O Pássaro Da Felicidade

História do Professor Pardal, de 1973.

Para afastar o cansaço das longas horas de trabalho no laboratório e divertir um pouco ao Lampadinha, que parece positivamente entediado, o Prof. Pardal inventa um pássaro mecânico, um brinquedo ao qual chama de “Coió de Mola”, que é uma expressão usada para denotar uma pessoa boba alegre, aquela que se diverte com qualquer bobagem.

Tanto quanto eu sei, esse foi o nome dado no Brasil a um clássico brinquedo norte americano, o Jack In The Box. Ele consiste de uma caixinha com uma manivela que, ao ser girada, dá corda em um mecanismo que faz tocar uma musiquinha e, ao final, faz abrir de repente uma portinhola no topo de onde salta um boneco, o que dá um baita susto na criança e, em seguida, geralmente, também um acesso de riso.

É uma forma simples e boba de diversão, mas funciona. Ao que parece, foi uma coisa que fez muito sucesso com a criançada a partir do pós-guerra e até o início dos anos 1970. Até hoje parece bastante popular.

Já no caso da história de hoje, ela vai funcionar bem até demais. A coisinha mecânica é tão engraçada, e de uma maneira tão gratuita, que até parece mágica. Qualquer pessoa que esteja em sua presença não vai conseguir parar de rir, com resultados hilários até para o leitor.

O interessante é que, apesar da confusão que o brinquedo causa pelas ruas de Patópolis, estão todos se divertindo tanto que nem se importam. E quando ele finalmente para, há até quem fique bravo.

Em 1976 papai voltaria ao tema com O Espelho das Gargalhadas, outro de seus brinquedos prediletos de infância, mas com um efeito exatamente contrário sobre a população da cidade.

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A Receita Da Invisibilidade

História do Professor Pardal, de 1980.

O título original na lista de trabalho era “A Fórmula Da Invisibilidade”, o que faz muito mais sentido, mas o editor achou por bem mudar, sabe-se lá por qual motivo.

A inspiração vem da literatura, mais especificamente de uma novela de ficção científica escrita por H. G. Wells e publicada em capítulos em 1897, antes de ser lançada como livro no mesmo ano. Além disso, a história virou também filme em 1933, com várias sequências pelos anos 1940 adentro e nas muitas décadas desde então.

Ao longo dos séculos figuras mitológicas, magos e cientistas vêm procurando uma maneira de tornar coisas e pessoas invisíveis, seja por meio de “poções”, capas ou mantos, anéis, capacetes (como o de Hades, depois emprestado a Perseu) e outros objetos e métodos.

Aqui papai segue a linha de Wells, com o Tio Sabiá inventando uma fórmula (se fosse uma bruxa, poderia ser igualmente uma poção) que, quando fervida, produz um vapor que deixa invisíveis a tudo e a todos que toca. O efeito é tão forte que até a casa do inventor fica completamente transparente. Parte da graça da história é observar o Pardal trabalhando às cegas em um laboratório e com objetos que ninguém vê.

A tarefa do Pardal será encontrar um antídoto para ajudar o tio a voltar ao normal, enquanto enfrenta o Professor Gavião com a ajuda do Lampadinha para que a receita não caia em mãos erradas.

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O Roubo Do Ursinho

História do Superpateta, de 1979.

Esta é mais uma variação sobre o tema do cientista maluco com o canhão de raios de controle mental, como trabalhado nas já comentadas aventuras do Falcon e do Capitão Valente. Desta vez o vilão é o Professor Gavião em colaboração com os Metralhas, o que adiciona também o elemento da falta de honra entre ladrões.

Eles realmente têm todos o mesmo objetivo, que vai além da mera colaboração para o roubo: tapear o outro lado para não ter de dividir o produto do crime também faz parte, inclusive com a arrogância de se achar esperto por sua deslealdade.

