A Noite Dos Bruxinhos

História de Huguinho, Zezinho e Luisinho, de 1980.

A inspiração vem de uma história de Carl Barks de 1952. Dela papai usou o Dia das Bruxas, as fantasias dos patinhos e a participação da Bruxa Vanda com sua vassoura pensante, a Jezebel.

Para deixar clara a referência, ele usou inclusive um título parecido com o da história de Barks. Mas as semelhanças param por aí. Desta vez não há conflito com o Pato Donald, muito pelo contrário. O conflito será, aliás, completamente indireto, e essa é a principal diferença e o ponto forte desta história.

Fantasiados, os meninos nem estão pedindo doces ou donativos para si mesmos, mas sim para uma festa beneficente dos Escoteiros que, curiosamente, já está prestes a começar. (Papai não explica, mas seria interessante saber que despesa tão urgente é essa que força os garotos a arrecadarem dinheiro assim tão de última hora.)

O interessante é que o Luisinho até chega a ver os bruxinhos que são os vilões da história voando em suas vassouras várias vezes, mas não terá certeza e não haverá nenhum contato direto entre eles. Nem mesmo a Bruxa Vanda, companheira da aventura anterior, eles verão, desta vez.

Somente o Tio Patinhas chega a ver os dois conjuntos de crianças fantasiadas, já que os bruxinhos aproveitam a passagem dos meninos pela Caixa Forte para assumir a aparência deles, enganar o velho pato e assim entrar na fortaleza eles também.

Mas este não é o tema principal da história. É só o “gancho” que vai possibilitar a intervenção da Vanda e a punição dos bruxinhos. O tema da história não é o relacionamento dos meninos com o Donald, que mal participa da coisa toda. Não é exatamente o relacionamento dos patinhos com o tio rico (que hoje aliás está especialmente generoso, coisa rara, mas o tema também não é esse.) E certamente não é a festa beneficente dos Escoteiros.

O tema da história é puramente o Dia das Bruxas, e aquele tipo de magia que está constantemente à nossa volta mas que nós, materialistas e sobrecarregados com as tarefas do dia a dia, simplesmente não conseguimos ver.

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Tição Acordado – Inédita

História do Zé Carioca, composta em 06 de agosto de 1993 e nunca publicada.

Ela é inspirada em uma história do Urtigão de 1993. Esse fato está inclusive anotado na margem da primeira página. Isso, por algum tempo, me levou a crer que ela também seria de papai. Mas agora penso que talvez não seja, não tenho certeza.

Em todo caso a noção do tição mágico é interessante, e parece ter algo a ver com as tradições da festa de São João no Brasil. Isso “casa” bem com o estilo de papai, sempre interessado em folclore e magia popular.

Ele gostou tanto da ideia que resolveu aproveitá-la para outros personagens, como já havia feito no passado com outros objetos mágicos, começando com os superamendoins e chegando até o Ídolo de Jade, por exemplo.

Interessante é o “método Zé Carioca” de fazer uma feijoada, em um caldeirão que parece coisa de bruxa, como se fosse uma poção ou uma sopa. Apesar de pouco realista, esse estilo de “cozinhar” faz uma boa imagem nas páginas impressas. Esta é, também, a penúltima história de papai e a última onde aparece toda a turma.

As bruxas são desconhecidas, um bando de quatro, talvez até meia dúzia delas, sem nomes, nunca vistas antes nem depois em histórias Disney. Papai talvez usasse bruxas mais conhecidas. Mas assim mesmo as “leis da magia” tradicionais se aplicam. Mesmo tendo feito a mágica e tendo direito ao atendimento do desejo, a turma da Vila Xurupita vai ficar sem ele, pois esse é um método “anti ético” de se conseguir as coisas.

A pista dada ao leitor de que as coisas não vão sair como eles gostariam aparece no final da página 09 e no início da última. Mas isso leva também à inutilização do tição como ferramenta das bruxas malvadas, colocando um ponto final na “carreira” do objeto mágico. No fim, não fica nem para a turma do bem, nem para a do mal.

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O Prefeito Perfeito – Inédita

História do Urtigão contra as Solteironas, composta em 25 de julho de 1993.

Esta é, de modo definitivo, a última história escrita por papai para este personagem. Trata-se, também, da grandiosa (tanto quanto possível) “batalha final” entre o velho matuto e o bando de mulheres que só pensam em casar. Hoje, finalmente, acontecerá o tão esperado (para alguns, e temido para outros) casamento do Urtigão.

A história é uma espécie de continuação e deve ser lida após “A Sorterona Prefeita”, já comentada aqui. Portanto, se você, leitor, ainda não fez isso, está na hora de fazer.

