A Nova Investida Dos Metralhas

História dos Metralhas, de 1975.

Esta é outra daquelas preciosidades que foram inexplicavelmente publicadas uma vez só. O plano é roubar a Caixa Forte do Patinhas (o que mais poderia ser?) mas os vilões acabam se atrapalhando tanto que vão presos (obviamente, como não poderia deixar de ser) quase sem dar trabalho à polícia e sem nem ao menos conseguir chegar perto de seu alvo.

O desencontro entre as duas partes do bando, uma chefiada pelo Intelectual, que já está esperando perto da fortaleza, e a do Vovô, que está levando a dinamite e o detonador até lá, é algo que acontecia bastante nos tempos antes da invenção do telefone celular.

E, para aumentar a confusão, temos um agravante: hoje o Vovô, que já está meio gagá e às vezes (na maior parte do tempo, na verdade) se comporta como uma criança, está com uma hilária fixação por máquinas de chiclete.

Ele começa comprando os doces com uma moeda, como qualquer pessoa, mas ao receber somente duas bolinhas se frustra e começa a roubar, em um crescente de “violência”. A primeira máquina libera as guloseimas após levar uma mera chacoalhada, mas à medida em que elas vão ficando mais “teimosas” (há várias, espalhadas pelas esquinas das redondezas) o Vovô também vai “sofisticando” os seus métodos. Só que isso não quer dizer, é claro, que os resultados serão os esperados.

Papai tinha uma teoria de que, quanto mais velha uma pessoa vai se tornando, mais “criança” ela vai ficando. A coisa começa com pequenos esquecimentos e manias bobas, depois a pessoa vai ficando frágil, em seguida pode perder o controle sobre certas funções corporais, etc. Se ficar velha o suficiente, corre o risco de ficar tão dependente como um bebê. (O que não é, exatamente, um prospecto lá muito desejável, mas assim é a vida.)

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Visitem também o Sebo Saidenberg, na Amazon. Estou me desfazendo de alguns livros bastante interessantes.

A Noite Dos Bruxinhos

História de Huguinho, Zezinho e Luisinho, de 1980.

A inspiração vem de uma história de Carl Barks de 1952. Dela papai usou o Dia das Bruxas, as fantasias dos patinhos e a participação da Bruxa Vanda com sua vassoura pensante, a Jezebel.

Para deixar clara a referência, ele usou inclusive um título parecido com o da história de Barks. Mas as semelhanças param por aí. Desta vez não há conflito com o Pato Donald, muito pelo contrário. O conflito será, aliás, completamente indireto, e essa é a principal diferença e o ponto forte desta história.

Fantasiados, os meninos nem estão pedindo doces ou donativos para si mesmos, mas sim para uma festa beneficente dos Escoteiros que, curiosamente, já está prestes a começar. (Papai não explica, mas seria interessante saber que despesa tão urgente é essa que força os garotos a arrecadarem dinheiro assim tão de última hora.)

O interessante é que o Luisinho até chega a ver os bruxinhos que são os vilões da história voando em suas vassouras várias vezes, mas não terá certeza e não haverá nenhum contato direto entre eles. Nem mesmo a Bruxa Vanda, companheira da aventura anterior, eles verão, desta vez.

Somente o Tio Patinhas chega a ver os dois conjuntos de crianças fantasiadas, já que os bruxinhos aproveitam a passagem dos meninos pela Caixa Forte para assumir a aparência deles, enganar o velho pato e assim entrar na fortaleza eles também.

Mas este não é o tema principal da história. É só o “gancho” que vai possibilitar a intervenção da Vanda e a punição dos bruxinhos. O tema da história não é o relacionamento dos meninos com o Donald, que mal participa da coisa toda. Não é exatamente o relacionamento dos patinhos com o tio rico (que hoje aliás está especialmente generoso, coisa rara, mas o tema também não é esse.) E certamente não é a festa beneficente dos Escoteiros.

O tema da história é puramente o Dia das Bruxas, e aquele tipo de magia que está constantemente à nossa volta mas que nós, materialistas e sobrecarregados com as tarefas do dia a dia, simplesmente não conseguimos ver.

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Também na Amazon, estou lançando um novo projeto: o Sebo Saidenberg, no qual inicialmente estou disponibilizando alguns dos livros de minha coleção particular que podem ser interessantes aos amigos, incluindo alguns poucos exemplares da biografia que estão comigo, e que seguirão autografados a quem os comprar diretamente do meu sebo.

Vassoura Ao Molho Pardo

História das bruxas, escrita e publicada em 1974.