A particularidade do raio maligno da vez é a indução de um sentimento de profundo tédio (para não dizer de depressão) em suas vítimas, o que faz com que elas percam o interesse em bens materiais e se sintam “cansadas de tudo”. Assim, entregam o que os vilões demandam e também perdem a vontade até mesmo de dar queixa na polícia.

Como sempre o plano parece infalível, o crime perfeito, mas a sua implementação terá uma falha pequena e aparentemente inconsequente que acabará levando o herói até o esconderijo do bando e à prisão dos bandidos.

Papai só anotou o nome da história na lista de trabalho na data da republicação, em 1983. Por isso, ao que tudo indica, ela ainda não está creditada no Inducks. Mas é dele sim, podem confiar.

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Feitiço Caprichado

História do Professor Pardal, de 1974.

Um velho ditado diz que “situações desesperadoras exigem ações desesperadas”. E nessas horas, ao que parece, vale tudo: até mesmo recorrer aos serviços de uma bruxa. E é exatamente o que fará o Professor Gavião, após ser expulso do laboratório do inventor do bem pela enésima vez.

Isso, aliás, é algo muito comum aqui mesmo no Brasil. Muito mais gente do que pode parecer (e não, não tem nada a ver com pobreza ou ignorância), ao primeiro sinal de que alguém não vai fazer suas vontades, ou à menor frustração, corre se consultar com uma cartomante (especialmente aquelas que fazem “trabalhos”) ou encomendar feitiços “cabeludos” a algum feiticeiro ou milagreiro de aluguel.

Mas é claro que, em uma história em quadrinhos Disney, ainda que magias e poderes mágicos possam ser tratados como algo real, nenhum mal pode realmente acontecer aos bons, e nenhum crime poderá ficar impune.

O detalhe que porá os planos do Gavião a perder é uma pequena falha de comunicação, aliada à vontade da Madame Min de “caprichar” para impressionar o comparsa cientista. Na parte da magia, mais um ditado se aplica: “cuidado com o que você pede, você pode conseguir exatamente isso”. E na ciência, como sabemos, “um computador não faz o que você quer, mas sim o que você manda. Nesta história, a bruxa será o veículo de um pouco de cada uma das duas coisas. 

Interessante é a pressuposição de que não se pode simplesmente criar dinheiro por meio de magia, mas que ele precisa ser ganho (ou atraído) de algum modo (de preferência honesto), e que até mesmo bruxas superpoderosas precisam dele de vez em quando. Que poder é esse que tem o dinheiro que o torna “imune” às forças ocultas? Ou será que é a dificuldade que nós, simples mortais, temos em ganhá-lo que nos dá essa impressão? É algo para se pensar.

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Quem Tem Medo Do Bicho-Papão?

História do Morcego Vermelho, de 1978.

Como toda boa trama de terror (e de “terrir” também), esta história começa com uma paz enganadora. O nosso herói conseguiu vencer e mandar para a cadeia todos os bandidos de Patópolis. Isso é uma coisa boa, é claro, mas também deixa o personagem principal sem ter muito o que fazer.

Mas como esta não é uma história do Pena Kid, quando a paz for quebrada, será em grande estilo. (Eu disse “grande”?) É que “grande”, na verdade, é só o estilo, mesmo. O vilão da vez até que é bem pequeno.

Para o leitor atento vai ficar claro de imediato que não é nenhuma alucinação. Resta tentar adivinhar, então, quem, ou o que, é esse “Bicho Papão”. Pelo tamanho, poderia ser o bruxinho Peralta transformado, ou até mesmo um produto de sua maleta de monstrinhos. Mas qual interesse ele teria no Morcego Vermelho? Ou talvez seja alguma criação robótica de algum dos gênios do mal que o Morcego prendeu? Uma coisa é certa: seres sobrenaturais, como monstros, seres mitológicos e assombrações não existem. Ou será que existem?

