Vassoura Ao Molho Pardo

História das bruxas, escrita e publicada em 1974.

Esta é mais uma daquelas histórias geniais que foram, sabe-se lá por quê, publicadas no Brasil uma única vez. Isso é uma pena, mais gente deveria ter a oportunidade de ler esta pequena joia.

A trama se baseia, todinha, desde o início e até o final, em sutilezas. Toda a discussão entre as bruxas na segunda página é cuidadosamente composta para fazer com que as duas percam a aposta. Pois é, isso é possível.

O plano é muito bem bolado, como todos os planos de papai para seus bandidos, e o uso liberal de magia certamente é uma vantagem para eles. Mas, como sempre, haverá uma falha fundamental. Falha essa que, hoje, tem mais a ver com o fato de que não existe honra entre ladrões – e bruxas, também – (não vamos nos esquecer que todos os personagens principais são vilões) do que com qualquer outro fator.

A referência a “molho pardo”, como eu já mencionei neste blog, se dá porque este era o prato mais repugnante que papai conhecia. É a punição suprema às bruxas.

Já os Metralhas, desta vez, vão ficar sem uma punição mais séria porque eles afinal foram, para todos os efeitos, sequestrados e usados pelas bruxas para um plano que nem era deles.

Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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O Poderoso Metralhão

Esta é a última história da série A História de Patópolis, publicada pela primeira vez em 1982.

A saga da Pedra do Jogo da Velha chega ao fim nos anos 1930, em uma Patópolis muito parecida com a Chicago da mesma época, tomada por gangsteres e pelo crime organizado.

Apesar da semelhança com a quadrilha Metralha, o vilão chamado Al Metralhone não é um antepassado do Vovô Metralha. Como vimos em outra história de mesmo nome da série Metralhas Históricos que já trata desse personagem, ele é um tio dos Metralhas atuais.

O nome dele é uma referência a Al Capone e, como ele, o Metralhone andava sempre na tênue linha entre legalidade e ilegalidade, entre roubos e a exploração do jogo (e principalmente o da velha, é claro). Como ele, também, será preso por algo que não tem lá muito a ver com o atos de violência que comete pela cidade.

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Papai “costura” a história de uma maneira inusitada: ela começa com uma ação dos bandidos para roubar uma banca de frutas. Em seguida ficamos sabendo que o Metralhone está atrás de jabuticabas (fruta que era, aliás, a predileta de papai). Na continuação, vemos um alambique ao fundo, e por fim ficamos sabendo o que é produzido ali: licor de jabuticaba!

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Em nenhum momento papai fala explicitamente sobre a Lei Seca nos EUA, mas quem conhece um mínimo de História vai finalmente conseguir unir os pontos.

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A Escola De Bandidos

História dos Irmãos Metralha, de 1976.

O tema da “escola de bandidos”, ou “escola do crime” é uma clássica inversão de valores que, em outros tempos, era engraçada porque a ideia flertava com o absurdo. É também algo que papai usou algumas vezes para vários vilões, desde os Metralhas até o Sr. X. A ideia vem da literatura infanto-juvenil e dos livros prediletos de papai, como “Oliver Twist“, de Charles Dickens.

A intenção desta história é demonstrar, mais uma vez, que o crime não compensa, que não adianta se esmerar e tentar aprender novas técnicas de desonestidades, e que os bons sempre serão mais espertos que os maus. É um conto moralizante que, fiel ao estilo Disney de se fazer quadrinhos, tenta ensinar a honestidade enquanto diverte ao ridicularizar os desonestos.

O nome do dono da Escola de Bandidos, Istélio Natus, é um trocadilho com a modalidade criminosa “estelionato“. É o famoso Artigo 171 do Código Penal Brasileiro, que já virou até gíria. Além disso, “natus” é uma palavra em Latim que significa “nascido”. Este seria, então, um personagem “desonesto de nascença”.

Metralhas escola

Como sempre acontece nesses casos, os bandidos têm um “plano de aula” (na verdade, de assalto) que à primeira vista parece muito bom, mas que contém um grave erro fundamental que os levará à inevitável ruína. O leitor atento, ao bater o olho no “jornal grátis”, logo vai perceber qual é.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook

A Chaleira Voadora

História do Professor Pardal, de 1975.

O Morcego Vermelho está em férias, o Superpateta foi ao Polo Norte, o Mickey está na Patagônia, e o Vespa Vermelha também não está em Patópolis, o que deixa a cidade à mercê de Kid Mônius e Ted Tampinha, a bordo de uma chaleira voadora.

Apesar da aparência e do “jeitão” de OVNI, não se trata de uma nave alienígena, mas de uma invenção do mal. De qualquer modo, esta é mais uma adição ao repertório de mirabolâncias voadoras de papai, que vai desde discos voadores alienígenas com formato de prato, passando por objetos mais mundanos como balões e fogos de artifício, e até coisas como toca discos voadores.

Mas mesmo assim, não faltará a “opinião abalizada” de um suposto especialista engravatado, quando a cidade inteira se depara com o inexplicável. “Alucinação coletiva” é a clássica desculpa esfarrapada pseudo psicológica usada por governos e “homens de preto” em geral para tentar desqualificar avistamentos de OVNIs e fazer populações inteiras duvidarem de sua sanidade.

Pardal Chaleira

Mas quando até mesmo o helicóptero da polícia não consegue fazer frente à engenhoca, e na ausência de todos os heróis e defensores da lei de Patópolis, o Professor Pardal se vê quase forçado a tentar fazer alguma coisa. É nesse momento que o humilde inventor, que geralmente só combate bandidos quando eles o atacam diretamente, se vê transformado num herói ao estilo do Flash Gordon, pilotando seu foguete rumo ao perigo.

