O Poderoso Metralhão

Esta é a última história da série A História de Patópolis, publicada pela primeira vez em 1982.

A saga da Pedra do Jogo da Velha chega ao fim nos anos 1930, em uma Patópolis muito parecida com a Chicago da mesma época, tomada por gangsteres e pelo crime organizado.

Apesar da semelhança com a quadrilha Metralha, o vilão chamado Al Metralhone não é um antepassado do Vovô Metralha. Como vimos em outra história de mesmo nome da série Metralhas Históricos que já trata desse personagem, ele é um tio dos Metralhas atuais.

O nome dele é uma referência a Al Capone e, como ele, o Metralhone andava sempre na tênue linha entre legalidade e ilegalidade, entre roubos e a exploração do jogo (e principalmente o da velha, é claro). Como ele, também, será preso por algo que não tem lá muito a ver com o atos de violência que comete pela cidade.

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Papai “costura” a história de uma maneira inusitada: ela começa com uma ação dos bandidos para roubar uma banca de frutas. Em seguida ficamos sabendo que o Metralhone está atrás de jabuticabas (fruta que era, aliás, a predileta de papai). Na continuação, vemos um alambique ao fundo, e por fim ficamos sabendo o que é produzido ali: licor de jabuticaba!

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Em nenhum momento papai fala explicitamente sobre a Lei Seca nos EUA, mas quem conhece um mínimo de História vai finalmente conseguir unir os pontos.

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Os Sete Ajudantes De Papai Noel

História da Vovó Donalda, de 1982.

O problema das pessoas más é que elas não acreditam serem merecedoras de nada. Assim, agem sempre na suposição de que o que elas querem, ou até mesmo necessitam, lhes será negado por outras pessoas. Desse modo, para não passar pela humilhação de pedir, elas preferem tentar roubar. Esse é o caso dos Sete Anões Maus, pelo menos no tratamento dado a eles por papai.

É véspera de Natal e os anões estão vagando, com fome e com frio, nas proximidades do sítio da Vovó, onde toda a família Pato está reunida. Como não acreditam que serão bem recebidos se pedirem abrigo, nem mesmo na noite de Natal, eles armam um plano para invadir a festa.

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Eles foram criados na Itália em 1939 como antagonistas dos Sete Anões da Branca de Neve mas, quando papai os “adotou” em 1974 para a série Grandes Duelos, eles já não eram usados pelos autores italianos desde 1966.

E de 1974 até 1986 eles foram usados somente por papai, que os desligou do universo da Branca de Neve e os colocou entre os bruxos, criando também o Mago Mandrago, uma espécie de “gêmeo” não muito bonzinho do Feiticeiro de quem o Mickey foi aprendiz em “Fantasia” para ser o “patrão” deles. O nome do Mandrago, aliás, vem da planta “Mandrágora“, um clássico – e muito tóxico – ingrediente de poções mágicas.

A grande sacada de papai a respeito dos vários “anões”, os bons e os maus, foi perceber que os companheiros de aventuras da Branca de Neve são na verdade Gnomos, caracterizados como tal por causa da mina de pedras preciosas associada a eles, e que os Anões Maus são mais exatamente Duendes, seres bem menos bondosos mas ainda assim meio “aparentados“, já que as distinções entre eles são muitas vezes pouco claras nas mitologias europeias de onde se originam.

E o fato é que, na lenda do Papai Noel, os ajudantes do Bom Velhinho são todos duendes bonzinhos. Assim, o exercício de imaginação parece até bastante lógico: se os ajudantes do Papai Noel são Duendes, e os “Anões Maus” também são, quais poderiam ser as consequências de um encontro entre eles?

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Um Natal Do Passado

Publicada pela primeira vez em dezembro de 1982, a história mescla acontecimentos do tempo presente com as lembranças de Natais passados da Vovó Donalda.

Assim, temos os personagens que já conhecemos, juntamente com suas versões mais jovens e outros, apresentados hoje ao leitor, que são antepassados dos atuais, mais ou menos como aconteceu na saga da História de Patópolis (que foi publicada, aliás, no mesmo ano). Seria esta uma história de Natal não oficial da série?