Esta é mais uma daquelas histórias geniais que foram, sabe-se lá por quê, publicadas no Brasil uma única vez. Isso é uma pena, mais gente deveria ter a oportunidade de ler esta pequena joia.

A trama se baseia, todinha, desde o início e até o final, em sutilezas. Toda a discussão entre as bruxas na segunda página é cuidadosamente composta para fazer com que as duas percam a aposta. Pois é, isso é possível.

O plano é muito bem bolado, como todos os planos de papai para seus bandidos, e o uso liberal de magia certamente é uma vantagem para eles. Mas, como sempre, haverá uma falha fundamental. Falha essa que, hoje, tem mais a ver com o fato de que não existe honra entre ladrões – e bruxas, também – (não vamos nos esquecer que todos os personagens principais são vilões) do que com qualquer outro fator.

A referência a “molho pardo”, como eu já mencionei neste blog, se dá porque este era o prato mais repugnante que papai conhecia. É a punição suprema às bruxas.

Já os Metralhas, desta vez, vão ficar sem uma punição mais séria porque eles afinal foram, para todos os efeitos, sequestrados e usados pelas bruxas para um plano que nem era deles.

Aviso aos navegantes:

Não, este blog não lida com autocríticas. Muito pelo contrário, e isto é intencional, como vocês já devem ter percebido. Já existe gente de alma pequena o suficiente para tentar criticar, colocar para baixo e esquecer, algumas vezes intencionalmente, o trabalho de um artista genial (e de seus colegas desenhistas e outros argumentistas, tão geniais quanto), como se não bastasse o fato de que eram todos anônimos no início por força de contrato.

Então poupem os pomposos e arrogantes dedinhos de digitar abobrinhas rebuscadas. Eu sei o que eu estou fazendo, e as reações positivas dos fãs da Disney em geral nas redes sociais certamente não me deixam esquecer de que este blog é, sim, necessário e que estamos, todos nós, fãs de quadrinhos, no caminho certo.

Os cães ladram e a caravana passa. Tenho dito.

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Os Novos Chapéus Voadores

História dos Irmãos Metralha, de 1975.

Como sempre, o plano maligno de fuga e assalto é bom. Na verdade, é quase perfeito. E o problema, é claro, é esse “quase”.

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O chapéu voador é invenção de papai para o Professor Pardal, e não é por acaso que os planos para a invenção estavam na gaveta dos “inventos recusados”. Quem realmente acompanhou as histórias onde ele aparece e conhece o aparelho (com seus usos e suas limitações) logo vai adivinhar qual será o final da história.

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E o melhor de tudo é que não será preciso acionar nem a polícia, nem o inventor, e muito menos algum herói para fazê-los fracassar em mais este plano. Os Metralhas farão tudo sozinhos, da fuga à própria recaptura.

A presença do Azarado 1313 é meramente uma garantia de que tudo dará errado, é claro. Mas os vilões são tão burros, na verdade, que o resultado seria o mesmo de qualquer maneira.

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…Fica Assim De Gavião!

História do Professor Pardal, de 1973.

A inspiração para o título vem da letra de um antigo samba de Pedrinho Rodrigues, chamado “Ninguém Tasca (o Gavião)”. Mas as semelhanças com a canção (muito machista, por sinal) param por aí. A brincadeira, aqui, será bem mais literal e vai girar em torno do grande número de robôs com a aparência do Professor Gavião que vão circular por Patópolis. (Se um elefante incomoda muita gente…)

Outras noções interessantes que podemos ver são coisas como uma “entressafra” de superamendoins (o que impedirá o Pateta de se transformar e salvar a cidade, no que seria uma solução fácil demais), uma alusão à Cornucópia da Fartura (reza a lenda que quanto mais se tira coisas dela, mais ela produz) na máquina multiplicadora de robôs, e o comportamento limitado e repetitivo característico dos robôs de papai que seria usado novamente pouco tempo depois em “O Invencível Mancha Negra”, já comentada aqui.

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Por fim temos, como em “A Guerra dos Mundos”, outra referência bastante usada por papai, um “monstro” que contém em si a chave para sua própria destruição. Essa é realmente uma solução útil para se lidar com um problema dessas proporções sem precisar recorrer à obviedade de um super herói.

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De todas as referências, para mim a mais original é a da falta de superamendoins. Aqui descobrimos um ponto fraco do Superpateta que é tão óbvio quanto surpreendente. Papai já deixou o Super sem seus amendoins mágicos de muitas maneiras diferentes, mas uma entressafra é coisa que pouca gente imagina, na quase absoluta segurança alimentar deste nosso (quase primeiro) mundo pós-moderno.