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Um objeto menos inusitado, mas certamente tão divertido quanto, é a minha biografia de papai. Ela está à espera de vocês nas melhores livrarias:

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Coleção “Os Grandes Duelos”: Tio Patinhas Contra Maga Patalójika

Esta história fecha a “trilogia” dos Grandes Duelos, e foi publicada em 1974.

O formato do livrinho é o mesmo dos outros, ricamente ilustrado, de fácil leitura e com alguns balões de fala, para evocar o mundo das histórias em quadrinhos.

Papai me dizia que não sabia como o nome de Alberto Maduar foi parar nos créditos, e há suspeitas de que ele tenha sido incluído por causa de algum palpite que deu, e porque era “chefe demais” para que esse palpite passasse em branco, ou por puro “saquismo” de alguém. Em todo caso, papai sempre teve o chefe e colega na mais alta conta, e até fez referência a ele numa história do Peninha como meteorologista, já citada aqui.

Uma curiosidade da edição que tenho em minha coleção é uma crítica literária, publicada em algum jornal da época, que ele teve o cuidado de recortar e colar no lado de dentro da capa dura:

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Desta vez ele levou a noção de “duelo” às últimas consequências, e a história toda é uma grande batalha, que começa com um sonho profético, outro elemento muito comum em suas histórias.

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Neste episódio vemos a Maga se aliando aos Sete Anões Maus, ou pelo menos tentando usá-los para os seus desígnios, e a aventura vai espiralando num crescente constante de enfrentamento e – porque não dizer – violência, até praticamente sair de controle.

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É no momento em que a Maga finalmente põe as mãos na Moedinha que o elemento “curinga” entra em cena, para acabar com a bagunça, por ordem no pedaço e punir os vilões, mas não exatamente porque ele seja bom, e sim em seu próprio interesse, que certamente não é a Número Um.

Coleção “Os Grandes Duelos”: Superpateta Contra Irmãos Metralha

Este é o segundo livro da série “Grandes Duelos”, publicado em 1974.

Dizem que o primeiro e o terceiro filhos de um casal costumam receber toda a atenção, ter magníficos álbuns de fotos de bebê, mas que o segundo geralmente fica um pouco “esquecido” no meio dos outros dois. É o que parece acontecer com este livro: os fãs se lembram e citam muito mais os dois outros volumes, e este nem tanto.

O formato é o mesmo que caracteriza a série toda: capa dura, livro do tamanho de uma revista em quadrinhos comum (formatinho), texto leve e fluido com balões de fala em algumas cenas (ideal para ser lido para a criança pelos pais) e magníficas ilustrações coloridas.

A história é uma das primeiras de papai onde outros personagens aparecem engolindo os superamendoins do Superpateta. Ao longo dos anos, ele os “emprestou” para vários outros personagens. Até a Maga Patalójika chegou a experimentá-los.

Aqui, os “agraciados” da vez são os Irmãos Metralha, que se transformam em Superazarado, Supersupersensível, Superintelectual e demais Supermetralhas. Com seus novos superpoderes, causam a maior confusão em Patópolis e inclusive enfrentam o Superpateta de igual para igual, pelo menos uma vez na vida.

BB SG Duelo

Com seus superpoderes combinados, eles conseguem até mesmo a façanha de roubar a Caixa Forte do Tio Patinhas inteirinha!

A briga não é fácil, mas a mera presença do Superazarado põe tudo a perder para o bando, para a sorte do nosso herói. É que os superamendoins também têm suas regras de uso, que os Metralhas desconhecem, é claro.

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O Superastro

História do Morcego Vermelho, publicada pela primeira vez em 1973.

No mundo dos filmes para o cinema nada é o que parece ser. Atores representam outras pessoas, e é difícil às vezes saber onde acaba a atuação e começa a realidade. Já houve até casos de acidentes em encenações de teatro e sets de filmagem que, pelo menos num primeiro momento, foram confundidos com a encenação que estava acontecendo até um momento antes.

Papai usa aqui essa ambiguidade para criar uma hilária confusão, onde até a identidade secreta do Morcego Vermelho é revelada, mas continua em segredo, e no fim quase é revelada de verdade.

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O Tio Patinhas está fazendo um filme sobre as aventuras do Morcego Vermelho, e para economizar contrata o Peninha para fazer o papel do herói, porque o próprio Morcego pediu um cachê muito caro. Isso aliás já aconteceu muito no cinema, e até a própria Disney contratou Aurora Miranda, irmã menos famosa de Carmem Miranda, para estrelar seu filme “Você Já Foi à Bahia?” justamente porque (diz a lenda que) a Carmem pediu um cachê muito alto.

Mas as contratações “baratas” do Patinhas não param por aí: para o papel dos Metralhas ele contrata um bando de vagabundos do cais do porto, mas o barato sai caro: os verdadeiros metralhas acabam pagando mais para tomar o lugar dos “atores” no set de filmagem, e ter acesso à Caixa Forte.

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A Margarida iria fazer o papel de Maga Patalójika, mas quando ela se adoenta, o Pato Donald é recrutado para o papel. Até o Mickey e o Pateta são contratados para a equipe técnica, o primeiro como iluminador, e o segundo como cinegrafista. Se bem que, com o Pateta no comando da câmera, as coisas complicam um pouco.

A frase “Morcego, sai da lata”, usada na primeira página, é uma alusão a um antigo comercial de uma marca de azeite, cujo slogan “Maria, Sai da Lata”, com sua musiquinha, acabou ficando tão popular que virou uma brincadeira na boca do povo, justamente para “acordar” aquelas pessoas distraídas que parecem viver dentro de seu mundinho particular.

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