Perdidos No Vale Do Eco

História do Mickey, publicada uma vez só em 1975.

Trata-se de um bom mistério policial. Ao mesmo tempo em que vai armando uma armadilha quase perfeita para o herói (eu já avisei que não existe crime perfeito?), papai vai deixando todas as pistas possíveis para que o leitor o solucione.

Logo no último quadrinho da primeira página nosso leitor atento já terá a certeza de que há algo muito errado acontecendo. Mesmo com o mapa e as placas aparentemente apontando o caminho certo para uma suposta “Estância Azul” (o Google me mostra vários equipamentos turísticos com esse nome pelo Brasil afora, mas eu não me lembro de ter visitado nenhum deles), será que a placa de advertência caiu sozinha ou foi retirada?

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Com a progressão dos quadrinhos, um sofisticado plano maléfico vai se revelando: mapas adulterados, placas trocadas, sabotagem no carro do Mickey, e finalmente a “cereja do bolo” – o bandido deu o telefone do próprio esconderijo ao herói para poder falar com ele como se fosse o dono da tal estância. Tudo isso para tirar o rato do caminho, levando-o para longe no meio do deserto, e poder praticar um crime.

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Por fim, o mapa adulterado contém em si a solução para o problema, e o leitor que souber lê-lo poderá ficar tranquilo na certeza de que o Mickey vai conseguir dar a volta por cima e prender os bandidos. Afinal, é mais fácil trocar alguns detalhes em um mapa já existente, do que desenhar algo completamente falso. Sendo assim, caberá ao leitor decidir quais elementos no mapa são falsos, e quais são os verdadeiros.

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O Sumiço Dos Herdeiros

História do Zé Carioca, de 1975.

Estamos novamente na ilha-fortaleza do Coronel Zé Do Engenho, para mais uma “sessão mistério” inspirada em antigas histórias de terror e clássicos da literatura do gênero policial. Esta é a continuação da história chamada “Herdeiros Trapaceiros”, já comentada neste blog.

Como já foi explicado, e vemos novamente aqui, o acesso à casa é restrito e perigoso. O rio que cerca a ilha é infestado de piranhas e jacarés, e o acesso se dá por avião e barco. É impossível sair ou entrar sem permissão ou sem ser percebido.

Esse tipo de fortaleza tem uma grande desvantagem, que reside justamente no acesso difícil. Se o ocupante do lugar é realmente quem de direito, então tudo bem. Mas se inimigos ardilosos conseguirem se infiltrar, o local acaba se transformando em uma perigosa armadilha.

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O interessante é ver que papai imprime a cada um dos primos do Zé uma personalidade diferente. Assim, além de “especialista em café”, o Zé Paulista é o certinho da turma, sempre querendo fazer as coisas direito, como usar o telefone para chamar a polícia, o que não será possível, é claro. Outro primo de personalidade forte é o corajoso Zé Pampeiro, que é quem vai acabar bancando o detetive e descobrindo a solução do mistério.

Já o Zé Carioca, personagem principal da trama, vai passar a história inteira “desaparecido”. À medida que o mistério se aprofunda todos os que não estão na sala no primeiro quadrinho se tornam suspeitos, a começar com a Dona Currupaca, que logo na primeira página serve um café “esquisito” e em seguida some. Será que ela colocou alguma coisa na bebida? E será mesmo que todos os presentes na primeira cena são mesmo inocentes? Será que todo mundo ali é mesmo quem diz ser?

E cadê o Zé, afinal? Terá ele sido a primeira vítima dos vilões, fugido de medo (todo mundo sabe que ele não é nada destemido), ou será ele mesmo o vilão? Será que ele realmente teria a coragem de se voltar contra a própria família? E quem está dentro da armadura medieval, em nome de tudo o que é mais sagrado??? (Lembrando que a armadura já aparece logo no primeiro quadrinho, o que poderia livrar o personagem oculto de culpa, mas a atitude furtiva de seu ocupante não o isentará lá muito aos olhos do leitor transformado em detetive.)

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Com o passar das páginas essas perguntas todas serão respondidas, enquanto a perseguição dos vilões à família de papagaios vai se tornando cada vez mais explícita e o embate entre os bons e os maus cada vez mais direto, até o confronto final.

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A Ameaça Dos Monstros

História do Morcego Vermelho, de 1975.