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Se formos pensar em termos de amendoins comuns, no estado de São Paulo temos duas safras anuais. Uma de janeiro a fevereiro, e outra de junho a julho. Assim, é preciso ser realmente muito “pateta” para ficar completamente sem eles. Mas talvez os pés de superamendoins sejam diferentes, e produzam uma vez só por ano (ou nem isso, ou não seriam assim tão raros e especiais).

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A Vassoura Doida Varrida

História da Maga Patalójika, de 1978.

O título é uma associação de ideias entre o conceito de vassouras e a expressão “doido varrido“. Essa é uma daquelas expressões que usamos há tanto tempo (mais precisamente, desde os tempos do “Santo Ofício” – ou Inquisição, mesmo – no Brasil) que até já esquecemos o porquê, ou o que quer dizer exatamente. Mais precisamente, “varrido do juízo” é alguém cuja sanidade parece ter se esfarelado e sido removida, como que por uma vassoura ou ventania.

Assim, temos aqui uma vassoura mecânica “muito louca” criada pelo Bruxinho Peralta e “envenenada” (hoje em dia se diz “tunado”) como se fosse um carro ou uma motocicleta. A diferença é que aqui o “veneno” vem de poções de plantas venenosas, como na história “A Corrida de Vassouras” já comentada neste blog. Aliás, a intenção hoje é a mesma: ter algo poderoso com o qual participar da corrida de vassouras da grande gincana de Bruxópolis e vencê-la, de preferência.

O problema começa quando o bruxinho se choca em pleno ar com a Maga durante o voo de testes. Para não virar sapo, ele faz para ela uma vassoura a jato igual à dele, que ela vai usar, obviamente, para ir à Caixa Forte e tentar roubar a Moedinha Número Um pela enésima vez. É claro que, como sempre, o plano que parece infalível será frustrado. O interessante será ver exatamente como.

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E no final papai ainda consegue devolver a trama à gincana de Bruxópolis, com um final inusitado. Afinal, depois de tantas peraltagens, troças e trapaças, seria impensável que o Peralta tivesse permissão para vencer a corrida de vassouras.

(E por falar no Peralta, sou só eu ou a JK Rowling andou lendo quadrinhos Disney quando criança? Ou isso, ou então é realmente muito fácil imaginar vassouras “modernosas” e associá-las aos carros, por exemplo. Agora, a autora que me perdoe, mas a “mala cheia de monstros” da trama de “Animais Fantásticos” é uma coisa que foi criada juntamente com o Bruxinho Peralta nos EUA em 1964, desenhada pela primeira vez por Tony Strobl e muito usada por papai nos anos 1970/80. É óbvio que não é impossível que ela tenha chegado a essa noção por esforço de imaginação próprio, mas que é curioso, isso lá é.)

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O Depósito Impenetrável

História do Tio Patinhas, de 1973.

No tempo em que essa história foi escrita ainda era possível, por algum descuido, que uma pessoa ficasse trancada para fora de seu próprio carro, por exemplo. Ainda hoje é possível ficar trancado para fora da própria casa ou apartamento. Basta perder as chaves.

Em casas mais sofisticadas, com sistemas de segurança como alarmes e sensores de movimento, é possível que um morador ou visitante distraído cause uma grande confusão ao tentar ir buscar um copo de leite na cozinha no meio da noite.

Esta história se baseia em tudo isso, explorando a falta de familiaridade do quaquilionário com um novo sistema de segurança “impenetrável” contra ladrões inventado e instalado pelo Professor Pardal por sugestão do Donald.

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Uma vez posto para fora, o desespero é tanto que o Patinhas chega a pedir a ajuda dos Irmãos Metralha (pasmem!) para conseguir entrar novamente em sua Caixa Forte enquanto o Donald vai pedir ajuda ao inventor.

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Mas é claro que todo sistema de segurança tem seu ponto fraco, e o deste é mais óbvio do que parece. Tão óbvio, aliás, que quando for revelado, na última página, fará o velho pato desmaiar e o leitor rir a valer.

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Tenho o prazer de anunciar um novo livro, que não é sobre quadrinhos, mas sim uma breve história do Rock and Roll recontada a partir da perspectiva e da experiência dos fãs. Chama-se “A História do Mundo Segundo o Rock and Roll”, e está à venda nos sites do Clube de Autores agBook