Não há menção à Pedra do Jogo da Velha, mas temos um mapa das minas de ouro da cidade, encontrado e muito bem oculto pelo jovem Patinhas que, na época, era apenas um patinho, assim como a Donalda. Outros personagens são tios avós dos metralhas atuais, e alguns parentes da Vovó, como sua própria avó, de nome Hortênsia, e um tio chamado Donaldo.

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O trunfo da história, o detalhe central que denota a esperteza precoce do Patinhas e leva à derrota dos bandidos, gira em torno do boneco de neve que a jovem Donalda, na época com 5 anos de idade, está fazendo quando a história começa. Papai confia na atenção do leitor para que ele perceba o que está acontecendo.

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O resto é a história da luta de uma família desarmada contra bandidos ferozes, com o uso de um engraçado detalhe, que é o que vai finalmente colocar os vilões para correr sem que os patos precisem recorrer à violência. Uma vez derrotados os bandidos, a história pode então terminar enquanto começa a festa de Natal da Família Pato, com direito a votos de Boas Festas aos leitores.

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A Repórter Mais Simpática

História da Margarida, de 1974.

Toda profissão tem seus “ossos do ofício”, e o jornalismo não é diferente. A competição entre os profissionais pode ser acirrada, e nem todos jogam limpo.

A isto papai adiciona o mito da rivalidade entre mulheres, uma fantasia machista que estava muito arraigada na cultura brasileira da época, e que é, até hoje, encorajada como mais uma das maneiras que existem de se tentar controlar o comportamento das mulheres para benefício dos homens. (Lembrem-se, mulherada: isso não precisa ser assim, e nós ganhamos muito mais unidas do que separadas.)

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Há também o problema da competição que é organizada de propósito para que apenas o participante “da casa” tenha chance de ganhar, de preferência humilhando os adversários no processo. A tarefa do pessoal do bem da história será conseguir ter uma chance justa, usando de alguma engenhosidade e astúcia, mas de preferência sem trapacear também. Papai usou isso várias vezes, mais notoriamente em histórias como “A Copa do Morro é Nossa”, e outras semelhantes.

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O desafio principal da competição será fazer uma entrevista agradável com “a pessoa mais antipática de Patópolis”. Por sorte da Margarida, a definição de antipatia é algo um pouco subjetivo, e é a chance que ela terá de “virar o jogo” com sutileza e elegância.

São os “truques” do jornalismo para se conseguir informações, algumas vezes até mesmo não deixando que o objeto da entrevista perceba que está sendo entrevistado.

O editor J. Rata Zana e a repórter Malu Tadora (ambos de A Patranha) aparecem apenas nesta história e são, portanto, criações de papai.

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Gato E Sapato

História do Ronrom, de 1974.

“Fazer de gato e sapato” é uma antiga gíria que significa “maltratar e abusar” de alguém. Papai aqui usa a expressão como um trocadilho para brincar com o Ronrom e fazer a conexão do animal de estimação do Donald com o resto da história.

A situação apresentada no início da trama, com o Donald oferecendo um almoço em sua casa para os colegas de A Patada (que são também sua namorada, primo e sobrinhos), é algo que papai fez algumas vezes com os seus colegas da Editora Abril, especialmente por ocasião das Festas Juninas. Uma fogueira era acesa no quintal, e eram servidos churrasco e as demais comidas e bebidas típicas.

É possível que a inserção da “piada interna”, já que o leitor não teria como adivinhar o que se passava na residência do autor (mas qualquer um na redação saberia imediatamente do que se tratava), tenha sido uma maneira encontrada por papai para agradecer aos colegas pela presença e “imortalizar” a festa.

Mas o que não acontecia, é claro, era essa intromissão do chefe de redação (que aliás também costumava participar das festas lá em casa) com antipáticas ordens para interromper tudo e ir trabalhar. Essa é certamente uma vantagem do quadrinista sobre o jornalista: enquanto o primeiro é geralmente um freelancer que pode fazer os próprios horários, o segundo raramente tem um horário fixo, trabalhando ao sabor das notícias que se apresentam.