É noite de lua cheia! (Talvez seja até uma sexta 13) Monstros e mais monstros estão brotando do solo! (E desaparecendo misteriosamente logo em seguida) Nada é o que parece ser e vemos personagens mascarados, polícia ineficiente, uma empresa de fachada, um plano maléfico, um chefe misterioso, e um herói completamente confuso.

Poderia ser uma descrição da atual conjuntura política no Brasil (ou mesmo da que víamos 40 anos atrás, não há muita diferença, mesmo), mas é só uma história em quadrinhos.

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Papai estava inspirado quando compôs esta história, e a zoação reina solta: a principal vítima da gozação é mesmo o Morcego, mas o leitor também vai acabar meio zonzo, especialmente se começar a tentar descobrir o que está acontecendo.

Será que é coisa do Bruxinho Peralta e sua maleta de monstrinhos? Mas se é coisa das bruxas, para quê os vilões precisam usar máscaras para se disfarçar? Vai ser somente na quinta página, com o aparecimento dos Irmãos Metralha, que o leitor começará a entender o que está acontecendo.

Mas este plano está bem bolado (e – surpresa! – bem executado) demais para ser coisa só dos Metralhas. Quem é, afinal, o chefe misterioso que está dirigindo o caminhão da suposta empresa de sondagem de terreno (e supervisionando a tudo de muito perto)?

Se o leitor atento conseguir se recuperar do choque inicial, ele poderá finalmente ver uma pista importante sobre a identidade do “chefe”. Afinal, joalherias não são o alvo predileto dos Metralhas.

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A verdade é que este é mais um plano para “sutilmente” convencer o herói a tirar longas férias e assim poder roubar sem grandes impedimentos. Ele é tão bem sucedido que até o Coronel Cintra se convence de que o Morcego está vendo coisas e recomenda que ele vá ao cinema para se distrair. Não que o Morcego/Peninha não esteja realmente precisando de férias, ou pelo menos de pegar um cineminha, mas o tema dos filmes em cartaz realmente não ajuda.

Esta é uma história tão boa, tão engraçada, e com um mistério tão bem bolado, que papai sentiu a necessidade de “assinar” a obra. Assim, em uma época na qual isso não era permitido, pelo menos não oficialmente, ele se saiu com esta: sutil como uma tijolada na orelha.

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Um Guia Em Apuros

História do Zé Carioca, de 1974.

Como diz o velho ditado, “não importa o que você faça e o quanto cobre, sempre vai haver alguém para fazer a mesma coisa mais barato e um pouco pior”.

Assim, o Zé passa a história toda enfrentando a concorrência desleal de um bando de gatos que montou uma banca de turismo igual à dele e parece ter prazer em roubar seus clientes em potencial.

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Ênfase na palavra “roubar”, aliás. Quando a concorrência começa a oferecer seus passeios de graça, única e exclusivamente para não dar chance ao papagaio, ele e o Nestor começam a desconfiar de que pode haver algo de muito errado acontecendo.

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É uma clássica história do tipo policial, com um mistério e pistas espalhadas ao longo das páginas, a começar da caracterização como gatos da turma rival. Infelizmente, são raros os heróis de quadrinhos representados como esse animal, por causa do preconceito das pessoas e da injusta má fama que os felinos têm.

Mas os quadrinhos muitas vezes são feitos de clichês, que acabam sendo usados para facilitar a compreensão de certas situações, poupando descrições mais longas que podem atrapalhar o bom andamento da história. Assim, o leitor atento vai sacar logo de cara que essa turma não pode estar com boas intenções

Mas para além da trama e da solução do mistério, temos hoje aqui mais uma pista sobre as origens do Afonsinho. De figurante em uma história do Canini no ano anterior, papai o transforma em personagem nesta história, em sua primeira aparição oficial, com o nome de “Dentinho”. O que talvez nunca saibamos é como e por quê o personagem passou de “Dentinho” a “Afonsinho”, perdendo os dentes no processo e ganhando sua peculiar personalidade.

Pode ser que, ao ver seu figurante “promovido”, o Canini tenha desejado ajudar a desenvolvê-lo, para não “dar” simplesmente a ideia a papai. Ainda assim, considerando que o que era um mero figurante para o Canini tenha passado a personagem com papai, eu ainda acho que, se não fosse pelo Said, o Afonsinho, por qualquer nome ou figura que tenha vindo a ter, não existiria. Isso tem de valer alguma coisa.

