do Rio Nilo, e até uma brincadeira com a famosa frase de Napoleão a seus soldados sobre as pirâmides: “Do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam”.

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Outra grande sacada é a aparência de falcão do Faraó Thatodo-Mundholoko. No antigo Egito os Faraós eram considerados “filhos” do rei dos deuses, Amon-, que era representado justamente assim. Essa necessidade de representar todo mundo como “meio bicho” dos quadrinhos Disney parece natural para algumas pessoas, um tanto estranho para outras mas, no contexto certo, ganha todo um novo significado.

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A trama em si trata de um plano dos ancestrais dos bandidos para roubar a caravana do ancestral do Tio Patinhas, de nome Opha-thi-nhaz. O Azarado até tem alguma sorte nisso mas, como sempre, essa sorte dura muito pouco. O interessante é que o Azarado, em todas as suas “encarnações”, não é tão desafortunado assim enquanto está separado dos primos. É só quando eles se encontram que o prodigioso azar dele volta com força total e contagia a todos. Isso me faz pensar que este é um caso de “profecia auto-realizável“, ou os “santos” de todos esses bandidos realmente “não batem”.

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Heróis que não tão no gibi – Inédita

História do Zé Carioca, de 10 páginas, composta em 10 de abril de 1993 e nunca publicada.

A trama começa simples, boba até, e vai se complicando rapidamente, quase que de um quadrinho ao outro. O Zé se disfarça para despistar um cobrador, mas acaba espalhando boatos sobre um bandido e uma recompensa, e acaba alvoroçando a turma toda.

A história chegou a ser enviada à redação para avaliação, e foi devolvida com várias marcações, que podem ser vistas em azul em algumas das páginas. As “sombras” do lápis apagado em alguns balões mostram que ele chegou a fazer reformulações, talvez até mesmo durante o processo de criação, ou como preparação para tentar uma nova avaliação.

Ela foi devolvida também com uma folha de rosto contendo comentários mais detalhados, mas papai não costumava guardar esse tipo de coisa. Ele sabia que fazia parte do trabalho, mas não gostava nadinha delas, e seguia a máxima de Chico Buarque, de quem era fã: “todo artista tem que tomar as críticas como se fossem tapas na cara”. O fato é que alguns tapas podem até servir para (ou ter a intenção de) fazer uma pessoa despertar, cair em si e entender algo, mas todos doem e alguns até ofendem.

Sobre as marcações em si nesta história, algumas servem para lembrar papai de detalhes como o nome da “identidade secreta” do Zé Galo, por exemplo, ou citar referências, e outras servem como revisão de texto para palavras repetidas sem necessidade.

Mas com uma em especial eu não concordo. Ela está no topo da segunda página, acusando a repetição da frase “grande novidade”. É que cada balão tem um tom: no primeiro, o Nestor não está nada animado com a ideia de um bandido estar escondido na vila. Já no segundo, ele fica animadíssimo ao ouvir falar de recompensa.

Uma última anotação, na página 9, expressa um certo desconforto com o nome da “identidade secreta” da Gilda. Papai quis fazer uma brincadeira com o personagem de capa e espada Zorro mas, realmente, a expressão “Zorra” fica meio estranha. Hoje um pouco menos, por causa de certos programas de TV, mas creio que há 23 anos essa palavra não era tão comum de se ouvir.

Digno de nota é o uso do Soneca, o fiel cachorrinho do Zé, que só papai realmente soube usar. Também interessante é a abordagem bastante “feminística” do finalzinho. Papai estava começando a pegar o jeito dos novos tempos.

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A Mãe do Mato

História da Patrícia, escrita em março de 1987 e publicada pela Editora Abril na revista Patrícia número 1 em outubro do mesmo ano.

Um dos temas que papai gostava de explorar para os personagens com os quais trabalhava era o folclore brasileiro, como lendas indígenas, por exemplo. Hoje temos a “Mãe do Mato”, que em alguns casos é apenas outro nome dado ao Curupira, mas que em Macunaíma, de Mário de Andrade, é caracterizada como uma Rainha Amazona, da tribo de mulheres indígenas que fez os exploradores europeus batizarem parte da região norte do Brasil em homenagem às Amazonas da mitologia grega.

Mas por ser uma história infantil, papai toma um terceiro caminho para este personagem, enquanto mantendo-se fiel à essência do mito, que trata de um espírito protetor da fauna e da flora contra a exploração predatória. Aqui, a entidade protetora toma a forma de uma enorme árvore animada que comanda outras árvores do mesmo tipo em um esforço para atrair a Patrícia até o centro da floresta e pedir socorro contra um madeireiro ilegal.

A prática denunciada pela Mãe do Mato de papai é, aliás, algo muito real e muito comum entre os madeireiros ilegais em nossas florestas.

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A revista Patrícia 1 contém outras duas histórias escritas pela família: “Uma Charada Diabólica” é de autoria de minha mãe, Thereza Saidenberg, e trata de charadas e ditos populares com uma pitada de situação insólita.

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A outra história nesta revista com autoria conhecida é minha, “Robô Trapalhão”, criação de um personagem robô que causa confusão por causa de uma programação mal feita.

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Papai colocou as duas histórias em sua lista de trabalho por causa de pequenas correções e adaptações que fez (com a nossa permissão, é claro, afinal, esse era um trabalho em equipe) quando elas voltaram da redação para serem reformuladas.

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Mistério À Paulista

História do Zé Carioca, de 1973.

As primeiras histórias do Zé são caracterizadas pela falta de outros personagens para contracenar com ele. Papai ia inventando um figurante aqui, outro ali, todos muito interessantes, mas sempre “personagens de uma história só”.

Quando o Canini inventou o Zé Paulista, papai viu nele uma bela oportunidade de diversificar os personagens e ao mesmo tempo tornar as aventuras menos aleatórias, com um grupo mais ou menos fixo de coadjuvantes.

Nesta história a Vila Xurupita ainda não existia, e vemos que o Papagaio Verde mora em um casebre com endereço e tudo, à Rua da Dureza, número 25-A. Coincidentemente ou não, “25A” é um grau de dureza de materiais na “escala Shore“, e equivale a plásticos moles, como borrachas, por exemplo. Seria esta uma sutil indicação de que a vida do nosso amigo malandro não é assim tão dura, afinal?

O nome da história é tanto uma referência ao primo Zé Paulista quanto a um prato típico da culinária do Estado de São Paulo, o “Virado à (moda) Paulista”, e a trama em si é um mistério policial bastante parecido com a dos “Herdeiros Trapaceiros”, já comentada aqui, e que foi a segunda história do Zé Paulista, e primeira de papai. Esta é a terceira, e a segunda de papai para o personagem.

Chamado às pressas pelo primo e seguido o tempo todo por misteriosas figuras vestidas de preto que tentam atrapalhar, em meio a pistas falsas e personagens que não são o que parecem ser, o Zé Carioca vai exercitando os seus dotes de detetive, que seriam úteis no futuro para a “Agência Moleza de Detetives”.

Sujo por causa da acidentada viagem até o circo do primo, o Zé vai tomar um banho antes de mais nada, e assim somos brindados com mais um “nu implícito” do papagaio. Isso era algo que papai gostava de fazer, com a cumplicidade de seus desenhistas, para brincar com o puritanismo das regras da Disney. Em 1977 ele voltaria a criar uma cena de nudez para o personagem na história “Zé Crusoé”, também já comentada aqui.

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