O título é um jogo de palavras entre os sons “pre” e “per”, só pela graça da coisa. De resto, a trama retrata bem, e sempre de maneira satírica, o jogo político de qualquer cidadezinha dos cafundós do Brasil. Governada por decretos, com “baile de posse” para um vice que simplesmente está assumindo temporariamente por uma doença do titular que nem é tão grave assim, fraudes com o papel timbrado da prefeitura, uma concorrência feroz entre “situação” e “oposição” e legislação em causa própria por parte de quem detém o poder. Qualquer semelhança com a política brasileira desde sempre não terá sido mera coincidência.

Será também “por decreto” que a bagunça toda vai se resolver, já que hoje nem a Amazona Solitária conseguirá salvar o Urtigão.

Na página 8, quadrinho no centro da página, há uma piada talvez não muito conhecida, por ser muito antiga, marcada com um ponto de interrogação em azul. Pois é, a pessoa da lapiseira azul não poderia faltar, depois de ter ficado “ausente” por algumas histórias.

A expressão “Tarde piaste” é uma piada malvada que se contava no interior de São paulo quando papai era criança, sobre um homem que, ao comer ovos crus, acaba engolindo um pintinho vivo. Ao que parece, é um provérbio originário de Portugal. Significa “chegar atrasado”, ou “protestar tarde demais”.

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A Noite Dos Zumbis

História do Zé Carioca, de 1979.

Muito antes de The Walking Dead, e seguindo uma já então longa tradição de histórias de terror cinematográficas que vinha desde 1932, papai também abordava o tema.

Depois de um longo e cansativo dia procurando (e não achando) emprego, o Zé se vê às voltas com uma moedinha aparentemente sem valor e com acontecimentos muito estranhos envolvendo a turma da Vila Xurupita durante a noite.

A história é uma referência ao filme “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1968, e sua sequência de 1978 (que provavelmente foi o estopim desta história), mas o método de “zumbização” dos amigos do Zé está mais para os antigos filmes de Bela Lugosi dos anos 1930, com uma sugestão hipnótica tomando o lugar da poção maléfica.

Papai faz questão de confundir o leitor ao máximo, deixando-o “no escuro” para criar a maior sensação de “terror” possível em uma história Disney, a começar pela moedinha que vai parar nas mãos do Papagaio, uma pataca antiga que é estranhamente parecida com a moeda-talismã de um certo pato quaquilionário de Patópolis. Será a Número Um?

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Apesar de tudo, não é feita nenhuma menção ao velho Patinhas. Se for mesmo a Número Um, não fica explicado como ela acabou indo parar tão longe da cidade dos patos. Também não há pista nenhuma de como ela voltará ao seu dono original. Na história de hoje, ela é o talismã do Bruxinho Peralta, que pela primeira vez não é tão vilão assim e só está tentando reaver o que é (aparentemente) seu. O fato é que a turma do Rio de Janeiro, muito por acaso, foi pega de surpresa no meio de um “tiroteio” mágico, uma guerra entre bruxos.

As aparições do Pedrão e do Nestor como zumbis são verdadeiramente impagáveis, e certamente fazem a confusão toda valer a pena, pelo menos do ponto de vista do leitor.

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Os Minimetralhas

História da Maga Patalójika, de 1977.

Esta é uma daquelas histórias que papai mais gostava de fazer, nas quais o final é exatamente igual ao início. Existem, aliás, duas histórias de papai com o mesmo nome. (Esta, com 11 páginas, de 1977, e outra, com 9 páginas, publicada em 1981.) Pode-se considerar que são variações sobre um mesmo tema. Talvez seja por isso que o pessoal do Inducks ainda não deu os créditos por esta, mas basta verificar com atenção a lista de trabalho para ver que são duas histórias distintas.

A vasta fortuna do Tio Patinhas, toda ela amontoada em uma “cesta” só, é o maior chamariz para todos os bandidos de Patópolis. E os principais, dentre esses bandidos todos, são certamente os Metralhas e a Maga Patalójika.

Quando as regras da bandidagem (como o famoso ditado “não há honra entre ladrões”) e as da magia convergem, tudo pode acontecer. Mas, é claro, nenhum dos vilões vai se dar bem, apesar de um aparente sucesso inicial.

Maga Metralhas

O plano maléfico da vez até que é bom, mas os Metralhas põem tudo a perder por um descuido bobo, um erro crasso. E a sensação de vazio no estômago por fome vai ter um papel central nisso. Nada, em uma história de meu pai, ficava “solto” na trama. Se ele colocava alguma coisa no papel, era certamente para usar como elemento na solução da coisa toda, por menor e menos importante que pudesse parecer. E, frequentemente, por isso mesmo.