Quando a “pulga atrás da orelha” do leitor já está coçando bastante, papai começa a jogar mais pistas nas páginas. A insistência do bicho em sugerir que o herói abandone a carreira é a principal delas. E o fato de na verdade serem três os monstrinhos lembra bastante as histórias do Zorrinho. Só que os sobrinhos do Donald podem ser um pouco levados de vez em quando, mas não cometeriam uma agressão dessas. Assim, quem eles poderiam ser?

A resposta, é claro, será revelada na última página, depois de uma intensa troca de sopapos entre os bons e os maus. Lembrem-se: foram os monstrinhos quem começaram a agressão, e para valer. Mas tenho a impressão de que esta história não seria aceita para publicação nos dias de hoje no formato em que está, justamente por causa da identidade dos vilões.

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A Máquina Talvez

História do Professor Pardal, de 1980.

Inventada por Carl Barks em 1958, a simpática máquina em questão é mais uma daquelas coisas engraçadíssimas que papai adorava “adotar” e usar para mais algumas histórias.

Na história original a máquina lê pensamentos, mas só responde às perguntas que são dirigidas a ela com frases estapafúrdias que começam com “talvez”, sabotando, assim, o próprio propósito, que seria o de dar alguma vantagem ou conhecimento privilegiado ao usuário.

Ela seria usada novamente na edição especial sobre a História dos Computadores, já comentada aqui, ajudando a explicar o tema às crianças de Patópolis. Nos dois casos, o “método” para consertar a máquina (e também para quebrá-la de novo, ou a coisa toda não teria a menor graça) é o mesmo: um forte chute ou outro tipo de pancada. Como se diz por aí, quando o assunto é “computadores”, é aquela coisa: “software” é o que você xinga, e “hardware” é o que você chuta.

Isso é também uma referência a antigas comédias pastelão e filmes mudos, onde amnésias (e outros problemas mentais) eram causadas e também curadas com fortes pancadas na cabeça (crianças, não tentem isso em casa).

Interessante é o modo como papai combina à história principal a “trama paralela” do Lampadinha, também ao estilo Carl Barks, na qual o robozinho luta com várias aranhas enquanto o Professor limpa o depósito de inventos inúteis. Na maioria das histórias, isso é algo que acontece ao fundo, como uma história dentro de outra história.

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Lampadinha Ou Lampiãozinho?

História do Professor Pardal de 1974.

O Professor Gavião, apesar de considerar a si mesmo um gênio tão inspirado quanto o Professor Pardal, não passa de mero copiador de inventos alheios (e roubados).

A coisa toda pode aliás ser comparada com os diversos tipos de artistas que existem por aí: há os verdadeiramente inspirados, que fazem coisas admiráveis, e há os que dominam a técnica, são até bons no que fazem, mas não sabem se soltar e realmente fluir com sua arte. (Há piores, é claro, os copiadores da arte alheia, e é entre o medíocre e a fraude que o Gavião gravita.)

O problema é que, se o artista “menos genial” não souber relaxar e se cobrar um pouco menos, ele pode realmente se tornar amargo e invejoso do trabalho alheio, sabotando a si mesmo no processo e se impedindo de mostrar o seu verdadeiro potencial.

O Gavião é como o cozinheiro que sabe seguir um livro de receitas e, com algum esforço, cozinhar perfeitamente um belo jantar. Mas ele também sabe que o resultado não é exatamente dele, mas sim de quem compôs aquela receita, coisa que ele não saberia fazer (ou não teria coragem de tentar).

É exatamente por isso que o plano do vilão é perfeito. Na verdade, é um pouco “perfeito demais”, e é por isso mesmo que o feitiço vai acabar virando contra o feiticeiro. O leitor atento perceberá imediatamente que o Gavião vai perder a parada de novo assim que vir os dois robozinhos juntos.

O tema das cópias malvadas/imperfeitas e defeitos do Lampadinha foi algo que papai usou várias vezes nas histórias do personagem, sempre de maneiras levemente diferentes mas igualmente hilárias.

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