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No Reino Das Peças de Xadrez

História da Turma da Fofura, de Ely Barbosa, composta em setembro de 1987 e publicada pela Editora Abril na Revista da Fofura número 11 ainda no mesmo ano.

Aqui voltamos mais uma vez ao tema do jogo de Xadrez, o esporte predileto de papai. Como a proposta dos personagens é para crianças bem menores do que os leitores da Disney, a abordagem será também bem mais simplista. Não por acaso, na primeira página nenhum dos personagens sabe jogar, a ponto de interpretarem a palavra “jogar” como “arremessar”, com resultados doloridos para alguns.

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Como sempre, ele faz questão de tentar ensinar alguns rudimentos, como a menção à “oitava casa preta à esquerda”. Essa é a maneira correta, de acordo com as regras, de colocar o tabuleiro sobre a mesa para se iniciar uma partida: a última casa preta da primeira fileira do tabuleiro fica à esquerda do jogador e, consequentemente, a primeira casa branca fica à direita dele.

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E, claro, para deixar as coisas interessantes e evitar passar a impressão de “aula”, papai inventa um desaparecimento dos peões e cavalos brancos com um pequeno mistério para o coelho Escovão resolver. O exercício de imaginação gira em torno da livre associação de ideias com a palavra “peões”. Afinal, no Brasil “peões” são também – e principalmente – os “de boiadeiro”.

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Somente após a resolução do mistério e a volta das peças brancas poderá o jogo de Xadrez começar, para que o Nenê possa finalmente realizar seu desejo de aprender alguma coisa sobre como realmente se joga.

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A Torre Sinistra

História do 00-ZÉro e Pata Hari, de 1975.

Em mais uma missão para o leitor atento, os agentes secretos são chamados para investigar uma série de assaltos a joalherias nos quais a Bronka está envolvida.

Como sempre todos são suspeitos, nada é o que parece ser, e papai joga pistas falsas para todos os lados.

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A primeira tarefa do leitor, mais do que decidir se o contato é realmente um aliado ou um inimigo disfarçado, será descobrir qual é a ligação entre os roubos e a misteriosa figura apelidada de “o Fantasma da Torre Sinistra” que tem aparecido todas as noites na janela de uma torre abandonada.

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O nome escolhido para a cidade, “Londônia”, não é um acaso nem uma coincidência. A similaridade com o nome da cidade de Londres, capital da Inglaterra, serve para justificar os frequentes e fortes nevoeiros que aparecem na história. Eles também terão sua função na solução do mistério, já que nada aparece ou acontece por acaso na trama.

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A Estação Submarina

História do Professor pardal, de 1975.

Esta história foge um pouco do lugar comum, por misturar ficção científica com o já conhecido método de criação de histórias policiais de papai. A primeira e principal pista de que algo vai dar errado está logo no último quadrinho da primeira página. O que parece ser um inocente tapinha nas costas vai se revelar, no final, como algo muito mais maléfico.

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Quanto à Estação Submarina em si, papai parte do princípio de que toda ferramenta pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Um martelo pode ser usado para construir uma casa ou derrubar uma casa, e a energia atômica pode virar uma bomba terrível ou ferver água em grande escala para produzir energia elétrica (eu, aliás, acho isso um absurdo tão grande quanto a bomba, pois os riscos da “chaleira atômica” ultrapassam, em muito, a sua utilidade. A maior usina atômica do universo está no Sol e é, certamente, uma fonte bem mais segura de energia e tão abundante quanto).

A arma tecnológica da vez não é a energia atômica, mas raios laser de alta potência que o cientista do bem, já virado em malvado, manda instalar na estação submarina no último minuto. O pretexto é melhorar a extração de minérios, função original da estação, mas na realidade eles serão utilizados para fazer chantagem.

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Desta vez é o Lampadinha que ficará com a missão de salvar o mundo do Professor Pardal do Mal, provando mais uma vez que “tamanho não é documento”. Muito pelo contrário. É justamente por ser tão pequeno que ele conseguirá solucionar o problema.

Mas o robozinho nunca para de nos surpreender. Agora constatamos que, além de ter sentimentos, saber pensar e solucionar problemas complexos, ele também é à prova de água e pode mergulhar a grandes profundidades sem medo de um curto circuito. Interessante. Mas a cena mais engraçada desta história, a meu ver, também é protagonizada por ele:

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