Quem conhece os personagens, e especialmente a Maga, quase sente pena dos Metralhas nas mãos dela. Mas quase, só quase. Enquanto isso, o Tio Patinhas e o Donald não são bobos, e sabem muito bem que não se deve ignorar acontecimentos estranhos, por menores que sejam.

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Puxando um pouco para uma referência do mundo real, é preciso dizer que o polimento de moedas antigas, especialmente as de coleção, é uma controvérsia entre numismatas, apesar de ser algo que o Patinhas faça todo dia com a sua mais querida moedinha.

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Um Certo Capitão Mendoza

História do Zorro, de 1976.

(O título da  história me lembra qualquer coisa como “Um Certo Capitão Rodrigo”, mas a referência para por aí.)

Da série “planos perfeitos para capturar o Zorro”. Um capitão novo, tido como o melhor espadachim da Califórnia, é enviado a Los Angeles para tentar, pela enésima vez, prender aquele a quem os poderosos chamam de bandido, e o povo humilde chama de herói.

Zorro Mendoza

Os militares tentam todos os truques do livro, desde o desafio barato para um duelo, passando por tentativas de emboscada, perseguições noite adentro, aumento da recompensa, e chegando até mesmo à luta desleal. Obviamente, nada disso adianta. O Zorro está em todos os lugares, seja como Don Diego, ou vestido de capa e roupa preta. Ele sabe de tudo o que se passa, luta melhor que todos, é mais esperto que qualquer um e tem o povo ao seu lado. Ninguém segura o Zorro!

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A Estrada Real citada pelo Capitão Mendoza na história existe de verdade. Foi aberta pelos espanhóis mais ou menos na mesma época na qual se passa a lenda do Zorro, e um belo mapa antigo feito à mão pode ser visto no link. Vale o clique.

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Marsupial: http://www.lojamarsupial.com.br/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava

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Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/p/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-15071096

Monkix: http://www.monkix.com.br/serie-recordatorio/ivan-saidenberg-o-homem-que-rabiscava-serie-recordatorio.html

Cachorros E Cachorradas

História do Tio Patinhas, de 1972.

Além do Primo Nadinhas, parece que o Patinhas tem mais alguns primos pobres, incluindo um certo Harpagão Mac Shato, um chato que é a ovelha negra da família e filante pedinchão que jamais conseguiu poupar um tostão… “apesar de seu nome”, nos diz papai em uma fala do velho muquirana, e isso é uma pista para o leitor pesquisar um pouco.

“Harpagão, O Velho Avarento” é o nome de uma peça de teatro, uma comédia de Moliére, famoso dramaturgo francês do século XVII. Apesar de ser muito rico e esconder dinheiro pela casa, ele submete a uma penúria extrema todos os que vivem com ele, até mesmo o seu próprio filho. A peça do autor francês pode inclusive ter servido de inspiração para “Um Conto de Natal”, livro de Charles Dickens que deu origem ao próprio Tio Patinhas.

Por falar em pistas, a história está cheia delas. O cão Mac Drog, uma droga de cachorro treinado para impedir que seu dono gaste dinheiro, é o primeiro mistério. De onde veio esse bicho? O comportamento do primo escocês, um tanto reticente em alguns momentos e com alguns atos falhos, fará o leitor atento ficar com a pulga atrás da orelha. Será que ele é realmente quem diz ser? E se não for, quem será ele?

Patinhas cachorradas

Depois de feitas as “apresentações”, papai começa a brincar de gato e rato com o leitor, plantando algumas pistas falsas no meio da trama. No momento em que a Maga Patalójika aparece, preparando uma super poção para arrombar cofres, o leitor acha que matou a charada. Afinal, as bruxas também chamam o Patinhas de “pato” (sinônimo de bobo), e a Maga é uma notória mestra em disfarces. Não seria a primeira vez que ela mudaria de aparência para melhor se aproximar do Patinhas e da Moedinha Número Um.

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Quando a Maga é expulsa pelo cão de guarda e os Irmãos Metralha entram em cena, somente para serem rechaçados eles também, o leitor provavelmente já estará meio tonto de tanto não entender nada. Quem é o vilão, afinal? Uma sequência de silhuetas na quinta página da história vai dando mais pistas. A primeira se parece um pouco com o Bruxinho Peralta, mas logo também esta confusão será desfeita.

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No final, o Harpagão não é o Harpagão, mas o cão Mac Drog pertence na verdade ao verdadeiro Harpagão, e foi roubado pelo falso para servir a um elaborado plano de roubo (Entendeu? Não? Ótimo!). Estes três personagens (Harpagão, o cachorro e o ator ladrão Ígor) só aparecem nesta história e são, portanto, criações exclusivas de papai. A história é uma das primeiras escritas por ele para a Disney, e tem uma forte influência do estilo de Carl Barks.

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