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Mandados ir cobrir a “FIP”, Feira Industrial de Patópolis, a Família Pato resolve não abandonar o espírito do feriado patopolense e pelo menos tentar se divertir um pouco enquanto trabalha. Um sinal daqueles tempos é o “trabalho infantil” dos sobrinhos do Donald, coisa comum na época, mas impensável de se mostrar com tanta naturalidade hoje em dia.

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E o elemento surpresa que entra para fazer bagunça e adicionar graça à coisa toda é o gato Ronrom, é claro. Sempre ávido por comer peixes, coisa que ele adora mas não ganha de seu dono, o felino resolve bancar o “repórter” também, com resultados hilários e um final feliz onde todos saem ganhando, apesar de tudo.

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A Fazenda Safári

História do Donald, de 1973.

Este é um interessante exercício de imaginação sobre o que possivelmente poderia dar errado em um empreendimento com animais selvagens, mas tentando não cair no lugar comum da mera perseguição por feras irracionais.

A inspiração vem de filmes como O Planeta dos Macacos de 1968, por exemplo, no qual macacos inteligentes comandam com mão de ferro um mundo semelhante à Terra.

Enviado para tomar conta de uma “Fazenda Safári” comprada pelo Tio Patinhas, o Donald começa a achar que os macacos que habitam o local, que poderiam ser uma ótima atração de um futuro empreendimento, são preguiçosos demais. Em um arroubo de dedicação excessiva, ele começa a experimentar com a ração dos bichos, até ter a ideia de encomendar do Professor Pardal uma “super ração” que, como todos os inventos desse personagem, acaba tendo efeitos inesperados.

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O uso do telegrama, que o Donald manda aos sobrinhos para pedir socorro, me lembra também a crônica de 1960 “Macacos Me Mordam” de Fernando Sabino, adaptada depois por Ruth Rocha, na qual um cientista pede “1 ou 2 macacos” a um amigo, e acaba com 1002 deles, por descuido do telegrafista.

Enquanto isso, no mundo real, nossos cientistas chegaram à conclusão de que os macacos da atualidade estão evoluindo até mais rápido do que nós e chegando à sua “idade da pedra“. Mais alguns milênios e, quem sabe, estaremos às voltas com primatas inteligentes, como se eles já não fossem espertos o suficiente do jeito que as coisas estão.

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O Amuleto Dá Sorte?

História do Pato Donald, de 1982.

Hoje vemos a turma de Patópolis todinha representada como crianças. Assim como também fez com a turma do Zé Carioca, papai busca, aqui, compor uma teoria das origens da profunda inimizade entre os primos Gastão e Donald e da disputa pelo amor da Margarida como algo que existe desde que eles eram pequenos.

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Além disso, ele também explora o “fator sorte” do gastão (e consequentemente o “fator azar” do Donald, mais ou menos como o azar do Metralha 1313), buscando explicações para o fenômeno.

Há pessoas que simplesmente têm sorte. Para as outras, resta a crença em amuletos. O interessante é que a maioria dos amuletos mais populares que conhecemos são símbolos de um passado no qual a fecundidade dos animais e dos campos se traduzia em mais alimentos na mesa. Um exemplo disso é a pata de coelho, animal que se reproduz com rapidez e produz muitos filhotes. Essa abundância toda, em tempos de insegurança alimentar extrema, já era considerada uma grande sorte.

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O que vemos hoje é que o primeiro a convidar a Margarida para um passeio a dois é o Gastão. E é o Donald quem tenta tomar a menina do primo, depois de roubar o que ele pensa ser o amuleto da sorte do patinho sortudinho. Obviamente nada disso vai dar certo, em punição pela desonestidade do Donald. Mas aí fica a pergunta (sem querer colocar lenha na fogueira, mas já colocando): de quem, afinal, a Margarida é namorada, e quem é que está tentando roubar a garota de quem?

Por fim, temos a curiosidade do número de telefone que o Gastão anota na testa do Donald. Com apenas cinco algarismos, a exemplo de muitos dos números da época, ele difere em apenas um deles de nosso número de telefone da casa em Campinas. Nosso número era 84968. O da Margarida é 89968.

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